<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861</id><updated>2012-02-16T18:48:55.070-08:00</updated><category term='PROJETO PORTAL - ESPANHOL'/><category term='MUDANÇAS NO PLANETA TERRA'/><category term='OS MAIAS'/><category term='CHACRAS'/><category term='ENERGIA NEGATIVA'/><category term='ENERGIAS VIBRACIONAIS'/><category term='CANEPLAS'/><category term='A NOVA ERA'/><category term='REENCARNAÇÃO'/><category term='PREPARAÇÃO PARA CONTATOS'/><category term='CONTATOS'/><category term='O QUE É O PROJETO PORTAL'/><category term='CINTURÃO DE FÓTONS'/><category term='PALAVRAS DO URANDIR'/><category term='GNA'/><category term='PROJETO PORTAL - FRANCÊS'/><category term='NAVES EXTRATERRESTRES'/><category term='LILITH'/><category term='NAVE DO GNA'/><category term='DESCENDÊNCIA'/><category term='PROJETO PORTAL - SUECO'/><category term='4a DIMENSÃO'/><category term='ALMA GÊMEA'/><category term='NIVEIS MENTAIS'/><category term='DESPERTAR E EVOLUIR'/><category term='COMPROMISSO CÓSMICO'/><category term='ESTÍMULOS SEXUAIS'/><category term='SIMBOLOGIA'/><category term='TRABALHOS NO PROJETO PORTAL'/><category term='LÂMINAS'/><category term='ALIMENTOS'/><category term='AURA'/><category term='POLARIDADES'/><category term='LINHAS DA VIDA'/><category term='MEDICINA DE CRISTO'/><category term='MEDUSA'/><category term='PARANORMALIDADE'/><category term='LUZES'/><category term='TRANSIÇÃO PLANETÁRIA'/><category term='OBJETIVOS - PROJETO POTAL'/><category term='GLÂNDULAS'/><category term='PROJETO PORTAL - INGLÊS'/><category term='PLACAS'/><category term='RELATO - CONTATO'/><title type='text'>Estado de Graça</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>104</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-1322738346322049103</id><published>2011-08-14T03:05:00.000-07:00</published><updated>2011-08-14T03:05:14.319-07:00</updated><title type='text'>Armazenamento de alimentos a vácuo</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/dkwz9_Tmu7g?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-1322738346322049103?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/1322738346322049103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=1322738346322049103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/1322738346322049103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/1322738346322049103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/08/armazenamento-de-alimentos-vacuo.html' title='Armazenamento de alimentos a vácuo'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/dkwz9_Tmu7g/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-5448129728610124265</id><published>2011-07-24T06:09:00.000-07:00</published><updated>2011-07-24T06:13:03.084-07:00</updated><title type='text'>VIRACOCHA</title><content type='html'>Viracocha - Porta do Sol, detalhe.Viracocha ou Wiracocha ou Huiracocha (no idioma quechua: Apu Kun Tiqsi Wiraqutra) é a divindade invisível, criadora de toda a cosmovisão andina, era considerado como o esplendor original, o Senhor, Mestre do Mundo, sendo o primeiro deus dos antigos tiahuanacos, que provinham do lago Titicaca, de cujas águas teria surgido, criando então o céu e a terra. É o arquétipo da ordem do universo no homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus andrógino criado por si mesmo, hermafrodita, imortal, introduzido durante a expansão Wari-Tiwanaco, é o deus principal, criador do Universo e tudo que nele existe: a terra, o sol, os homens, as plantas, adotando distintas formas, e se acreditava que ele estava em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto ao deus criador supõe um conceito que abrange o abstrato e o intelectual, e era destinado apenas à nobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este deus, ou Huaca, aparentemente também está presente na iconografia dos habitantes de Caral e de Chavín, antigas cidades no atual território do Peru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] EtimologiaEm quechua, tiqsi significa "fundamento, base, início"; enquanto que wiraqutra provém da fusão dos vocábulos: wira (gordo) e qutra (que contém água - lago, lagoa). Na simbologia dos antigos andinos, a gordura era um símbolo da energia, e a água o elemento capital do ciclo vital do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os primeiros cronistas chegaram à América, a língua espanhola estava ainda em plena evolução, carecendo de normatização em seu alfabeto. Em tais casos, era comum o uso do V como o U para representar indistintamente a vogal u, e a semi-consoante W, que hoje tanto se escreve com U ou HU, naquele idioma. Por esta razão a grafia do nome deste deus foi largamente transliterada como Viracocha, e ainda outros escreviam Huiracocha ou Huiraccocha. Em outras versões seu nome era Ticci, Tiki ou Teisi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] DoutrinaViracocha, assim como outras deidades, era nômade e tinha um companheiro alado - o pássaro Inti, uma espécie de ave mágica, conhecedora do presente e do futuro, representada nos mitos orais como um colibri com asas de ouro (Quri qinqi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mitologia inca atribui-se a este deus todo-poderoso a faculdade de dirigir a construção de tudo que é visível e invisível. Organizando o universo em três mundos relacionados entre sí, em dualidade e harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hanan Pacha: o mundo de acima, habitam os seres celestes, constelações, astros, raios, estrelas, arco-íris, nuvens.&lt;br /&gt;Kay Pacha: o mundo daqui, convivem os seres terrestres, as montanhas, os lagos, os homens, os animais, as plantas.&lt;br /&gt;Uchu Pacha: o mundo subterrâneo, vivem os mallquis que são as sementes, os ancestrais enterrados para que na terra nasçam os homens novos.&lt;br /&gt;Estes mundos estão relacionados através da Yacumama e Sachamama que os atravessam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yacumama é o poder das águas e da fecundidade. No mundo de acima é o raio, no mundo terreno é o rio, e no subterrâneo é a serpente.&lt;br /&gt;Sachamama é o poder da fertilidade, que no mundo de acima é o arco-íris, aqui no terrestre é a árvore, e no subterrâneo é a serpente de duas cabeças, uma em cada extremidade.&lt;br /&gt;Entre esse mundo interior ou subterrâneo, existe uma comunicação física através dos orifícios da terra, covas, crateras, lagoas, denominadas genericamente de pacarinas, relacionadas à origem dos seres viventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o mundo terreno e o celeste, a comunicação se torna ideal. O homem se converte no mediador e intérprete dos mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciou sua obra no mundo dos antigos (ñawpa pacha), talhando na pedra as figuras dos dois primeiros seres humanos, dos primeiros homens e mulheres que vão tornar-se os fundamentos de seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Viracocha coloca estas estátuas nos vários lugares que lhes correspondem e, e lhes dá nome, animam-se ganham vida na escuridão do mundo primitivo (ñawpa pacha), posto que não havia ainda o deus cuidado de dar luz à Terra, que era então iluminada apenas pelo claror de Titi, um puma selvagem e chamejante, que vive no alto do mundo - certamente o jaguar que se entrelaça com outros animais nas representações totêmicas do Império Inca e das culturas pré-inca e incas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo visível chama-se Kay Pacha, mas ainda está incompleto porque Viracocha postergou o labor de criação completa do mundo, com o nascimento dos seres humanos que vão desfrutar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satisfeito com os homens, o deus prosseguiu em seu projeto, agora pondo em seu lugar devido os filhos Sol (Inti), a Lua (Mama Quilla), a infinitas estrelas, até cobrir toda a abóboda celeste com suas luzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, Viracocha dirige-se ao norte para, a partir de lá, chamar ao seu lado as criatura que ele acabara de dotar com vida própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de Tiahuanaco, Tiqsi Huiracocha delegou as tarefas secundarias da criação a seus dois ajudantes, Tocapu Huiracocha e Imaymana Huiracocha, que iniciam imediatamente as rotas do leste e oeste dos Andes, para - a cada instante nestes largos caminhos dar vida e nome a todas as plantas e animais que vão fazendo aparecer sobre a face da terra, na sua linda missão de auxiliar e complementar a obra realizada antes por seu deus e senhor Huiracocha, missão que terminam junto a a orla do mar, para depois mergulhar regiamente nas suas aguas, uma vez cumprida a tarefa ordenada pelo deus criador principal do universo e dos incas e pre-incas ao que parece desde a época de Caral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos mitos orais Huiracocha mostra-se como um sábio gobernante da época de Caral que ditou as leis da economía de retribuição (trueque, sistema de distribuição do trabalho) como também da Ayllu a grande unidade familiar andina. Viracocha logo ascendeu a categoría divina, igual a de todos os grandes governantes pre-incas e incas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido a ser o principal icone da mitologia inca, no vocabulário moderno, em todo os Andes centrais, é um nome de tratamento de respeito como senhor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-5448129728610124265?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/5448129728610124265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=5448129728610124265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/5448129728610124265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/5448129728610124265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/07/viracocha.html' title='VIRACOCHA'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-7691349940020679737</id><published>2011-07-10T03:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-10T04:11:38.603-07:00</updated><title type='text'>O RETORNO DE AMI</title><content type='html'>A Volta de Ami&lt;br /&gt;Índice&lt;br /&gt;Índice ____________________________________________________________________ 1&lt;br /&gt;Recordando Ami ___________________________________________________________ 2&lt;br /&gt;Primeira Parte _____________________________________________________________ 3&lt;br /&gt;Capítulo 1 - A Dúvida ___________________________________________________________ 3&lt;br /&gt;Capítulo 2 - Nas Pedras __________________________________________________________ 7&lt;br /&gt;Capítulo 3 - O encontro __________________________________________________________ 9&lt;br /&gt;Capítulo 4 - Uma Dança Cósmica_________________________________________________ 15&lt;br /&gt;Capítulo 5 - O Principal defeito __________________________________________________ 19&lt;br /&gt;Capítulo 6 - A Missão___________________________________________________________ 23&lt;br /&gt;Capítulo 7 - O Comandante______________________________________________________ 26&lt;br /&gt;Capítulo 8 - A Caverna _________________________________________________________ 31&lt;br /&gt;Capítulo 9 - Caminho para Kia___________________________________________________ 34&lt;br /&gt;Capítulo 10 - O Mestre Solar ____________________________________________________ 38&lt;br /&gt;Segunda Parte ____________________________________________________________ 42&lt;br /&gt;Capítulo 11 - Krato e os Térri ____________________________________________________ 42&lt;br /&gt;Capítulo 12 - Até a volta, Kia ____________________________________________________ 48&lt;br /&gt;Capítulo 13 - Calibur ___________________________________________________________ 51&lt;br /&gt;Capítulo 14 - O pergaminho e duas possibilidades ___________________________________ 57&lt;br /&gt;Capítulo 15 - Boneca Galática____________________________________________________ 64&lt;br /&gt;Capítulo 16 - Os pais de Ami_____________________________________________________ 67&lt;br /&gt;Capítulo 17 - A revolta__________________________________________________________ 74&lt;br /&gt;Capítulo 18 - Armas caras _______________________________________________________ 79&lt;br /&gt;A Despedida ______________________________________________________________ 81&lt;br /&gt;Conclusão________________________________________________________________ 83&lt;br /&gt;Conclusão da Conclusão ________________________________________________________ 84&lt;br /&gt;Conclusão da Conclusão da Conclusão ____________________________________________ 84&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;"Graças te dou a ti, Pai,&lt;br /&gt;Senhor do céu e da terra,&lt;br /&gt;porque escondeste estas coisas&lt;br /&gt;aos sábios e entendidos,&lt;br /&gt;e as revelaste aos pequeninos."&lt;br /&gt;(Mateus 11,25)&lt;br /&gt;"Existe um antigo mistério no Universo:&lt;br /&gt;Por que existe a vida?&lt;br /&gt;Para que a Criação?&lt;br /&gt;Os intelectos se afanam, procuram&lt;br /&gt;e não encontram,&lt;br /&gt;inventam teorias,&lt;br /&gt;mas o antigo mistério&lt;br /&gt;somente ao amor se revela&lt;br /&gt;à consciência iluminada pelo amor.&lt;br /&gt;Privilégio dos simples e ingênuos,&lt;br /&gt;como crianças."&lt;br /&gt;Recordando Ami&lt;br /&gt;Meu nome é Pedrinho X. O xis significa mistério. Não posso revelar meu sobrenome, logo vocês vão&lt;br /&gt;saber por quê...&lt;br /&gt;Sou um menino ainda. Apesar disso, já escrevi um livro que ficou muito famoso e cujo título é "Ami, o&lt;br /&gt;Menino das Estrelas". Na verdade, eu o ditei para o meu primo que gosta muito de literatura. Ele é bancário,&lt;br /&gt;chama-se Victor e, nos dias de folga, vinha até minha casa com sua máquina portátil a fim de que o&lt;br /&gt;escrevêssemos.&lt;br /&gt;Na opinião de Victor, a minha história é muito fantástica. Diz que só aceitou escrevê-la para ir&lt;br /&gt;"treinando", porque está pensando em editar um "livro de verdade", algo sério, relacionado com "a tortura da&lt;br /&gt;frustação mental"... Uma bobagem dessas bem chatas.&lt;br /&gt;Por causa do êxito de "Ami", um livro que fala de estrelas, "ovnis" e amor, Victor quer ambientar sua&lt;br /&gt;novela no espaço. Está sempre querendo saber como é que eu imagino os outros mundos e os&lt;br /&gt;extraterrestres. Respondo contando o que vi, eu imagino. Ele pensa que a minha história não é real, que&lt;br /&gt;inventei tudo. Diz que tenho muita facilidade para imaginar coisas, mas eu afirmo com toda a convicção: não&lt;br /&gt;há nada de fantástico no livro que eu escrevi.&lt;br /&gt;Ami existe: é um amigo meu, um visitante de outro mundo. Apareceu numa praia solitátia, ao&lt;br /&gt;anoitecer, quando o verão já estava terminando. Podia adivinhar meus pensamentos, planar como uma&lt;br /&gt;gaivota e também hipnotizar os adultos. Não parecia ter mais que uns oito anos; já dirigia um "ovni" e sabia&lt;br /&gt;construir aparelhos muito mais complicados que uma televisão. Dizia ser uma espécie de mensageiro ou&lt;br /&gt;professor. Talvez ele fosse um adulto, mas com a aparência e o coração de uma criança.&lt;br /&gt;Levou-me, em apenas poucos minutos, para conhecer vários países da Terra. Depois fomos até a&lt;br /&gt;Lua. Não gostei: árida demais. Parecia um queijo seco visto com uma lupa e, apesar de haver o sol, o céu&lt;br /&gt;permanecia sempre escuro. Ami alegrava-se com tudo, nada o desagradava, exceto comer carne. Sentia&lt;br /&gt;pena dos animaizinhos.&lt;br /&gt;Depois, ele me levou até um mundo maravilhoso que se chamava Ofir, ou melhor, chama-se Ofir,&lt;br /&gt;porque existe, é real. Está perto de uma estrela vermelha, um sol quatrocentas vezes maior do que o nosso.&lt;br /&gt;Ali não se conhece dinheiro. Todo mundo pega o que precisa e contribui na medida de sua&lt;br /&gt;consciência e boa vontade. Como não existem pessoas desonestas, não há polícia, cadeados, correntes,&lt;br /&gt;muros, cercas, grades ou fechaduras. Não estão dividido por países, Ofir é uma só nação e, como todos são&lt;br /&gt;irmãos, não existem exércitos nem guerras. Também não estão divididos por religiões, consideram que&lt;br /&gt;Deus é amor. Isso é tudo. Vivem procurando fazer o bem e tentam superar-se a cada dia. Divertem-se,&lt;br /&gt;também, de uma forma sadia e, ali, tudo é livre, nada é obrigatório.&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Ami disse que, na Terra, poderíamos viver assim. Para isso seria necessário que todos tomassem&lt;br /&gt;conhecimento do que ele veio revelar: que o amor é a Lei Fundamental do universo. Se todos tivessem essa&lt;br /&gt;certeza nos seus corações, o resto se realizaria mais facilmente. Disse também que, se assim não&lt;br /&gt;procedermos, nos autodestruiremos, porque a fórmula ideal para que um mundo se destrua é a soma de&lt;br /&gt;dois elementos: um alto nível científico e pouco amor.&lt;br /&gt;Para Ami, os mundo civilizados são os que obedecem aos três requisitos básicos:&lt;br /&gt;1) O amor é a Lei Fundamental do universo.&lt;br /&gt;2) As fronteiras e as barreiras devem ser abolidas para que uma só nação sobreviva.&lt;br /&gt;3) O amor deve ser o fundamento de toda organização mundial.&lt;br /&gt;Ami utilizou o exemplo de uma família para explicar-me este último ponto. As famílias compartilham&lt;br /&gt;tudo com carinho, porque o amor as une. Disse que todos os mundos civilizados vivem dessa forma.&lt;br /&gt;Também me ensinou que existe uma Lei Universal que impede as pessoas dos mundos superiores de&lt;br /&gt;interferirem em massa, na evolução dos mundos incivilizados. Podem apenas sugerir sutilmente e de acordo&lt;br /&gt;com um misterioso "plano de ajuda".&lt;br /&gt;Ele me pediu que escrevesse um livro, relatando tudo o que vivi e conheci junto dele. Disse que o&lt;br /&gt;escrevesse como se fosse ficção e não realidade. A propósito, repito agora: nunca conheci nenhum&lt;br /&gt;extraterrestre, nunca viajei até um mundo superior. Toda esta história também é um produto da minha&lt;br /&gt;imaginação...&lt;br /&gt;Se as pessoas acham que o que Ami disse é uma realidade, só porque coincide com as mensagens&lt;br /&gt;telepáticas que elas recebem, é mera casualidade.&lt;br /&gt;Assinado: Pedrinho X&lt;br /&gt;O último lugar que visitamos foi um mundo cor-de-rosa. Era eu mesmo que estava ali, mas já adulto,&lt;br /&gt;muito mais evoluído. Havia uma jovem que me esperava, fazia muito tempo. Seu rosto era azul-celeste bem&lt;br /&gt;claro e tinha traços de japonesa. Senti que nos amávamos. De repente... tudo desapareceu. Ami disse que&lt;br /&gt;isso aconteceria num futuro distante, depois de muitas vidas. Só compreendi este assunto complicado&lt;br /&gt;depois de muito tempo...&lt;br /&gt;Vivo sozinho com minha avó. Sempre passamos as férias de verão na praia. No ano passado, não&lt;br /&gt;pudemos ir por falta de dinheiro. Eu fiquei muito triste, porque Ami disse que voltaria se eu escrevesse o livro&lt;br /&gt;e tive que faltar a este encontro.&lt;br /&gt;Quis contar minha aventura para todo mundo. Mas Ami e Victor aconselharam-me a não fazer isso.&lt;br /&gt;Eles disseram que as pessoas podiam pensar que eu estava louco. Não obedeci. Assim que começaram as&lt;br /&gt;aulas, comecei a contar minha maravilhosa história para um colega que era meu amigo. Ainda nem tinha&lt;br /&gt;chegado na parte da viagem no "ovni" e ele começou a rir. Tive que dizer que era uma brincadeira, que eu&lt;br /&gt;estava "gozando a cara dele" para que pudesse parecer de novo um menino normal.&lt;br /&gt;Por este motivo, não posso revelar a minha verdadeira identidade.&lt;br /&gt;Primeira Parte&lt;br /&gt;Capítulo 1 - A Dúvida&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;Enquanto ajudava meu primo em seu livro, ele quis escrever uma bobagem sobre uma grande&lt;br /&gt;civilização de pulgas inteligentes que vinham de uma longínqua galáxia e que dominavam telepaticamente&lt;br /&gt;todos os habitantes desse mundo, para depois obriga-los a trabalharem, extraindo urânio para elas... Tive a&lt;br /&gt;coragem de dizer a ele que aquilo era vulgar e absurdo. Então, ele se aborreceu. Perguntou-me se, por&lt;br /&gt;acaso, eu nunca tinha pensado na possibilidade de que minha aventura com Ami tivesse sido apenas um&lt;br /&gt;sonho. No começo, não lhe dei atenção, mas ele insistiu e pediu-me uma prova. Contei sobre as "nozes&lt;br /&gt;extraterrestres" que a vovó tinha comido. Fomos perguntar-lhe.&lt;br /&gt;- Vovó, Victor é um bobo, pensa que eu sonhei com Ami. Fala pra ele... não é verdade que você&lt;br /&gt;comeu umas "nozes extraterrestres"?&lt;br /&gt;- Nozes o quê, filhinho?&lt;br /&gt;- Extraterrestres, vovó.&lt;br /&gt;- Quando, Pedrinho? -perguntou com a boca aberta, mostrando surpresa.&lt;br /&gt;Victor sorria triunfante, zombando de mim.&lt;br /&gt;- No último verão fomos à praia, lembra? Conte para Victor.&lt;br /&gt;- Vocês sabem que minha memória anda fraca, filhinhos. Nesta manhã mesmo, esqueci a carteira no&lt;br /&gt;armazém. Só percebi que não estava com ela quando o leiteiro veio cobrar. Procurei pela casa toda e...&lt;br /&gt;- Mas... você se lembra das "nozes extraterrestres" que experimentou, não foi? Você disse que tinha&lt;br /&gt;gostado muito...&lt;br /&gt;- Então, pedi ao leiteiro que me acompanhasse de novo até o açougue... não, acho que foi o&lt;br /&gt;armazém. aí, sim!... Ainda bem que "Seu" Saturnino é tão honesto e guardou-a para mim.&lt;br /&gt;Fiz mil tentativas. A vovó simplesmente não se lembrava de nada... nada!&lt;br /&gt;- Está vendo? -disse Victor, com cara de satisfação-. Você não tem provas. Aceite que tudo foi um&lt;br /&gt;sonho. Lindo, devo reconhecer, de outra maneira não o teria escrito, mas pura imaginação.&lt;br /&gt;Procurei uma prova. Lamentavelmente, além das "nozes", Ami não tinha deixado nenhuma lembrança&lt;br /&gt;material, nada palpável.&lt;br /&gt;Continuei pensando até que minha mente se iluminou e eu lembrei de algo mais.&lt;br /&gt;- Já sei!&lt;br /&gt;- Já sabe o quê?&lt;br /&gt;- Quando Ami foi embora, todas as pessoas do balneário viram o "ovni"!&lt;br /&gt;Com isso eu o derrotava... Assim mesmo, ele não se impressionou.&lt;br /&gt;- Já sei que houve um "avistamento" naquele dia, mas eu tenho certeza de que foi nesse momento&lt;br /&gt;que você inventou a história, não é verdade?&lt;br /&gt;- Não inventei nada. Houve testemunhas...&lt;br /&gt;- Testemunhas de mais um dos vinte mil casos de luzes no céu. Ninguém sabe exatamente o que&lt;br /&gt;são: plasma, refrações atmosféricas, satélites, aviões. Enfim, luzes no céu. Daí a se dizer que são naves&lt;br /&gt;extraterrestres... existe muita imaginação entre uma coisa e outra. Agora, inventar que você se comunicou&lt;br /&gt;com um ser de outro planeta... vamos! E... ainda por cima, dizer que viajou até outro mundo...isso é ir longe&lt;br /&gt;demais! Você pode chegar a ser um ótimo escritor de ficção científica, mas não confunda imaginação com&lt;br /&gt;realidade. Existem manicômios...&lt;br /&gt;- Mas é verdade. É verdade!&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;- Provas! -exigiu meu primo-. Pode ser que você tenha sonhado com tudo isso e confundido sonho&lt;br /&gt;com realidade...&lt;br /&gt;Ele não quis reconhecer. Disse que estava cansado, que outro dia continuaríamos a conversa mas,&lt;br /&gt;nessa noite, duvidei; pensei que tudo não tivesse passado de um sonho. Parecia-me impossível, mas que&lt;br /&gt;provas eu tinha, afinal de contas?&lt;br /&gt;Nessa noite, fiquei angustiado e procurei no livro "Ami" alguma coisa que me servisse de pista.&lt;br /&gt;Li o livro. Acho que foi a primeira vez que o fiz com tanta atenção, do princípio ao fim. Foi somente, no&lt;br /&gt;final, que encontrei o que seria uma prova irrefutável: o coração alado gravado na pedra. Claro! Era isso!&lt;br /&gt;Ami usava uma roupa branca. No centro do peito, havia um símbolo: um coração dourado, com asas,&lt;br /&gt;rodeado por um círculo. Mais tarde, explicou-me que significava a humanidade unida em amor. Depois de&lt;br /&gt;sua partida, esse desenho ficou gravado no alto da pedra onde eu conheci o menino espacial. Pude vê-lo&lt;br /&gt;muitas vezes ainda... ou também fazia parte de um sonho?&lt;br /&gt;Senti-me inseguro, porque me lembrei de uma tia que afirmava ter sonhos muito demorados, cheios&lt;br /&gt;de pequenos detalhes, inclusive com "enredo". Dizia que eles continuavam na noite seguinte, partindo&lt;br /&gt;exatamente do ponto onde tinham ficado antes de acordar, como nos capítulos de uma novela.&lt;br /&gt;Meu encontro com Ami seria algo assim?&lt;br /&gt;Achei que a única coisa capaz de me dar uma prova definitiva era o coração gravado na pedra. Se&lt;br /&gt;estivesse ali, Ami e o resto também seriam uma realidade. Se não existisse, tudo tiria sido um maravilhoso&lt;br /&gt;sonho.&lt;br /&gt;Quando vi meu primo novamente, a primeira coisa que eu disse foi:&lt;br /&gt;- Existe uma prova.&lt;br /&gt;- De quê?&lt;br /&gt;- De que meu encontro com Ami foi real.&lt;br /&gt;- Qual é? -perguntou sem prestar muita atenção.&lt;br /&gt;- O coração gravado na pedra da praia.&lt;br /&gt;- Histórias! Esqueça tudo isso. Vamos continuar escrevendo o meu livro. Estive pensando que, em&lt;br /&gt;vez de pulgas inteligentes, seria melhor uma raça de escorpiões telepá...&lt;br /&gt;- Mas antes, vamos para a praia. Você acabou de comprar um carro e...&lt;br /&gt;- O quê?! Você está louco? A praia fica a mais de cem quilômetros daqui e eu sou um homem muito&lt;br /&gt;ocupado. Não me interessam as fantasias de um menino sonhador.&lt;br /&gt;- Mas elas lhe interessam quando quer escrever, não é?! ...&lt;br /&gt;- Isso é bem diferente! Não gosto de atrevimentos! Escrevo para praticar, mas não confundo as&lt;br /&gt;coisas. É ficção, imaginação.&lt;br /&gt;- É realidade! -protestei com desagrado.&lt;br /&gt;Dirigiu-me um olhar de reprovação e, depois, disse:&lt;br /&gt;- Estou começando a preocupar-me seriamente com sua saúde mental, Pedrinho.&lt;br /&gt;Seu tom paternal me fez vacilar. Realmente, senti medo de estar louco. Por isso, quis tirar a dúvida,&lt;br /&gt;de uma vez por todas.&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;- Então, vamos fazer uma coisa, Victor. Vamos até a praia e, se o coração não existe, compreenderei&lt;br /&gt;que tudo foi um sonho e não voltarei a confundir as coisas. Mas, se ele estiver lá...&lt;br /&gt;- De novo com essa história!... Está bem. No próximo verão iremos.&lt;br /&gt;- No próximo verão? Mas ainda faltam seis meses!&lt;br /&gt;- Paciência. No verão, vamos comprovar que você está confundindo as coisas. Continuemos com&lt;br /&gt;meu livro. Veja: alguns escorpiões telepáticos...&lt;br /&gt;Senti-me diante de um sério obstáculo. Reagi com violência.&lt;br /&gt;- Então, eu vou sozinho! Vou fugir, desapareço de casa. De qualquer geito, chego à praia. Além disso,&lt;br /&gt;não me interessam seus escorpiões telepáticos. Tudo isso é ridículo. Não vou ajuda-lo nunca mais!&lt;br /&gt;- Acho melhor eu ir embora -disse Victor, compreendendo a minha raiva-. A manhã já passou.&lt;br /&gt;Saiu de casa desejando-me "uma boa noite".&lt;br /&gt;- Não volte nunca mais! -gritei. Depois me tranquei no quarto. Deitado na cama, estive a ponto de&lt;br /&gt;chorar... bem... chorei. Mas só um pouquinho, "porque os homens não devem chorar"...&lt;br /&gt;Nessa noite, decidi fazer algo mais que lamentar e sentir pena de mim mesmo. Na escuridão, fechei&lt;br /&gt;os olhos. Durante mais de uma hora, imaginei que estava na praia.&lt;br /&gt;No dia seguinte, à tarde, Victor apareceu assoviando.&lt;br /&gt;- Vamos trabalhar, companheiro! -disse ele, como se nada tivesse acontecido. Eu estava frio e&lt;br /&gt;distante.&lt;br /&gt;- Sinto muito, mas tenho um monte de tarefas para fazer -fingi que estudava num livro de geografia.&lt;br /&gt;- Mas é só uma horinha... estive pensando numa luta entre duas raças de extraterrestres: os&lt;br /&gt;escorpiões telepáticos contra esses "bonzinhos" que você imaginou, os de Ofir...&lt;br /&gt;Aquilo fez meu sangue ferver, mas disfarcei.&lt;br /&gt;- Impossível. Desculpe-me. Até logo.&lt;br /&gt;- Hummmmm. Tenho a leve impressão de que você ainda está zangado pelo que aconteceu ontem.&lt;br /&gt;- "As estepes são grandes extensões de terra plana, sem cultivar..." Desculpe, onde existem estepes?&lt;br /&gt;- Não sei. Hummm. Está bem. Estive pensando que seria ótimo para mim um descanso na praia...&lt;br /&gt;- Ah é? -A esperança me fez levantar a vista pela primeira vez.&lt;br /&gt;- Poderíamos ir na sexta-feira, à tarde. Levamos a barraca e tudo o mais. Assim, poderemos&lt;br /&gt;comprovar que não existe nenhum coração nessa pedra. Mas, se você está tão zangado comigo...&lt;br /&gt;- Zangado com você? Claro que não! -exclamei feliz-. Mas, o que aconteceu para que você mudasse&lt;br /&gt;de idéia?&lt;br /&gt;- Mudar de idéia? Não. Só que ontem à noite, durante uma hora, não consegui dormir pensando em&lt;br /&gt;leva-lo para a praia. Somente quando me decidi, foi que pude dormir. Acho que estou precisando de&lt;br /&gt;descanso. Além disso, não quero que você se zangue e meu livro... digo, seus livros, fiquem sem minha&lt;br /&gt;ajuda...&lt;br /&gt;Bom, não sei o que acontece. O fato é que, na sexta-feira à tarde, arrumamos a bagagem, entramos&lt;br /&gt;no carro de Victor e, em duas horas, estávamos na praia.&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;Respirei o ar marinho como se fosse um bálsamo de vida. Tudo me trazia lembranças de minha&lt;br /&gt;viagem espacial e de Ami.&lt;br /&gt;Ao sair do carro, olhei para o lado das pedras. Quase me pareceu ver ali o "ovni" do menino das&lt;br /&gt;estrelas, suspenso no ar, sobre a praia...&lt;br /&gt;Capítulo 2 - Nas Pedras&lt;br /&gt;Antes de ir até a pedra, Victor quis armar a barraca, porque já era tarde. Eu o convenci de que&lt;br /&gt;deveríamos ir naquele momento.&lt;br /&gt;- Bem -disse ele- já que estamos aqui e apesar de estar escurecendo...&lt;br /&gt;- Há uma claridade maravilhosa. Vamos.&lt;br /&gt;Deixamos o carro no caminho que leva até as pedras e caminhamos em direção ao mar.&lt;br /&gt;Anoiteceu. As nuvens deixaram aparecer uma lua imensa que iluminava o lugar. Lembrei-me da lua&lt;br /&gt;cheia "daquela noite", com os mesmos reflexos nas águas, o balneário salpicado de pontos luninosos do&lt;br /&gt;outro lado da baía, as pedras. Tudo estava do mesmo jeito.&lt;br /&gt;A emoção acelerou o meu coração e as minhas pernas. Meu primo vinha atrás, caminhando com&lt;br /&gt;grande dificuldade.&lt;br /&gt;- Está escuro demais, escorregadio...&lt;br /&gt;- É uma questão de caminhar com segurança, homem!&lt;br /&gt;- Que bobagem! Seria melhor voltar amanhã, durante o dia.&lt;br /&gt;- Isso seria uma loucura! Já estamos chegando.&lt;br /&gt;Escutei um barulho atrás de mim. Meu primo estava com problemas.&lt;br /&gt;- Pedrooo!&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Caí na água. Venha, ajude-me!&lt;br /&gt;- Ande nas pedras, não na água -disse eu, oproximando-me para ajudá-lo.&lt;br /&gt;- Não consigo ver a diferença. Está tudo preto por aqui. Dê-me a mão.&lt;br /&gt;- Se você teima em não querer ver, tudo estará sempre escuro para você...&lt;br /&gt;- Veja como estou. A perna molhada, o sapato... isso é uma loucura. Não vou continuar. Amanhã a&lt;br /&gt;gente volta.&lt;br /&gt;Pareceu-me absurdo ter que esperar até o dia seguinte, estando apenas a alguns metros da pedra.&lt;br /&gt;- Já estamos chegando. São alguns passos a mais.&lt;br /&gt;- Pode ser, mas está escorregadio, perigoso. As pedras estão cobertas de musgo úmido. A maré está&lt;br /&gt;subindo. É muito fácil quebrar a coluna. Voltemos para a praia. Armamos a barraca e dormimos. Amanhã a&lt;br /&gt;gente volta.&lt;br /&gt;- Cuidado, Victor, a onda! Pule para essa pedra mais alta!&lt;br /&gt;- Que onda? Que pe...? Glub!&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;Desta vez ele se molhou até o pescoço.&lt;br /&gt;Meu primo era um velho, apesar de não ter mais de trinta anos.&lt;br /&gt;Armamos a barraca na areia. Victor trocou de roupa, enquanto eu preparava, resmungando, uma&lt;br /&gt;estúpida fogueira.&lt;br /&gt;- Isto de se meter com crianças... -Ele protestava.&lt;br /&gt;- Isto de se meter com velhos... -Eu protestava.&lt;br /&gt;- Bem -disse eu, impaciente- você já está seco. Agora você se deita enquanto eu vou e volto...&lt;br /&gt;Eu via a situação com muita naturalidade. E era assim. Mas os adultos têm a estranha virtude de&lt;br /&gt;complicar tudo, de fazer com que as coisas mais símples sejam difíceis e complicadas.&lt;br /&gt;- Isso nunca! Você fica aqui comigo. Nessas pedras escuras, pode acontecer qualquer coisa com&lt;br /&gt;você. Estou com sono. Vamos. Deite-se.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Deite-se!&lt;br /&gt;Decidi que era melhor obedecer e me deitar. Mas assim que ele dormisse...&lt;br /&gt;- Está bem. Vamos dormir. É muito divertido dormir...&lt;br /&gt;Esperei na escuridão como serpente pronta para o bote. Infinitas horas mais tarde, sua respiração me&lt;br /&gt;indicou que adormecera.&lt;br /&gt;Comecei a deslizar para fora do saco de dormir, o mais silenciosamente possível. Consegui sair.&lt;br /&gt;Quando estava para colocar a cabeça para fora, uma mão segurou-me pela gola da camisa.&lt;br /&gt;- Onde você pensa que vai? -perguntou Victor.&lt;br /&gt;- É que... lá fora, no banheiro. Você entende...&lt;br /&gt;A desculpa perfeita! Veio por inspiração. Não se pode impedir ninguém de ir ao banheiro.&lt;br /&gt;- Está bem, mas volte imediatamente.&lt;br /&gt;- Não se preocupe. Já volto. -Isso era o que ele pensava...&lt;br /&gt;Assim que me pus do lado de fora da barraca, corri feito um raio até a "minha" pedra. Uma estranha&lt;br /&gt;força parecia apoderar-se de mim. Eu corria dando saltos, de pedra em pedra como uma lebre. Em poucos&lt;br /&gt;segundos, cheguei no meu destino final. Parei com emoção e acariciei a pedra. Quanto tempo havia&lt;br /&gt;demorado para chegar até lá! Agora era só escalar e ver o coração alado... e se não estivesse lá?&lt;br /&gt;Tudo escureceu quando pensei nisso. Perdi a estranha força.&lt;br /&gt;Comecei a subir com dificuldade, cheio de dúvidas e temores como um adulto. Escorreguei aqui e ali&lt;br /&gt;mas, até que enfim, cheguei no alto.&lt;br /&gt;Caminhei com emoção pela superfície plana. Devido à distância e à escuridão, não podia ver bem o&lt;br /&gt;local onde deveria estar o desenho.&lt;br /&gt;Aproximei-me lentamente, como que saboreando o momento, numa mistura de angústia e alegria.&lt;br /&gt;Cheguei no lugar. Procurei o símbolo por todas as partes, mas não estava. Não estava! Não existia!&lt;br /&gt;- Nunca existiu -disse eu, desconsolado-. Foi tudo imaginação, um sonho...&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;- Mas eu não sou um sonho -disse uma voz nas minhas costas.&lt;br /&gt;Girei muito lentamente, temendo que tudo não passasse de uma ilusão. Olhei e vi a branca figura de&lt;br /&gt;meu pequeno e querido amigo. Ali estava, sorrindo como sempre.&lt;br /&gt;- Ami!&lt;br /&gt;Capítulo 3 - O encontro&lt;br /&gt;Ao abraçá-lo, não pude conter as lágrimas. Tudo tinha sido realidade, tudo!&lt;br /&gt;- Você está mais alto, Pedrimho.&lt;br /&gt;- Você é que está mais baixinho. Encolheu!... -Rimos como tantas vezes tínhamos feito antes.&lt;br /&gt;De repente, lembrei-me de que Victor estava me esperando na barraca.&lt;br /&gt;- Antes era sua avó, agora é seu primo. Você não pode viver sem se pré-ocupar? -Ami sempre&lt;br /&gt;adivinhava meus pensamentos.&lt;br /&gt;- Tem razão, mas é que...&lt;br /&gt;- É que, nada. Coloquei-o para dormir profundamente na barraca. A noite é nossa.&lt;br /&gt;- De verdade?&lt;br /&gt;- Claro. Você quer ver pela tela? -perguntou Ami, pegando aquele aparelho que usava no cinto- uma&lt;br /&gt;pequena televisão.&lt;br /&gt;- Não é necessário, acredito em você.&lt;br /&gt;- Veja só! Isso já é um avanço!&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Que você já seja capaz de acreditar em algo.&lt;br /&gt;- Não o entendo, Ami.&lt;br /&gt;- O motivo de sua viagem não foi a dúvida?&lt;br /&gt;Pensei um pouco, antes de responder. Ami tinha razão: tinha colocado em dúvida a sua existência.&lt;br /&gt;Isso fez com que eu quisesse comprovar...&lt;br /&gt;- É verdade, mas valeu a pena. Agora, tenho a certeza de que você existe.&lt;br /&gt;- E quando eu for embora? Não vai pensar que tudo foi um sonho?&lt;br /&gt;- De jeito nenhum. Você é real. -Toquei no ombro dele.&lt;br /&gt;- E antes? Não era real também? Apesar disso, você duvidou...&lt;br /&gt;- De novo tem razão. Por que a gente duvida, às vezes, Ami?&lt;br /&gt;- Porque a mente funciona em vários níveis, desconectados uns dos outros. Em algumas ocasiões,&lt;br /&gt;um homem pode ser violento e cruel; noutra, carinhoso e pacífico. Se você está num nível alto, pode chegar&lt;br /&gt;a viver coisas maravilhosas, como encontrar-se comigo, compreender grandes verdades ou tansformar seus&lt;br /&gt;desejos em realidade... Se você está num nível baixo, não pode ligar-se aos níveis superiores. Embora os&lt;br /&gt;tenha conhecido antes, você vai duvidar.&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;- Não voltará a acontecer, Ami. Mas... por que você não veio no verão passado? Já tinha escrito o&lt;br /&gt;livro e...&lt;br /&gt;- Você pensou que eu viria imediatamente? -riu-. Não lhe dei uma data exata. Você tem que começar&lt;br /&gt;a desenvolver a paciência, a ciência de manter a paz interior. Quem é impaciente não está em harmonia&lt;br /&gt;com o universo. Tudo tem sua hora, seu tempo. Com suas dúvidas, você viola uma série de requisitos&lt;br /&gt;necessários para estabelecer um contato, mas você é um caso especial... apesar de, às vezes, duvidar da&lt;br /&gt;minha experiência.&lt;br /&gt;- Sinto muito, Ami. Repito: isso não vai acontecer novamente.&lt;br /&gt;Ami respirou o ar noturno e olhou as luzes do balneário situado do outro lado da baía.&lt;br /&gt;- Mas tudo está perfeitamente bem no universo. Venha. Vamos dar uma volta pela galáxia.&lt;br /&gt;- Fantástico! Onde está sua nave? Debaixo d'agua?&lt;br /&gt;- Não. Aqui em cima -apontou para o céu. Olhei, mas só vi estrelas.&lt;br /&gt;- Não vejo nada...&lt;br /&gt;- Está invisível. Vamos. Quero apresentá-lo a uma pessoa.&lt;br /&gt;- Você não está sozinho dessa vez?&lt;br /&gt;- Não -respondeu, pegando um dos aparelhos do seu cinto.&lt;br /&gt;No começo não gostei da idéia de partilhar a viagem com uma pessoa desconhecida. Sentia-me mais&lt;br /&gt;à vontade a sós com ele.&lt;br /&gt;- Como vamos subir na sua nave?&lt;br /&gt;Naquele momento, uma luz amarela muito forte nos iluminou e senti que me levantavam no ar. Desta&lt;br /&gt;vez, não me assustei muito. Já tinha experimentado isso antes.&lt;br /&gt;O "ovni" pairava sobre nós, com uma abertura luminosa por baixo. Em segundos, estávamos de pé&lt;br /&gt;dentro da nave, na pequena salinha de recepção que eu já conhecia.&lt;br /&gt;Não pude evitar a emoção.&lt;br /&gt;- Ei, que aconteceu? -perguntou rindo-. Você parece uma velha chorona!&lt;br /&gt;- Não sei. É que estar aqui de novo (snif), é algo tão irreal! Mas, não é fantasia, é realidade! Obrigado&lt;br /&gt;(snif), Ami.&lt;br /&gt;- Deixe de bobagens. Se não fosse pelas suas dúvidas, isso seria perfeitamente normal, como&lt;br /&gt;sempre foi. Vamos. Alguém nos espera na sala de comandos. Venha por aqui.&lt;br /&gt;Segui-o sem muito entusiasmo. Imaginei que um senhor de cara verde nos esperava. Em Ofir, havia&lt;br /&gt;visto todo tipo de estranhos seres.&lt;br /&gt;Quando entramos, vi uma criança estranha, com uma aparência mais ou menos humana. Uma&lt;br /&gt;menina magra, de pele clara, olhos de cor violeta e cabelos cor-de-rosa compridos, enfeitados com uma&lt;br /&gt;rídicula borboleta feita de pano amarelo. Usava uma blusa azul muito folgada. Olhou-me fixa e seriamente,&lt;br /&gt;como se eu fosse um bicho raro. Pareceu-me antipática e definitivamente feia.&lt;br /&gt;Ami conversou com ela em um idioma estranho, mas mencionou meu nome.&lt;br /&gt;- Quero apresentá-lo a Vinka -disse-me depois-. Vamos, cumprimentem-se -animava-nos sorrindo,&lt;br /&gt;falando nos dois idiomas.&lt;br /&gt;11&lt;br /&gt;Olhamo-nos sem grande alegria e sem amabilidade. Ela me deu uma mão comprida e magra. Senti&lt;br /&gt;uma espécie de repulsa que quase me impediu de tocá-la. Somente por boa educação e só depois de&lt;br /&gt;contar-lhe os dedos disfaçadamente (eram cinco), apertei-a. Tinha um calor e uma suavidade agradáveis...&lt;br /&gt;Disse muito prazer e me aproximei para lhe dar um beijo no rosto, como é costume entre meninos e&lt;br /&gt;meninas de minha cidade. Ela cochichou alguma coisa indecifrável e retirou o rosto, surpresa.&lt;br /&gt;Ami dava muita risada! Explicou-lhe em seu idioma, que, para mim, era normal cumprimentar assim.&lt;br /&gt;- No mundo dela isso não se faz... é uma questão de costumes -disse-me rindo.&lt;br /&gt;Lembrei-me de que em Ofir o beijo era muito comum, por isso deduzi:&lt;br /&gt;- Então, o planeta dela não é civilizado.&lt;br /&gt;- Isso mesmo. Ela é proveniente de um mundo tão incivilizado como a Terra. Bom, é melhor que&lt;br /&gt;possam conversar entre vocês. Tome. Coloque isso no seu ouvido. É um tradutor. -Ami tinha em sua mão&lt;br /&gt;um pequeno objeto parecido a um fone de ouvido, mas sem fio. também entregou um para a criatura de&lt;br /&gt;olhos violeta.&lt;br /&gt;- Agora -disse Ami, falando em outro idioma, mas pelo fone eu escutava a tradução-, conversem entre&lt;br /&gt;vocês.&lt;br /&gt;- Alô -disse a humanóide.&lt;br /&gt;Apesar de seus lábios emitirem sons estranhos, eu podia compreender, atravéz do fone.&lt;br /&gt;- Alô -respondi.&lt;br /&gt;- Como se chama seu planeta? -perguntou-me.&lt;br /&gt;- Terra. E o seu?&lt;br /&gt;- Kia -respondeu.&lt;br /&gt;Depois de conversar com ela, sua presença tornou-se mais agradável.&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem, Vinka? -perguntei.&lt;br /&gt;- Duzentos e quarenta e cinco anos -respondeu. Fiquei perplexo: ela não parecia ser tão terrivelmente&lt;br /&gt;velha...&lt;br /&gt;- Esperem, esperem -intercedeu Ami, divertindo-se com o diálogo-. Enquanto o planeta Kia dá mais&lt;br /&gt;de vinte voltas ao redor de seu sol, a Terra dá só uma. Os dois têm mais ou menos a mesma idade.&lt;br /&gt;Observei Vinka muito atentamente. Tinha orelhas pontiagudas muito bonitas que combinavam bem&lt;br /&gt;com os seus cabelos, fininhos como os dos pintinhos recém-nascidos.&lt;br /&gt;- Então, em seu mundo, não se pode beijar no rosto...&lt;br /&gt;- Somente os namorados, noivos ou casados se beijam -explicou-. Vocês parecem ser muito&lt;br /&gt;modernos, na Terra.&lt;br /&gt;- Não tanto quanto em Ofir.&lt;br /&gt;- O que é Ofir?&lt;br /&gt;- Um mundo civilizado. Ei, Ami, você não levou Vinka para passear pelo universo?&lt;br /&gt;- Sim, mas não a Ofir. Preparem-se. Agora veremos um espetáculo muito interessante: a dança da&lt;br /&gt;galáxia.&lt;br /&gt;12&lt;br /&gt;Pedimos que nos explicasse melhor.&lt;br /&gt;- Bem, vocês sabem que as estrelas se movem...&lt;br /&gt;Quis impressionar Vinka com meus conhecimentos de astronomia:&lt;br /&gt;- Os planetas se movem, mas as estrelas estão fixas -disse eu. Ami riu e explicou:&lt;br /&gt;- Parecem estar fixas; no entanto, movem-se em grande velocidade ao redor da galáxia. Agora,&lt;br /&gt;vamos observar como se estivéssemos fora da dimensão espaço-tempo que conhecemos. Dali veremos a&lt;br /&gt;Via-láctea. Será como assistir a um filme em câmera rápida. Vocês compreendem?&lt;br /&gt;Nós dois dissemos que sim, apesar de não demonstrarmos muita certeza.&lt;br /&gt;- Cada estrela emite uma vibração ao mover-se. Nós a escutamos em forma de som. Ao mesmo&lt;br /&gt;tempo, captaremos o som de cada objeto celeste da galáxia. Vamos.&lt;br /&gt;Convidou-nos a sentar, enquanto se dirijia aos controles.&lt;br /&gt;Na tela central, apareceu o balneário. Vi a barraca e o carro de Victor. Sobre a pedra, destacava-se,&lt;br /&gt;com muita nitidez, o coração alado...&lt;br /&gt;- Ali está o símbolo! Quando eu o procurei não consegui encontrá-lo...&lt;br /&gt;- Foi uma brincadeira, Pedrinho. Sempre esteve ali, mas eu o hipnotizei para que você não o visse.&lt;br /&gt;- Mas, como foi que você me hipnotizou? Não escutei nenhuma ordem sua.&lt;br /&gt;- Foi uma ordem telepática.&lt;br /&gt;- Hipnose à distância! -exclamou Vinka, admirada.&lt;br /&gt;- Isso deve ser fabuloso -disse eu, pensando em todas as possibilidades que poderia ter, se pudesse&lt;br /&gt;fazer algo semelhante: por exemplo, ordenar a um vendedor de brinquedos que me desse de presente tudo&lt;br /&gt;o que eu quisesse; convencer o meu professor de que minha prova estava perfeita, mesmo que tivesse uma&lt;br /&gt;folha em branco, na frente de seu nariz. Poderia...&lt;br /&gt;- Quem fosse capaz de tal poder -disse Ami- poderia cometer todo tipo de enganos. Por isso, essas&lt;br /&gt;altas capacidades estão fora do alcance de quem as utilize para o mal. A Lei Universal rege esses assuntos.&lt;br /&gt;Sentia-me com autorização para obter esse poder.&lt;br /&gt;- Conheço essa Lei. É o amor...&lt;br /&gt;- E você pensa que é suficiente conhecê-la?&lt;br /&gt;- De que mais eu preciso, Ami?&lt;br /&gt;- Praticá-la.&lt;br /&gt;- Você tem razão. Por isso sempre a pratico. -Acreditava sinceramente no que dizia, mas as palavras&lt;br /&gt;de Ami foram como um balde de água fria:&lt;br /&gt;- Você acha que deixar alguém na ruína só para satisfazer seus caprichos é amor? Considera que&lt;br /&gt;obrigar uma pessoa a agir contra a sua vontade é amor? Pensa que enganar e trapacear é amor?&lt;br /&gt;Ami captava alguns pensamentos meus que passaram tão rapidamente que nem eu mesmo os tinha&lt;br /&gt;percebido. As suas duras palavras fizeram-me cair, desabando sobre o encosto da poltrona. Foi como se&lt;br /&gt;me tivesse partido em dois. Senti vergonha. Não consegui falar. Estava completamente sem energia. E,&lt;br /&gt;além de tudo, Vinka tinha sido testemunha de minha desonestidade mental e da reprovação de Ami.&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;Com um tom carinhoso, Ami procurou consolar-me.&lt;br /&gt;- Não se preocupe, Pedrinho. Coloquei-a em um estado de transe. Não escutou nada.&lt;br /&gt;Isso me tranqüilizou um pouco, mas ainda não era capaz de mover-me ou de falar. Sempre pensei&lt;br /&gt;que tivesse sido um menino exemplar. Acabara de comprovar que, na minha imaginação, podia tramar&lt;br /&gt;coisas não muito honestas. Ami conseguiu fazer com que eu percebesse isso e minha opinião sobre mim&lt;br /&gt;mesmo ficou muito abalada: eu era bastante desonesto.&lt;br /&gt;Pouco a pouco, comecei a sentir uma grande raiva de Ami. Não quis sufocar este rancor, porque foi&lt;br /&gt;justamente ele que me deu forças para recuperar.&lt;br /&gt;- Este é o lado mais difícil do meu trabalho. As pessoas não gostam de que lhe sejam mostrados&lt;br /&gt;defeitos que acreditam não ter. Mas se ninguém o faz, jamais vão saber que os tinham e nunca poderão&lt;br /&gt;resolvê-los. Ninguém tenta superar um defeito que acha que não tem. É preciso, entretanto, dizer as coisas&lt;br /&gt;com jeito e pouco a pouco.&lt;br /&gt;Sentia que cada palavra de Ami era um ataque, uma acusação, uma calúnia. Minha raiva aumentava&lt;br /&gt;cada vez mais. Quem era ele para sentenciar-me? Não podia me julgar de forma tão feroz por causa de&lt;br /&gt;uma brincadeira da imaginação. Pensei que eu fosse capaz de usar o poder de hipnotizar à distância para&lt;br /&gt;fins negativos, porque nunca tinha sido um menino mau.&lt;br /&gt;- Seu ego já se recuperou? -perguntou Ami, rindo normalmente, mas seu riso me pareceu sádico e&lt;br /&gt;cruel.&lt;br /&gt;- Você vai continuar a me ofender? -meu tom era desafiador-. Quero voltar para casa, para a barraca.&lt;br /&gt;Já me cansei de tudo isso.&lt;br /&gt;Levantei-me. Tinha recuperado minha auto-estima. Só Ami é que era injusto e caluniador...&lt;br /&gt;Olhei-o zombeteiro e lhe disse:&lt;br /&gt;- Você, o menino maravilha, o extraterrestre... falando de amor, tagarelando sobre o amor e, na hora&lt;br /&gt;da verdade, só sabe apontar os pequenos erros das pessoas. Você não tem nada de amor. "Faça o que eu&lt;br /&gt;digo, mas não faça o que eu faço". Não pode vir nada de bom de um ser desonesto como você. Por isso vou&lt;br /&gt;embora. Vou embora!&lt;br /&gt;Ami escutava com tranqüilidade as minhas agressões verbais. Pareceu-me perceber certeza em seu&lt;br /&gt;olhar.&lt;br /&gt;- Sei que isso dói, Pedrinho, mas é pelo seu próprio bem. Desculpe-me.&lt;br /&gt;- Nada de desculpas. Vou embora.&lt;br /&gt;Vinka acordou.&lt;br /&gt;- Você não pode ir embora tão rápido, Pedrinho. Gostaria de conversar um pouco mais com você.&lt;br /&gt;Saber mais de você, de seu mundo...&lt;br /&gt;Suas palavras me surpreenderam. Voltei à realidade. Suspirei.&lt;br /&gt;- Bem, eu também não queria ir embora, Vinka, mas é que...&lt;br /&gt;- É que o quê, pedrinho? -perguntou, olhando-me do fundo de seus olhos luminosos de cor violeta...&lt;br /&gt;era muito linda, mas só agora eu percebia...&lt;br /&gt;- Por que você quer ir embora, Pedrinho?&lt;br /&gt;- Eu? Para onde?&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;- Você disse que queria ir embora. Por quê?&lt;br /&gt;Então eu me lembrei do "caluniador".&lt;br /&gt;- É que Ami está estranho. Ofendeu-me.&lt;br /&gt;- Parece que eu dormi um pouco. Não escutei nada. É verdade que você ofendeu Pedrinho, Ami?&lt;br /&gt;- Dizer a verdade é ofender? -ele perguntou-. Somente quis lhe mostrar que uma idéia sua era falsa.&lt;br /&gt;Isso feriu o ego dele, mas já vai passar.&lt;br /&gt;Pareceu-me perceber um olhar de carinho em Vinka, quando me disse:&lt;br /&gt;- Não vá embora, Pedrinho. Penso que temos muito para conversar...&lt;br /&gt;Senti o mesmo. Desejava saber tudo a respeito dela.&lt;br /&gt;Ami começou com outra de suas brincadeiras.&lt;br /&gt;- Chega de romances proibidos. Vamos ver a dança das galáxias. Cada um de vocês tem seus&lt;br /&gt;respectivos companheiros. Acredito ter mostrado a cada um a sua alma-gêmea, num futuro encontro.&lt;br /&gt;Devem ser fiéis, apesar de não a terem encontrado ainda.&lt;br /&gt;É curioso, mas senti ciúme, quando soube que ela tinha um namorado...&lt;br /&gt;- Não pense mal, Ami. É somente uma amizade com Pedrinho.&lt;br /&gt;- É difícil ser fiel a uma pessoa que não se conhece -opinei.&lt;br /&gt;- É claro que você a conhece, só que apenas atravéz de um rápido olhar no futuro. Existe um outro&lt;br /&gt;sentido que permite, entre muitas coisas, captar, sentir uma pessoa, por mais distante que esteja.&lt;br /&gt;- Telepatia?&lt;br /&gt;- A telepatia tem a ver com os pensamentos. O sentido a que me refiro se relaciona mais com os&lt;br /&gt;sentimentos. Nunca sentiu a presença de sua companheira, Pedrinho?&lt;br /&gt;Aquilo era íntimo demais.&lt;br /&gt;- Bem, quer dizer... quando estou sozinho, à noite, penso que existe alguém só para mim, em algum&lt;br /&gt;lugar.&lt;br /&gt;- Pensa ou sente sua presença?&lt;br /&gt;- Bem, isto é... não sei. Acho que... que sim.&lt;br /&gt;- Então, você já está desenvolvendo esse sentido superior. Para evoluir mais como pessoas, devemos&lt;br /&gt;fazê-lo. Ele nos permite captar também as coisas espirituais, sem necessidade de utilizarmos os outros&lt;br /&gt;sentidos e o pensamento. Assim, podemos distinguir entre pessoas boas e más, entre a verdade e a&lt;br /&gt;mentira. Aí, perceberemos o verdadeiro amor e a presença de Deus.&lt;br /&gt;- Em Kia, existem muitas pessoas que não têm fé em Deus -disse Vinka.&lt;br /&gt;- A fé é necessária, quando ainda não se desenvolveu esse sentido. Depois, já não é mais questão de&lt;br /&gt;acreditar ou não. Percebemos simplesmente a sua maravilhosa presença. Dessa forma, podemos oferecer-&lt;br /&gt;Lhe nosso amor, sem ter necessidade de vê-Lo. Esse sentido superior é que nos permite captar a nossa&lt;br /&gt;alma-gêmea e ser-lhe fiel, apesar de ainda não estar presente.&lt;br /&gt;Pensei na "japonesinha" do meu futuro, mas não senti nada. Não soube bem, se isso se devia ao fato&lt;br /&gt;de não ter desenvolvido ainda o sentido a que Ami se referia ou se a presença de Vinka estava me&lt;br /&gt;produzindo uma... interferência.&lt;br /&gt;15&lt;br /&gt;- Bem. Veremos algo muito lindo mas, antes, é necessário que purifiquemos esta nave, para que as&lt;br /&gt;más vibrações não produzam interferência.&lt;br /&gt;Ami tinha sido testemunha de minha infelicidade mental para com a "japonesinha"! Senti culpa.&lt;br /&gt;- É necessário que você deixe isso de lado, Pedrinho.&lt;br /&gt;- Está bem, Ami. Não o farei mais.&lt;br /&gt;- Estou me referindo a que não me guarde rancores...&lt;br /&gt;Então era isso!... Pensei que era por causa do forte sentimento de atração que a presença de Vinka&lt;br /&gt;estava produzindo em mim. Por sorte, Ami não havia percebido...&lt;br /&gt;- Amigos? -sorriu estendendo-me a mão.&lt;br /&gt;- Amigos -respondi, sem encontrar um motivo para que não fosse assim.&lt;br /&gt;Vinka tinha conseguido me fazer esquecer o ressentimento.&lt;br /&gt;Apertamos amigavelmente as mãos.&lt;br /&gt;- Bravo! -exclamou a menina contente-. Agora vejamos o concerto das galáxias.&lt;br /&gt;- A dança das galáxias -corrigiu Ami- não obstante, seja também um concerto. Você pode sentar-se,&lt;br /&gt;Pedrinho.&lt;br /&gt;Capítulo 4 - Uma Dança Cósmica&lt;br /&gt;A nave vibrou. Uma luz amarela muito forte inundou a sala de comando. De amarela, passou a corde-&lt;br /&gt;rosa, a violeta; depois, a um belo azul-claro e, finalmente, a um branco deslumbrante. De repente,&lt;br /&gt;apagou-se deixando a sala iluminada somente por belos e movediços reflexos, provenientes do exterior.&lt;br /&gt;- Observem pelas janelas.&lt;br /&gt;Levantamo-nos e fomos ver. O espetáculo arrepiava os cabelos. Era maravilhoso! Uma quantidade&lt;br /&gt;enorme de estrelas coloridas esparramava-se por todo o firmamento. Cada partícula luminosa deslizava&lt;br /&gt;lentamente... Dava a impressão de espirais de fumaça colorida, luminescentes. Estrelas, cometas, sóis e&lt;br /&gt;planetas. Nuvens coloridas semelhantes a algodão doce. Fios resplandecentes esticando-se, formando&lt;br /&gt;ondas, dissolvendo-se...&lt;br /&gt;A gigantesca espiral fazia-se cada vez maior. Espalhava-se como se tivesse vida...&lt;br /&gt;Alguns pontos produziram fugazes explosões de luz como lantejoulas.&lt;br /&gt;- Estamos observando o movimento de nossa galáxia, a Via-Láctea. Agora, vamos escutar o som que&lt;br /&gt;cada partícula em movimento produz.&lt;br /&gt;Ami tocou um ponto nos comandos. Alguns sons indescritíveis encheram o ambiente. Zumbidos&lt;br /&gt;agudos e graves, assovios, roucos trovões que duravam muito tempo. As cintilações fugazes produziam um&lt;br /&gt;repicar que me lembrava a lira.&lt;br /&gt;O resultado final era um concerto impressionante.&lt;br /&gt;- Assim é o som da galáxia. Aumentaremos a velocidade.&lt;br /&gt;Levantou suavemente uma tecla que acelerou seu movimento incrivelmente. Esticava... crescia...&lt;br /&gt;16&lt;br /&gt;Cada vez mais me parecia que a galáxia era um ser vivo, consciente, um ser que dançava, uma&lt;br /&gt;cintilante medusa cósmica que estendia luminosos apêndices ao ritmo de sua própria melodia. Quando o&lt;br /&gt;movimento aumentou, pude comprovar que o concerto e a dança tinham harmonia e ritmo; uma pulsação,&lt;br /&gt;uma cadência, um ir e vir...&lt;br /&gt;- Meu Deus, que maravilha! -exclamou Vinka emocionada. Algumas lágrimas umedeciam seus belos&lt;br /&gt;olhos; mais belos e luminosos ainda, com o colorido da galáxia dançante refletido nas suas pupilas&lt;br /&gt;banhadas pela cintilação das estrelas...&lt;br /&gt;A voz de Ami expressou sentimentos reverentes:&lt;br /&gt;- Aqui estamos um pouco mais perto da perspectiva de Deus. No entanto, Ele desfruta de todas as&lt;br /&gt;galáxias dançando ao mesmo tempo. Não contempla de fora, como nós neste momento. É Ele quem dança&lt;br /&gt;transformado em milhões e milhões de cúmulos estrelares... Mais ainda: Ele contempla do interior de cada&lt;br /&gt;ser, desde os mais gigantescos, como uma galáxia, até os mais ínfimos como nós ou os que são ainda&lt;br /&gt;menores. Por amor, compartilha seu maravilhoso Espírito com todas as suas criaturas.&lt;br /&gt;Diante do surpreendente espetáculo, Vinka irrompeu em um emocionado choro. Eu, com um nó na&lt;br /&gt;garganta, encontrava-me num estado semelhante.&lt;br /&gt;Quis dar-lhe meu apoio. Abracei-a. Ela colocou sua cabeça no meu ombro. Senti seu perfume suave.&lt;br /&gt;Acariciei seu cabelo enfeitado com a linda borboleta de pano amarelo...&lt;br /&gt;- Suficiente por hoje -interrompeu Ami-. Nada é bom em excesso, nem mesmo a beleza. Venham. -&lt;br /&gt;Levou-nos pelo braço aos assentos laterais. Não foi fácil soltar Vinka... que estava acontecendo comigo?&lt;br /&gt;Sentado, enquanto as intensas luzes iluminavam novamente a sala, perguntava-me se Ami seria&lt;br /&gt;capaz de mostrar outra coisa que pudesse impressionar-me tanto. Depois daquilo -pensei- tudo será pálido&lt;br /&gt;e frio.&lt;br /&gt;- Nada é frio quando existe amor no coração -disse Ami-. Olhem para fora.&lt;br /&gt;Estávamos novamente sobre o balneário. Tudo continuava do mesmo jeito: as pedras, a barraca, as&lt;br /&gt;luzes, a lua. Isso me decepcionou.&lt;br /&gt;- Ir tão longe, fora da galáxia e voltar ao mesmo lugar... Gostaria de ter ido visitar mundos distantes...&lt;br /&gt;Ami sorriu.&lt;br /&gt;- Não fomos a nenhum lugar. Sempre estivemos aqui.&lt;br /&gt;- Ma eu vi a galáxia estando fora dela!&lt;br /&gt;- Vocês viram apenas uma projeção computadorizada de muitos bilhões de anos de movimento, numa&lt;br /&gt;visão muito acelerada.&lt;br /&gt;- Mas as estrelas aí, detrás das janelas!...&lt;br /&gt;- Os vidros de nossas naves também servem como telas onde se projetam ou se induzem visões. É&lt;br /&gt;parecido a um filme, mas é um sistema hiper-real, tridimensional. É impossível, para vocês, perceber a&lt;br /&gt;diferênça entre uma visão gravada e uma visão da realidade. Vejam.&lt;br /&gt;Ami mexeu nos controles. No mesmo momento, o panorama mudou. A noite se fez dia. O sol&lt;br /&gt;começava a desaparecer no mar próximo dali. Surgiu um bosque. O lugar me parecia conhecido...&lt;br /&gt;- Observe bem, Pedrinho.&lt;br /&gt;Pude ver um homem que se aproximava de uma floresta.&lt;br /&gt;- É o caçador! -exclamei com surpresa.&lt;br /&gt;17&lt;br /&gt;Na minha viagem anterior, havíamos estado no Alaska. Fomos com a finalidade de sermos avistados&lt;br /&gt;por aquele caçador, segundo as instruções do "computador gigante", localizado no centro da galáxia, que se&lt;br /&gt;encarrega de coordenar os movimentos de todas as naves dos mundos civilizados.&lt;br /&gt;Naquela ocasião, o homem tinha se assustado muito ao ver o nosso "ovni" e mirou-nos com sua&lt;br /&gt;arma. Agora, estava acontecendo a mesma coisa.&lt;br /&gt;- É uma gravação. Tudo o que aparece atrás de nossas janélas é gravado. Depois, voltamos a&lt;br /&gt;imagem m qualquer momento e a vemos com a mesma nitidez.&lt;br /&gt;Parecia-me impossível que aquilo fosse uma gravação de vídeo: as árvores e o homem estavam ali,&lt;br /&gt;ali. Isso tinha acontecido há quase dois anos...&lt;br /&gt;Quando o homem apontou-nos a sua arma, do mesmo jeito que antes, senti o impulso de me&lt;br /&gt;esconder, mas me cintive. Vinka, ao contrário, correu e escondeu-se atrás de uma poltrona. Ami e eu rimos.&lt;br /&gt;- É uma gravação, Vinka. Observem. Manipulou os controles. Novamente apareceu a praia, à noite.&lt;br /&gt;Logo depois, estávamos de volta ao Alaska. Desta vez, o caçador ainda não nos havia visto. Vinha&lt;br /&gt;descendo imocente pelo caminho. Logo nos descobriria e tentaria atacar-nos.&lt;br /&gt;- Agora veremos ao contrário. -O homem caminhava para trás...&lt;br /&gt;- Venha ver, Vinka. Isso é muito engraçado.&lt;br /&gt;Ela veio observar o nosso amigo brincando com a imagem do caçador.&lt;br /&gt;- Como podemos saber se uma imagem é real ou se é uma gravação? -perguntei.&lt;br /&gt;- Os seres vivos emitem forças que percebemos com o sentido, as gravações não.&lt;br /&gt;Voltamos para a praia, mas dessa vez ainda não era noite...&lt;br /&gt;- Observe, Pedrinho -recomendou Ami. Olhei e quase caí de costas: ali estava eu! Descendo do carro&lt;br /&gt;de Victor. Era visível a minha felicidade. O que mais me surpreendeu foi que, olhei para o "ovni" e, mesmo&lt;br /&gt;assim, não vi nada...&lt;br /&gt;- É lógico que viu, mas com o sentido que você está desenvolvendo. A invisibilidade de nossas naves&lt;br /&gt;não funciona para este poder interno...&lt;br /&gt;Ami fez aparecer novamente a galáxia dançante.&lt;br /&gt;- Se nós temos pequenos poderes, imaginem então os deste ser maravilhoso que está nos&lt;br /&gt;observando.&lt;br /&gt;Vinka pareceu comfundir-se.&lt;br /&gt;- Uma galáxia não é um ser.&lt;br /&gt;- O que é, então? -perguntou Ami, com um sorriso.&lt;br /&gt;- É uma coisa, um conjunto de estrelas, mas não tem vida.&lt;br /&gt;- Não tem vida! -repetiu, como quem acabava de escutar uma barbaridade-. Se uma célula de seu&lt;br /&gt;fígado pudesse sair e vê-lo segundo suas medidas de tempo, diria que você é uma massa inerte, algo&lt;br /&gt;estranho, sem membrana celular, sem núcleo. Compreende?&lt;br /&gt;- Acho que sim. E então...?&lt;br /&gt;- Então, a galáxia é um enorme ser do qual somos partes microscópicas. Um ser infinitamente mais&lt;br /&gt;consciente e inteligente que nós.&lt;br /&gt;18&lt;br /&gt;Aquilo me pareceu absurdo.&lt;br /&gt;- Inteligente?!&lt;br /&gt;- A mesma surpresa demonstraria uma célula da unha de seu dedinho mindinho, se outra célula&lt;br /&gt;dissesse que você é inteligente. Você, essa massa morta, que vive unicamente para dar origem à "máxima&lt;br /&gt;criação do universo": a célula da unha do dedinho da mão direita de Pedrinho.&lt;br /&gt;Acho que não compreendi a explicação, mas a risada de Ami era contagiosa. Ele começou a mostrar&lt;br /&gt;para Vinka algumas cenas de nossa viagem a Ofir. Quando apareceu o lugar onde as pessoas projetavam a&lt;br /&gt;sua imaginação nas telas, ela manifestou sua admiração.&lt;br /&gt;- Vocês têm um nível científico e alguns conhecimentos impressionantes!&lt;br /&gt;- Comparados com os de seus mundos, pode ser. Mas interessa-nos muito mais o nosso nível&lt;br /&gt;espiritual. Isto é o essencial. O resto é somente um meio e não um fim. Utilizamos a ciência para dar uma&lt;br /&gt;maior satisfação às pessoas, mas não nos esquecemos de que a felicidade vem do mundo espiritual. Podese&lt;br /&gt;ganhar o mundo inteiro, dominar os grandes conhecimentos tecnológicos mas, se existe ignorância a&lt;br /&gt;respeito das coisas do espírito e, se não existe amor, sua vida será mais miserável que a de um mendigo.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque o amor é a fonte da felicidade.&lt;br /&gt;- Você tem razão, Ami -disse Vinka, olhando-me rapidamente. Em seguida, desviou os olhos com&lt;br /&gt;certo rubor. Ele captou a situação e riu.&lt;br /&gt;- Não se trata somente de romance. Trata-se de viver em amor, de amar a vida, a natureza, o ar que&lt;br /&gt;se respira. Amar ao criador por dar-nos a maravilhosa oportunidade de existir, amar a todas as pessoas, a&lt;br /&gt;todas as manifestações de vida.&lt;br /&gt;Enquanto Ami falava, eu sentia que ele tinha toda a razão.&lt;br /&gt;- Quando se possui o dom de amar, a felicidade está sempre presente, ainda que tenhamos poucos&lt;br /&gt;bens materiais. Se buscamos somente amor, obteremos, por acréscimo, todas as coisas. Mas, se&lt;br /&gt;desejamos somente bens materiais, talvez os consigamos, mas não ambos ao mesmo tempo, porque a&lt;br /&gt;felicidade é o fruto do amor.&lt;br /&gt;Vinka parecia haver compreendido.&lt;br /&gt;- A felicidade se compra com amor.&lt;br /&gt;Ami, com alegria no olhar, disse:&lt;br /&gt;- Você tem razão. De tanto amar, ganha-se a felicidade.&lt;br /&gt;- E o amor? Com que se compra o amor? -perguntei.&lt;br /&gt;- Boa pergunta. Você sabe a resposta, Vinka? Sabe como se obtém amor? Sabe qual é o preço do&lt;br /&gt;amor?&lt;br /&gt;- Acho que não é algo material.&lt;br /&gt;- Claro que não. O ouro não se compra com lata. Vamos conhecer uma pessoa interessante. Habita&lt;br /&gt;em seu mundo, em Kia. Essa pessoa pode responder como se obtém amor.&lt;br /&gt;- Vivaaaa! -manifestei entusiasmo. Não pelo fato de saber como obter amor e, sim, porque ia&lt;br /&gt;conhecer um mundo incivilizado... Pensando nisso, uma dúvida passou por minha cabeça.&lt;br /&gt;- Ami, como vou saber se o que verei é realidade ou gravação? Talvez tudo o que vi em Ofir tenha&lt;br /&gt;sido uma gravação...&lt;br /&gt;19&lt;br /&gt;- Sempre tão cheio de confiança e fé, hem? -caçoou Ami.&lt;br /&gt;Senti vergonha.&lt;br /&gt;- É que...&lt;br /&gt;- Aprenda a ter fé, Pedrinho. O que você viu em Ofir foi realidade e, também, o que verá em breve.&lt;br /&gt;Deveria confiar mais em mim. Não costumo mentir.&lt;br /&gt;- Nunca? -Vinka se interessou.&lt;br /&gt;Ami procurou a melhor maneira de explicar algo complicado.&lt;br /&gt;- Bem, às vezes, não é conveniente mostrar muita luz a alguém que está acostumado à escuridão...&lt;br /&gt;poderia ofuscar-se, cegar-se. Outras vezes, não é benéfico mostrar escuridão demais para quem vive&lt;br /&gt;acostumado à luz... poderia morrer de horror.&lt;br /&gt;Dissemos que não compreendíamos bem.&lt;br /&gt;- Excesso de escuridão ou de luz impede de ver. Algumas vezes é conveniente contar às crianças que&lt;br /&gt;a cegonha...&lt;br /&gt;- O que é a cegonha? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Aquela que traz os bebês de Lutis, segundo a tradição de Kia.&lt;br /&gt;- Ah, mas isso é uma boba...&lt;br /&gt;- ...Mais adiante, falaremos de uma sementinha na barriga. Somente quando a criança é um pouco&lt;br /&gt;maior é que poderemos explicar-lhe isso claramente.&lt;br /&gt;Quis aproveitar a oportunidade para tirar algumas dúvidas.&lt;br /&gt;- É melhor você explicar agora. Faço uma verdadeira confusão com essas coisas.&lt;br /&gt;Vinka se entusiasmou.&lt;br /&gt;- Eu também!&lt;br /&gt;Ami ria até as lágrimas e nos contagiou.&lt;br /&gt;- Tudo a seu tempo -disse, por fim, nosso amigo-. Tudo na sua hora e na sua idade. Para&lt;br /&gt;compreender álgebra, é preciso saber somar e subtrair.&lt;br /&gt;- Nós sabemos somar e subtrair -manifestou Vinka, um pouco ofendida.&lt;br /&gt;Ami se divertia mais ainda.&lt;br /&gt;- Não estou me referindo a essas somas e subtrações. -Olhou para cima, procurando um exemplo-.&lt;br /&gt;Vejamos deste modo então: para compreender a teoria da espiralidade das repercussões multidimencionais&lt;br /&gt;dos acontecimentos, é preciso compreender a teoria da relatividade... em que pé estão seus conhecimentos&lt;br /&gt;sobre esse tema? -perguntou, observando-nos muito interessado.&lt;br /&gt;Vinka e eu nos olhamos. Nossas caras pareciam um grande sinal de interrogação. Nós três&lt;br /&gt;começamos a rir.&lt;br /&gt;Capítulo 5 - O Principal defeito&lt;br /&gt;20&lt;br /&gt;Na viagem anterior, Ami disse que a sua nave não "viajava" pelo espaço a uma velocidade "tão lenta"&lt;br /&gt;como a da luz. Explicou-me que essas naves simplesmente "se situam", quer dizer, aparecem rapidamente&lt;br /&gt;onde elas querem, por meio de um sistema complicado relacionado com a "contração e a curvatura do&lt;br /&gt;espaço-tempo". Quando estávamos nos "situando", as estrelas pareciam esticar-se, depois se via uma&lt;br /&gt;neblina movediça por trás dos vidros. Era exatamente isso o que estava acontecendo agora, enquanto nos&lt;br /&gt;dirigíamos para Kia e eu pensava no que Ami tinha dito a respeito de não mostrar muita luz para quem não&lt;br /&gt;está acostumado a ela.&lt;br /&gt;- Pude compreender isso -disse, sabendo que ele lia meus pensamentos- mas não mostrar escuridão&lt;br /&gt;a quem está acostumado á luz...&lt;br /&gt;Vinka interferiu, causando-me grande surpresa:&lt;br /&gt;- Poderia morrer de espanto.&lt;br /&gt;- Você, você compreende o sentido disso?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Então?...&lt;br /&gt;- Simplesmente me lembrei das palavras de Ami. Ele disse isso. O que você quis dizer com isso, Ami?&lt;br /&gt;- Que, se uma pessoa não conhece certas misérias da vida, é melhor não mostrá-las de repente, só&lt;br /&gt;gradualmente. A visão de um cadáver, por exemplo.&lt;br /&gt;- Bem, isso não é tão terrível -disse Vinka, mostrando-se valente.&lt;br /&gt;- E em decomposição?&lt;br /&gt;- Que horror!... Agora compreendo.&lt;br /&gt;- Também me refiro à escuridão interna...&lt;br /&gt;Algumas vezes Ami era enervante.&lt;br /&gt;- Deixe já de mistérios e explique-se melhor, por favor.&lt;br /&gt;- Bom, muitas pessos têm uma magnífica opinião de si mesmas. Não são capazes de ver em si certos&lt;br /&gt;defeitos. Algumas vezes eles são graves. Acontece que os defeitos que não vemos em nós são justamente&lt;br /&gt;os que mais culpamos nos outros. Se, de repente, mostram-nos esses defeitos, podemos morrer por causa&lt;br /&gt;do impacto... Vocês conhecem a história do anão disforme que era feliz pensando que era lindo?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Ele nunca se tinha olhado no espelho. A primeira vez que o fez, começou sua tragédia...&lt;br /&gt;compreendem?&lt;br /&gt;Desta vez dissemos que sim.&lt;br /&gt;- O ego, essa parte de nós, que nos afasta do amor, tem uma coluna de apoio, uma raiz que lhe dá&lt;br /&gt;firmeza.&lt;br /&gt;- Qual é essa raiz?&lt;br /&gt;- Nosso principal defeito. Todos temos um defeito que é o principal mas, do mesmo jeito que as raízes&lt;br /&gt;de uma árvore, está escondido. Não nos é fácil reconhecê-lo. É mais fácil que os outros o descubram.&lt;br /&gt;Entretanto, se nos é mostrado de repente, pode acontecer a mesma coisa que ocorreu ao anão que&lt;br /&gt;pensava que era lindo. Se nosso pobre ego ficar sem apoio, sem raiz, simplesmente podemos morrer...&lt;br /&gt;Não era o que eu achava.&lt;br /&gt;21&lt;br /&gt;- Pensava que seríamos felizes sem ego...&lt;br /&gt;- Sim, mas não se pode tirar de repente o salva-vidas de quem não sabe nadar...&lt;br /&gt;- Já começou com seus mistérios outra vez. O que você quer dizer?&lt;br /&gt;- Que, em certos níveis de vida, o ego é um protetor, uma espécie de salva-vidas. Se desejamos subir&lt;br /&gt;mais alto, devemos deixar esse acessório de lado e aprender a nadar. Sempre chegará o momento em que&lt;br /&gt;é preciso escolher: uma coisa ou outra...&lt;br /&gt;- Que significa, nesse caso, "aprender a nadar"?&lt;br /&gt;- Significa desenvolver-se na vida, conforme as leis universais. Se vivessem em amor, não&lt;br /&gt;necessiteriam de mais nada, mas vocês nem sequer sabem como obtê-lo. Por isso vamos a Kia.&lt;br /&gt;Perguntei se ele conhecia meu principal defeito.&lt;br /&gt;- Claro que sim -respondeu rindo-. É mais feio do que uma mambacha.&lt;br /&gt;- Uma o quê?&lt;br /&gt;- Mambacha... uma espécie muito feia de um mundo pré-histórico.&lt;br /&gt;Vinka pensou muito antes de perguntar:&lt;br /&gt;- E eu, também tenho um defeito bestial?&lt;br /&gt;- Principal -corrigiu Ami, entre sorrisos-. Claro. Se você não tivesse um defeito tão feio como uma&lt;br /&gt;chalaça -este é outro bicho daquele mundo-, não estaria numa missão em Kia...&lt;br /&gt;- Eu? Em missão? Que missão, Ami?&lt;br /&gt;- Qual é meu principal defeito, Ami? -perguntei, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;O menino das estrelas soltou uma risada suave como a gargalhada de um neném.&lt;br /&gt;- Vamos por partes. Não posso responder duas perguntas ao mesmo tempo. Primeiro, o defeito.&lt;br /&gt;Depois, as missões que cada um de vocês realiza em seus respectivos planetas...&lt;br /&gt;- Missão? Eu? Qual missão, Ami?&lt;br /&gt;- Agora são três perguntas -ria-. Não posso lhes dizer quais são seus principais defeitos, porque não&lt;br /&gt;estão preparados para suportar essa feia e inesperada verdade. Não posso deixá-los sem "salva-vidas".&lt;br /&gt;Apesar disso, devo ir mostrando gradativamente os seus principais defeitos, porque não estão preparados&lt;br /&gt;para suportar essa feia e inesperada verdade. Não posso deixä-los sem "salva-vidas". Apesar disso, devo ir&lt;br /&gt;mostrando gradativamente os seus defeitos secundários, derivados do principal. Este é um trabalho muito&lt;br /&gt;delicado e doloroso para nós três. Há pouco tempo, mostrei-lhe algo feio de você mesmo. Não é verdade,&lt;br /&gt;Pedrinho?&lt;br /&gt;- Ah, "a calúnia" -eu disse irritado, lembrando-me das acusações de Ami. Ele riu novamente.&lt;br /&gt;- A reação de autoproteção é sempre a mesma: "calúnia", "maldade", "ofensa", "acusação", mas o&lt;br /&gt;golpe já foi dado. A conciência viu e produziu-se, desse modo, uma rachadura na rama do ego. Pouco a&lt;br /&gt;pouco, um defeito secundário acaba sendo superado. Uma vez que o vemos e o aceitamos, já podemos&lt;br /&gt;lutar contra ele... algumas vezes, essa aceitação demora um pouquinho -disse, olhando-me. Assim, vamos&lt;br /&gt;nos aproximando do defeito principal e, ao mesmo tempo, "aprendendo a nadar".&lt;br /&gt;- E agora, essa coisa de missão -disse Vinka impaciente.&lt;br /&gt;Não compreendi muito bem o que Ami disse a respeito dos meus defeitos e do meu ego, mas intuí&lt;br /&gt;que ele continuava a me ofender. Não gostei daqui-lo.&lt;br /&gt;22&lt;br /&gt;- O que eu disse aplica-se a todas as pessoas e não, única e exclusivamente, a Pedrinho. -Havia&lt;br /&gt;captado meu pensamento e achou engraçado.&lt;br /&gt;Vinka não se dava por vencida.&lt;br /&gt;- E agora, a missão... qual é a missão que nós temos, Ami?&lt;br /&gt;- Você escreveu o livro como lhe pedi, não é verdade?&lt;br /&gt;- Sim -respondemos tanto Vinka como eu.&lt;br /&gt;- O quê? Você também? -dissemos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Os dois escreveram um livro que relata seus respectivos encontros comigo -informou Ami, achando&lt;br /&gt;engraçada a nossa surpresa.&lt;br /&gt;Olhei para Vinka com curiosidade.&lt;br /&gt;- Qual é o título do seu?&lt;br /&gt;- "Ami, o Menino das Estrelas" -respondeu.&lt;br /&gt;- Isto é plágio! -exclamei muito irritado. Ami, como sempre, estava morrendo de rir.&lt;br /&gt;- Por que é plágio? -O olhar de Vinka parecia inocente.&lt;br /&gt;- Porque este é o título de meu livro, do que eu escrevi.&lt;br /&gt;- Que linda coincidência! De que trata o seu?&lt;br /&gt;- Bom, do meu encontro com Ami. Da minha avó...&lt;br /&gt;- O meu também relata meu encontro com Ami, mas não tenho nenhuma avó. Fui a Devashtán, um&lt;br /&gt;mundo civilizado. Visitei Rukna, Filus e um mundo cor...&lt;br /&gt;- Silêncio! -ordenou Ami, ao escutar um som agudo proveniente dos controles. Uma luz vermelha&lt;br /&gt;brilhava.&lt;br /&gt;- Alarme vermelho. Magnífico!&lt;br /&gt;Vinka se assustou.&lt;br /&gt;- Como pode ser magnífico o toque de um alarme vermelho? O que significa?&lt;br /&gt;- Que um movimento sísmico se aproxima. Que grande oportunidade!&lt;br /&gt;- Um terremoto? -perguntei, com inquietação.&lt;br /&gt;- Sim, na Terra. Mas o reduzimos a um tremor. Vamos, quero que vejam isso. Voltaremos para a&lt;br /&gt;Terra e veremos os trabalhos de proteção. Depois, iremos para Kia.&lt;br /&gt;- Quer dizer que vocês podem evitar terremotos? -perguntei, com uma grande curiosidade.&lt;br /&gt;- Somente algumas vezes. Você já vai ver. Muitas naves da Fraternidade dedicam-se a esse tipo de&lt;br /&gt;trabalho de proteção.&lt;br /&gt;- Qual Fraternidade?&lt;br /&gt;- A Fraternidade dos mundos civilizados -respondeu Ami, trabalhando nos controles do comando.&lt;br /&gt;Cocei a cabeça.&lt;br /&gt;23&lt;br /&gt;- Isto está se complicando. -Vinka estava de acordo.&lt;br /&gt;- É natural. Esta segunda viagem é um outro curso para vocês. É mais avançado, mas vamos por&lt;br /&gt;partes. Estávamos falando se suas respectivas missões. Vocês devem saber que sua origem não está&lt;br /&gt;ligada a seus planetas de nascimento. Você, Vinka, não é de Kia e você, Pedrinho, não é da Terra. -Ao dizer&lt;br /&gt;isso, acomodou-se melhor para divertir-se à custa de nossas caras.&lt;br /&gt;- Isso não é possível -protesou Vinka-. Eu nasci em Kia. Tenho minha certidão de nascimento. Minha&lt;br /&gt;tia Clorka disse que trocava minhas fraldas...&lt;br /&gt;- Eu nasci na Terra. Minha avó...&lt;br /&gt;Ami nos interrompeu sorridente.&lt;br /&gt;- É verdade. Nasceram nesses mundos, mas não são oriundos deles...&lt;br /&gt;- Não se pode entender isso -argumentei-. Se alguém nasce num lugar, é originário dali...&lt;br /&gt;- Não necessariamente. Vocês nasceram em mundos incivilizados, mas suas almas são provenientes&lt;br /&gt;dos mundos da Fraternidade. Vocês unicamente cumprem uma missão nesses planetas incivilizados...&lt;br /&gt;Capítulo 6 - A Missão&lt;br /&gt;Quando nos recuperamos de nossa surpresa, Ami se dispôs a explicar-nos muitas coisas.&lt;br /&gt;- Em breve, nos seus planetas, acontecrão coisas bastante desagradáveis...&lt;br /&gt;- Que coisas, Ami?&lt;br /&gt;- Muitas mudanças geológicas, meteorológicas, biológicas, cataclismos, pestes... milhões de pessoas&lt;br /&gt;contrairão novas enfermidades que não vão afetar as que mantiverem certa pureza interior...&lt;br /&gt;- Por que motivo vai acontecer tudo isso? -perguntou Vinka, com os olhos bem abertos.&lt;br /&gt;- Por duas razões. A primeira é porque a ciência foi utilizada de forma destrutiva e isso está&lt;br /&gt;produzindo graves desequilíbrios; também, por causa das vibrações mentais negativas que os seres&lt;br /&gt;humanos irradiam e que se acumulam perigosamente, formando uma capa de energias psíquicas ao redor&lt;br /&gt;dos seus mundos. Tudo isso está afetando muito esses dois seres viventes que são a Terra e Kia. A&lt;br /&gt;segunda razão não tem a ver com a participação humana: refere-se ao desenvolvimento evolutivo natural de&lt;br /&gt;seus planetas.&lt;br /&gt;O interesse de Vinka foi diminuindo.&lt;br /&gt;- E de qual mundo civilizado eu venho, Ami?&lt;br /&gt;- Vamos por partes. Estou respondendo a sua primeira pergunta. Esse processo, que deveria ser&lt;br /&gt;natural, foi acelerado prematuramente pelas más ações, sentimentos e pensamentos humanos. As&lt;br /&gt;mudanças, que deveriam ser suaves, serão violentas, destrutivas, a menos que as pessoas comecem a&lt;br /&gt;viver de acordo com a harmonia universal. Ainda se pode fazer muito para diminuir as perdas de vidas ou a&lt;br /&gt;perda total...&lt;br /&gt;- O fim do mundo?&lt;br /&gt;- Ou o começo. Depende de vocês mesmos. Se não superarem essa prova final, se não mudarem,&lt;br /&gt;será o fim. Se conseguirem unir-se e começarem a viver como Deus manda, será o começo de um&lt;br /&gt;verdadeiro paraiso.&lt;br /&gt;- Para vocês, não custaria nada nos ajudar a evitar a destruição... -disse Vinka, em tom de&lt;br /&gt;reprovação. Ami, alegre como sempre, respondeu:&lt;br /&gt;24&lt;br /&gt;- Já lhes expliquei por que não podemos interferir em massa e de uma forma aberta: uma Lei&lt;br /&gt;Universal nos impede e devemos respeitá-la. Vocês gostariam que um aluno mais adiantado fizesse por&lt;br /&gt;vocês as provas no colégio?&lt;br /&gt;Aquilo me entusiasmou.&lt;br /&gt;- Seria fantástico! Não teria que estudar nada. Tiraria boas notas e...&lt;br /&gt;- Isso seria enganar. -O gesto de Vinka foi repreendedor. Ami não prestou muita atenção.&lt;br /&gt;- Além disso, se você conseguisse passar ao ano seguinte, não iria compreender nada. Você seria um&lt;br /&gt;estorvo para seus colegas e para o colégio todo... Por outro lado, você perderia o legítimo orgulho de ter&lt;br /&gt;conseguido transpor mais um degrau graças ao seu próprio esforço.&lt;br /&gt;- Você tem razão, Ami -disse eu, envergonhado.&lt;br /&gt;Vinka também compreendeu.&lt;br /&gt;- É verdade. Seria ruim, se vocês fizessem tudo por nós.&lt;br /&gt;- E, também, seria ruim se não fizéssemos nada. Se uma criança corre para um precipício, devemos&lt;br /&gt;protegê-la. Talvez não nos seja permitido segurá-la, mas podemos adverti-la de que está no caminho&lt;br /&gt;errado. Essa é justamente a missão que vocês desempenham.&lt;br /&gt;- Não compreendo muito bem... -disse.&lt;br /&gt;- Eu sim -manifestou Vinka.&lt;br /&gt;Então explique-me, por favor.&lt;br /&gt;- Encarnamos em mundos incivilizados para tentar evitar destruição.&lt;br /&gt;- Perfeito! -exclamou Ami-. Como você soube, Vinka?&lt;br /&gt;- Não sei...&lt;br /&gt;- É o sentido do qual lhes falei. Existem coisas que se pessentem. Dois ou três dados são suficientes&lt;br /&gt;e o resto fica claro.&lt;br /&gt;Vinka voltou a perguntar:&lt;br /&gt;- Então, de que mundo eu venho?&lt;br /&gt;- Isso não importa muito. De nada serve voltar ao passado. A maravilha está no presente.&lt;br /&gt;- Mas eu gostaria muito de visitar meu planeta de origem, meu verdadeiro lar...&lt;br /&gt;- Quando o amor nos revela o sentido da existência, todo o universo é nosso lar e todos os seres são&lt;br /&gt;nossos irmãos -disse Ami-. Vocês fazem parte de uma missão de paz que vai servir de apoio e conexão na&lt;br /&gt;tarefa de transformar, de civilizar, de humanizar seus mundos. Fazer com que deixem de ser erenas de&lt;br /&gt;guerra, competição, injustiça e divisão, dando lugar à paz, à fraternidade, à alegria e ao amor, como o resto&lt;br /&gt;do universo civilizado.&lt;br /&gt;Uma sombra obscureceu o olhar de Vinka.&lt;br /&gt;- Quando me lembro dos térri, parece-me que em Kia isso será impossível.&lt;br /&gt;- Quem são os térri? -prgunrei.&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;- No mundo de Vinka -explicou Ami- existem duas espécies humanas. Uma é a dos swama. Ela&lt;br /&gt;pertence a esta. A outra é a dos térri. Eles estão divididos em dois bandos que vivem em guerra constante:&lt;br /&gt;os térri wacos, contra os térri zumbos. Os térri são seres humanos muito belicosos...&lt;br /&gt;- Não são humanos! -protestou Vinka, visivelmente alterada- São símios! São macacos intelectuais!&lt;br /&gt;- Macacos intelectuais? -não compreendi-. Como pode um macaco ser intelectual?&lt;br /&gt;- Eles têm muita inteligência e astúcia, mas não têm bondade. São criminosos, mentirosos, cínicos,&lt;br /&gt;desonestos, imorais, materialistas e tiranos. -Vinka estava realmente zangada. Ao escutá-la, Ami deu uma&lt;br /&gt;rizada e disse:&lt;br /&gt;- Que beleza de gente, hem? Mas você faz mal em falar assim dos seus irmãos. Você deveria&lt;br /&gt;compreender em vez de julgar. Nem todos os térri são como você diz. Alguns têm mais de "setecentas&lt;br /&gt;medidas".&lt;br /&gt;Ami estava se referindo ao nível de evolução. Ele tinha um aparelho com uma tela, capaz de ver o&lt;br /&gt;grau de luz espiritual de qualquer pessoa ou animal. Ele o chamava "sensômetro". Disse que era suficiente&lt;br /&gt;ter "setecentas medidas" para ser resgatado pelos extraterrestres no caso de produzir-se um desastre&lt;br /&gt;irremediável. Com "setecentas medidas" uma pessoa já é boa o suficiente para merecer viver em um mundo&lt;br /&gt;civilizado.&lt;br /&gt;Daquela vez ele não quis me dizer quantas "medidas" eu tinha, porque se minha evolução fosse&lt;br /&gt;pouca, eu poderia me desmoralizar; se fosse alta, poderia envaidecer-me e, se uma pessoa fica vaidosa, o&lt;br /&gt;ego cresce e suas "medidas" baixam.&lt;br /&gt;Não me interessou muito o assunto dos térri. Quis saber a respeito de minhas "medidas". Tentei tirarlhe&lt;br /&gt;alguma informação a respeito.&lt;br /&gt;- Então, Vinka e eu devemos ter uma quantidade fabulosa de "medidas"...&lt;br /&gt;- Por que, Pedrinho?&lt;br /&gt;- Porque somos provenientes de mundos civilizados...&lt;br /&gt;- Já lhe disse que muitas pessoas de seu mundo têm mais "medidas" do que eu. A diferença consiste&lt;br /&gt;em que elas não sabem o que eu sei. Não foram educadas em ambientes favoráveis, com informação&lt;br /&gt;adequada, mas suas almas têm em muitos casos, níveis muito altos e não são originárias, necessariamente,&lt;br /&gt;de mundos civilizados. Os missionários como vocês, durante suas vidas anteriores, cometeram alguns&lt;br /&gt;erros, algumas faltas contra o amor. Como estes erros deveriam ser pagos com servoço, puderam escolher&lt;br /&gt;o tipo de tarefa que deveriam realizar para purificar-se. Vocês também escolheram livremente as funções&lt;br /&gt;que executam hoje.&lt;br /&gt;- Que erro eu cometi? -perguntamos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Isso já não importa. Nunca devemos voltar aos erros do passado, sejam os próprios ou os alheios.&lt;br /&gt;Se vocês assumirem o compromisso que firmaram, ficarão limpos e brilhantes. Depois poderão retornar a&lt;br /&gt;um mundo fraternal e bom, quando tiverem terminado a missão.&lt;br /&gt;- No meu planeta não existe os térri -disse eu-, mas também acho que este é um trabalho quase&lt;br /&gt;impossível. Como poderemos fazer algo?&lt;br /&gt;- Não será tão impossível como parece. Em primeiro lugar, os próprios acontecimentos ajudarão,&lt;br /&gt;porque muitas pessoas compreenderão que precisam transformar-se. Em segundo lugar, as pessoas que&lt;br /&gt;desejam uma grande mudança positiva constituem a imensa maioria, só precisam de orientação. Em&lt;br /&gt;terceiro lugar, estão os missionários como vocês... são vários milhões.&lt;br /&gt;- Vários milhões!&lt;br /&gt;- Uma verdadeira "invasão extraterrestre", mas com fins pacíficos. Estão em todos os lugares, em&lt;br /&gt;todos os trabalhos, em todas as empresas; dentro dos jornais, no rádio, televisão, empregos públicos... em&lt;br /&gt;cada lugar existe pelo menos um.&lt;br /&gt;26&lt;br /&gt;- É incrível! -exclamamos-. Nós não conhecemos nenhum. Como podemos reconhecê-los?&lt;br /&gt;- Por suas ações. Os missionários sempre estão em lugares onde prestam serviços.&lt;br /&gt;- Existe alguma forma de reconhecê-los fisicamente?&lt;br /&gt;- Nenhuma. Somente pelo resultado de suas ações. Cada um fala através de seus atos.&lt;br /&gt;- Mas... se há tantos seres de planos superioresajudando, como fica a lei que proíbe a interferência&lt;br /&gt;nos mundos incivilizados?&lt;br /&gt;- Existe uma medida que é permitida. Por outro lado, vocês não se lembram da informação que&lt;br /&gt;tinham antes, pelo menos, não conscientemente.&lt;br /&gt;Pensando em tudo isso, parecia-me impossível que eu tivesse vindo de um mundo melhor que a&lt;br /&gt;Terra.&lt;br /&gt;- Ami, você disse que eu venho de um mundo civilizado, mas eu reconheço que tenho muitos defeitos.&lt;br /&gt;As pessoas que vi em Ofir eram muito superiores a mim...&lt;br /&gt;- Bem, é que você tem um defeito tão feio como uma mambacha -riu-. Além disso, o meio ambiente&lt;br /&gt;incivilizado deformou-o mais ainda. Mas com um trabalho desinteressado, você vai recuperar e superar o&lt;br /&gt;seu nível anterior. Pouco a pouco, irá afastando-se do seu lobo interior.&lt;br /&gt;- O que é um lobo? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- É um animal parecido a um chug, mas tem pêlos em vez de plumas -respondeu Ami.&lt;br /&gt;Idiotamente ocorreu-me a idéia de perguntar:&lt;br /&gt;- O que é um chug?&lt;br /&gt;- É um animal parecido ao lobo, mas tem plumas em vez de pêlos -respondeu Ami, dando&lt;br /&gt;gargalhadas.&lt;br /&gt;Capítulo 7 - O Comandante&lt;br /&gt;Por trás das janelas, apareceu o meu planeta azul, com suas nuvens brancas, seus mares, suas&lt;br /&gt;selvas e seus desertos.&lt;br /&gt;A Terra aumentava rapidamente de tamanho. Fomos desaparecendo na parte escura, onde já era&lt;br /&gt;noite.&lt;br /&gt;Viam-se algumas manchas luminosas: eram as cidades mas, "ao contrário", elas estavam "em cima"&lt;br /&gt;e as estrelas "embaixo". Apesar disso, dentro da nave, eu sentia que o verdadeiro "embaixo" era o chão do&lt;br /&gt;veículo.&lt;br /&gt;- Temos gravidade artificial -explicou Ami-. Agora veremos como fazem os nossos amigos para evitar&lt;br /&gt;um grande terremoto.&lt;br /&gt;Avançamos sobre o mar iluminado pela lua, ou lelhor, "embaixo" do mar, porque ainda estávamos ao&lt;br /&gt;contrário.&lt;br /&gt;Pude ver as luzes de uma cidade da costa, próxima dali.&lt;br /&gt;- Este é o ponto -disse Ami, observando uma tela lateral-. Entraremos.&lt;br /&gt;Tudo ficou escuro atrás dos vidros.&lt;br /&gt;- Vamos para o fundo. Observem por essa tela, assim poderão ver melhor.&lt;br /&gt;27&lt;br /&gt;Como na viagem anterior, a tela mostrava com clareza tudo o que havia ao redor, apesar da&lt;br /&gt;escuridão reinante.&lt;br /&gt;Ami colocou a nave em posição normal. Pareceu-me que estávamos voando sobre a terra. Embaixo,&lt;br /&gt;podíamos ver montanhas e vales muito áridos. Vi que, de trecho em trecho, nos nos encontrávamos com as&lt;br /&gt;"aves" do lugar, quero dizer, peixes, baleias, cardumes de sardinhas e lembrei-me de que estávamos&lt;br /&gt;debaixo das águas do mar. Víamos tudo transparente como no ar.&lt;br /&gt;- Isto é lindo demais, Ami -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Tudo é lindo a cada momento... para aquele que sabe ver.&lt;br /&gt;No fundo, ao longe, apareceu um objeto comprido, como um charuto em posição horizontal e seu&lt;br /&gt;tamanho aumentava rapidamente. De repente, compreendi que se tratava de uma imponente nave espacial&lt;br /&gt;submersa nas águas, flutuando perto do fundo. Era algo impressionante. Parecia uma gigantesca cidade.&lt;br /&gt;Quando chegamos bem perto, já não conseguimos mais distinguir os seus limites. Foram ficando difusos, de&lt;br /&gt;tão distantes que estavam. Milhares de janelinhas iluminadas indicavam que havia dezenas de andares ou&lt;br /&gt;níveis.&lt;br /&gt;- O que é isso, meu Deus?! -exclamou Vinka, com os olhos maravilhados.&lt;br /&gt;- É uma nave-mãe. A mais importante entre aquelas que participam da tarefa de ajuda a Terra. Por&lt;br /&gt;alguma estranha exceção desceu. Normalmente, mantém-se no espaços. É uma espécie de "porta-aviões",&lt;br /&gt;só que em vez de aviões, transporta naves espaciais. Também pode abrigar vários milhões de seres&lt;br /&gt;humanos. Deve estar sempre por perto... nunca se sabe quando será necessário resgatar muitas pessoas.&lt;br /&gt;Nela viaja o Comandante de todo o plano de ajuda para a Terra. Ele habita nessa nave permanentemente.&lt;br /&gt;Vamos até Ele.&lt;br /&gt;Ami acionou algo nos comandos. Apareceu o rosto de um homem na tela. No mesmo momento,&lt;br /&gt;compreendi que aquele Ser não era terrestre, porque sua aparência lembrava as imagens dos grandes&lt;br /&gt;Mestres da humanidade. Sua serenidade interior mostrava feições de muito maior beleza do que as&lt;br /&gt;habituais encontradas nos homens da Terra: uma tranqüila felicidade, uma harmonia, uma bondade e uma&lt;br /&gt;paz imensa. Nem mesmo em Ofir pude ver um rosto como aquele. Apesar disso, sua aparência era de um&lt;br /&gt;verdadeiro terrestre, exceto o olhar: olhos extraordinariamente grandes e cheios de bondade. Imediatamente&lt;br /&gt;senti simpatia por aquele Ser.&lt;br /&gt;- Apresento-lhes nosso irmão Comandante.&lt;br /&gt;O homem da tela nos saudou num idioma estranho. Foi atravéz do fone que percebi a tradução:&lt;br /&gt;- Bem-vindos à nossa nave, Vinka e Pedro. Sou o encarregado de supervisionar todo o plano de ajuda&lt;br /&gt;ao planeta Terra.&lt;br /&gt;- M-muito prazer -dissemos com muita timidez.&lt;br /&gt;Um suave sorriso iluminou seu rosto quando exclamou:&lt;br /&gt;- Espero-os com carinho em minha morada. -Sua imagem desapareceu.&lt;br /&gt;Olhei pelos vidros. Aproximávamo-nos de uma abertura por debaixo da gigantesca nave. Entramos&lt;br /&gt;verticalmente. Chegamos a um recinto não muito grande e perfeitamente seco. Outras naves, pequenas&lt;br /&gt;como a de Ami, estavam estacionadas ali. Enquanto pousávamos sobre o chão, pude ver que uma&lt;br /&gt;comporta fechou a abertura pela qual entramos.&lt;br /&gt;Ami se colocou de pé.&lt;br /&gt;- Vamos descer.&lt;br /&gt;- Isso quer dizer que vamos sair?&lt;br /&gt;- Claro. Vamos conhecer o Comandante.&lt;br /&gt;28&lt;br /&gt;Quis fazer um milhão de perguntas, mas não tive tempo, porque Ami nos levou para a saída. Dessa&lt;br /&gt;vez, quando a porta se abriu, havia uma escada. Enquanto descíamos, vi que a nossa nave encontrava-se&lt;br /&gt;apoiada sobre três suportes. Aquela era a primeira vez que "aterrissava" comigo a bordo. Antes, sempre&lt;br /&gt;ficava suspensa no ar.&lt;br /&gt;Caminhamos até uma porta. Quando chegamos, ela se abriu e apareceu um brilhante e comprido&lt;br /&gt;corredor. O teto, muito alto, era côncavo. Tinha luz própria que emitia uma cor creme suave. O chão, de um&lt;br /&gt;material mole, semelhante à borracha, também emitia uma bonita luz azul-clara. As paredes pareciam com&lt;br /&gt;um metal opaco. Várias portas muito grandes completavam o cenário. Algumas tinham letreiros luminosos,&lt;br /&gt;escritos em um idioma que era desconhecido para mim.&lt;br /&gt;- É o idioma da Fraternidade -explicou Ami.&lt;br /&gt;- Pensei que cada mundo tivesse seu próprio idioma.&lt;br /&gt;- E tem, mas também utilizamos uma linguagem comum para compreender-mos uns aos outros,&lt;br /&gt;especialmente em forma escrita. Este é um idioma artificial. Todos temos que estudá-lo, desde pequenos.&lt;br /&gt;Para nós, é mais fácil escrevê-lo do que falar.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque nem todas as espécies humanas têm o mesmo formato de língua, garganta e cordas vocais.&lt;br /&gt;Para alguns, é mais fácil emitir certos sons que para outros. É como os chineses: é difícil para eles&lt;br /&gt;pronunciar a letra R.&lt;br /&gt;- Quem são os chineses? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Uma raça do meu mundo. Têm os olhos assim. -Puxei os olhos para os lados, para explicar-lhe.&lt;br /&gt;- Que bonitos! -exclamou. Nós três rimos.&lt;br /&gt;Chegamos no final do corredor. À nossa frente, havia uma porta muito larga. Abriu-se: era um&lt;br /&gt;elevador. Entramos. Procurei os controles, mas não havia nada. Ami simplesmente disse "Comandante" e a&lt;br /&gt;porta fechou-se. Percebemos um movimento suave. Subíamos... mas, de repente, começamos a avançar&lt;br /&gt;horizontalmente. Aquilo, mais do que um elevador, era um veículo que podia transitar em vários sentidos.&lt;br /&gt;- Esta nave emite uma radiação que mata os germens que estão no ar ou em qualquer superfície. Por&lt;br /&gt;isso, não existe perigo de que seus micróbios possam afetar os membros da tripulação. Além disso, todos&lt;br /&gt;eles serão... de algum modo, "desinfetados", antes de ingressarem em qualquer mundo da Fraternidade.&lt;br /&gt;A porta se abriu, mas não aquela pela qual havíamos entrado; uma outra, às nossas costas. Apareceu&lt;br /&gt;um salão maravilhoso como um sonho. Estava decorado com plantas naturais de vários tipos e cores. Não&lt;br /&gt;sei explicar, mas nunca teria imaginado plantas em uma nave espacial...&lt;br /&gt;Uma série de fontes ocultas de luz, de diversos tons, produziam uma atmosfera de um tom amarelodourado.&lt;br /&gt;Vários compartimentos do salão estavam separados por vidros. Vi uma fonte com uma queda&lt;br /&gt;d'água. Imitava uma cascata melodiosa caindo entre as pedras, musgos e algas naturais. Ali saltavam&lt;br /&gt;alguns peixes e outros animaizinhos, para mim desconhecidos.&lt;br /&gt;Vinka não pôde ocultar sua emoção.&lt;br /&gt;- Isto é belíssimo!&lt;br /&gt;- As almas evoluídas necessitam rodear-se de beleza -explicou Ami- e nada pode ser mais belo do&lt;br /&gt;que a natureza.&lt;br /&gt;29&lt;br /&gt;Conduziu-me para o interior do salão. À nossa esquerda esperava-nos de pé o homem que havíamos&lt;br /&gt;cumprimentado pela tela: o Comandante. Atrás dele, vi uma enorme janela. Por ela se via um riacho que&lt;br /&gt;corria suavemente entre as pedras e a vegetação. Na linha do horizonte, um sol azul escondia-se por trás de&lt;br /&gt;algumas serras... não soube se aquela era uma paisagem artificial, fabricada em um grande recinto da nave&lt;br /&gt;ou se era alguma outra coisa. Mais tarde, Ami nos explicou que o Comandante gostava de lembrar as&lt;br /&gt;paisagens de seu mundo de origem, por isso sintonizava as vistas da natureza que deixara para trás. Mas&lt;br /&gt;aquela grande janela era uma tela...&lt;br /&gt;Vestia-se de branco. Usava uma roupa parecida à de Ami, um pouco mais folgada, deixando o&lt;br /&gt;pescoço e uma parte do peito descobertos. Sua estatura era impressionante: media, pelo menos, um metro&lt;br /&gt;e noventa e cinco. Parecia irradiar um esplendor, parecia brilhar...&lt;br /&gt;Ami nos levou para perto dele. Eu ia, com profundo respeito, quase com temor, com vergonha&lt;br /&gt;inclusive... porque sabia, graças a Ami, que eu estava cheio de imperfeições. Aquele ser estava rodeado por&lt;br /&gt;uma auréola de tal pureza, que me comparando a ele, eu ficava ao nível de um porco... pelo menos, assim&lt;br /&gt;me sentia.&lt;br /&gt;Falou com uma voz suave e tranqüilizadora:&lt;br /&gt;- Fazer comparações, às vezes ajuda. Outras vezes, prejudica.&lt;br /&gt;Assim como Ami, ele captava os pensamentos...&lt;br /&gt;Vinka tinha entrado numa espécie de transe na presença do Comandante. Caminhou até ele, pegou&lt;br /&gt;sua mão, beijou-a e tentou colocar-se de joelhos.&lt;br /&gt;- Não faça isso -disse ele, levantando-a pelo braço-. Eu sou como você, um servidor, seu irmão.&lt;br /&gt;Somente diante de Deus pode um ser humano prostrar-se.&lt;br /&gt;Impressionada com aquele ser, Vinka tinha lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;- Sempre existe alguém mais acima e mais abaixo que nós. Devemos ouvir os conselhos daqueles&lt;br /&gt;que estão acima e devemos orientar os que estão embaixo. Unicamente cumpro com as instruções de meu&lt;br /&gt;irmão maior.&lt;br /&gt;- "Acima" e "abaixo" significam, neste caso, o nível evolutivo -explicou Ami.&lt;br /&gt;O Comandante dirigiu-se para um móvel muito moderno, de linhas aerodinâmicas. Parecia uma&lt;br /&gt;"escrivaninha cósmica". Sentado atrás dela, começou a falar:&lt;br /&gt;- Desci a este planeta com a única finalidade de estabelecer este contato.&lt;br /&gt;Naquele momento, não captei a trancendência do que ele dizia. Não pude conceber a grandiosidade&lt;br /&gt;do fato: o Comandante de uma operação gigantesca, realizada por seres extraterrestres, descendo até a&lt;br /&gt;Terra com sua nave do tamanho de uma cidade, quem sabe com quantos milhões de tripulantes a bordo,&lt;br /&gt;somente para estabelecer uma comunicação com duas crianças...&lt;br /&gt;Ami interferiu:&lt;br /&gt;- Vocês levarão sua mensagem aos seus mundos. O que ele lhes dirá serve tanto para a Terra como&lt;br /&gt;para Kia, porque o Comandante está em comunicação com nosso irmão que dirige o plano de ajuda para&lt;br /&gt;Kia. Os dois mundos estão numa situação semelhante. Prestem atenção.&lt;br /&gt;O Comandante tomou a palavra:&lt;br /&gt;30&lt;br /&gt;- Como lhes foi informado, vocês estão incluídos dentro do gigantesco Plano Cósmico Evolutivo para&lt;br /&gt;seus mundos. Uma grande quantidade de servidores participa deste Plano. Alguns, estando encarnados&lt;br /&gt;nesses mundos, participam por enquanto, de forma inconciente; outros o fazem conscientemente. Irmãos de&lt;br /&gt;planetas superiores aos seus também trabalham nesta missão de ajuda e, por último, outros irmãos que já&lt;br /&gt;não estão sujeitos às limitações de um corpo densamente material, também colaboram estreitamente com o&lt;br /&gt;Plano. Todos trabalhamos em tempo integral, até o último alento de vida no corpo que ocupamos, até que o&lt;br /&gt;Íntimo nos chame para servi-Lo em outros planos. A nossa recompensa é cumprir com o que nos dita a&lt;br /&gt;nossa consciência. Somos movidos unicamente pelo Amor.&lt;br /&gt;Vocês devem saber que mudanças muito importantes e profundas se aproximam. Nós estamos&lt;br /&gt;fazendo o que podemos, para evitar o impacto negativo desses acontecimentos. O resto, vocês mesmos&lt;br /&gt;deverão fazer.&lt;br /&gt;Devem compreender que é o Espírito da Força Criadora que rege o fluir da vida no universo e Ele é&lt;br /&gt;todo amor. Se não se deixam reger pelo amor estão atuando contra as leis universais, portanto, não podem&lt;br /&gt;ter harmonia em suas vidas pessoais nem em suas relações sociais ou internacionais.&lt;br /&gt;O desconhecimento da lei de Deus, por parte da grande maioria, é a causa e a raiz da dolorosa&lt;br /&gt;situação que os homens atravessam agora e que pode levá-los à destruição total.&lt;br /&gt;Estamos inspirando muitas pessoas em todos os países. Enviamos mensagens com ensinamentos e&lt;br /&gt;instruções, mas não podemos evitar que algumas delas sejam distorcidas pelas crenças particulares&lt;br /&gt;daqueles que as recebem. Isto produz confusão e desalento. Entretanto, dia após dia, tudo ficará cada vez&lt;br /&gt;mais claro. Também estamos inspirando obras de literatura, musicais, filmes e outras manifestações&lt;br /&gt;culturais e estamos fazendo todo o possível para que sejam difundidas, porque são uma semente de amor&lt;br /&gt;para as consciências e também uma preparação para o "grande encontro".&lt;br /&gt;Ami interferiu para explicar:&lt;br /&gt;- Vocês não estão separados para sempre de seus irmãos do universo. Quando deixarem de viver&lt;br /&gt;divididos por injustiças e violência, ignorando o Reitor do universo, o Amor, vocês ingressarão na&lt;br /&gt;Fraternidade.&lt;br /&gt;"Será por volta do ano cinco mil e quinhentos", pensei, ao recordar as pessoas das ruas de meu&lt;br /&gt;mundo. O Comandante, obviamente, "escutou-me".&lt;br /&gt;- Se não estivesse para ocorrer algo diferente, o processo poderia demorar milênios ou não se realizar&lt;br /&gt;nunca. Mas aproximam-se fenômenos que não poderão ser explicados por nenhuma teoria. Nesses&lt;br /&gt;momentos, vocês deverão recordar nossas palavras, expressas tanto pelos Mestres de ontem como pelos&lt;br /&gt;de hoje. Deverão compreender que a única coisa que pode lhes salvar da iminente destruição é reconhecer&lt;br /&gt;a universalidade do amor e reger-se por ele em todas as situações de suas vidas. Se não o fizerem, não o&lt;br /&gt;merecerão nem poderão sobreviver. Resgataremos os que o fizerem. O "trigo" será separado do "joio".&lt;br /&gt;Estamos servindo a um Plano Divino, decretado pelos desígnios do Criador, desde a eternidade. Nós&lt;br /&gt;somos seus agentes.&lt;br /&gt;Colocou-se de pé.&lt;br /&gt;- Isto é tudo, queridas crianças. Agora deixo vocês nas mãos do Capitão que dirige o nosso trabalho&lt;br /&gt;que procura evitar grandes perdas de vidas neste ponto do planeta.&lt;br /&gt;Neste momento, entrou o homem de quem se falava. Estava vestido como nosso pequeno amigo e&lt;br /&gt;não era tão alto como o Comandante. Disse-nos:&lt;br /&gt;- Vou mostrar-lhes como podemos diminuir os efeitos de um terremoto que se aproxima. Sigam-me,&lt;br /&gt;por favor -guiou-nos com carinho e grande suavidade.&lt;br /&gt;31&lt;br /&gt;- Vão com Deus -expressou o Comandante, enquanto colocava suas grandes mãos sobre nossos&lt;br /&gt;ombros -e lembrem-se de que vocês estão protegidos. Não temam nunca. Nós os salvaremos de todos os&lt;br /&gt;perigos, mas não abusem desta proteção, violando o que é natural e prudente. Neste caso, não poderemos&lt;br /&gt;fazer nada. Não se esqueçam de colocar minha mensagem em seus livros. Se pudéssemos, nós a&lt;br /&gt;proclamaríamos dos alto-falantes de nossas naves, introduzir-nos-íamos nas suas transmissões de rádio e&lt;br /&gt;televisão e nos faríamos plenamente visíveis; mas não nos é permitido fazer isso. Nossa palavra fraterna&lt;br /&gt;somente poderá se enviada atravéz de canais que possam ser comprovados unicamente pelo sentido&lt;br /&gt;interno, justamente este que devem desenvolver para evoluir e salvar-se. Esta é a outra poderosa razão que&lt;br /&gt;nos impede de mostrar-nos de forma mais aberta e em massa... meditem nisso.&lt;br /&gt;Deixou-nos na porta do elevador. A última coisa que nos disse foi:&lt;br /&gt;- Meu amado irmão maior recomenda-me que lhes transmita seu grande amor por todos os que&lt;br /&gt;sofrem. Ele quer que saibam que não descansou um só dia desde a aparição do Homem e que não o fará&lt;br /&gt;até que todos vivam em paz e felizes e que vocês também não devem descançar, porque todos são suas&lt;br /&gt;mãos e bocas. Até logo, amigos.&lt;br /&gt;Capítulo 8 - A Caverna&lt;br /&gt;Depois que saímos do elevador, caminhamos por outro corredor. Abriu-se uma porta e apareceu a&lt;br /&gt;imensa nave do Capitão. Havia várias filas de janelas. Pude ver algumas figuras humanas detrás dos vidros&lt;br /&gt;e a nave apoiada sobre três enormes bases. A entrada estava debaixo do corpo do "disco-voador".&lt;br /&gt;Caminhamos debaixo do tremendo aparelho. Vinka e eu olhávamos impressionados para o alto. Chegamos&lt;br /&gt;numa escada. O Capitão pôs o pé e ela movimentou-se. Assim que todos subiram, a velocidade aumentou&lt;br /&gt;mas, antes de chegar ao interior do "ovni", foi freado suavemente.&lt;br /&gt;Em sua nave o Capitão nos informou:&lt;br /&gt;- Daqui se orientam os trabalhos de proteção geológica. Outras naves, com outros Capitães, têm&lt;br /&gt;missões diferentes.&lt;br /&gt;Entramos num salão onde havia pessoas de diversos tipos. Sorriam-nos, mas ninguém disse nada.&lt;br /&gt;Chamou a minha atenção o fato de que falassem tão pouco. Ami captou isso. Quando estávamos no&lt;br /&gt;elevador, disse:&lt;br /&gt;- O intelecto é como um papagaio tagarela que desconhece um instante de silêncio. Sempre está nos&lt;br /&gt;impulsionando a falar, apesar de que raras vezes dizemos algo que vale a pena.&lt;br /&gt;Estas pessoas percebem melhor a realidade e utilizam outras funções superiores da mente. Além&lt;br /&gt;disso, nós já desenvolvemos a telepatia.&lt;br /&gt;- Porém, você não é como eles -disse eu.&lt;br /&gt;- A que você se refere?&lt;br /&gt;- Você fala e ri muito, do mesmo jeito que nós.&lt;br /&gt;- Eles são mais serenos...&lt;br /&gt;Em vez de sentir-se diminuído com minha observação, riu mais que nunca, provocando um sorriso no&lt;br /&gt;Capitão. Depois nos disse:&lt;br /&gt;- Em primeiro lugar, devo me colocar à sua altura. Qual de vocês dois conversa telepaticamente?...&lt;br /&gt;Em segundo lugar, já lhes disse que o meu nível evolutivo é muito parecido ao de vocês. Em terceiro lugar,&lt;br /&gt;sou proveniente de um mundo onde as almas gostam de brincar. Somos uma espécie de duendezinhos&lt;br /&gt;travessos, embora jamais pratiquemos o mal.&lt;br /&gt;- Então, por que é você quem nos ensina? Por que não é alguém mais evoluído? -perguntou Vinka,&lt;br /&gt;com um tom decepcionado.&lt;br /&gt;32&lt;br /&gt;Ami estava rindo de novo. O Capitão olhava alguns manuais e não prestava muita atenção em nós,&lt;br /&gt;apesar de que me pareceu perceber um leve sorriso em seus lábios.&lt;br /&gt;- Alguém como o irmão mais velho do Comandante, por exemplo? -Ami se divertia com Vinka, mas&lt;br /&gt;ela, com um brilho no olhar, disse:&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;Desta vez, o Capitão deixou de lado os seus papéis e observou a menina com um sorriso franco,&lt;br /&gt;bastante surpreendido. Ami deu outra de suas risadas. Quando conseguiu falar, disse:&lt;br /&gt;- Para merecer a instrução de alguém assim, é necessário ter o nível interior do Comandante...&lt;br /&gt;- Compreendo -disse Vinka-. Então, por que alguém tão maravilhoso como o Comandante não&lt;br /&gt;poderia ser o nosso guia?&lt;br /&gt;Ami adorava o diálogo. Com um sorriso nos lábios perguntou:&lt;br /&gt;- Vocês se sentiram à vontade na sua presença? Sentiram a confiança necessária para manifestar&lt;br /&gt;suas inquietudes, como fazem comigo?&lt;br /&gt;Vinka assumiu um ar de eficiência.&lt;br /&gt;- Compreendi muito bem o que ele disse. Ao seu lado me senti como em outro mundo...&lt;br /&gt;- O que ele disse? -O olhar de Ami era malicioso.&lt;br /&gt;- Bem, que devemos ser bons... para ir para o Céu...&lt;br /&gt;Rindo me perguntou:&lt;br /&gt;- Foi isso o que ele disse?&lt;br /&gt;- Sim. Falou, também, que o fim do mundo está próximo. Se formos bons, ele vai nos salvar...&lt;br /&gt;O Capitão deixou definitivamente de lado os seus papéis e, com ternura, acariciou as nossas&lt;br /&gt;cabeças, enquanto Ami nos explicava:&lt;br /&gt;- Estão vendo? Isso é o que acontece: captaram a milésima parte de suas palavras. Por isso, quando&lt;br /&gt;a energia é muito alta, necessita-se de "transformadores". Se uma televisão for ligada diretamente na linha&lt;br /&gt;de alta tensão, queima-se, não está adaptada para receber essa energia. Precisa de um transformador que&lt;br /&gt;diminua a eletricidade até um nível que o receptor possa suportar. O nível do Comandante é muito elevado&lt;br /&gt;para vocês. Ele fala, mas vocês não o compreendem bem. Eu, em troca, posso explicar-lhes as mesmas&lt;br /&gt;coisas de uma maneira mais simples.&lt;br /&gt;Vocês, agora, devem escrever outro livro que fale sobre estas experiências que estão vivendo... não&lt;br /&gt;vão se recordar muito bem do que o Comandante lhes disse. Todavia estaremos por perto, comunicandonos&lt;br /&gt;com vocês de forma telepática, para ativar-lhes a memória.&lt;br /&gt;- Esta é a sala de comandos -disse o Capitão, quando se abriram as portas do elevador.&lt;br /&gt;Entramos num imenso recinto no qual trabalhavam muitas pessoas de diferentes mundos, a julgar por&lt;br /&gt;suas aparências. O lugar estava cheio de telas, aparelhos, instrumentos com painéis e luzes. Algumas&lt;br /&gt;pessoas nos olharam, mas não lhes parecemos estranhos. Deviam estar acostumados a receber visitas de&lt;br /&gt;todo tipo de mundos, civilizados ou não.&lt;br /&gt;Por uma ordem do Capitão, a nave vibrou. Elevou-se alguns metros. Transladou-se suavimente para&lt;br /&gt;um lado. Depois, desceu por uma abertura no chão, afundando nas águas.&lt;br /&gt;33&lt;br /&gt;Afastamo-nos alguns quilômetros da nave-mãe. Mais adiante, vi algo espantoso no fundo do mar:&lt;br /&gt;uma boca negra. Era do tamanho de uma montanha. Pouco depois estávamos... penetrando nela!&lt;br /&gt;Avançamos por entre sinistras saliências de pedra negra, descendo cada vez mais para as entranhas da&lt;br /&gt;Terra. Mais embaixo, a imensa greta transformouse num túnel perfeitamente redondo, cujas paredes&lt;br /&gt;pareciam estar polidas. Era tão largo que a nave passava folgada. Pareceu-me uma obra de engenharia.&lt;br /&gt;- É isso mesmo, Pedrinho. Este túnel foi feito por nossos engenheiros. Neste caminho existe um&lt;br /&gt;perigoso choque de placas continentais.&lt;br /&gt;- Placas, o quê? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Continentais. Os continentes estão apoiados sobre verdadeiras "balsas" de pedra. Estas são as&lt;br /&gt;placas continentais. Movem-se muito lentamente, às vezes, em direções opostas, chocando-se umas contra&lt;br /&gt;as outras, como aqui. Dentro de pouco tempo, a força acumulada será tal que uma das placas se romperá&lt;br /&gt;em algum ponto, quebrando a pedra. Isso vai produzir uma vibração, provocando um terremoto na&lt;br /&gt;superfície, mas vamos diminuir os efeitos.&lt;br /&gt;Pareceu-me aterrador estar no epicentro, mais que isso: no coração de um terremoto, nas entranhas&lt;br /&gt;da Terra, rodeado de pedras por vários quilômetros!&lt;br /&gt;Ami não pôde evitar de sorrir diante de meus temores.&lt;br /&gt;- Esta nave suporta coisas que você nem imagina...&lt;br /&gt;Depois de avançar por muito tempo, este túnel alargou-se. Um espetáculo fabuloso e inesperado&lt;br /&gt;apareceu diante dos meus olhos: encontráva-nos numa abóbada, gruta ou caverna de proporções&lt;br /&gt;gigantescas, incalculáveis. Umas cinqüenta naves espaciais muito iluminadas estavam ali, suspensas nas&lt;br /&gt;águas da monumental caverna submarina.&lt;br /&gt;- No ponto de choque das placas continentais, vamos irradiar na pedra uma energia que a&lt;br /&gt;transformará em pó. Isto liberará a tensão de forma suave. Produzir-se-á um movimento sísmico na&lt;br /&gt;superfície, mas não será de grande proporção -explicou o Capitão.&lt;br /&gt;Passamos por entre as naves, todas menores que a nossa, até que nos situamos num lugar especial&lt;br /&gt;da caverna submarina e subterrânea.&lt;br /&gt;Depois da indicação de um operário com cabeça de ovo (não é falta de respeito, mas aquele homem&lt;br /&gt;tinha a pele muito branca, a cabeça ovalada, pontiaguda na parte superior e carecia absolutamente de&lt;br /&gt;cabelo), o Capitão fez um gesto que deve ter sido uma ordem. Neste instante, lançaram para cima uns raios&lt;br /&gt;luminosos de cor verde. Cada uma das naves lançava o mesmo raio. Quando isso aconteceu, sentimos uma&lt;br /&gt;forte vibração no chão.&lt;br /&gt;- Olhem por essas telas -indicou Ami, apontando para um painel com uma grande quantidade delas.&lt;br /&gt;Podíamos ver aldeias, cidades, lugares despovoados, inclusive o interior de algumas casas. Seus&lt;br /&gt;moradores estavam dormindo.&lt;br /&gt;- Nessas casas, habitam pessoas que participam do Plano. Devemos protegê-las.&lt;br /&gt;- Elas sabem que participam do Plano?&lt;br /&gt;- Se soubessem, estariam fora de suas casas. Teriam sido advertidas por nós, mas ainda não sabem&lt;br /&gt;que participam disso ou que o farão no futuro. Já se aproxima o momento. Observem sem medo.&lt;br /&gt;Os raios verdes transformaram-se em amarelos, depois num branco deslumbrante. Neste instante,&lt;br /&gt;ouvimos um estrondo como o produzido pelo choque de milhões de pedras subterâneas. Pelas telas, pude&lt;br /&gt;ver os efeitos do tremor: os postes balançavam, algumas pessoas saíam para as ruas, as árvores dobravam&lt;br /&gt;seus galhos. Ao mesmo tempo, uma montanha de pequeninas pedras começou a cair sobre as nossas&lt;br /&gt;naves.&lt;br /&gt;Vinka, cheia de temor, agarrou-se a mim. Eu também estava muito assustado, mas Ami nos&lt;br /&gt;tranqüilizou:&lt;br /&gt;34&lt;br /&gt;- Não se preocupem. Nada nos acontecerá. Vejam, já passou o tremor.&lt;br /&gt;O movimento e o ruído haviam cessado mas, atravéz das janelas, não se podia ver nada: estávamos&lt;br /&gt;sepultados pelo pó das pedras...&lt;br /&gt;- Como vamos sair daqui? -perguntou Vinka, ainda assustada. O Capitão, perto de nós, escutou a&lt;br /&gt;menina de Kia.&lt;br /&gt;- Avançaremos através do pó. -Aproximou-se dela e colocou a mão sobre seu cabelo cor-de-rosa-.&lt;br /&gt;Não tenha medo, jamais tenha medo. Nós estamos aqui para poteger as pessoas boas como vocês. Quero&lt;br /&gt;felicitá-los. Ambos estão cumprindo muito bem suas missões de difundir informação ao nível das massas.&lt;br /&gt;Agora, devem continuar essa tarefa escrevendo tudo o que estão vendo. Mais adiante lhes daremos novas&lt;br /&gt;tarefas. O trabalho está orientado no sentido de conscientizar os indivíduos a respeito da Lei Univesal do&lt;br /&gt;Amor, da nossa existência e do nosso apoio. Tenham fé, confiança e força porque, a cada dia, serão mais&lt;br /&gt;numerosos os nossos amigos em seus mundos. As portas do conhecimento salvador foram abertas, para&lt;br /&gt;que muitos possam receber informações que lhes permitirão suportar os duros momentos que se&lt;br /&gt;aproximam e também contribuir para semear os eternos valores do amor. Trabalhem sem medo. Nós os&lt;br /&gt;estamos guiando, protegendo e apoiando em todos os momentos.&lt;br /&gt;Quando o Capitão terminou de falar, já havíamos saído da caverna e do túnel. Avançávamos pela&lt;br /&gt;greta até o fundo do mar, já que nos encontrávamos mais embaixo do que o fundo.&lt;br /&gt;- Segundo as indicações nos controles -disse Ami- ainda há muita energia acumulada. Amanhã vai&lt;br /&gt;ser necessário repetir a operação. Em algumas ocasiões, é preciso trabalhar durante meses, provocando&lt;br /&gt;pequenos tremores para liberar pouco a pouco a energia que se liberada em um só terremoto natural,&lt;br /&gt;produziria uma catástrofe espantosa. Muitas vezes não podemos evitar um terremoto de grande proporção.&lt;br /&gt;Primeiro, desencadeamos vários pequenos tremores. Depois, calculamos tudo, para que o movimento&lt;br /&gt;inevitável acontça nos dias de descanso, quando não existem grandes concentrações de pessoas no centro&lt;br /&gt;das cidades as quais nos interessa proteger.&lt;br /&gt;Apareceu a nave gigante. Entramos nela.&lt;br /&gt;Despedimo-nos afetuosamente do Capitão. Depois, Ami nos guiou para seu veículo espacial&lt;br /&gt;Abandonamos a imensa nave-mãe.&lt;br /&gt;- Emergiremos diante de um barco e seremos vistos. É necessário que alguém nos veja ali -informou&lt;br /&gt;Ami.&lt;br /&gt;Capítulo 9 - Caminho para Kia&lt;br /&gt;Nossa nave iluminou-se completamente pelo lado de fora. A quinhentos metros adiante, podíamos ver&lt;br /&gt;as luzes de um barco de carga.&lt;br /&gt;Ami mostrou-nos uma tela.&lt;br /&gt;- Observem a cara dos tripulantes.&lt;br /&gt;Na cabine de comando, os marinheiros pareciam etar contemplando um fantasma. Um deles pegou&lt;br /&gt;um fuzil.&lt;br /&gt;Pareceu-me perceber uma sombra de tristeza no olhar de Ami.&lt;br /&gt;- Assim é o ser humano dos mundos inferiores: cheio de agressão e violência. Pensa que o universo&lt;br /&gt;todo é um lugar como a Terra. Não é capaz de compreender que, se em seu mundo a vida é dura, isso não&lt;br /&gt;significa que em todo o universo seja assim. Mas, enfim, cada qual vive no universo que é capaz de&lt;br /&gt;imaginar...&lt;br /&gt;O marinheiro começou a disparar contra nós. Desta vez, não sentimos medo, só pena e tristeza. A&lt;br /&gt;atitude agressiva daquele homem feria aqueles que vivem unicamente para servir...&lt;br /&gt;35&lt;br /&gt;Como os tiros continuassem, da tristeza passei à raiva.&lt;br /&gt;- Ami, você não sente vontade de lançar um raio demolidor sobre esses bichos para deixá-los secos?&lt;br /&gt;-Ele riu um pouco e disse:&lt;br /&gt;- Bem, vocês já sabem que o meu nível não é o do Comandante. Pode ser que, de repente, passe&lt;br /&gt;pela minha mente algo assim... restos de minha parte animal. Mas, imediatamente me lembro de que os&lt;br /&gt;seres pouco evoluídos são como crianças. A gente é capaz de perdoar uma criança que nos ameaça com&lt;br /&gt;uma arma de brinquedo.&lt;br /&gt;- Não compreendo -disse Vinka.&lt;br /&gt;- É muito claro o que ele diz -manifestei.&lt;br /&gt;- Não para mim. Na viagem anterior, você falou que as almas evoluídas são como criaças. Agora diz&lt;br /&gt;que as de pouca evolução são também como crianças...&lt;br /&gt;- Entre "criança" e "criança" existe uma volta completa na espiral evolutiva. Compreende?&lt;br /&gt;- Nem meia palavra.&lt;br /&gt;- O homem sábio fala pouco; o homem bruto fala pouco mas, entre ambos, existe todo um processo&lt;br /&gt;evolutivo. Compreendem?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- A palavra criança pode ser utilizada para referir-se a um ser caprichoso, teimoso, impaciente,&lt;br /&gt;irritável, medroso e capaz de cometer "travessuras" que fazem mal aos outros. Neste caso, "criança" é&lt;br /&gt;aquele ser pouco evoluído. A mesma palavra pode ser utilizada para indicar seres bons, sensíveis e bem&lt;br /&gt;intencionados. Depois de uma grande evolução, as almas chegam a ser como estas crianças.&lt;br /&gt;- Agora está claro -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Seus livros serão dedicados a elas. As verdades espirituais somente podem ser captadas por esta&lt;br /&gt;parte sadiamente infantil. Os que não a possuem, os "adultos", estes se guiam pelo intelecto, pelo que é&lt;br /&gt;aceito por todos, pelos costumes, pela moda ou teoria de moda. Se o que lhes for oferecido não&lt;br /&gt;corresponder a seus esquemas mentais, formados pelo transitório, rejeitam-no. Assim perdem o profundo, a&lt;br /&gt;essência.&lt;br /&gt;Depois de trocar um olhar de interrogação com Vinka, eu disse:&lt;br /&gt;- De que diabos você está falando?&lt;br /&gt;- Mais adiante vão compreender. Vejam, já estamos indo... para Kia!&lt;br /&gt;Atrás dos vidros, apareceu a típica neblina branca. Durante a viagem, Ami foi pegar um manual num&lt;br /&gt;armário, atrás das poltronas. Observei que ele deu um salto muito estranho como em câmera lenta.&lt;br /&gt;- Como você fez isso?&lt;br /&gt;- Isso o quê? -perguntou, com cara de quem não compreendeu.&lt;br /&gt;- Esse salto. Pareceu-me que você flutuava como fizemos uma vez na praia.&lt;br /&gt;- Ah! Observe. -Fechou os olhos, concentrando-se. Começou a elevar-se de sua poltrona, flutuando.&lt;br /&gt;Uma vez que estava no alto, abriu os olhos e nos piscou um olho. Caiu pesadamente sobre a poltrona.&lt;br /&gt;- Poderes e brincadeiras não combinam -disse ele, enquanto se acomodava.&lt;br /&gt;- Como você faz isso? -perguntou Vinka, encantada.&lt;br /&gt;36&lt;br /&gt;- Bem... como explicar... simplesmente querendo e sentindo-me capaz de realizá-lo. Querer é uma&lt;br /&gt;forma de amar e o amor é o maior poder do universo. Além disso, a fé move montanhas, as montanhas de&lt;br /&gt;poder que todos temos. Vejam. -Levantou-se da poltrona. Foi para perto das janélas. Olhou-nos, tomou&lt;br /&gt;impulso e começou a atravessar pelo ar, muito lentamente, até chegar junto a nós.&lt;br /&gt;Vinka estava absolutamente maravilhada.&lt;br /&gt;- É incrível! Ensine-me, por favor! -Segurou o brço de nosso amigo. Ele ria.&lt;br /&gt;- É muito fácil. Querer é poder...&lt;br /&gt;Tentamos imitá-lo, mas somente conseguimos saltar de forma pesada. Aquilo nos fez rir muito.&lt;br /&gt;- Sei que consegui fazer isso, na praia, com você. Agora me é impossível. Por quê? -perguntei.&lt;br /&gt;- Naquela noite estávamos de mãos dadas. Transmiti energia a você.&lt;br /&gt;- Energia? Como se pode transmitir energia de uma pessoa para outra?&lt;br /&gt;- Mais adiante, nas suas escolas se estudarão essas coisas como se faz nos mundos civilizados.&lt;br /&gt;Antes, devem deixar de se matar como ferozes animaizinhos. Por enquanto, a coisa mais importante é&lt;br /&gt;conseguir a paz e não existe nenhuma possibilidade de se obter a paz, antes de se conseguir justiça e&lt;br /&gt;união. Enquanto existirem países pobres e países ricos, não haverá paz. Enquanto existir uma só fronteira&lt;br /&gt;que seja, não haverá paz. Enquanto existirem diferenças religiosas, não haverá paz. Trabalhar pelo poder&lt;br /&gt;sem fazer nada pelos que sofrem, é como construir um edifício sem colocar as bases. Depois de terem&lt;br /&gt;solucionado estes desafios, poderão fazer coisas como as que faz meu estimado amigo Kus.&lt;br /&gt;- Quem é Kus? -perguntamos.&lt;br /&gt;- Um amigo meu, muito engraçado. Pode realizar assombrosos prodígios...&lt;br /&gt;- Quais?&lt;br /&gt;- Vamos chamá-lo para que o conheçam.&lt;br /&gt;- Pelo rádio? Pelo telefone?&lt;br /&gt;- Não. Chamamos por ele mentalmente. É mais rápido... venham. Sentar-nos-emos no chão,&lt;br /&gt;formando um triângulo. Você lá, você aqui. Assim. Agora nos concentraremos nele. Fechem os olhos,&lt;br /&gt;pensando em Kus. Vamos pedir-lhe que venha.&lt;br /&gt;Assim o fizemos. Ami nos disse que observássemos. Após algum tempo, apareceu diante de nós uma&lt;br /&gt;neblina branca que se transformou em um redemoinho. Adquiriu forma humana. Vinka quis sair correndo,&lt;br /&gt;mas as risadas de Ami a tranqüilizaram.&lt;br /&gt;- Alguém requer a minha presença? -disse o ser que apareceu do nada. Era um homem jovem,&lt;br /&gt;vestido de branco. Fiquei congelado.&lt;br /&gt;- Espero que você tenha uma poderosa razão para trazer-me até a Terra e até este antiquado&lt;br /&gt;calhambeque -expressou o jovem com um sorriso, olhando para nosso amigo.&lt;br /&gt;- Na realidade não, Kus. Somente queria ensinar a estas duas crianças como se faz para chamar um&lt;br /&gt;amigo.&lt;br /&gt;- Ah! Então esta é uma poderosa razão. Tudo o que se faz para ensinar uma criança é uma razão&lt;br /&gt;poderosa.&lt;br /&gt;Kus expressava-se como se estivesse brincando. Era muito simpático.&lt;br /&gt;37&lt;br /&gt;- Nossos amiguinhos têm um milhão de perguntas em suas cabecinhas. Pois bem. Como sabem,&lt;br /&gt;meu nome é Kus. Participo o tempo todo, "full time", na tarefa de "desanimalização da Terra. Posso transitar&lt;br /&gt;pelo universo sem necessidade de cacarecos inúteis como este. Se vocês se comportarem direitinho,&lt;br /&gt;poderão chegar a ser como eu... e até melhor. Espero que não sejam castigados sendo obrigados a&lt;br /&gt;trabalharem num plano tão baixo como um mundo incivilizado. Há, há, há! Se para vocês que vieram de um&lt;br /&gt;mundinho civilizado de terceira dimensÍao, é difícil suportar o lugar no qual habitam, imaginem o que devo&lt;br /&gt;sentir, eu que venho da quarta dimensão! Como peixe fora d'água! Há, há, há!...&lt;br /&gt;- Ainda não lhes falei a respeito das dimensões, queridos amigos. Não os confunda mais ainda -&lt;br /&gt;protestou Ami, brincando.&lt;br /&gt;- Você se esqueceu de que eu já sei disto, pequeno irmão? Por este motivo, achei que já era hora de&lt;br /&gt;começar a aprender que existem muitas moradas nesses universos... Querem ver algo fantástico, meus&lt;br /&gt;pequeninos?&lt;br /&gt;Mal tivemos coragem de mover suavemente a cabeça, concordando.&lt;br /&gt;- Então, "voilá"! -disse Kus, em francês, enquanto estalava os dedos e desaparecia, deixando no ar&lt;br /&gt;uma fumacinha cor-de-rosa, maravilhosamente perfumada.&lt;br /&gt;Ami ria encantado.&lt;br /&gt;- Este Kus é um caso sério. Se no meu planeta somos brincalhões, ele nos leva mil anos de&lt;br /&gt;vantagem. Considera-me como alguém sério e sem graça...&lt;br /&gt;- Cem mil anos de vantagem, sócio -disse o coelho da sorte, o Pernalonga. Sentado no encosto da&lt;br /&gt;poltrona de comando, movia rapidamente a mandíbula, comendo uma cenoura. Depois disse:&lt;br /&gt;- Você é assim mesmo, sério e sem graça. "Isto é tudo, amigos". "Sayonara" -disse, desaparecendo,&lt;br /&gt;depois de jogar a cenoura para nós. Ela caiu flutuando suavemente, transformada em uma maravilhosa flor.&lt;br /&gt;Os olhos de Vinka pareciam desfrutar de um conto de fadas feito realidade. Bem, é exatamente o que&lt;br /&gt;estava acontecendo...&lt;br /&gt;- Como ele pode fazer tudo isso?&lt;br /&gt;- Simplesmente imagina, mas com tanta força que nos projeta a sua imaginação.&lt;br /&gt;- Esta flor não é imaginação -disse, respirando seu delicado perfume.&lt;br /&gt;- Isto é uma materialização. Aqueles que possuem a quarta dimensão de consciência podem fazer&lt;br /&gt;coisas que para vocês são incríveis, mas com prática e fé, tudo é possível...&lt;br /&gt;- Onde fica a quarta dimensão? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Em todos os lugares. Aqui mesmo, no seu quarto... Não é um lugar, mas um nível de consciência.&lt;br /&gt;Aqueles que têm este nível podem se fazer visíveis ou invisíveis, segundo o seu desejo. Podem atravessar&lt;br /&gt;paredes, mudar de aspecto. Estão regidos por outras leis.&lt;br /&gt;- Então, não estão regidos pela Lei do Amor? -perguntei.&lt;br /&gt;- Uf! Que barbaridade! -disse Ami, aparentando estar alterado-. Nada no universo escapa à Lei do&lt;br /&gt;Amor. Nada é superior a ela: nenhuma outra lei ou força, nem neste universo visível para nós, nem nos que&lt;br /&gt;não o são, nem na terceira dimensão, nem na cinco mil. A força que governa a criação inteira é o Amor, ou&lt;br /&gt;melhor, Deus. Quando digo que estão regidos por leis, é porque já não são afetados, por exemplo, pela&lt;br /&gt;força da gravidade, pelo tempo, nem se dedicam inteiramente à "edificação do universo".&lt;br /&gt;Aquilo me pareceu estranho.&lt;br /&gt;- Pensava que era Deus quem edificava o universo...&lt;br /&gt;38&lt;br /&gt;- Sim, mas através de nós, criaturas suas. Ele traça os planos. Nós os executamos. Seria muito&lt;br /&gt;aborrecido se Ele fizesse tudo... Estamos chegando em Kia.&lt;br /&gt;Capítulo 10 - O Mestre Solar&lt;br /&gt;- Este planeta é a Terra -disse eu, um pouco decepcionado. Tive a impressão de ver o meu mundo&lt;br /&gt;por trás dos vidros. Vinka mostrou o meu engano.&lt;br /&gt;- É Kia. Ali está Lubínia. É um deserto.&lt;br /&gt;Foi exatamente essa costa desértica que me confundiu. Pensei que era a costa norte da África.&lt;br /&gt;Depois, ao ver duas enormes ilhas equatoriais inexistentes na Terra, compreendi que estava em outro&lt;br /&gt;mundo.&lt;br /&gt;Depois de minha viagem com Ami, pude estudar bastante geografia. Isso me permitiu captar as&lt;br /&gt;diferenças; o resto, como a cor do mar, as abundantes nuvens brancas, as selvas e os desertos, pareciam&lt;br /&gt;absolutamente terrestres.&lt;br /&gt;- Que desilusão! -disse eu, meio de brincadeira-. Estava esperando encontrar um planeta com mares&lt;br /&gt;vermelhos ou amarelos; com selvas azuis ou alaranjadas, enfim...&lt;br /&gt;- Mundos de evolução semelhante são parecidos em quase tudo. As mesmas leis dão origem às&lt;br /&gt;mesmas coisas -explicou Ami.&lt;br /&gt;- Mas são só parecidos, Pedrinho -disse Vinka-. Você já vai ver.&lt;br /&gt;- O objetivo de nossa visita a Kia é o de encontrar uma pessoa que possa ensinar-lhes como se&lt;br /&gt;obtém amor. Vamos procurá-la pela tela. Hummm... seu código é este. Aqui está. Venham ver.&lt;br /&gt;Apareceu um homem, já de certa idade. Estava sentado numa rústica cadeira de balanço, na varanda&lt;br /&gt;de uma casa de campo muito antiga e pobre. Balançava-se preguiçosamente, tinha um cachimbo na boca.&lt;br /&gt;Contemplava a paisagem que se estendia diante de seus olhos: um belo vale forrado de muitos matizes de&lt;br /&gt;verde. A casa se encontrava na ladeira de uma colina solitária.&lt;br /&gt;Algumas diferenças indicavam que aquilo não era a Terra: o homem tinha o cabelo cor-de-rosa,&lt;br /&gt;embora já estivesse um pouco branco. A sua barba era da mesma cor. Devido ao abundante e desordenado&lt;br /&gt;cabelo, não pude ver suas orelhas, mas imaginei que seriam pontiagudas como as de Vinka. Vestia um&lt;br /&gt;manto cinzento. Fazia-me lembrar os antigos profetas. Ao seu lado, um "cachorro" cochilava... se é que se&lt;br /&gt;pode chamar assim a um montão de lã com pescoço de avestruz e cara de galo... Sobre o galho de um&lt;br /&gt;pequeno arbusto havia um casal de... não soube. Pareciam lagartichas de pé sobre duas patas, com penas&lt;br /&gt;de canário.&lt;br /&gt;- Isto não é a Terra -reconheci.&lt;br /&gt;Por ali voavam numerosos animais do tamanho de filhotes de águia, com pele de peixe ou réptil, asas&lt;br /&gt;grandes, redondas, rabo de arraia e duas patas muito compridas. Esses animais eram capazes de&lt;br /&gt;mergulhar nas águas de uma grande lagoa perto dali, caminhar sobre a terra com as duas patas e voar&lt;br /&gt;como aves. Alguns descançavam nos galhos das árvores próximas. O que mais impressionava era seu&lt;br /&gt;rosto humanóide.&lt;br /&gt;- Vocês têm bichos muito estranhos por aqui...&lt;br /&gt;Vinka surpreendeu-se.&lt;br /&gt;- Estranhos? E o que você me diz dos animais de seu mundo?&lt;br /&gt;- Não me parecem diferentes...&lt;br /&gt;- Não?! E esses horríveis "homenzinhos com asas"?&lt;br /&gt;39&lt;br /&gt;- Quais? Lá, os mais parecidos aos seres homanos são os macacos, mas não têm asas. Os que&lt;br /&gt;voam têm penas.&lt;br /&gt;- Mas esses "homenzinhos com asas" têm pêlos e não penas...&lt;br /&gt;- Então não voam. Nenhum animal com pêlo é capaz de voar...&lt;br /&gt;- Mas esses demônios voam sim, com pêlos e tudo. São horríveis! Seus rostos são de verdadeiros&lt;br /&gt;monstros!&lt;br /&gt;- Você tem certeza de que está se referindo a algum animal da Terra? Lá não existe nada assim... por&lt;br /&gt;sorte!&lt;br /&gt;Ami se deleitava, caladinho com nosso diálogo.&lt;br /&gt;- ... E, ainda por cima, alimentam-se de sangue.&lt;br /&gt;- Do que você está falando, Vinka?&lt;br /&gt;Naquele momento, não fui capaz de imaginar nenhum animal como aquele a que ela se referia. Ami&lt;br /&gt;interferiu:&lt;br /&gt;- Ela está falando de morcegos.&lt;br /&gt;- E como se isso fosse pouco, Ami disse que voam na escuridão absoluta, têm um radar e passam&lt;br /&gt;por entre as pás de um ventilador em movimento, sem se machucarem. Isso não é estranho?&lt;br /&gt;Achei que Vinka tinha razão, mas eu nunca tinha pensado nisso.&lt;br /&gt;Ami apagou a tela. Descíamos lentamente no planeta Kia.&lt;br /&gt;- O incrível e maravilhoso está sempre diante de nossos olhos! Mas estamos tão habituados a ele que&lt;br /&gt;não percebemos. Bem, vamos conversar com esse homem. Ele tem algo para lhes ensinar.&lt;br /&gt;Vinka suspirou com esperança.&lt;br /&gt;- Deve ser um sábio...&lt;br /&gt;- Sábio, esse velho montanhês? Que nada! Ele compreendeu algumas coisas, outras ainda não. É um&lt;br /&gt;homem comum.&lt;br /&gt;A decepção modificou o rosto da menina.&lt;br /&gt;- Uma pessoa, para me ensinar, deve ter um nível evolutivo muito superior ao meu.&lt;br /&gt;Ami sorriu.&lt;br /&gt;- A típica arrogância dos incivilizados. Verei se é possível que o Mestre do Comandante a admita&lt;br /&gt;como sua discípula...&lt;br /&gt;Vinka ruborizou-se, mas tentou consertar a situação:&lt;br /&gt;- Foi uma maneira de dizer... você disse que ele desconhecia algumas coisas. Pensei, então, que ele&lt;br /&gt;não tivesse capacidade para me ensinar...&lt;br /&gt;- Vinka e Pedrinho: o sistema universal de ensino foi planejado para ser executado de modo gradual.&lt;br /&gt;Quem está no degrau de cima, pode ajudar aquele que estiver imediatamente abaixo. Existem aqueles que&lt;br /&gt;estão num nível inferior e que exigem um Mestre da dimensão do Comandante ou pretendem que Deus em&lt;br /&gt;pessoa venha ensinar-lhes, desprezando os que se encontram um ou dois degraus acima deles.&lt;br /&gt;40&lt;br /&gt;- Você está certo, Ami, mas Vinka também tem razão ao pensar que um guia não muito superior&lt;br /&gt;ignora muitas coisas.&lt;br /&gt;- Ignora os coisas do degrau mais alto, mas isso não é assunto de quem se encontra abaixo desse&lt;br /&gt;guia. Deve ser suficiente para eles assimilarem bem o que lhes está sendo ensinado pelo Mestre que está&lt;br /&gt;imediatamente acima deles. Se um aluno ainda não sabe somar e diminuir, não deve se incomodar com o&lt;br /&gt;fato de que seu professor não conheça as altas matemáticas.&lt;br /&gt;Desta vez não nos restou nenhuma dúvida.&lt;br /&gt;- Esse amigo sabe algo que vocês ignoram... sabe como obter amor. Aprendam primeiro isso. Depois,&lt;br /&gt;quando tiverem o nível do Comandante, poderão ter um Mestre como o seu.&lt;br /&gt;- Quem é esse Mestre, Ami?&lt;br /&gt;- É a alma mais evoluída do sistema solar onde está a Terra. É um dos seres solares dos quais lhes&lt;br /&gt;falei na viagem anterior.&lt;br /&gt;- Mas, como se chama?&lt;br /&gt;- Pedrinho, é preciso ter muito cuidado com os nomes, eles confundem muito as pessoas. Um Mestre&lt;br /&gt;pode ser bastante venerado numa região mas, em outros lugares, outros podem ser valorizados. Isso&lt;br /&gt;provoca conflitos religiosos. E nós buscamos a paz e a unidade, não é verdade?&lt;br /&gt;- Sim, mas um deles deve ser o verdadeiro...&lt;br /&gt;- Todos são verdadeiros.&lt;br /&gt;- Bom, está bem, mas alguém deve ser o maior...&lt;br /&gt;- Todos os raios do sol são luminosos. Iluminam a escuridão e são oriundos da mesma fonte: o Sol.&lt;br /&gt;Compreendi a comparação, mas não estava satisfeito. Eu queria ganhar, queria que Ami&lt;br /&gt;mencionasse o nome do meu Mestre, colocando-o acima de todos os outros. Ele me esclareceu:&lt;br /&gt;- Esse grande Ser é o reitor da espiritualidade para o seu mundo. De vez em quando, um homem é&lt;br /&gt;iluminado por sua sabedoria, então esse homem se transforma num grande Mestre, porque transmite os&lt;br /&gt;ensinamentos do Espírito Solar. Assim nasce uma religião. Passam-se milênios... a humanidade evolui um&lt;br /&gt;pouco. Chega o momento de entregar outra lição. Então, outro homem é iluminado pelo mesmo Espírito.&lt;br /&gt;Assim, aparece outro Mestre e outra religião, mas é o mesmo Espírito que inspira todas as religiões. Passa&lt;br /&gt;mais um milênio e, novamente, um homem é escolhido para transmitir uma lição, de acordo com a evolução&lt;br /&gt;e a necessidade da humanidade. Assim nasce outro Mestre e outra religião. Os homens se confundem com&lt;br /&gt;os nomes. Chegam a provocar guerras religiosas, sem compreender que, com essa atitude, ferem esse&lt;br /&gt;grande Espírito que é todo amor. É por amor que Ele envia Mestres para iluminar o caminho deles.&lt;br /&gt;- Não sabia disso, Ami. Então, como se chama esse Espírito?&lt;br /&gt;- Nomes, nomes. Este é o problema: nomes, rótulos. As coisas do espírito não têm carteira de&lt;br /&gt;identidade. Os limites e separações vão desaparecendo. Os homens é que dividem, parcelam, classificam,&lt;br /&gt;colocam limites e fronteiras. Mas, quando existe amor no coração, compreende-se que o universo todo é&lt;br /&gt;uma grande unidade...&lt;br /&gt;- Algum nome deve ter este Mestre...&lt;br /&gt;Ami não pôde conter o riso.&lt;br /&gt;- Está bem, você quer um nome, então lhe daremos: Mestre Solar.&lt;br /&gt;- Agora compreendo melhor. O Mestre Solar é aquele que inspira todos os outros Mestres.&lt;br /&gt;41&lt;br /&gt;- É assim mesmo, Pedrinho. Enquanto isso não ficar bem claro, não é possível pensar em paz para a&lt;br /&gt;Terra. A divisão por religiões é tanto ou mais perigosa do que a divisão por fronteiras ou por idéias. Se não&lt;br /&gt;ficar bem claro para nós que o sentido da religião é a prática do amor, não ganharemos nada competindo&lt;br /&gt;por religiões ou nomes de Mestres. Todos eles nos incentivam a atuar com bondade, honestidade, paz.&lt;br /&gt;Enfim, com amor.&lt;br /&gt;- O Mestre Solar tem forma humana?&lt;br /&gt;- Sim, porque não é Deus, apesar de que atua segundo a Sua Vontade. Acima dele, está o reitor da&lt;br /&gt;espiritualidade para toda a galáxia. Mais além, encontra-se o Espírito que rege todas as galáxias deste&lt;br /&gt;universo.&lt;br /&gt;- Deus?&lt;br /&gt;Ami fingiu não ter escutado.&lt;br /&gt;- ... Por cima deste último, está quem rege a quarta dimensão. Depois, o que dirige a quinta e, assim,&lt;br /&gt;sucessivamente.&lt;br /&gt;- E Deus?&lt;br /&gt;- Ele está sempre em seu coração. Como você gosta dos nomes, pode chamá-lo "o Íntimo". Agora&lt;br /&gt;vamos descer.&lt;br /&gt;- Vamos descer com a nave em Kia, ou vamos descer da nave? -perguntei com esperança, porque eu&lt;br /&gt;nunca tinha saído a caminhar por outro mundo.&lt;br /&gt;- Faremos as duas coisas.&lt;br /&gt;- Viva!&lt;br /&gt;- Este é um mundo "irmão" ao seu. Nossos engenheiros genéticos encarregaram-se de "fabricar" os&lt;br /&gt;mesmos micróbios em ambos os planetas. Não existe perigo para você nem para Kia.&lt;br /&gt;Em poucos segundos, chegamos perto da cabana. Uma luz nos controles indicava que estávamos&lt;br /&gt;invisíveis para o exterior.&lt;br /&gt;Olhando pela janela, comprovei que os animais estavam intuindo a nossa presença, porque o&lt;br /&gt;"cachorro" começou a lat... quer dizer, emitir alguns sons semelhantes a uivos. As "lagartixas" encolheramse&lt;br /&gt;com temor; os animais voadores, abraçando-se mutuamente, submergiram na lagoa.&lt;br /&gt;O velho levantou o cachimbo na nossa direção, em forma de saudação e sorriu.&lt;br /&gt;- É um velho amigo. Ele sabe quando venho estacionar a nave neste ponto do seu céu.&lt;br /&gt;- Como sabe que chegamos? Estamos invisíveis...&lt;br /&gt;- Pela reação dos animais. Já o visitei várias vezes.&lt;br /&gt;- Em que país estamos? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Em Utna.&lt;br /&gt;- Então, não vou poder me comunicar com esse senhor. Aqui não se fala meu idioma...&lt;br /&gt;Ami sorriu e piscou-me um olho.&lt;br /&gt;- Não lhe parece que nossa amiguinha é uma boba?&lt;br /&gt;Não soube a que se referia.&lt;br /&gt;42&lt;br /&gt;- Ela diz que não poderá compreender o velho...&lt;br /&gt;- E tem razão: não falam o mesmo idioma.&lt;br /&gt;Olhou-nos como se não acreditasse.&lt;br /&gt;- Isto -disse, apontando com o dedo indicador para a parte lateral de sua cabeça.&lt;br /&gt;Pensei que dissesse que estávamos loucos. Como não entendemos, teve que vir até nós, tirar-nos os&lt;br /&gt;fones tradutores e depois colocá-los diante de nossos olhos dizendo "isto" nos dois idiomas. Somente então&lt;br /&gt;compreendemos. Explodimos em risos por causa de nossa estupidez, mas Ami permanecia sério. Fingindo&lt;br /&gt;estar zangado, disse:&lt;br /&gt;- Estes necrófagos têm a compreensão muito limitada...&lt;br /&gt;- Que significa necrófagos? -perguntamos.&lt;br /&gt;- Comedores de cadáver.&lt;br /&gt;Vinka sentiu-se ofendida.&lt;br /&gt;- Eu não como cadáver...&lt;br /&gt;- Você come carne de animais mortos, não é?&lt;br /&gt;- Ah! Isso, sim! Mas...&lt;br /&gt;- Então você é necrófaga. Vamos.&lt;br /&gt;Levou-nos ao pequeno recinto de saída. Acendeu-se uma luz ofuscante. Descemos até chegar ao&lt;br /&gt;solo de Kia, mundo semelhante à Terra que não vivia de acordo com a Lei Universal do Amor.&lt;br /&gt;Segunda Parte&lt;br /&gt;Capítulo 11 - Krato e os Térri&lt;br /&gt;O primeiro impacto foi um aroma desconhecido: o perfume característico de Kia. Pareceu-me&lt;br /&gt;agradável. Caminhei pelo solo desse outro mundo como se fosse um lugar sagrado. Não me é possível&lt;br /&gt;descrever a alegria que senti ao movimentar-me pela superfície de um planeta diferente.&lt;br /&gt;Enquanto nos aproximávamos da cabana do velho, ele nos olhava amistosamente, sem surpresa. O&lt;br /&gt;"cachorro" veio até nós balançando o comprido pescoço. Parecia enorme. Assustei-me um pouco, mas&lt;br /&gt;Vinka aproximou-se do animal e comçou a acariciar-lhe os compridos pelos. O quadrúpede extraterrestre&lt;br /&gt;roçava a cabeça na menina, como o fazem os gatos, quando são carinhosos. Achei estranha a confiança de&lt;br /&gt;Vinka com aquele espécie. Pensei que talvez esses bichos não fossem agressivos.&lt;br /&gt;- Você se engana -disse Ami-. Alguns são muito ferozes, assim como os cachorros.&lt;br /&gt;- Como você soube que não era agressivo, Vinka?&lt;br /&gt;- Porque ele vinha balançando a cabeça.&lt;br /&gt;Imaginei que, assim como os cachorros manifestam alegria movendo o rabo, estes animais o faziam&lt;br /&gt;balançando o percoço comprido.&lt;br /&gt;- Como se chama este animal? -perguntei.&lt;br /&gt;- Bugo. Outra linha -disse Vinka.&lt;br /&gt;43&lt;br /&gt;- Trask, Trask! Venha aqui -disse o velho, chamando o estranho ser-. Deixe de incomodar nossas&lt;br /&gt;visitas.&lt;br /&gt;- Você disse que se chama Bugo e ele o chamou de Trask. Não estou entendendo.&lt;br /&gt;Vinka me olhou como quem olha um débil mental.&lt;br /&gt;- Este animal é um bugo. O nome que deram a este bugo é Trask.&lt;br /&gt;Tinha razão: eu era um idiota.&lt;br /&gt;Pouco a pouco, foram aparecendo os animais "aero-anfíbios". Alguns se atreveram a voar por cima&lt;br /&gt;de nossas cabeças. Um deles pousou no ombro de Ami.&lt;br /&gt;Vinka, fascinada, tentou aproximar-se do animal, mas ele levantou vôo.&lt;br /&gt;- É incrível! -disse.&lt;br /&gt;Não compreendi a que se referia.&lt;br /&gt;- Os garábolos são muito tímidos. Nunca se aproximam das pessoas, mas este não tem medo de&lt;br /&gt;Ami...&lt;br /&gt;Quando ela se afastou de nosso amigo, o bicho voltou a pousar suas compridas patas no ombro de&lt;br /&gt;Ami.&lt;br /&gt;- Sou amigo de todos os animais -explicou, falando em um novo idioma.&lt;br /&gt;- Por isso você veio me visitar, não? -disse Krato.&lt;br /&gt;Todos rimos com a piada do velho. Quando chegamos perto dele, o garábolo fugiu para o teto da&lt;br /&gt;cabana.&lt;br /&gt;O ancião e Ami abraçaram-se felizes por estarem juntos novamente.&lt;br /&gt;- Desta vez, sim, você vai dividir comigo o delicioso guisado que preparei. Tenho uma panela cheia de&lt;br /&gt;garábolos "al dente". Deixei-os a noite inteira em um molho picante. Mmmmmm! Uma delícia! Além disso, lá&lt;br /&gt;dentro nos espera uma garrafa cheia de suco fermentado. É bom, de vez em quando, alegrar o coração.&lt;br /&gt;Vamos.&lt;br /&gt;- Nem sonhando, velho canibal. Esses pobres animaizinhos têm razão de sobra para não se&lt;br /&gt;aproximarem de vocês: fatalmente vão terminar no fundo de seus estômagos.&lt;br /&gt;Senti um pouco de raiva do velho. Como era capaz de matar essas simpáticas e carinhosas criaturas&lt;br /&gt;para comê-las?&lt;br /&gt;- Mas são deliciosos, Ami -disse... não o ancião, mas... Vinka! Ela também os comia! E como se isso&lt;br /&gt;fosse pouco, acrescentou:&lt;br /&gt;- As coxas assadas são a parte mais gostosa. Também gosto muito da sopa de asas...&lt;br /&gt;A imagem que eu tinha de Vinka caiu por terra, de repente. Olhei-a como se fosse uma espécie de&lt;br /&gt;aborígene selvagem que comia porcarias. Como pude me sentir atraído por ela?&lt;br /&gt;Sabendo de meus pensamentos, enquanto colocava um fone tradutor no ouvido do velho, Ami disse&lt;br /&gt;para Vinka:&lt;br /&gt;- Fazem muito mal matando e comento esses animaizinhos. Nosso amigo está muito aborrecido com&lt;br /&gt;isso.&lt;br /&gt;Ela me olhou com surpresa. Depois tentou me explicar:&lt;br /&gt;44&lt;br /&gt;- Aqui todos comemos carne de garábolo. É um costume que temos desde criança. São muito&lt;br /&gt;apetitosos... você deveria experimentar...&lt;br /&gt;- Jamais! -respondi, de braços cruzados, olhando para outro lado.&lt;br /&gt;- Bravo! É assim que se fala! -disse Ami-. Ele não é capaz de comer carne de garábolo. Isso seria&lt;br /&gt;uma maldade para ele, por isso está muito decepcionado com você. Ele come outro tipo de coisas. Você se&lt;br /&gt;lembra daqueles animaizinhos da Terra de que gostou e até quis trazer um como mascote?&lt;br /&gt;O olhar da menina se iluminou.&lt;br /&gt;- Oh, sim! Eram tão meigos! Como se chamavam?&lt;br /&gt;- Cordeiros. Pois bem, esse é um dos pratos preferidos de seu amiguinho...&lt;br /&gt;Olhou-me como se eu fosse um criminoso, um psicopata, um sádico, uma fera humana.&lt;br /&gt;Tentei me defender:&lt;br /&gt;- M-mas é que um cordeirinho assado...&lt;br /&gt;Vinka explodiu em lágrimas.&lt;br /&gt;- Assado!... Que maldade! Que nojo! Que decepção!&lt;br /&gt;Entre risos dissimulados, Ami foi consolá-la.&lt;br /&gt;- Estão vendo? Isso é o que acontece quando vemos os erros alheios e não os nossos. Vocês três&lt;br /&gt;fazem a mesma coisa. Não é pior nem melhor comer carne de cordeiro ou de garábolo. É a mesma coisa. É&lt;br /&gt;um erro que eu não cometo.&lt;br /&gt;Não os condeno, porque os compreendo, mas vocês se condenam mutuamente pelo mesmo erro.&lt;br /&gt;Estes incivilizados... vamos, apertem-se as mãos e... como bons amigos.&lt;br /&gt;Olhamo-nos com timidez e um pouco de vergonha. Havíamos entendido a lição de Ami. Apertamonos&lt;br /&gt;as mãos.&lt;br /&gt;- Bem. É assim que se faz -disse o ancião, contente-. Agora vamos celebrar a reconciliação com um&lt;br /&gt;brinde. Vamos.&lt;br /&gt;- Esses montanheses não têm boa educação -brincou Ami-. As pessoas educadas primeiro se&lt;br /&gt;apresentam. Este é Pedro. Vive em outro mundo.&lt;br /&gt;- E com razão. Ho, ho, ho! Com um nome desses, eu também iria me esconder em outro mundo. Ho,&lt;br /&gt;ho, ho!&lt;br /&gt;Não gostei nada de sua brincadeira.&lt;br /&gt;- Esta é Vinka.&lt;br /&gt;O ancião olhou-a com carinho e exclamou:&lt;br /&gt;- Ela também deve vir de outro mundo: não aparecem meninas tão bonitas em Kia.&lt;br /&gt;Aquilo me desagradou mais ainda. Ela respondeu ao agrado com um sorriso.&lt;br /&gt;- E este é Krato, um camponês de Kia.&lt;br /&gt;- Há, há, há, há! -caçoei de seu nome, mas o fiz para me vingar. Meu riso não pareceu muito natural.&lt;br /&gt;- Por que esse menino finge que está rindo?&lt;br /&gt;45&lt;br /&gt;- Está rindo do seu nome. Na verdade, está tentando vingar-se, porque você caçoou dele.&lt;br /&gt;- Veja só! Que sensível! Não se zangue, "Betro". Era somente uma brincadeira, mas "Betro" é um&lt;br /&gt;nome muito bonito...&lt;br /&gt;Antes que eu reclamasse pela forma como Krato distorcia meu nome, Ami explicou:&lt;br /&gt;- Ele não pode pronunciar bem os sons de seu nome, Pedrinho. Você também não pode pronunciar&lt;br /&gt;corretamente o dele. É uma bobagem ficar brigando por causa de nomes e sons... além disso, no fundo,&lt;br /&gt;Krato significa pedra e...&lt;br /&gt;- Pedra! Há, há, há! Como alguém pode se chamar pedra?...&lt;br /&gt;Desta vez minha rizada foi sincera.&lt;br /&gt;- ... vocês são um pouco xarás...&lt;br /&gt;- A que você se refere, Ami? -perguntei.&lt;br /&gt;- A que Pedro significa pedra. Você também se chama pedra.&lt;br /&gt;Todos riram... menos eu.&lt;br /&gt;Começaram a conversar. Retirei-me para um lado, perguntando por que tudo me saía mal. Ami se&lt;br /&gt;aproximou.&lt;br /&gt;- O que acontece, Pedrinho, é que você atua um pouco abaixo de seu verdadeiro nível.&lt;br /&gt;Olhei-o pedindo uma explicação melhor.&lt;br /&gt;- Uma criança pequena suja toda a sua roupa e o rosto ao comer e ninguém a culpa por isso. Ela atua&lt;br /&gt;segundo seu nível. Se um adulto faz a mesma coisa, é censurado, porque não está atuando segundo o seu&lt;br /&gt;nível.&lt;br /&gt;- E isso, o que tem a ver comigo?&lt;br /&gt;- É que você não atua de acordo com você mesmo. Cada vez que faz ou pensa algo que está abaixo&lt;br /&gt;do que se espera de você, vai receber imediatamente a correção: por isso você sofre. Se atuasse tal como&lt;br /&gt;você é, começando por sua melhor parte, sua vida seria sempre um paraíso.&lt;br /&gt;Meditei por um bom tempo em suas palavras. Compreendi que tinha razão. Decidi fazer um esforço&lt;br /&gt;para ser outra pessoa...&lt;br /&gt;- É suficiente que você seja você mesmo -disse Ami-. Essa é que é a verdade. Vamos conversar com&lt;br /&gt;meu velho amigo.&lt;br /&gt;Krato estava numa horta atrás da cabana, junto a Vinka. Mostrava sua pequena plantação de&lt;br /&gt;hortaliças para a menina, seu pomar e tudo que constituía o seu mundo.&lt;br /&gt;Um mau pensamento passou por minha mente ao vê-los juntos, mas descartei-o imediatamente.&lt;br /&gt;Devia ser melhor em meus atos e pensamentos.&lt;br /&gt;- Bravo! Isso é realmente um progresso -exclamou Ami.&lt;br /&gt;- O que você quer dizer com isso?&lt;br /&gt;- Você está progredindo. Começa a vigiar seus pensamentos. Já não está tão adormecido. As&lt;br /&gt;pessoas, em geral, nunca prestam atenção em seus pensamentos. Em suas mentes, passa todo tipo de&lt;br /&gt;idéias negativas. Como não se dão de conta, têm uma magnífica opinião de si mesmas. Assim não é&lt;br /&gt;possível progredir. Você começa a se observar e, com isso, passa a se conhecer melhor. Além disso, está&lt;br /&gt;adquirindo o poder de tirar de sua mente o que não é conveniente para você.&lt;br /&gt;46&lt;br /&gt;- Ei, vocês! Venham ver o tamanho desses muflos -chamou-nos o velho, exibindo umas brilhantes&lt;br /&gt;garrafas vermelhas feitas de um material parecido com plástico.&lt;br /&gt;Vinka pegou uma garrafa. Levou o gargalo à boca... e deu-lhe uma mordida! Depois, mastigou com&lt;br /&gt;prazer o pedaço de garrafa...&lt;br /&gt;Ami ria de minha confusão.&lt;br /&gt;- Não são garrafas de plástico. São frutas com a mesma forma das garrafas terrestres.&lt;br /&gt;- Experimente. -Vinka me entregou uma fruta. Olhei para Ami perguntando-lhe se podia comer aquilo.&lt;br /&gt;- Somente um pedaço -recomendou.&lt;br /&gt;Mordi a fruta. Sua textura lembrava a da maçã. Gostei imediatamente de seu sabor doce, apesar de&lt;br /&gt;não se parecer a nada conhecido.&lt;br /&gt;- Como você consegue produzir muflos tão grandes? -perguntou Vinka ao velho.&lt;br /&gt;- É fácil. Todas as noites canto uma canção para a árvore. Ela gosta muito disso. Fica contente e&lt;br /&gt;quem está contente trabalha com amor.&lt;br /&gt;- Tudo o que se faz com amor dá bom resultado e bons frutos -disse Ami.&lt;br /&gt;Olhei a árvore com curiosidade. Imaginei que tinha boca, olhos e ouvidos para se cominicar com&lt;br /&gt;Krato. Mas aquela árvore era uma árvore normal, somente com folhas, galhos, frutas e tronco:&lt;br /&gt;Vinka ria, dizendo:&lt;br /&gt;- Que loucura... cantar para uma árvore...&lt;br /&gt;Mas Ami estava de acordo. Disse que Krato tinha razão.&lt;br /&gt;- As árvores e plantas são seres conscientes. Têm uma consciência pequenina, mas são muito&lt;br /&gt;sensíveis ao carinho, às vibrações de afeto. Ficam tristes ou contentes, sentem medo ou confiança.&lt;br /&gt;Krato animava Vinka:&lt;br /&gt;- Coma um pouco mais. Os muflos dão força. Coma para que você fique forte, assim. -O velho&lt;br /&gt;aparentou ser musculoso, levantando os braços, fechando os punhos e enchendo as bochechas. Vinka&lt;br /&gt;achou isso muito engraçado.&lt;br /&gt;- Não é exatamente assim que nós, as senhoritas da cidade, gostam de ser...&lt;br /&gt;Ami se divertia com as bobagens de Krato.&lt;br /&gt;- Não preste atenção nesse velho montanhês. Não entende nada de moda.&lt;br /&gt;Enquanto Krato brincava, Ami pareceu concentrar-se intensamente. Depois disse:&lt;br /&gt;- Parece que os térri se aproximam...&lt;br /&gt;- Então, corram e escondam-se no calhambe invesível -recomendou alarmado o homem de Kia.&lt;br /&gt;Ami continuou concentrado. Depois advertiu:&lt;br /&gt;- Não temos tempo. Já estão aqui. Vamos para a cabana.&lt;br /&gt;Aquilo me assustou muito, mas Vinka estava mais alterada ainda. Segurou-me com força.&lt;br /&gt;47&lt;br /&gt;Escutamos o barulho de um motor. Aproximáva-se. Krato foi sentar-se na sua cadeira de balanço,&lt;br /&gt;fingindo grande tranqüilidade.&lt;br /&gt;Ami encontrou uma fresta e olhou lá fora. Convidou-nos a observar. Com o dedo indicador na boca,&lt;br /&gt;ordenou que ficássemos em silêncio.&lt;br /&gt;Pude ver o veículo que se aproximava. Parecia uma caixa preta de metal bem polido, com rodas e&lt;br /&gt;muitas grades ao redor. Tinha vidros por trás das grades, que eram pretos também, tornando impossível&lt;br /&gt;enxergar o interior do veículo.&lt;br /&gt;A sombria carruagem emitia tanto ruído e fumaça que todos os animais do lugar correram a esconderse.&lt;br /&gt;Pensei que eles ainda não tinham enventado o silenciador. Aquilo tinha o escapamento aberto.&lt;br /&gt;Ami sussurrou:&lt;br /&gt;- Claro que o conhecem, mas gostam de provocar medo.&lt;br /&gt;Quando a caixa negra chegou perto da cabana, quatro seres desceram. A simples visão deles&lt;br /&gt;causava pânico. Eram uma espécie de gorilas gigantescos, corpulentos e peludos. Usavam capacetes&lt;br /&gt;cheios de pontas, ombreiras com pontas, sapatos com pontas, pulseiras com pontas e joelheiras com&lt;br /&gt;pontas. Utilizavam escudos metálicos em vez de roupas. Todos traziam objetos compridos nas mãos:&lt;br /&gt;armas, com certeza. Seus rostos não eram parecidos aos dos símios e, sim, aos dos humanos. Pêlos&lt;br /&gt;verdes cobriam todas as partes visíveis de seus corpos, exceto o rosto, cuja pele era cor-de-rosa.&lt;br /&gt;- Vamos, velho parasita! Mostre seus documentos!&lt;br /&gt;Krato, sem olhar para eles, tirou um cartão do meio das pregas de seu manto. Entregou-lhes.&lt;br /&gt;Um dos térri pegou bruscamente o documento e examinou-o.&lt;br /&gt;- Você viu passar wacos por aqui?&lt;br /&gt;- Vi térris, mas não sei distinguir entre um térri waco e um térri zumbo. Para mim são todos iguais:&lt;br /&gt;térris -respondeu com uma grande calma, observando a paisagem.&lt;br /&gt;- Insolente! Não sabe distinguir entre um ser humano e uma fera?&lt;br /&gt;- Isso sim. Os seres humanos amam e constroem. As feras odeiam e destroem.&lt;br /&gt;O ser armado e peludo não gostou da resposta do velho.&lt;br /&gt;- Que fazemos, chefe? Moemos ele de pancadas?&lt;br /&gt;- Deixa ele. É um swama sonhador e morto de fome... como todos. Ha, ha, ha!&lt;br /&gt;Tudo ia bem até que o chefe ordenou:&lt;br /&gt;- Ande, vá dar uma olhada na cabana.&lt;br /&gt;Senti um golpe no estômago. Vinka me apertou com mais força ainda. Ami, com as duas mãos&lt;br /&gt;esticadas para nós e com um sorriso, pediu-nos para manter a calma.&lt;br /&gt;Krato tentou desviá-los.&lt;br /&gt;- Não encontrarão nada que lhes interesse. Nem armas, nem zumbos... perdão, vocês são zumbos. É&lt;br /&gt;que eu os confundo. Quero dizer, nem armas, nem wacos...&lt;br /&gt;- Se você não ficar calado de uma vez, vamos levá-lo para os trabalhos forçados. Estamos precisando&lt;br /&gt;de mais wacos e swamas em nossas fábricas de armas.&lt;br /&gt;48&lt;br /&gt;O térri entrou na cabana, examinou todos os lugares, olhou cada canto... exceto onde nós estávamos.&lt;br /&gt;Era impossível não nos descobrir, apesar disso, não o fez.&lt;br /&gt;- Não tem nada, chefe.&lt;br /&gt;- Bem. Vamos. Já sabe, velho inútil: se você encontrar um waco por aqui, nos avise. Nós lhe daremos&lt;br /&gt;bons presentes.&lt;br /&gt;Voltaram ao veículo e afastaram-se estridentemente.&lt;br /&gt;Capítulo 12 - Até a volta, Kia&lt;br /&gt;Ami, rindo até as orelhas, disse-nos:&lt;br /&gt;- Antes que perguntem já vou explicando: hipnose à distância.&lt;br /&gt;Minha pergunta foi boba:&lt;br /&gt;- Também funciona com os térri?&lt;br /&gt;- Com eles é mais simples. Quanto mais baixo é o nível de consciência de uma pessoa, mais fácil&lt;br /&gt;será hipnotizá-la; quer seja à distância ou por sugestão. Por isso, a publicidade comercial obtém grandes&lt;br /&gt;resultados com esse tipo de pessoas. Quanto maior é o nível evolutivo, mais desperta está a consciência.&lt;br /&gt;Krato entrou na cabana rindo. Vinka lhe perguntou por que não havia sentido medo de que os térri nos&lt;br /&gt;descobrissem.&lt;br /&gt;- Conheço as artimanhas de nosso amiguinho.&lt;br /&gt;Depois contou-nos que, certa vez, Ami protegeu quatro wacos ou zumbos fugitivos -não se lembrava&lt;br /&gt;bem a que bando pertenciam- de uma patrulha que os procurou por todos os lugares e não os encontrou,&lt;br /&gt;apesar de estarem a olhos vistos.&lt;br /&gt;- Eu não teria protegido um térri -disse Vinka-. Quanto mais rápido se eliminarem, mais depressa a&lt;br /&gt;paz se fará em Kia.&lt;br /&gt;- Térris e swamas são irmãos -interferiu Ami-. O dever dos swama é guiar e proteger os térri.&lt;br /&gt;Krato levantou os braços ao céu, como quem acaba de escutar uma insensatez.&lt;br /&gt;- Guiar e proteger os térri! Parece que você não está percebendo. Nós estamos dominados por eles.&lt;br /&gt;Possuem armas, nós somos pacíficos. Eles pensam que somos fracos e estúpidos, porque não buscamos&lt;br /&gt;nem poder nem dinheiro. Eles são materialistas. Consideram-nos uma raça inferior. É impossível que algum&lt;br /&gt;dia possamos guiá-los. A única coisa que lhes interessa é guerrear: térri wacos contra térri zumbos. Por&lt;br /&gt;causa dessa luta estamos na miséria. Todos os recursos do planeta são destinados a financiar a construção&lt;br /&gt;de armas. De repente, eles as utilizam e Kia explode.&lt;br /&gt;- Se vocês não fizerem nada, assim será -disse Ami.&lt;br /&gt;- Mas, o que podemos fazer?&lt;br /&gt;- Ensinar-lhes. Falar-lhes da paz, da união e do amor.&lt;br /&gt;Krato, cético, zombou.&lt;br /&gt;- Proponha isso a um térri... vai levá-lo direto ao manicômio. O amor para eles se resume em sexo e&lt;br /&gt;em suas próprias famílias, no máximo. Contra o resto, mostram as garras e os dentes, até mesmo a outro&lt;br /&gt;térri.&lt;br /&gt;Vinka achou que Krato tinha razão.&lt;br /&gt;49&lt;br /&gt;Ami, rindo, disse:&lt;br /&gt;- Vocês estão mais a-térri-zados que os térri.&lt;br /&gt;- Somos realistas.&lt;br /&gt;Ami riu de novo.&lt;br /&gt;- Realistas? Os térri a ponto de fazer seu mundo explodir e vocês de braços cruzados! E pensam que&lt;br /&gt;são realistas. Não fazem nada pelo seu futuro e acham que são realistas...&lt;br /&gt;- É que nunca nos escutarão...&lt;br /&gt;- Claro que escutarão. Em breve, os térri provocarão tragédias tão térri-veis que serão forçados a&lt;br /&gt;escutar. Se vocês não estiverem ali, então, eles não saberão o que fazer, exceto destruir-se e destruir&lt;br /&gt;vocês.&lt;br /&gt;- Mas a Fraternidade cósmica nos salvará com suas naves... -exclamou Vinka.&lt;br /&gt;- Unicamente se salvarão aqueles que não tabalham em sua própria salvação, senão pela de seu&lt;br /&gt;mundo -disse Ami.&lt;br /&gt;- Não entendo muito a respeito das coisas do mundo -manifestou Krato, saindo da cabana-. Só&lt;br /&gt;compreendo a respeito da felicidade.&lt;br /&gt;Ami, passando a mão por nossos ombros, levou-nos para fora.&lt;br /&gt;- Isso também é importante. O amor para com nós mesmos nos impele a buscar a nossa felicidade. O&lt;br /&gt;amor para com os demais leva-nos a servir, a trabalhar pela felicidade alheia. Ambas as forças devem estar&lt;br /&gt;em equilíbrio.&lt;br /&gt;Krato ficou pensativo. Coçou a cabeça.&lt;br /&gt;- Parece que eu não pensei muito nos demais. Aqui, metido nessas montanhas... o que você acha,&lt;br /&gt;Ami?&lt;br /&gt;- Não se trata de pensar, senão de fazer. Em todo caso, você já fez muito pelos demais... mesmo sem&lt;br /&gt;se propor.&lt;br /&gt;- Eu? Ho, ho, ho! Não imagino como.&lt;br /&gt;- Isso que você escreveu um dia. Um pergaminho que me deu para ler, há algum tempo atrás.&lt;br /&gt;Exatamente por isso é que viemos. Ali você ensina como obter amor. Vinka e Pedrinho desconhecem a&lt;br /&gt;receita. Eles estão escrevendo um livro que um dia será lido por muitas pessoas. Dessa forma, você&lt;br /&gt;também ajudará muitas pessoas...&lt;br /&gt;Krato parecia não acreditar no que Ami dizia. Pensava que tudo era uma brincadeira.&lt;br /&gt;- Mas... eu não acho que seja tão importante o que escrevi. Isso todo mundo sabe...&lt;br /&gt;Vinka corrigiu-o.&lt;br /&gt;- Se ali você ensina a obter amor, então você se engana. Isso não é todo mundo que sabe, eu não&lt;br /&gt;sei.&lt;br /&gt;- Eu também não -disse, com muita vontade de ler a receita de Krato.&lt;br /&gt;- Mas é tão fácil! -O velho não podia se convencer a respeito da importância de seu conhecimento.&lt;br /&gt;- Fácil para você, mas não para a maioria. Volte lá dentro e traga o pergaminho. Quero que estas&lt;br /&gt;crianças o conheçam.&lt;br /&gt;50&lt;br /&gt;- Está bem, está bem, mas não me lembro de onde o deixei. Talvez os chumi-chumi... o tenham&lt;br /&gt;comido. Ho, ho, ho! -Entrou na cabana. Ami olhou-o com simpatia.&lt;br /&gt;- Algumas pessoas não sabem valorizar o que fazem ou têm. Outros pensam que o que têm vale mais&lt;br /&gt;do que merecem. Ambos atuam mal. É difícil encontrar o meio termo de todas as coisas.&lt;br /&gt;Krato voltou com um rolo sujo nas mãos.&lt;br /&gt;- Aqui está. Estava no meio da lenha para queimar no próximo inverno. O pergaminho ajuda a&lt;br /&gt;acender o fogo. Ho, ho, ho!&lt;br /&gt;Ami pegou o texto com uma das mãos. Com a outra, um aparelho de seu cinto. Depois, colocou o rolo&lt;br /&gt;diante do objeto. Pensei que estava tirando fotografias.&lt;br /&gt;- Estou registrando o texto. A imagem do pergaminho acaba de passar para a memória do&lt;br /&gt;"computador gigante" do qual lhes falei. Tome, Krato. Já pode ser queimado.&lt;br /&gt;- Que barbaridade! Não! -exclamou Vinka-. Quero vê-lo.&lt;br /&gt;- Aqui você tem uma cópia mais limpa e mais nítida do que o original.&lt;br /&gt;Por uma ranhura do aparelho, começaram a sair umas folhas brancas, uma espécie de cópia xerox&lt;br /&gt;do texto, mas de menor tamanho.&lt;br /&gt;Vinka quis ler aquilo. Ami entregou-lhe uma folha, rindo.&lt;br /&gt;- Não compreendo este idioma! -exclamou decepcionada.&lt;br /&gt;- Terei que fazer uma tradução manuscrita. Não será fácil para mim. Além disso, não tenho boa letra,&lt;br /&gt;mas terão algumas cópias em seus idiomas, para que as coloquem em seus livros.&lt;br /&gt;Algum tempo depois, enquanto preparava este livro, fiquei em dúvida se devia publicar o que ele&lt;br /&gt;escreveu a mão ou à máquina. Para não cometer erros, fiz ambas as coisas. A primeira parte do&lt;br /&gt;pergaminho de Krato foi mostrada no começo deste livro. O resto do manuscrito foi fotografado. O original&lt;br /&gt;eu guardo como se fosse algo sagrado. É a única prova real que tenho da existência de Ami. Victor pensa&lt;br /&gt;que fui eu mesmo que escrevi, mudando a minha letra. Bem, se ele não é capaz de ver em tudo isso algo&lt;br /&gt;mais que fantasia, é uma pena. É ele quem sai pedendo...&lt;br /&gt;- Se minha letra não é boa, desculpem-me -disse Ami-. Imaginem-se escrevendo no idioma dos&lt;br /&gt;chineses.&lt;br /&gt;- Quem são os chineses? -perguntou Krato.&lt;br /&gt;Vinka se adiantou em responder.&lt;br /&gt;- É um povo do mundo de Pedrinho. Têm os olhos muito bonitos. Assim -disse, enquanto os esticava.&lt;br /&gt;Ami e eu rimos, mas o ancião ficou pensativo.&lt;br /&gt;- Se você me leva no seu aparelho voador, Ami, talvez eu possa conseguir uma velhinha com os olhos&lt;br /&gt;assim... Os chineses comem garábolo picante?&lt;br /&gt;Quando paramos de rir, Ami disse:&lt;br /&gt;- Se os chineses não comem garábolo, é porque lá não são fáceis de conseguir. Caso contrário, os&lt;br /&gt;preparariam de mil maneiras: eles comem de tudo, de tudo!&lt;br /&gt;- Então os chineses têm bom gosto -opinou Krato-. Outra boa razão para ir lá.&lt;br /&gt;O velho pareceu-me apegado demais à comida.&lt;br /&gt;51&lt;br /&gt;- Se é essa a espiritualidade dos swama, como serão os térri...&lt;br /&gt;- Os térri não desfrutam a vida -explicou Krato-. Estão ocupados demais com suas guerras ou à&lt;br /&gt;procura de poder e dinheiro. Quando os conseguem, continuam muito ocupados defendendo o que têm ou&lt;br /&gt;procurando conseguir mais. Mas nunca têm tempo para desfrutar a vida: não têm bom gosto. Perdem a&lt;br /&gt;existência miseravelmente. A propósito: lá dentro nos espera toda uma panela com garábolo em molho&lt;br /&gt;picante e uma deliciosa garrafa de suco. Vamos.&lt;br /&gt;Ami ria da filosofia de Krato.&lt;br /&gt;- Este velho comilão só pensa em desfrutar e, em parte, tem razão, mas somente em parte. Esquece&lt;br /&gt;dos demais. Ignora que, quem serve ao próximo como a si mesmo, consegue finalmente desfrutar mais do&lt;br /&gt;que aqueles que agem de forma egocêntrica. Este velho é o swama nemos espiritualizado que conheço...&lt;br /&gt;- Pode ser, mas agora que meu texto vai beneficiar a muitos, tenho o direito de deleitar meu paladar&lt;br /&gt;com esse garábolo "al dente". Ho, ho, ho! Vamos lá dentro. Estou com fome.&lt;br /&gt;Tentou entrar na cabana, mas Ami o impediu.&lt;br /&gt;- Não como carne, velho amigo. Sinto muito. Além disso, já nos vamos.&lt;br /&gt;- Não como garábolo -disse eu, decidido a nem mesmo olhar o conteúdo da repugnamte panela.&lt;br /&gt;- Fiquei satisfeita com os muflos de sua horta. Muito obrigada, Krato.&lt;br /&gt;- Bem, se vocês o desprezam, eu é que aproveito. Ho, ho, ho! Pena que vão embora tão rápido.&lt;br /&gt;Espero voltar a vê-los algum dia.&lt;br /&gt;- Você sabe que estou dando algumas voltas por aqui. Talvez mais adiante, traga de novo estes&lt;br /&gt;amiguinhos.&lt;br /&gt;Despedimo-nos afetuosamente de Krato, o velho ermitão de Kia. Hoje me lembro dele com carinho.&lt;br /&gt;Gostei de sua forma espontânea de ser. Era um homem sem rodeios, sem mistérios. Não pude valorizá-lo&lt;br /&gt;quando estive com ele. Foi somente depois que captei a dimensão da sua pessoa, o que não é fácil de&lt;br /&gt;perceber num breve encontro.&lt;br /&gt;Vinka beijou sua mão, em forma de adeus. Pareceu-me ver o brilho de uma lágrima fugaz nos olhos&lt;br /&gt;do ancião. Talvez, para dissimular a emoção, ele soltou uma última piada:&lt;br /&gt;- Cuidado, menina, cuidado! Não me beije assim. Sou sempre rodeado por um bando de admiradoras&lt;br /&gt;que são muito ciumentas... sua vida corre perigo!&lt;br /&gt;Eu, estupidamente, olhei ao redor: reinava a mais triste solidão.&lt;br /&gt;Capítulo 13 - Calibur&lt;br /&gt;- Bem, meninos, enquanto esperamos que este aparelho nos "situe" num lugar que, por enquanto, é&lt;br /&gt;surpresa, vou copiar em seus idiomas o legado de Krato para a posteridade. Agora podem dar uma volta&lt;br /&gt;pelo terraço -disse, dando risada.&lt;br /&gt;Fiquei curioso e quis saber o que aconteceria se eu abrisse a porta, enquanto transitávamos pelo&lt;br /&gt;espaço-tempo. Perguntei para Ami.&lt;br /&gt;Ami simulou terror diante da simples idéia. Olhou para Vinka como dizendo-lhe: "que louco"! Mas ela&lt;br /&gt;estava apenas interessada em conhecer a resposta. Éramos dois contra um.&lt;br /&gt;- Olha, nem eu mesmo sei o que aconteceria. Vamos abrir a porta para ver o que acontece -disse ele,&lt;br /&gt;levantando-se da poltrona. Seus olhos estavam um pouco arregalados. Aproximou-se da sala de recepção&lt;br /&gt;completamente decidido a abrir-la, mas nós voamos para impedi-lo.&lt;br /&gt;52&lt;br /&gt;Ele dobrava de tanto rir e, então, compreendemos que brincava.&lt;br /&gt;- Saiam por aí a conversar sobre suas histórias e deixem-me escrever estas cópias antes que&lt;br /&gt;cheguemos. Mas não mexam em nada, para que não voemos em pedaços pelas dimensões... há, há!... Isso&lt;br /&gt;vai ser difícil para mim... escrever em idiomas indecifráveis...&lt;br /&gt;À sua frente, numa tela, aparecia o alfabeto do meu idioma em várias formas de escrita. Ao lado de&lt;br /&gt;cada sinal conhecido por mim, havia outro muito estranho. Enquanto escrevia, apertava teclas. Eu estava&lt;br /&gt;distraído com seu trabalho, mas a mão de Vinka tocou meu ombro.&lt;br /&gt;- Vamos deixá-lo trabalhar tranqüilo. Que tal inspecionarmos a nave?&lt;br /&gt;- Boa idéia! Não gosto que me espiem pelas costas -brincou.&lt;br /&gt;Até então, eu não tinha prestado atenção em vários detalhes do veículo cósmico. Fiz uma vistoria com&lt;br /&gt;Vinka. Coloco aqui um plano da nave que desenhei de acordo com o que fui me lembrando.&lt;br /&gt;Como havia outro recinto atrás da sala de comandos, fomos conversar lá.&lt;br /&gt;Pelos vidros via-se unicamente a neblina branca reverberando.&lt;br /&gt;- Gostaria de saber o que é que há atrás das janelas -disse ela, com um olhar sonhador.&lt;br /&gt;Ao observá-la melhor, pareceu-me incrível estar conversando com um ser de outro mundo. Ela se&lt;br /&gt;aproximou mais e me perguntou:&lt;br /&gt;- O que você sentiu quando me viu pela primeira vez?&lt;br /&gt;- É que... a verdade?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;Como não sei mentir, tive que ser sincero.&lt;br /&gt;- Você não me pareceu agradável... e eu?&lt;br /&gt;- Tive a mesma impressão que você, mas meus sentimentos mudaram rapidamente. Agora é&lt;br /&gt;diferente...&lt;br /&gt;- O que você sente agora, Vinka?&lt;br /&gt;53&lt;br /&gt;- Sinto que você é aquele com quem eu sempre sonhei.&lt;br /&gt;Suas palavras expressaram exatamente o que eu sentia por ela, mas eu não o teria feito de forma tão&lt;br /&gt;simples.&lt;br /&gt;- É isso mesmo que existe em mim. É algo profundo que cresce e cresce.&lt;br /&gt;Seus olhos cor violeta pareciam irradiar luz. Estava realmente linda. Só de nos olharmos, entramos&lt;br /&gt;num transe que nos transportou a outras dimensões...&lt;br /&gt;- Cuidado com os romances proibidos -disse Ami, da sala de comandos.&lt;br /&gt;Não prestamos atenção nele e continuamos ali, olhando-nos.&lt;br /&gt;- Gostaria de poder estar com você para sempre -disse-lhe, segurando as mãos.&lt;br /&gt;Ami voltou a interferir de longe.&lt;br /&gt;- Lembrem-se de que os dois já têm seus verdadeiros companheiros. Devem ser fiéis.&lt;br /&gt;Isso nos fez pensar. Um pouco depois, ela me perguntou:&lt;br /&gt;- Você sente que nosso romance é proibido?&lt;br /&gt;- Não, mas se fosse, não me importaria. Como poderia deixar de sentir o que sinto? Não é coisa da&lt;br /&gt;vontade.&lt;br /&gt;- Lembrem-se do encontro no futuro. Lembrem-se dessa pessoa...&lt;br /&gt;Pensei na mulher de rosto oriental. Era verdade que, quando vivi aquela experiência, senti um amor&lt;br /&gt;muito grande por ela, mas agora... bem, Vinka era real; a outra, somente uma lembrança.&lt;br /&gt;- Escolho Vinka para sempre -expressei com grande segurança.&lt;br /&gt;- E eu, a Pedro.&lt;br /&gt;Ami ria da sala ao lado.&lt;br /&gt;- Passageiros entusiasmados. Chamas que qualquer brisa pode apagar... como a carne de garábolo&lt;br /&gt;ou cordeiro.&lt;br /&gt;Ami havia tocado na ferida. Olhamo-nos com arrependimento por ter-nos julgado duramente.&lt;br /&gt;Passando um momento, Vinka disse:&lt;br /&gt;- Pedrinho, aconteça o que acontecer, saiba você o que souber, nunca duvide de meu amor. Você&lt;br /&gt;será sempre o único para mim, ainda que a distância nos separe, ainda que tudo nos separe.&lt;br /&gt;Lágrimas surgiram em seus olhos. Acho que senti a mesma emoção, por isso minhas palavras&lt;br /&gt;brotaram do mais íntimo de meu coração:&lt;br /&gt;- Vinka, quando não a conhecia, sentia-me só. A partir de hoje, ainda que você não esteja comigo,&lt;br /&gt;estará sempre dentro de mim. Sei que nosso amor é para sempre. Com você já não me sinto vazio... não&lt;br /&gt;posso explicar melhor, mas você está em mim e vai estar sempre.&lt;br /&gt;Abraçamo-nos. Foi a coisa mais linda de toda a minha vida. Sentimos que, a partir daquele momento,&lt;br /&gt;seríamos um único ser...&lt;br /&gt;Depois de algum tempo, Ami, com seu bom-humor de sempre, disse:&lt;br /&gt;- Chega de amores pecaminosos. Venham para cá. As cópias já estão prontas. Além disso, estamos&lt;br /&gt;chegando em Calibur.&lt;br /&gt;54&lt;br /&gt;Abrimos os olhos. Por trás dos vidros, junto de nós, as estrelas destacavam-se num firmamento azulescuro.&lt;br /&gt;Corremos até a sala de comandos. Lá na frente, detrás das janelas, apareceu uma visão que nos&lt;br /&gt;causou um impacto muito grande: dois enormes sóis; um era azul e maior; o outro, branco e menor.&lt;br /&gt;- Aí está: Sírio.&lt;br /&gt;- Sírio? Qual dos dois é Sírio? -perguntei.&lt;br /&gt;- Os dois. Da Terra se vêem estes dois sóis como se fossem um só. Isto é porque estão muito perto&lt;br /&gt;um do outro, mas longe da Terra. Estão vendo aquele ponto luminoso?&lt;br /&gt;Ami indicava um pequeno globo azul do tamanho de uma uva.&lt;br /&gt;- Isso é Calibur. Vamos para lá. É um planeta que utilizamos para criar espécies vegetais. É como se&lt;br /&gt;fosse um "enorme viveiro cósmico". Tudo foi cultivado por nós. Quando conseguimos alguma espécie&lt;br /&gt;diferente, levamos para os mundos que podem necessitar dela.&lt;br /&gt;- Quantas pessoas habitam lá?&lt;br /&gt;- Somente uns poucos engenheiros genéticos, na estação de controle.&lt;br /&gt;Aproximamo-nos rapidamente do círculo luminoso. Quando se transformou num imenso disco que&lt;br /&gt;ocupava todo o campo visual de nossas janelas, comprovei que esse mundo não se parecia ao meu planeta,&lt;br /&gt;porque suas cores eram diferentes.&lt;br /&gt;Voávamos sobre uma extensa praia de cor violeta, junto a um tranqüilo mar de cor lilás.&lt;br /&gt;Vinka expressou a sua emoção com alegria:&lt;br /&gt;- Isto é muito bonito!... Não poderíamos descer?&lt;br /&gt;- Não há inconveniente. Além disso, prometi a Pedrinho que o traria a estas praias...&lt;br /&gt;Verdade. Isso aconteceu na minha viagem anterior.&lt;br /&gt;- Aqui, as condições de oxigênio, gravidade, temperatura e flora não os afetarão em nada. Nem vocês&lt;br /&gt;afetarão o planeta.&lt;br /&gt;A nave parou no ar. Depois pousou no terreno.&lt;br /&gt;- Devo preparar o itinerário de nossa próxima viagem. Vocês podem sair a caminhar por aí. Não&lt;br /&gt;temam. Aqui não existe nada que lhes possa fazer mal, mas não comam nada.&lt;br /&gt;A porta abriu-se. Descemos pela escada. Caminhamos pelas suaves areias iluminadas por um sol&lt;br /&gt;azulado, tão grande como o que vi em Ofir.&lt;br /&gt;- Mmmmm! Que ar agradável! -exclamou Vinka, aspirando profundamente-. Parece uma mistura de&lt;br /&gt;flores e algas marinhas.&lt;br /&gt;A intensidade da luz, apesar do enorme sol, era menor que na Terra, Kia ou Ofir, devido a uma névoa&lt;br /&gt;espessa. Aquilo lembrava uma praia ao entardecer, mas de cores infinitamente mais sutis que em meu&lt;br /&gt;planeta. Além disso, as areias terrestres não são de cor violeta e o mar lilás...&lt;br /&gt;De mãos dadas, fomos caminhando. Chegamos numa curva. Apareceu um jardim maravilhoso, cheio&lt;br /&gt;de plantas floridas que chegavam até o mar.&lt;br /&gt;Vinka estava radiante.&lt;br /&gt;- Isto é o paraíso!&lt;br /&gt;55&lt;br /&gt;Entramos no meio das plantas, afastando-nos da praia. Mais adiante, encontramos um bosque de&lt;br /&gt;pequenas árvores. Estas não tinham folhas e, sim, filamentos delgados. Pareciam artificiais devido às suas&lt;br /&gt;cascas tão polidas.&lt;br /&gt;O sol gigantesco punha-se sobre as águas e iluminava o rosto de Vinka, dando-lhe a tonalidade azulceleste&lt;br /&gt;brilhante. Sentamo-nos debaixo das árvores. As folhas caídas formavam um suave colchão por entre&lt;br /&gt;as flores.&lt;br /&gt;Durante muito tempo, contemplamos os reflexos nas águas quietas. Eu nunca tinha visto um pôr-desol&lt;br /&gt;tão estranho e maravilhoso.&lt;br /&gt;Observei que os cabelos de Vinka eram iluminados por uma outra luz: um segundo sol aparecia atrás&lt;br /&gt;das árvores, às nossas costas.&lt;br /&gt;- Veja: o outro sol!&lt;br /&gt;- Isto é maravilhoso! O pôr e o nascer ao mesmo tempo!&lt;br /&gt;Rimos com alegria.&lt;br /&gt;Passou um momento. Vinka, com um indício de tristeza, disse-me:&lt;br /&gt;- Acho que isso não é correto...&lt;br /&gt;- O que você quer dizer?&lt;br /&gt;- Sabemos que alguém nos espera, no futuro...&lt;br /&gt;Permanecemos um momento em silêncio. Ela tinha razão.&lt;br /&gt;- Acho que Ami abriu as nossas feridas ao permitir que nos encontrássemos. Ele podia ter imaginado&lt;br /&gt;que nos sentiríamos atraídos, podia ter evitado isto... -disse eu.&lt;br /&gt;Ela queria reter aquele momento.&lt;br /&gt;- Mesmo assim, isto foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu em minha vida... obrigada, Ami.&lt;br /&gt;Também tinha razão. Só o que perturbava a nossa felicidade era a lembrança de um encontro no&lt;br /&gt;futuro.&lt;br /&gt;Senti curiosidade em saber quem era a alma gêmea de Vinka. Talvez, com um pouco de ciúme,&lt;br /&gt;perguntei-lhe:&lt;br /&gt;- Como era esse herói?&lt;br /&gt;- É melhor esquecermos aquilo para sempre e pensarmos somente em nós.&lt;br /&gt;- Magnífica idéia. Eu esqueço a mulher do sinal da testa e você esquece seu príncipe azul.&lt;br /&gt;- Como você sabe que era azul?&lt;br /&gt;- Por quê, Vinka?&lt;br /&gt;- Porque tinha a pele azul...&lt;br /&gt;- Então, todas as almas gêmeas talvez tenham a pele dessa cor, porque a jovem que eu vi também&lt;br /&gt;tinha a pele assim.&lt;br /&gt;Aquilo a interessou vivamente. Pediu maiores detalhes.&lt;br /&gt;56&lt;br /&gt;- Eu vinha flutuando pelo ar, perto de uma lagoa onde nadavam cisnes que me cumprimentaram. Os&lt;br /&gt;prados, as flores e os juncos cantavam. Ela me esperava em...&lt;br /&gt;- Entre trepadeiras cor-de-rosa e almofadas com franjas coloridas?&lt;br /&gt;Fiquei estupefato. Como ela podia saber?&lt;br /&gt;- Acho que você leu meu livro...&lt;br /&gt;- Se você lesse o meu, encontraria a mesma situação, mas do ponto de vista da jovem que espera...&lt;br /&gt;- É você!&lt;br /&gt;Abraçamo-nos como querendo nos fundir em um só ser, agora sem sentimentos de culpa. A&lt;br /&gt;felicidade nos invadiu. Minhas sensações eram muito parecidas àquelas que vivi nesse encontro futuro...&lt;br /&gt;- Chega de romance -interrompeu a voz de Ami. Ele nos observava de pé no meio das flores,&lt;br /&gt;sorrindo.&lt;br /&gt;- Você é um mentiroso. -Vinka fingiu estar zangada.&lt;br /&gt;Ela se referia a ele nos ter dito que nossas almas gêmeas estavam na Terra e em Kia. Além disso,&lt;br /&gt;tinha afirmado que nosso romance era proibido.&lt;br /&gt;- Quis que descobrissem por vocês mesmos. Não foi melhor assim?&lt;br /&gt;- Mas você mentiu...&lt;br /&gt;- Se lhes tivesse dito algo assim como "quero apresentar-lhes seu companheiro", teria sido algo&lt;br /&gt;forçado, obrigatório, sem surpresa; deste jeito, tudo surgiu espontaneamente. Coloquei obstáculos&lt;br /&gt;intencionalmente para ver se vocês os superavam. Fizeram-no muito bem.&lt;br /&gt;Caminhando de volta para a nave perguntei:&lt;br /&gt;- Quando será esse encontro no mundo cor-de-rosa?&lt;br /&gt;- Vocês ainda se unirão algumas vezes. Daqui por diante, se procurarão sempre, de vida em vida e se&lt;br /&gt;encontrarão. No final, muito depois do encontro que viverão no mundo cor-de-rosa, fundir-se-ão num só ser.&lt;br /&gt;Estarão completos. Por enquanto, são duas metades de um mesmo ser, evoluindo separadas.&lt;br /&gt;- E agora, devemos nos despedir? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Sim. Logo você voltará a Kia e Pedrinho a Terra. Lembrem-se de que vocês têm uma missão de&lt;br /&gt;ajuda em seus mundos. Se não servissem aos seus irmãos, demonstrariam egoísmo. Quem é egoísta não&lt;br /&gt;tem um bom nível. Quem não tem um bom nível não merece encontrar a sua alma gêmea. Isso é um&lt;br /&gt;prêmio, tem que ser conquistado assim como se conquista um mundo melhor. Se não servirem ao amor, o&lt;br /&gt;destino os irá separando. E, se ao contrário, forem úteis aos demais, com maior rapidez, o destino os unirá.&lt;br /&gt;Subimos tristes a escada da nave.&lt;br /&gt;- Vai ser dura a separação...&lt;br /&gt;- Será fácil, porque agora já sabem que o seu complemento existe, sabem que são lembrados e&lt;br /&gt;esperados. Além disso, poderão comunicar-se...&lt;br /&gt;- Como? Você nos deixará algum microfone?&lt;br /&gt;- Não é necessário. Quando duas almas estão unidas pelo amor, a comunicação supera o tempo e o&lt;br /&gt;espaço.&lt;br /&gt;57&lt;br /&gt;Capítulo 14 - O pergaminho e duas possibilidades&lt;br /&gt;Enquanto nos "situávamos" em algum lugar ignorado, comecei a ler o pergaminho de Krato, tal como&lt;br /&gt;Ami o tinha escrito:&lt;br /&gt;Ei-lo:&lt;br /&gt;Amor é um ingrediente sutil da consciência.&lt;br /&gt;É capaz de mostrar o sentido profundo da existência.&lt;br /&gt;Amor é a única "droga" legal.&lt;br /&gt;Alguns procuram equivocadamente no álcool e em outras "drogas" o que o Amor produz. Amor é o&lt;br /&gt;sentido mais necessário da vida.&lt;br /&gt;Os sábios conhecem o segredo e só procuram Amor. Os outros o ignoram e por isso procuram o&lt;br /&gt;externo.&lt;br /&gt;Como obter Amor?&lt;br /&gt;Nenhuma técnica serve, porque Amor não é material. Não está submetido às leis do pensamento e da&lt;br /&gt;razão. Elas é que estão submetidas a Ele.&lt;br /&gt;Para obter Amor, deve-se saber antes que Amor não é um sentimento, mas um Ser. Amor é alguém,&lt;br /&gt;um Espírito vivo e Real, que quando entra em nós, chaga a felicidade, chega tudo.&lt;br /&gt;Como fazer com que Ele venha?&lt;br /&gt;Primeiro deve-se acreditar que existe (porque não se vê, só se sente) (alguns o chamam Deus),&lt;br /&gt;depois deve-se buscá-lo em sua morada íntima: o coração.&lt;br /&gt;Não é preciso chama-lo porque já está em nós.&lt;br /&gt;Não é preciso pedir-lhe que venha, mas deixá-lo sair, liberá-lo, entregá-lo.&lt;br /&gt;Não se trata de pedir Amor, mas de dar Amor.&lt;br /&gt;Como se obtêm Amor?&lt;br /&gt;Dando Amor.&lt;br /&gt;Amando.&lt;br /&gt;- Então o amor é um ser. Isso não aparece em nenhum livro que eu tenha lido -disse eu.&lt;br /&gt;Ami sorriu e ligou os controles.&lt;br /&gt;- É lógico que aparece. Em um.&lt;br /&gt;- Em qual, Ami? Esse eu não li.&lt;br /&gt;O menino do espaço começava a divertir-se.&lt;br /&gt;- Leu, sim. Mais ainda: você o escreveu. Ali aparece.&lt;br /&gt;- Em "Ami"?&lt;br /&gt;- Em "Ami" -respondeu Ami.&lt;br /&gt;- Não me lembro...&lt;br /&gt;58&lt;br /&gt;- Então leia de novo. Algumas pessoas falam de "posessão demoníaca", quando alguém comete&lt;br /&gt;barbaridades. Podem imaginar que as forças negativas formam um ser. Mas, se alguém está com o amor,&lt;br /&gt;ninguém pensa em falar de "posessão divina". Vocês são muito interessantes... Pense nisso. Melhor ainda é&lt;br /&gt;colocar em prática o conselho de Krato.&lt;br /&gt;Vinka aproximou-se de mim.&lt;br /&gt;- Para mim vai ser muito fácil... agora.&lt;br /&gt;- Espero que você consiga estender o seu afeto para além de Pedrinho. Seu povo precisa de você,&lt;br /&gt;em Kia. Antes que voltem, mostrar-lhes-ei algumas gravações...&lt;br /&gt;- Para que voltaremos a Kia? -perguntei alarmado.&lt;br /&gt;- Não disse que estamos indo exatamente para Kia, mas o momento vai chegar.&lt;br /&gt;- Então... não tem remédio?&lt;br /&gt;- Vinka não pode ficar aqui para sempre. Ela deve voltar para seu mundo, escrever outro livro,&lt;br /&gt;continuar servindo. Você deve fazer o mesmo em seu planeta, mas antes vejam isso.&lt;br /&gt;Detrás dos vidros, apareceu um mundo cinza-escuro. Não nos interessou: nem a mim, nem a Vinka.&lt;br /&gt;Ambos permanecemos de mãos dadas, olhando-nos com tristeza.&lt;br /&gt;- Chega de dramas baratos -exclamou nosso amigo sorrindo.&lt;br /&gt;- É que vamos nos separar...&lt;br /&gt;- E qual é o problema? Não estarão afastados para sempre. Logo terão oportunidade de estar unidos&lt;br /&gt;eternamente. Vamos, vejam isso: a destruição de um mundo! -procurou entusiasmar-nos.&lt;br /&gt;Nem mesmo aquela notícia nos interessou. Estávamos muito tristes.&lt;br /&gt;Ao ver-nos assim, Ami apagou a imagem. Depois nos disse:&lt;br /&gt;- Parte da evolução consiste em aprender a superar o apego, porque o espírito procura a liberdade.&lt;br /&gt;- Mas nós nos amamos...&lt;br /&gt;- O verdadeiro amor não é apego. Não aprisiona nem se aprisiona. Liberta e se liberta. Aqueles que&lt;br /&gt;se amam de verdade não precisam estar grudados como siameses... há, há! Querem receber esse castigo&lt;br /&gt;na próxima encarnação?&lt;br /&gt;Não sabíamos se brincava ou se dizia a verdade, mas as suas palavras nos acordaram.&lt;br /&gt;Ligando novamente o sistema que projeta imagens nos vidros, explicou-nos:&lt;br /&gt;- Isto que vão ver aconteceu a um mundo que não conseguiu superar a sua violência e a sua&lt;br /&gt;maldade, apesar de todos os esforços daqueles que participaram do plano de ajuda para este mundo.&lt;br /&gt;Vejam:&lt;br /&gt;A atmosfera estava escurecida por uma grossa camada de nuvens cinzentas. Observamos grande&lt;br /&gt;quantidade de naves que desciam ao planeta.&lt;br /&gt;- Estão assistindo a uma "operação resgate". As naves descem para buscar aqueles que têm&lt;br /&gt;"setecentas medidas" ou mais, para salvá-los, porque o merecem. É, na verdade, algo muito triste, um&lt;br /&gt;fracasso. Todos os esforços foram em vão.&lt;br /&gt;As imagens passavam uma após outra como uma espécie de documentário filmado. A Terra tremia&lt;br /&gt;em quase todos os lugares. As cidades costeiras eram varridas por gigantescas ondas. Apareceu uma navemãe&lt;br /&gt;igual à do Comandante.&lt;br /&gt;59&lt;br /&gt;- É necessário abrigar vários milhões de pessoas...&lt;br /&gt;- Vários milhões!&lt;br /&gt;- Há mais pessoas boas do que vocês imaginam... Muitas vezes a maldade é simplesmente uma&lt;br /&gt;rebeldia diante da injustiça, expressa por caminhos errados. Outras vezes, são maus hábitos coletivos,&lt;br /&gt;provocados por sistemas de organização ruins. Geralmente, os costumes ou a necessidade obrigam as&lt;br /&gt;pessoas a agirem mal; por isso, é necessário que sejam difundidas as mensagens que estamos enviando.&lt;br /&gt;Quanto mais e mais trabalhem, menores serão as probabilidades de que em seus mundos aconteça o que&lt;br /&gt;estão vendo aqui.&lt;br /&gt;Mostrou cuidadosamente o trabalho de uma nave sobre uma cidade. Muitas pessoas eram "içadas"&lt;br /&gt;por meio de raios luminosos. Seus rostos mostravam surpresa ou temor. Em muitos casos, alegria.&lt;br /&gt;- Por que está tudo tão escuro?&lt;br /&gt;- Porque acabaram de explodir milhares de bombas nucleares. Logo começará a chuva radioativa.&lt;br /&gt;Depois, o planeta esfriará tanto que será impossível sobreviver.&lt;br /&gt;- Por que não as resgatam?&lt;br /&gt;- Não têm um bom nível -respondeu Ami.&lt;br /&gt;- Ah! Observam seus níveis de evolução atravéz do "sensômetro"...?&lt;br /&gt;- Neste caso não é necessário. Esta é uma comunidade retirada da civilização. Todas estas pessoas&lt;br /&gt;decidiram escapar dos problemas, em vez de trabalharem para resolvê-los. Não têm um bom nível. Agora,&lt;br /&gt;por terem desejado salvar somente "suas" vidas, perderam a vida... Deverão esperar por uma nova&lt;br /&gt;oportunidade em outro mundo. Para uma nova existência será...&lt;br /&gt;As palavras de Ami; a visão de um mundo completamente escurecido pelas nuvens de pó&lt;br /&gt;contaminado; o espetáculo dos seres humanos morrendo num planeta que não parava de tremer, com&lt;br /&gt;montanhas de água cobrindo os continemtes, destruindo tudo ao passar, enquanto milhares de naves&lt;br /&gt;selecionavam somente alguns poucos milhões de pessoas, deixando a maioria condenada à morte. Tudo&lt;br /&gt;aquilo nos causou uma terrível angústia.&lt;br /&gt;Vinka tinha lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;- Parece-me terrivelmente cruel deixar essas pessoas ali abandonadas, elas que se retiraram para&lt;br /&gt;viver uma vida mais em contato com a natureza, quando viram que tudo estava perdido.&lt;br /&gt;- Você se engana. Elas não escaparam quando tudo estava perdido, foi muito antes, quando ainda&lt;br /&gt;havia possibilidade de fazer alguma coisa. Talvez, o trabalho delas tivesse sido suficiente para salvar este&lt;br /&gt;mundo. Lembre-se de que o cântaro transborda com uma gota...&lt;br /&gt;Apesar das explicações de Ami, pareceu-me vingança deixar ali essas pobres pessoas.&lt;br /&gt;- Não se trata de vingança, mas de selecionar as "boas sementes". Unicamente com boas pessoas&lt;br /&gt;pode-se desenvolver uma civilização onde é possível dormir em paz, com a porta aberta ou deixar os bens&lt;br /&gt;de consumo à livre disposição das pessoas.&lt;br /&gt;Aqueles que escapam não seriam "boas sementes". Se lhes fosse dada a oportunidade de chegar a&lt;br /&gt;um mundo como o que se quer construir, não teriam disposição de serviço e cooperação. Simplesmente&lt;br /&gt;lhes falta amor. No fundo, o que os impulsionou a fugir foi um egoísmo que pode ser disfarçado em qualquer&lt;br /&gt;coisa: vida sã, saúde, purificação, evolução espiritual inclusive mas, no fundo, é simples egoísmo. É como&lt;br /&gt;se um médico fugisse do hospital por medo ao contágio e dissesse que sua saúde é a única coisa que&lt;br /&gt;importa. Se todos os médicos pensassem assim... coitados dos doentes.&lt;br /&gt;As explicações de Ami conseguiram me fazer entender melhor a situação. Mesmo assim, o destino&lt;br /&gt;dessas pessoas ainda me intristecia. Por isso perguntei:&lt;br /&gt;- Não existe a possibilidade de criar um mundo bom, sem que milhões de pessoas sejam eliminadas?&lt;br /&gt;60&lt;br /&gt;- Excelente pergunta!&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque é claro que é possível. Agora lhes mostrarei outras gravações. Aqui tenho o registro do que&lt;br /&gt;aconteceu em outro lugar. Vejamos.&lt;br /&gt;Ami acionou novamente os controles. Nos vidros, apareceram novas imagens. Desta vez se tratava&lt;br /&gt;de um mundo muito parecido com a Terra ou Kia. As pessoas, também, eram quase iguais a nós, de várias&lt;br /&gt;raças, inclusive.&lt;br /&gt;Numa importante cidade, havia grandes multidões diante das portas de um enorme edifício.&lt;br /&gt;- Estamos assistindo a um momento histórico: acaba de ser criado o Governo Mundial. Os&lt;br /&gt;representantes escolhidos por cada país não são políticos comuns...&lt;br /&gt;- Quem são, então?&lt;br /&gt;- Servidores do Plano Cósmico. Este mundo começa a ser regido pela Lei de Deus, pelos princípios&lt;br /&gt;universais.&lt;br /&gt;Vinka parecia fascinada.&lt;br /&gt;- Que maravilha!&lt;br /&gt;- Houve aí a união de muitos grupos espirituais, religiosos, ecológicos e pacifistas. Eles fizeram a&lt;br /&gt;proposta da convivência fraternal, praticada em todos os mundos civilizados e as pessoas decidiram&lt;br /&gt;acreditar neles... não houve outro caminho...&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque houve um descalabro econômico em nível mundial. Por outro lado, devido a inúmeras&lt;br /&gt;experiências atômicas, à contaminação, a abusos na utilização dos recursos naturais, houve grandes&lt;br /&gt;desequilíbrios ecológicos e mudanças climáticas que afetaram a produção de alimentos. Apareceram novas&lt;br /&gt;epidemias, pestes, pragas, guerras em todo o mundo; guerras entre sistemas sociais, guerras por fronteiras,&lt;br /&gt;guerras por diferenças religiosas. Gastava-se todo o dinheiro em armas. Houve fome, miséria, medo... as&lt;br /&gt;pessoas se cansaram e, como havia só uma alternativa capaz de parar a loucura coletiva, pacificamente e&lt;br /&gt;de comum acordo, decidiram experimentá-la.&lt;br /&gt;Por trás dos vidros, apareciam várias cenas.&lt;br /&gt;- Agora, estamos vendo o momento no qual se executa a primeira medida do Governo Mundial.&lt;br /&gt;Em todas as cidades, milhões e milhões de pessoas estavam reunidas diante de toneladas e mais&lt;br /&gt;toneladas de equipamentos de guerra: metralhadoras, fusis, canhões e todos aqueles elementos de&lt;br /&gt;destruição que tanto orgulho provocam em algumas pessoas de meu planeta.&lt;br /&gt;- Que estão fazendo?&lt;br /&gt;- Neste momento em cada país, ou melhor, "ex-país", em cada estado deste mundo se realizará a&lt;br /&gt;transformação das armas.&lt;br /&gt;Vimos como as grandes chamas fundiam os metais. Nos portos, os barcos de guerra eram&lt;br /&gt;transformados em cargueiros. Nos aeroportos, os aviões de guerra, em naves de passageiros. Os tanques&lt;br /&gt;em tratores...&lt;br /&gt;Lembrei das palavras do profeta Isaías, aquelas que aparecem no começo de meu livro anterior. Vou&lt;br /&gt;transcrevê-las aqui da forma como estão escritas na Bíblia:&lt;br /&gt;61&lt;br /&gt;"... e das suas espadas forjarão relhas de arados,&lt;br /&gt;e das suas lanças, foices.&lt;br /&gt;Não levantará a espada uma nação contra outra nação,&lt;br /&gt;nem daí por diante se adestrarão mais para a guerra."&lt;br /&gt;Enquanto as chamas fundiam os metais, num ato simbólico de paz e irmandade, as pessoas&lt;br /&gt;cantavam canções. Muitas choravam de emoção.&lt;br /&gt;- Agora observem com atenção. Aqui aparece a melhor parte.&lt;br /&gt;No céu surgiram vários milhões de objetos luminosos que começaram a voar em círculos ao redor&lt;br /&gt;das fogueiras. As pessoas os saudavam com emoção e alegria. Algumas naves desceram e seus ocupantes&lt;br /&gt;saíram para reunir-se com aqueles que participavam daquele ato que bania para sempre a destruição e a&lt;br /&gt;violência da face daquele planeta.&lt;br /&gt;Atravéz de auto-falantes, os visitantes espaciais se apresentavam para as multidões: "Nós os&lt;br /&gt;saudamos, irmãos deste planeta. Este maravilhoso ato que vocês realizam hoje foi inspirado pelas forças&lt;br /&gt;construtivas do universo. Repercutiu no melhor de seus corações e impulsionou-os a lutar para salvar seu&lt;br /&gt;mundo. Vocês conseguiram superar o egoísmo, a ignorância, a desconfiança e a violência. Isto indica que&lt;br /&gt;alcançaram um bom nível para ingressar na Fraternidade Cósmica. Daqui em diante, não haverá mais&lt;br /&gt;sofrimento. Estamos aqui para oferecer-lhes toda a nossa bagagem de conhecimentos científicos e&lt;br /&gt;espirituais para que, dentro de muito pouco tempo, estejam organizados de acordo com a harmonia cósmica&lt;br /&gt;regida pelo Amor Universal...".&lt;br /&gt;As pessoas abraçavam-se, levantavam suas mãos às naves, com gestos maravilhados e felizes.&lt;br /&gt;Apesar de o espetáculo ser emocionante&lt;br /&gt;- Vinka chorava abertamente- consegui dominar os meus sentimentos e fiz uma pergunta:&lt;br /&gt;- Como é possível que essas pessoas não sintam medo diante da aparição das naves?&lt;br /&gt;- A resposta é muito simples -disse Ami, sorrindo-. Isso é devido a toda uma difusão de informações&lt;br /&gt;que nossos amigos, os missionários, realizaram previamente. Todos os grupos motivados pelo amor&lt;br /&gt;reconheciam nossa existência e ajuda. Todos eles profetizavam, segundo nossas mensagens, que uma vez&lt;br /&gt;que se produzisse a unidade e a eliminação das armas, apareceriam as naves de seus irmãos do espaço.&lt;br /&gt;Isso foi criando uma consciência universalista nesta humanidade. Por isso suas missões são importantes.&lt;br /&gt;Vinka, surpreendida pelo espetáculo fraternal que se desenrolava diante de seus olhos, expressou&lt;br /&gt;seu entusiasmo:&lt;br /&gt;- Gostaria de estar ali! Leve-nos, por favor...&lt;br /&gt;Ami começou a rir.&lt;br /&gt;- Você não sabe o que está pedindo. Estas imagens já foram registradas há tanto tempo que, nos&lt;br /&gt;momentos em que aconteceram estes fatos, o homem de seus mundos desconhecia a escrita.&lt;br /&gt;- Não pode ser...&lt;br /&gt;- É melhor que acreditem.&lt;br /&gt;- Por que você utilizou imagens tão antigas? Nenhum outro mundo se salvou desde aquela época?&lt;br /&gt;62&lt;br /&gt;A risada de Ami nos fez compreender que nos enganávamos.&lt;br /&gt;- A razão pela qual lhes mostrei este mundo é porque, aqui, as pessoas são muito parecidas com&lt;br /&gt;vocês. Assim tudo lhes pareceria mais familiar, mas posso mostrar-lhes o mesmo espetáculo em vários&lt;br /&gt;milhares de mundos desta galáxia e em todas as épocas.&lt;br /&gt;- De qualquer forma, eu gostaria de ir. Ver como evoluíram em tantos milênios -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Gostaria de poder levá-los, mas não temos tempo. Posso informar-lhes que este mundo, hoje, é&lt;br /&gt;muito parecido aos planetas civilizados que vocês conhecem. Existe só uma raça humana e...&lt;br /&gt;- Só uma raça? Aqui vejo várias...&lt;br /&gt;- Sim, mas com os anos foram misturando-se. Hoje é uma só: a que resultou da miscigenação de&lt;br /&gt;todas as demais.&lt;br /&gt;Vinka pareceu ficar triste.&lt;br /&gt;- Então... todas estas pessoas que vemos... estão mortas?&lt;br /&gt;O rosto alegre de Ami nos fez pressentir que não era assim.&lt;br /&gt;- Estão todos bem vivos e felizes.&lt;br /&gt;Nossos olhares exigiram dele uma explicação. Em Ofir, ele me disse que um senhor que aparentava&lt;br /&gt;sessenta anos tinha, na verdade, quase quinhentos, mas essas pessoas deveriam ter milhares...&lt;br /&gt;- Uma vez que um mundo ingressa na Fraternidade, toda a sua população permanece viva para&lt;br /&gt;sempre...&lt;br /&gt;Nossas bocas abertas fizeram Ami rir.&lt;br /&gt;- ... Desculpem-me se estou rindo, mas as suas caras... eu os compreendo. É uma surpresa muito&lt;br /&gt;grande, mas é verdade. Nossas descobertas no campo científico e espiritual permitem-nos deter o&lt;br /&gt;envelhecimento celular e, quando um mundo ingressa na Fraternidade, entregamos-lhes todo o nosso&lt;br /&gt;conhecimento.&lt;br /&gt;Não compreendi. Embora o homem de Ofir tivesse quinhentos, parecia mais velho que os demais,&lt;br /&gt;portanto havia um envelhecimento celular.&lt;br /&gt;- Por que, então, o homem de Ofir não parecia jovem?&lt;br /&gt;- Porque seu corpo não era tão jovem... -disse, com malícia.&lt;br /&gt;- Não compreendo...&lt;br /&gt;- Acontece que não são todos os que querem submeterse indefinidamente ao processo de interrupção&lt;br /&gt;do envelhecimento. Alguns evoluíram mais do que o resto de seus irmãos. Então, o mundo no qual vivem já&lt;br /&gt;lhes é "pequeno". Devem ir para mundos superiores mas, antes, precisam devolver o corpo que utilizaram.&lt;br /&gt;Não podem ir com ele para mundos superiores. Assim, deixam-no envelhecer até que não funcione mais...&lt;br /&gt;- Até morrer?&lt;br /&gt;- O corpo somente. Nos mundos da Fraternidade, as pessoas sabem como permanecer conscientes&lt;br /&gt;fora do corpo físico. Estão sempre com a consciência desperta. Assim passam do velho corpo ao novo, sem&lt;br /&gt;perder a consciência nem a memória... a vida eterna é uma realidade assegurada para aqueles que&lt;br /&gt;conseguem chegar a um mundo civilizado.&lt;br /&gt;- Assegurada?&lt;br /&gt;63&lt;br /&gt;- Bem, é questão de saber interpretar as Sagradas Escrituras de seus mundos. Ali se promete vida&lt;br /&gt;eterna para alguns...&lt;br /&gt;- Então... a morte...&lt;br /&gt;- A morte não existe em nenhum lugar. Você acha que Deus é tão mau para permitir uma coisa&lt;br /&gt;assim? Unicamente existem mudanças de estado. O espírito é eterno. Para as pessoas dos mundos&lt;br /&gt;incivilizados não lhes é concedido o direito de mudar de corpo, conservando a memória da vida anterior. Isso&lt;br /&gt;produz a "ilusão da morte", mas nos mundos civilizados todos se lembram de suas experiências passadas.&lt;br /&gt;Vinka escutava maravilhada.&lt;br /&gt;- Então vale a pena chegar num mundo superior.&lt;br /&gt;- É assim mesmo, mas repito: é preciso que isso seja conquistado. Nada se obtém sem esforço. Não&lt;br /&gt;se colhem ambroquinhas sem semear.&lt;br /&gt;- Que coisa é essa de ambroquinha?&lt;br /&gt;- Umas frutas muito gostosas do meu mundo...&lt;br /&gt;Lembrei-me de que em sua visita anterior, ele tinha prometido levar-me ao seu planeta.&lt;br /&gt;- A propósito...&lt;br /&gt;- Sim. A propósito -disse Vinka- lembre-se de que você prometeu levar-me a sua casa.&lt;br /&gt;- À minha casa? -fingiu surpresa-. Eu apenas disse que você conheceria o meu planeta. Só que não&lt;br /&gt;podem sair da nave nos mundos civilizados, por enquanto. Estamos indo justamente para lá, para Boneca&lt;br /&gt;Galática.&lt;br /&gt;- O que á Boneca Galática?&lt;br /&gt;- Assim se chama o planeta em que vivo. Logo chegaremos.&lt;br /&gt;- Que nome bonito! -exclamou Vinka.&lt;br /&gt;- Bem, pelo menos é mais agradável do que Kia ou Terra. Essas palavras não têm poesia.&lt;br /&gt;Perguntamos a ele se todos os mundos civilizados tinham um nome como aquele.&lt;br /&gt;- Quase todos, embora alguns queiram conservar os originais. Em geral, buscamos nomes poéticos&lt;br /&gt;para tudo: mundos, regiões, rios, montanhas, lagos, lugares, caminhos.&lt;br /&gt;- Em Kia, colocamos os sobrenomes dos heróis.&lt;br /&gt;- Guerreiros, você quer dizer -corrigiu Ami-. Como seus mundos são violentos e beligerantes... se&lt;br /&gt;vocês fossem mais evoluídos utilizariam nomes de artistas, cientistas e Mestres. Quando tiverem evoluído&lt;br /&gt;mais, procurarão imagens mais belas.&lt;br /&gt;Entusiasmada pelo que acabava de ouvir, Vinka disse:&lt;br /&gt;- Vamos, Pedrinho. Eu o convido a caminhar por estes campos. Vamos pela rua das aves azuis até a&lt;br /&gt;praça do espelho mágico...&lt;br /&gt;Segurou minha mão e me levou para a sala posterior da nave. Gostei da fantasia que ela propunha,&lt;br /&gt;mas não pude acompanhá-la no jogo. Minha imaginação não funciona bem quando existem outras pessoas&lt;br /&gt;presentes. A timidez me bloqueia.&lt;br /&gt;64&lt;br /&gt;- Se o que você tem a mostrar é bom para os demais, guarde no bolso a opinião alheia -disse Ami, da&lt;br /&gt;sala de comandos-. Aprenda a ser você mesmo, sem pedir licença. Trate de compreender o que significa&lt;br /&gt;um coração com asas... com asas.&lt;br /&gt;Vinka pareceu não gostar muito de que Ami se intrometesse em nossos jogos utilizando a telepatia.&lt;br /&gt;Por isso, fingiu falar atravéz de um alto-falante:&lt;br /&gt;- "Pedimos à tripulação que não interfira nas coisas íntimas dos outros membros da nave".&lt;br /&gt;- Você tem razão -disse Ami-. Nos mundos civilizados, não respeitar a intimidade das pessoas é um&lt;br /&gt;delito grave.&lt;br /&gt;Vinka encontrou nisso motivo para uma brincadeira.&lt;br /&gt;- Então, por que é que você não está preso?&lt;br /&gt;Ami respondeu, rindo:&lt;br /&gt;- Sinto muito. Tenho o grave defeito de captar pensamentos e vocês, como bons incivilizados, pensam&lt;br /&gt;num volume terrivelmente alto. É difícil não escutar o som de um aparelho de rádio a todo o volume.&lt;br /&gt;Acontece que vocês ainda não aprenderam a aquietar seus pensamentos. Se nós não o fizéssemos,&lt;br /&gt;imaginem a terrível cacofonia que teríamos que suportar, por sermos telepáticos! Por isso, quando vamos&lt;br /&gt;realizar trabalhos em seus mundos, preferimos transitar por zonas onde o "ruído" é menor.&lt;br /&gt;Aquilo me interessou muito, mas não quis contrariar Vinka. Evidentemente ela queria conversar a sós&lt;br /&gt;comigo. Por isso, perguntei mentalmente:&lt;br /&gt;- "Em quais zonas da Terra é menor o "ruído" dos pensamentos?&lt;br /&gt;- Existem, em seus mundos, pontos localizados em lugares que correspondem a zonas mais sutis do&lt;br /&gt;grande organismo chamado planeta...&lt;br /&gt;- "Não é igual em qualquer lugar?"&lt;br /&gt;- Uma célula do cabelo não é igual a uma do cérebro. Do mesmo jeito, existem lugares especiais&lt;br /&gt;também nos planetas. Nesses pontos, as radiações são mais sutis; portanto, as pessoas que habitam esses&lt;br /&gt;lugares são menos "brutalhentas"; por isso, é mais suportável para nós transitar nessas regiões.&lt;br /&gt;- Seria mais suportável se você nos deixasse conversar em paz -expressou Vinka.&lt;br /&gt;- Está bem, mas tentem não fazer muito "ruído" com seus pensamentos caóticos e emoções&lt;br /&gt;descontroladas.&lt;br /&gt;- "As emoções também fazem "ruído"? -perguntei mentalmente.&lt;br /&gt;- As emoções negativas ou descontroladas são a pior fonte de "ruído". Não direi mais nada... Vinka&lt;br /&gt;pode tentar tirar-me da nave -riu- apesar de que não terão muito tempo para suas telenovelas baratas. Já&lt;br /&gt;chegamos em Boneca Galática.&lt;br /&gt;Capítulo 15 - Boneca Galática&lt;br /&gt;Parecia um mundo de brinquedo, um povoado semelhante aos dos duendes de desenhos animados&lt;br /&gt;infantis. Muitas casas tinham forma de cogumelos de várias cores, outras eram esferas que flutuavam no ar,&lt;br /&gt;com janelinhas cheias de plantas e flores. Todos os habitantes que observei eram crianças. Absolutamente&lt;br /&gt;todos.&lt;br /&gt;- Não somos todos crianças, apesar de que gostamos de manter essa aparência. Acontece que,&lt;br /&gt;internamente, somos todos brincalhões, infantis no bom sentido. É por isso que nosso mundo se chama&lt;br /&gt;"Boneca", uma coisa que serve aos pequeninos.&lt;br /&gt;65&lt;br /&gt;- Eu pensava que os mundos civilizados eram iguais em tudo -disse.&lt;br /&gt;- Claro que não! Isso seria muito chato. Ao contrário, cada mundo se caracteriza por seu "estilo",&lt;br /&gt;dependendo dos gostos particulares de seus habitantes.&lt;br /&gt;- Veja isso! -exclamou Vinka, ao ver um veículo aéreo que passava por perto. Tinha a forma de uma&lt;br /&gt;fruta e estava pintado com desenhos: rostos de animaizinhos sorridentes, flores, estrelas e nuvens.&lt;br /&gt;- Nossos veículos não espaciais são feitos de acordo com a nossa fantasia. Se os vissem por dentro,&lt;br /&gt;ficariam loucos.&lt;br /&gt;- Por que esta nave não é assim?&lt;br /&gt;- Porque as naves espaciais devem ser construídas de acordo com as normas da Fraternidade. Isso&lt;br /&gt;se faz para evitar a desordem visual. Em algumas cidades e ruas de seus mundos se produz uma&lt;br /&gt;verdadeira "cacofonia ótica": um arranha-céu de aço e vidro ao lado de uma catedral medieval; letreiros, fios,&lt;br /&gt;postes... coisas que deixam um guarapodáctilo doente dos nervos...&lt;br /&gt;Não tivemos tempo de perguntar de que se tratava, porque um gigantesco animal branco já se&lt;br /&gt;aproximava de nós. Parecia um urso de pelúcia. Tinha o tamanho de um edifício...&lt;br /&gt;Ami, rindo, avisou-nos:&lt;br /&gt;- Não se preocupem; ainda que nos engula, é um brinquedo divertido.&lt;br /&gt;Exatamente. O "urso extraordinário" aproximou-se de nós, levantou a mão e segurou a nossa nave,&lt;br /&gt;sem tocá-la. Deve de ter sido atravéz de algum tipo de magnetismo Ami ria de nossa surpresa. Achamos&lt;br /&gt;que estávamos num parque de diversões, por esse motivo não sentimos medo, quando o urso nos engoliu e&lt;br /&gt;tudo ficou escuro.&lt;br /&gt;De repente, uma luz cor-de-rosa iluminou a sala de comandos. Em vez de vísceras, costelas ou o&lt;br /&gt;interior do estômago, surgiu um espetáculo fascinante: uma infinidade de personagens como os dos contos&lt;br /&gt;de fadas movimentavam-se por entre os cenários absolutamente fantásticos: bosques irreais, castelos&lt;br /&gt;enormes, paisagens maravilhosas. Não consegui saber se aqueles seres tinham vida ou se era uma espécie&lt;br /&gt;de filme. Talvez fossem bonecos mecânicos.&lt;br /&gt;- São persongens de antigos contos infantis. Isto foi filmado com pessoas fantasiadas e, agora,&lt;br /&gt;estamos vendo a projeção com o sistema tridimensional ou "hiper-real".&lt;br /&gt;Fomos descendo pelo interior do corpo do boneco. Mais abaixo tudo se tingiu de uma cor verde-clara&lt;br /&gt;muito bonita. Agora, a visão era ainda mais fantástica: por entre os cenários, em formas indefinidas,&lt;br /&gt;apareciam silhuetas e cores que se modificavam e alguns seres parecidos com fadas flutuavam. Seus&lt;br /&gt;corpos eram transparentes...&lt;br /&gt;- Isto é um filme de seres que habitam outros planos vibratórios, em outras dimensões. São fadas,&lt;br /&gt;gnomos, ondinas, sílfides e salamandras, entre outros.&lt;br /&gt;Vinka estava impressionada.&lt;br /&gt;- Então esses seres existem de verdade?...&lt;br /&gt;- Claro que existem. São tão reais como você, eu ou os tripping...&lt;br /&gt;Já não perguntávamos nada, quando Ami mencionava palavras estranhas. Compreendíamos que&lt;br /&gt;brincava, ainda que nem sempre tivéssemos certeza disso.&lt;br /&gt;- Agora, entraremos na última parte. Não precisam sentir medo.&lt;br /&gt;66&lt;br /&gt;Dessa vez, foi uma luz âmbar-topázio que inundou o interior da nave. Ao observar pelos vidros, vimos&lt;br /&gt;um desfile ainda mais incrível: os seres que o formavam tinham corpos acesos, corpos de fogo. Havia os de&lt;br /&gt;chamas vermelhas, violetas, amarelas, azuis, verdes e brancas. Tinham forma humana, ainda que sem&lt;br /&gt;traços definidos, já que eram pura chama, excetuando os olhos. Que olhos! Olhares fascinantes,&lt;br /&gt;penetrantes, cheios de ternura e força.&lt;br /&gt;Um dos seres nos olhou fixamente, aproximou-se de nossa nave e depois, o assombro: atravessou as&lt;br /&gt;janelas e entrou na sala de comandos. Pensei que tudo se queimaria, que se produziria um incêndio. Tive&lt;br /&gt;medo de que aquele ser de chamas vermelhas muito fortes pudesse me queimar...&lt;br /&gt;- Não temam -disse Ami, quando viu Vinka com os olhos muito abertos, contemplando aquele&lt;br /&gt;chamejante ser que dançava entre nós, iluminando o interior da nave com a cor de suas chamas-. Tudo é&lt;br /&gt;uma brincadeira -disse.&lt;br /&gt;O tipo esbraseado e vermelho saiu, atravessando as janelas. Outro, de cor amarela, entrou em nosso&lt;br /&gt;veículo e executou uma dança assombrosa.&lt;br /&gt;- Se vocês soubessem compreender a linguagem de seus movimentos, descobririam grandes&lt;br /&gt;verdades universais -explicou Ami.&lt;br /&gt;Quando o ser amarelo se retirou, outro se apresentou. Assim, todos aqueles personagens "acesos"&lt;br /&gt;foram passando um por um. Quando saiu o último, de cor branca, uma grande porta abriu-se. Saímos pelas&lt;br /&gt;costas do "urso gigante".&lt;br /&gt;Ami esperava feliz por nossas perguntas.&lt;br /&gt;- Quem eram esses seres?&lt;br /&gt;- Eles são os habitantes dos sóis. Mas, é claro que tudo foi um filme, uma projeção.&lt;br /&gt;- Não pode ser projeção. Eles estavam no interior da nave. Não havia nenhuma tela aqui...&lt;br /&gt;- Um raio de luz pode ser projetado através dos vidros...&lt;br /&gt;Não compreendemos o sistema, mas não tivemos outro remédio senão acreditar nas palavras de&lt;br /&gt;Ami.&lt;br /&gt;- Se algum deles tivesse realmente penetrado em nossa nave, teríamos nos derretido, desintegrado...&lt;br /&gt;- Eles têm uma temperatura muito elevada?&lt;br /&gt;- Não somente a temperatura, mas um nível vibratório insuportável para nós... Bem, agora vamos&lt;br /&gt;para a minha casa.&lt;br /&gt;A nave adquiriu uma velocidade incalculável. Em poucos segundos, chegamos perto de uma das&lt;br /&gt;extremidades daquele planeta. Tudo estava absolutamente nevado. A noite caía.&lt;br /&gt;- A minha casa está por ali, vejam!&lt;br /&gt;Observamos um povoado realmente encantador. Imediatamente me lembrei de um enfeite que&lt;br /&gt;tínhamos em minha casa: uma bola de cristal cheia de água. Em seu interior, havia uma casinha, uma&lt;br /&gt;paisagem campestre. Ao virá-la, começavam a cair pequenas partículas brancas parecidas a flocos de neve.&lt;br /&gt;Fora da nave, o espetáculo era bastante parecido. A neve caía em abundantes e silenciosos flocos. Tudo&lt;br /&gt;estava forrado de branco: árvores, colinas e casas. Estas últimas eram todas esféricas. Muitas não tocavam&lt;br /&gt;o chão, flutuavam vários metros acima. Tinham amplas janelas iluminadas por luzes interiores. Algumas&lt;br /&gt;eram completamente transparentes, feitas de um material semelhante ao vidro. Não vi cortinas. Compreendi&lt;br /&gt;que as grandes janelas podiam ser escurecidas ou iluminadas segundo a vontade de seus moradores. Em&lt;br /&gt;geral, podíamos observar toda a atividade do povoado através das janelas.&lt;br /&gt;- Não temos muito que esconder -disse Ami, sorridente.&lt;br /&gt;- Por aqui, as coisas não são de brinquedo -observou Vinka.&lt;br /&gt;67&lt;br /&gt;- É uma questão de estilos. Adotamos o tipo de construção mais adequado às características&lt;br /&gt;geográficas e climáticas. Os povoados que vocês viram anteriormente estão localizados nas zonas mais&lt;br /&gt;quentes. Povoados como aqueles não seriam compatíveis com nosso clima.&lt;br /&gt;Perguntei se os habitantes das regiões mais frias eram menos brincalhões que os das zonas quentes.&lt;br /&gt;- Nas regiões mais quentes, as pessoas têm mais inclinação para a alegria; nas mais frias, os jogos&lt;br /&gt;são mais calmos, porque tudo no universo é um jogo -cada um com seu estilo: os mundos, os povos, as&lt;br /&gt;instituições e as pessoas. Alguns se inclinam para jogos terríveis como nos mundos incivilizados e ficam&lt;br /&gt;longe do "Jogo de Deus"; outros, para jogos mais elevados, mais próximos da paz, do bem, do amor e&lt;br /&gt;aproximam-se do verdadeiro sentido do universo.&lt;br /&gt;Vinka ficou pensativa.&lt;br /&gt;- Nunca me disseram que Deus brinca. Pensava que Ele era muito sério. Cheio de amor, mas sério. E&lt;br /&gt;você fala do "Jogo de Deus". Que jogo é esse?&lt;br /&gt;- O universo é uma criação da imaginação de Deus. Isso é uma arte, uma espécie de jogo. As almas&lt;br /&gt;vão, através das vidas, aprendendo as "regras do jogo", até que conseguem captar seu verdadeiro sentido:&lt;br /&gt;a vida só tem um segredo, uma só fórmula que leva diretamente à felicidade.&lt;br /&gt;- Bom comportamento -eu disse, sem muito entusiasmo, lembrando os conselhos de minha avó.&lt;br /&gt;Ami e Vinka riram. Depois nosso amigo explicou:&lt;br /&gt;- "Bom comportamento" pode ser muitas coisas. Se você se refere a obedecer a regras e ordens, por&lt;br /&gt;medo ao castigo, isso não leva a nada. Existe, entretanto, um "bom comportamento" que leva infalivelmente&lt;br /&gt;à felicidade.&lt;br /&gt;- Então, diga de uma vez o que é -disse Vinka impaciente.&lt;br /&gt;- O único segredo, a única fórmula ou receita para ser feliz, consiste em viver com amor -disse Ami,&lt;br /&gt;levantando-se da poltrona de comando.&lt;br /&gt;- Parece que você já disse isso...&lt;br /&gt;- Claro que já disse. De uma forma ou de outra já foi dito. Já foi dito milhares de vezes. Todos os&lt;br /&gt;grandes Mestres de todos os mundos não falaram de outra coisa. Toda religião verdadeira o diz e, se não o&lt;br /&gt;diz, não é verdadeira, não está baseada na Lei Fundamental do universo. Não existe nada de novo no amor.&lt;br /&gt;É a coisa mais antiga do cosmos. Apesar disso, milhares e milhares de pessoas pensam que o amor é&lt;br /&gt;sentimentalismo e debilidade humana. Acham que falar de amor é coisa de bobos e que, se o ser humano&lt;br /&gt;tem algo bom, está do lado do intelecto e das teorias, da astúcia, do rendimento material ou da força bruta.&lt;br /&gt;São como um homem que se asfixia numa caverna e ri do ar puro. Por isso, tudo o que se diga a respeito da&lt;br /&gt;necessidade básica dos seres humanos -o amor- nunca será suficiente. Existem aqueles que não o&lt;br /&gt;ignoram, mas não o colocam em prática nas suas vidas, ou não o bastante; por isso, não conseguem obter&lt;br /&gt;a felicidade. Tudo o que se faça para lembrar às pessoas da necessidade básica do ser humano, das&lt;br /&gt;sociedades e dos mundos, será pouco.&lt;br /&gt;- Dos mundos?&lt;br /&gt;- Um mundo apenas sobreviverá se reconhecer no amor a sua salvação. Enquanto a humanidade de&lt;br /&gt;um planeta não considerar o amor como o fundamento de sua civilização, está correndo o perigo de se&lt;br /&gt;destruir, porque existe confusão e rivalidade. Isso está acontecendo em seus mundos. Daí, suas missões&lt;br /&gt;serem tão importantes. Na verdade, nesses momentos críticos, não existe trabalho mais sério que o de&lt;br /&gt;contribuir para salvar a humanidade.&lt;br /&gt;Capítulo 16 - Os pais de Ami&lt;br /&gt;Uma menininha sorridente de uns oito anos de idade apareceu numa tela e olhou-nos&lt;br /&gt;carinhosamente.&lt;br /&gt;68&lt;br /&gt;Ami murmurou umas palavras em seu idioma que parecia consistir unicamente de variações de&lt;br /&gt;sopros, cicios e sussurros muito suaves. A menina da tela respondeu da mesma forma. Pelo fone tradutor,&lt;br /&gt;chegou-nos o significado do diálogo:&lt;br /&gt;- Alô, mamãe -disse Ami, para nossa surpresa.&lt;br /&gt;- Que bom que você voltou, filho. Acabei de preparar um bolo de cereais. Venha com seus&lt;br /&gt;amiguinhos. De onde eles vêm?&lt;br /&gt;- Vêm de mundos incivilizados. Procuram adquirir o nível necessário para ingressar na Fraternidade.&lt;br /&gt;Participam do plano de ajuda. Esta é Vinka.&lt;br /&gt;- Alô, Vinka -saudou a menina que, pelo que parecia, era a mãe de Ami.&lt;br /&gt;- E este é Pedrinho.&lt;br /&gt;- Alô, Pedrinho. Hummm. Vejo que você e Vinka são almas gêmeas. Apesar disso, vêm de mundos&lt;br /&gt;diferentes. Como isso é possível, filho?&lt;br /&gt;- Participam da missão de ajuda aos dois planetas de onde eles vêm, mas são oiginários de mundos&lt;br /&gt;da Fraternidade.&lt;br /&gt;- Então, deve ser muito duro para eles ficarem separados. São tão jovens... -disse, olhando-nos com&lt;br /&gt;ternura. Era estranho ouvir uma menina dizendo isso.&lt;br /&gt;Ami observou sua mãe, em silêncio. Sabia que se comunicavam telepaticamente. A menina pareceu&lt;br /&gt;ter compreendido algo, porque disse:&lt;br /&gt;- Lutem, meninos. Lutem para levar a paz, a união e o amor a seus mundos. Terão muitas&lt;br /&gt;dificuldades e incompreensões, mas o maior poder do universo estará a seu lado. No final, a semente&lt;br /&gt;brotará, trazendo a paz e a união. Procurem lembrar-se de onde estão e a razão para estarem nesse lugar.&lt;br /&gt;Tentem recordar-se de onde vocês vêm. Evitem que suas almas se inclinem para o transitório. Em seus&lt;br /&gt;mundos reina a ilusão, a mentira. Mantenham-se no real, na verdade, no amor. Sejam inocentes como&lt;br /&gt;crianças, mas não incautos, senão precavidos. Deverão manter um difícil equilíbrio entre a inocência e a&lt;br /&gt;cautela, entre a paz e a autodefesa. Que a maldade não os faça perder seu espírito infantil, porque só assim&lt;br /&gt;poderão salvar a si mesmos e às suas humanidades. Que a sua natural inocência não os faça fechar os&lt;br /&gt;olhos à maldade que os rodeia, para que não sejam enganados e debilitados. Mantenham-se no equilíbrio&lt;br /&gt;salvador: "os pés na terra, o olhar no alto e o coração no amor". Esta é a fórmula.&lt;br /&gt;- Suficiente para hoje -disse Ami com bom humor-. Se você continua a dar-lhes conselhos, só&lt;br /&gt;conseguirá que esqueçam tudo. Não os intoxique com dados.&lt;br /&gt;- Estas crianças me entusiasmaram. É muito bonito poder servir a tantos milhões de almas que se&lt;br /&gt;encontram na escuridão. Têm um grande privilégio!&lt;br /&gt;- Sim, mas lembre-se dos mundos incivilizados: insetos, serpentes, aranhas e mambachas... não,&lt;br /&gt;estas pertencem a mundos pré-históricos. Recorde-se da tortura, dos fusis e das metralhadoras, da energia&lt;br /&gt;atômica destruindo seres humanos, violentando a natureza; da contaminação, dos que morrem de fome, dos&lt;br /&gt;adormecidos, dos grandes intelectuais ignorantes do amor.&lt;br /&gt;- E os térri -disse Vinka, com desagrado. Para ela, todo o mal da existência se resumia nesse povo.&lt;br /&gt;- Quem são os térri?&lt;br /&gt;- São os que freiam o processo evolutivo de Kia. Seres equivalentes aos térri existem em todos os&lt;br /&gt;planetas incivilizados -explicou Ami-. Apesar de que nem todos os térri são térri...&lt;br /&gt;- Sim. Já me lembro deles. Também de tudo o que você mencionou antes. Ainda assim, é&lt;br /&gt;maravilhoso dedicar uma encarnação ao serviço, onde se é tão necessário.&lt;br /&gt;69&lt;br /&gt;- Mas lembre-se de que, nessa encarnação de serviço, chega-se esquecido de tudo, inclusive da&lt;br /&gt;importância do amor. Além disso, quando crianças, eles recebem ensinamentos errados, maus hábitos,&lt;br /&gt;superstições. Tudo isso são obstáculos capazes de fazer as pessoas caírem no fundo do poço. É uma&lt;br /&gt;missão perigosa.&lt;br /&gt;- Você tem razão, filho. É uma missão perigosa se não se conta com a devida força, por isso vocês&lt;br /&gt;devem se cuidar muito. Ajam sempre guiados pelo amor e não poderão extraviar-se.&lt;br /&gt;Ami quis passar para outro assunto:&lt;br /&gt;- Bem, já conheceram minha mãe.&lt;br /&gt;Ela parece realmente uma menina mas, quando fala, percebe-se que não é... -expressou Vinka.&lt;br /&gt;- Não se deixem guiar pelas aparências. Querem conhecer meu pai?&lt;br /&gt;- Claro que sim -dissemos, esperando ver outro menino como Ami.&lt;br /&gt;- Quero ver se consigo localizá-lo pela tela. Você o tem visto ultimamente, mãe?&lt;br /&gt;- Sim, todas as noites comunica-se comigo. Está em Kyria experimentando um novo condensador de&lt;br /&gt;ondas cerebrais.&lt;br /&gt;- Então deve estar no laboratório. Meu pai é um cientista -explicou-nos.&lt;br /&gt;- Todos somos "cientistas" -corrigiu a mãe de nosso amigo-. Também vocês: praticam e estudam a&lt;br /&gt;ciência de viver.&lt;br /&gt;- Alô, papai -disse Ami a um homem que apareceu numa tela lateral. Pensamos que era uma piada,&lt;br /&gt;porque o indivíduo pertencia a uma espécie humana absolutamente diferente à de Ami e de sua mãe. Era&lt;br /&gt;uma adulto pálido e sem cabelos. Tinha um grande crânio e o olhar muito penetrante.&lt;br /&gt;- Como vai, filho? Humm... esses seus amiguinhos pertencem a mundos do terceiro nível. A menina,&lt;br /&gt;com certeza, é proveniente do segundo planeta de Borboleta Cristalina, o menino é do terceiro planeta de&lt;br /&gt;Águia Dourada.&lt;br /&gt;- Você tem razão, pai.&lt;br /&gt;- Meu mundo se chama Terra e o nosso sol não se chama Águia Dourada...&lt;br /&gt;- Na Fraternidade, nós catalogamos cada objeto celeste com um nome e com um código especial -&lt;br /&gt;explicou o pai de Ami.&lt;br /&gt;- Não confunda nossos amigos, velho. Minha mãe já os confundiu bastante.&lt;br /&gt;- Acho que não será um problema para eles saberem que cada objeto e cada ser humano estão&lt;br /&gt;catalogados com um código e um nome...&lt;br /&gt;Vinka não ocultou sua surpresa.&lt;br /&gt;- Cada ser humano!&lt;br /&gt;- Já lhes falei de um "computador gigante" localizado no centro da galáxia -disse Ami.&lt;br /&gt;- Sim, e você também disse que sabia tudo.&lt;br /&gt;- Algo assim. Uma outra razão pela qual a Fraternidade está sempre observando os mundos&lt;br /&gt;incivilizados consiste em colecionar dados para o "computador gigante".&lt;br /&gt;- Então, estamos todos "fichados" -deduzi.&lt;br /&gt;70&lt;br /&gt;- "Até os cabelos estão contados", mas isso não é uma vigilância estilo policial. É uma proteção. Nós&lt;br /&gt;os observamos como um irmão maior observa seu irmão menor.&lt;br /&gt;- Pensava que Deus fazia tudo -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Deus não faz nada -manifestou o pai de Ami.&lt;br /&gt;Achei esta declaração uma heresia. Ami se divertia observando nossas reações. Depois de rir um&lt;br /&gt;pouco, disse:&lt;br /&gt;- Se um lavrador deseja uma boa colheita, mas não semeia a terra, não a regra e nem a fertiliza, por&lt;br /&gt;mais que reze, obterá alguma colheita?&lt;br /&gt;- Bem, neste caso não; mas a gente sempre espera a ajuda de Deus...&lt;br /&gt;- Se você jogar uma pedra para cima, ela cairá, mesmo que peça a ajuda divina.&lt;br /&gt;O homem da tela interferiu:&lt;br /&gt;- Se você semeia flores, vai obter flores. Se semeia espinhos, vai obter espinhos.&lt;br /&gt;- Então -perguntei- o que Deus faz?&lt;br /&gt;O menino de Boneca Galática explicou:&lt;br /&gt;- Desenha todo o jogo cósmico, com as leis que o regem e coloca a energia fundamental -o seu&lt;br /&gt;Espírito de Amor- em todas as coisas e em todas as almas. Daí em diante, somos nós que atuamos e não&lt;br /&gt;Ele.&lt;br /&gt;- Por que Deus permite as guerras e a injustiça? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Não é Deus que permite -respondeu Ami.&lt;br /&gt;- Quem é então?&lt;br /&gt;- Vocês mesmos criam e permitem as guerras e a injustiça.&lt;br /&gt;Tentei buscar mil objeções para esta afirmação, mas não encontrei nenhuma. Ele tinha razão. Tantas&lt;br /&gt;vezes escutei em meu mundo esta pergunta. Alguns respondiam "castigo divino". A explicação de Ami me&lt;br /&gt;pareceu a mais certa, sobretudo depois de ter esclarecido que Deus não faz nada, que somos nós que&lt;br /&gt;devemos agir.&lt;br /&gt;Vinka perguntou algo que despertou a minha curiosidade:&lt;br /&gt;- Como é possível que ele seja seu pai? Vocês parecem pertencer a mundos diferentes.&lt;br /&gt;- Você tem razão. Eu nasci aqui, meu pai nasceu em Kyria.&lt;br /&gt;- Então, é um casamento entre seres de mundos diferentes.&lt;br /&gt;- Errado. O que observam em meu pai é sua nova encarnação. Pouco depois de meu nascimento, ele&lt;br /&gt;estava pronto para nascer em Kyria. Deixou o velho corpo, nasceu, cresceu e, agora, é um cientista. Nós&lt;br /&gt;estabelecemos contato como você pode ver. Desta vez meu pai é bastante mais jovem do que eu...&lt;br /&gt;- E do que eu -disse a mãe de Ami-. Ainda não me acostumei a vê-lo com essa aparência de Kyriano&lt;br /&gt;apesar de que, no fundo, seja o mesmo.&lt;br /&gt;Vinka perguntou se tinham se casado novamente com outras pessoas. Ambos, um em cada tela,&lt;br /&gt;estranharam muito a pergunta da menina. Olharam para o nosso amigo como que pedindo uma explicação.&lt;br /&gt;Este, como de costume, voltou a rir.&lt;br /&gt;71&lt;br /&gt;- Vocês se esquecem de que nos mundos inferiores é raro que os casamentos se realizem entre&lt;br /&gt;almas gêmeas. Por isso, lá, é muito normal se falar em separações, enganos, ou casar-se com várias&lt;br /&gt;pessoas durante a vida. Elas nem sequer sabem o que acontece quando duas almas complementares se&lt;br /&gt;encontram.&lt;br /&gt;- O que acontece neste caso? -perguntei.&lt;br /&gt;- Não podem unir-se a outras pessoas.&lt;br /&gt;- Por quê? Alguma lei proíbe?&lt;br /&gt;- Sim, a Lei do amor, mas não é algo imposto. É que simplesmente não se pode substituir a alma&lt;br /&gt;gêmea por nenhuma outra, no universo todo.&lt;br /&gt;Vinka me olhou. Estávamos plenamente de acordo.&lt;br /&gt;O pai de Ami olhou de sua tela para a outra, na que estava a imagem da mãe de nosso amigo.&lt;br /&gt;- A propósito, quando é que você vai aparecer em Kyria? Todos os dias estamos unidos em espírito,&lt;br /&gt;mas gostaria de estar também em forma física. Formar uma família, ter você a meu lado todo o tempo. -Sua&lt;br /&gt;voz era carinhosa e seu olhar irradiava ternura.&lt;br /&gt;- Você sabe que não quero nada mais que isto: estar de novo com você, mas ainda não consegui&lt;br /&gt;adaptar minha alma ao nível necessário para encarnar em Kyria. Se deixar este corpo agora, talvez não&lt;br /&gt;possa ficar ao seu lado, por isso estou constantemente praticando os exercícios que me permitirão chegar&lt;br /&gt;em Kyria. Acho que falta muito pouco, mas já deixei de me submeter ao rejuvenescimento celular. Devemos&lt;br /&gt;ter paciência.&lt;br /&gt;O diálogo continuou assim por alguns minutos. Ambos manifestavam seu amor de forma muito aberta&lt;br /&gt;e me senti constrangido por estar participando de uma conversa tão íntima. Olhei para o chão sentindo-me&lt;br /&gt;um intruso. Vinka estava tão maravilhada que lágrimas saltaram de seus olhos. Olhou-me e senti uma&lt;br /&gt;grande emoção. Compreendi os pais de Ami. Notei que algo muito sólido, maravilhoso e profundo também&lt;br /&gt;nos estava unindo.&lt;br /&gt;- Isso significa que são seres complementares -disse Ami, ao captar o que nos estava sucedendo.&lt;br /&gt;- O que você quer dizer? -perguntei.&lt;br /&gt;- Que ela tem o que falta em você e você o que falta nela. Unidos formam um ser humano completo.&lt;br /&gt;- O que é que eu proporciono à Vinka?&lt;br /&gt;- Você ativa nela o intelecto, ela conecta você com a emoção... o tempo acabou. Devemos ir.&lt;br /&gt;- Mas gostaríamos de conhecer seu mundo...&lt;br /&gt;- Já viram alguns lugares da sua parte exterior. Conheceram meus pais e meu povo. Lembrem-se de&lt;br /&gt;que sua gente os espera.&lt;br /&gt;- O que você quis dizer com "parte exterior"? Por acaso existe outra?&lt;br /&gt;Ami sorriu, depois disse:&lt;br /&gt;72&lt;br /&gt;- Na Terra, já viajam milhões de quilômetros em direção ao espaço, mas ainda não sabem o que&lt;br /&gt;acontece a poucos quilômetros debaixo de seus pés, dentro do planeta. A mesma coisa acontece com as&lt;br /&gt;pessoas: olham para fora delas mesmas e nunca para o seu interior. Sempre são "os outros" os culpados ou&lt;br /&gt;os causadores do que lhes acontece. Ignoram o ser interno. A este nunca prestam atenção; apesar disso, é&lt;br /&gt;ele quem vai tecendo os seus destinos. Outro dia lhes falarei sobre isso. Por enquanto, seus mundos estão&lt;br /&gt;a ponto de se arrebentarem para sempre. A salvação de seus planetas é prioridade número um. Quando&lt;br /&gt;tudo lá estiver bem, quando as crianças tiverem pão e não forem ameaçadas pela guerra, vocês terão&lt;br /&gt;tempo para penetrar nas profundidades do ser e dos cosmos, do espírito e da ciência. Por enquanto, o que&lt;br /&gt;já sabem é suficiente para construir um mundo mais humano. Negar esforços nesta luta, com qualquer&lt;br /&gt;desculpa, inclusive espiritual, tem algo de egoísmo e cumplicidade.&lt;br /&gt;O pai de Ami, prestando atenção às palavras de seu filho, interferiu:&lt;br /&gt;- Sim, porque "espiritual" refere-se ao ser interno que é todo amor e, como é amor, não permanece&lt;br /&gt;indiferente diante do sofrimento alheio.&lt;br /&gt;- Por isso, espiritualidade significa simplesmente amor. Nos mundos incivilizados isso não é tão óbvio.&lt;br /&gt;Muita gente pensa que espiritualidade significa complexos exercícios mentais e nada mais. Outros pensam&lt;br /&gt;que quer dizer retirar-se do mundo, castigar-se, purificar o corpo, viver rezando, ou ter alguma fé e nada&lt;br /&gt;mais. Quando não existe amor, tudo isso não vale nada. Se existe amor, este deve converter-se em ações&lt;br /&gt;de serviço desinteressado. Neste momento em que seus mundos correm o perigo de aniquilar-se, nenhum&lt;br /&gt;serviço pode ser mais útil que o de buscar a paz e a união.&lt;br /&gt;Senti-me bem por ter o privilégio de estar em outro mundo, recebendo ensinamentos por parte de&lt;br /&gt;seres extraterrestres, por conhecer a Lei Fundamental do universo e por ser um missionário prestando&lt;br /&gt;serviço à Terra. O fato de estar ali, conversando com esses seres, fez-me sentir como um deles, quase tão&lt;br /&gt;evoluído. Pensei no meu planeta, em meu primo e senti-me superior a ele. Pensava nisso quando Ami disse:&lt;br /&gt;- No caminho do aperfeiçoamento, o último inimigo a vencer é o mais astuto de todos. É difícil&lt;br /&gt;descobri-lo, porque se disfarça como esse animalzinho da Terra, como se chama? Um que adquire a cor do&lt;br /&gt;lugar onde está.&lt;br /&gt;- O camaleão -respondi.&lt;br /&gt;- Este mesmo. O último defeito é como o camaleão. Seu nome é orgulho espiritual ou ego espiritual.&lt;br /&gt;Ataca exatamente quem se sente muito avançado no caminho. É difícil descobri-lo, mas existe uma fórmula.&lt;br /&gt;- Qual é essa fórmula?&lt;br /&gt;- Cada vez que você se descobrir menosprezando alguém por pensar que tem "pouca evolução&lt;br /&gt;espiritual", aí está. O ego espiritual faz com que nos sintamos muito evoluídos. Sutilmente nos leva a&lt;br /&gt;desprezar os demais. Mas o amor não despreza ninguém e deseja servir a todos. Esta é a diferença .&lt;br /&gt;- Então, aqueles que têm muito ego espiritual são bastante desprezíveis -disse, lembrando-me de um&lt;br /&gt;colega do colégio que se julgava santo e criticava os que não iam muito à missa.&lt;br /&gt;Ami riu por causa do que eu disse. Sua mãe sorriu, olhando-me com um pouco de ternura, mas nem&lt;br /&gt;eu nem Vinka soubemos o que houve de cômico em minhas palavras. O pai de Ami observava com seu&lt;br /&gt;olhar luminoso, mostrando-me simpatia.&lt;br /&gt;Senti um pouco de vergonha.&lt;br /&gt;- Que disse de errado?&lt;br /&gt;- "São desprezíveis aqueles que desprezam". Isso é como dizer que se deve matar aqueles que&lt;br /&gt;matam, ou roubar aqueles que roubam; castigar com pobreza os pobres ou com ignorância os ignorantes...&lt;br /&gt;Não consegui compreender com clareza o que ele quis me dizer.&lt;br /&gt;73&lt;br /&gt;- Pedrinho, o amor não pode desprezar ninguém, nem sequer aqueles que têm vaidade espiritual. O&lt;br /&gt;amor é compreensivo. Procura servir e não condenar. Como um pai não condena seu filho por seus&lt;br /&gt;pequenos erros. A vaidade espiritual é simplesmente um dos degraus que se deve superar para se chegar&lt;br /&gt;às "setecentas medidas". Por outro lado, que parte sua é essa que despreza o ego espiritual dos demais?&lt;br /&gt;Não é exatamente seu próprio ego espiritual? Se em vez de condenar impurezas nos outros, você vê neles&lt;br /&gt;erros superáveis, então você está limpo; mas, enquanto tiver algo a condenar, estará sujo.&lt;br /&gt;Vinka protestou:&lt;br /&gt;- Mas os térri são realmente condenáveis. Nós, os swama, queremos viver em paz, mas eles, devido&lt;br /&gt;à sua ambição, violência e desonestidade, levaram Kia à beira da destruição. Isso é algo para aplaudir ou&lt;br /&gt;para condenar?&lt;br /&gt;- Os térri, assim como aqueles que têm vaidade espiritual, estão num processo de aperfeiçoamento,&lt;br /&gt;mais acima ou mais abaixo. Todos somos estudantes na escola da vida. Não é condenando os erros do&lt;br /&gt;passado que se constrói um mundo novo e, sim, propondo soluções novas, boas para todos e lutando por&lt;br /&gt;torná-las realidade. Foi assim que se conseguiu a salvação de todos os mundos que ingressaram na&lt;br /&gt;Fraternidade. Mas, para Vinka, talvez seja mais convincente eliminar os térri de Kia. Não é verdade,&lt;br /&gt;amiguinha? -perguntou rindo Ami. Ela se envergonhou ao compreender que nosso amigo conhecia seus&lt;br /&gt;pensamentos mais íntimos.&lt;br /&gt;- Essa é outra que deseja "olho por olho" -ria o menino das estrelas.&lt;br /&gt;Vinka se defendeu:&lt;br /&gt;- Enquanto existir um só térri, não poderemos construir um mundo em paz. Eles não o permitirão. Não&lt;br /&gt;se pode estabelecer um sistema baseado ne honestidade se existem pessoas desonestas.&lt;br /&gt;O menino extraterrestre achava graça da veemência de Vinka e isto lhe provocou admiração. Estava&lt;br /&gt;tão bonita assim zangadinha...&lt;br /&gt;- Kia está, assim como a Terra, a ponto de passar do terceiro ao quarto nível evolutivo -disse Ami.&lt;br /&gt;O pai dele interferiu:&lt;br /&gt;- Mundos do primeiro nível são os que não têm vida. Os do segundo nível têm vida, mas ainda não&lt;br /&gt;humana. No terceiro nível evolutivo, aparece o homem. Neste nível estão os seus mundos.&lt;br /&gt;- E qual é o quarto nível? -perguntei.&lt;br /&gt;- Nesses mundos, a espécie humana se uniu e formou uma grande família que vive de acordo com os&lt;br /&gt;princípios universais. Nem todos os mundos conseguem passar por esta prova. Alguns se destroem na&lt;br /&gt;tentativa.&lt;br /&gt;- Qual prova?&lt;br /&gt;- Aquela que cada humanidade deve superar para ingressar no quarto nível evolutivo. As provas são&lt;br /&gt;feitas para que alguns as superem e outros fracassem. É uma seleção.&lt;br /&gt;- O que tudo isso tem a ver com o que eu disse a respeito da impossibilidade de formar um mundo&lt;br /&gt;pacífico, com pessoas desonestas como os térri?&lt;br /&gt;- Cada vez que um planeta tenta passar de um nível para outro se produzem fenômenos que antes&lt;br /&gt;não se conheciam -explicou Ami-. É como se o mundo inteiro se sacudisse e se espreguiçasse. Isto gera&lt;br /&gt;energias e vibrações novas, mais finas e elevadas. Estas radiações têm um duplo efeito. Alguns&lt;br /&gt;enlouquecem. Aqueles que estão em níveis evolutivos mais baixos terminam cometendo erros mortais.&lt;br /&gt;Assim os seres negativos vão se auto-eliminando. Para outros, em troca, estas novas energias permitemlhes&lt;br /&gt;subir a um nível superior. É assim que os planetas se desapegam das criaturas que já não lhes são&lt;br /&gt;úteis nem convenientes à sua evolução. Como você pensa que os grandes répteis pré-históricos e as&lt;br /&gt;plantas carnívoras desapareceram de seu mundo? Isto aconteceu quando apareceu o ser humano, quando&lt;br /&gt;se passou do segundo para o terceiro nível evolutivo. A teoria diz que os mais fortes sobrevivem. Estes&lt;br /&gt;répteis eram os mais poderosos: apesar disso, desapareceram todos...&lt;br /&gt;74&lt;br /&gt;A explicação de Ami me deixou curioso.&lt;br /&gt;- Por que desapareceram? Eram os mais fortes...&lt;br /&gt;- Sim, em garras, músculos e presas. O ser humano, apesar de ser mais fraco fisicamente, é mais&lt;br /&gt;forte em inteligência. Sobreviveu o mais forte, o homem. Agora, o processo se repetirá, mas não será o&lt;br /&gt;músculo nem o intelecto o mais forte.&lt;br /&gt;- O que será então?&lt;br /&gt;- A força do espírito, o amor. Ao resto, acontecerá o mesmo que aos dinossauros... E, quando as&lt;br /&gt;forças pacíficas se unirem, construirão o poder mais sólido de seus mundos. Simplesmente porque não&lt;br /&gt;existe outro capaz de evitar o aniquilamento de suas civilizações. Não seja pessimista, Vinka. O amor&lt;br /&gt;triunfará, porque o amor é o maior poder do universo.&lt;br /&gt;Capítulo 17 - A revolta&lt;br /&gt;Despedimo-nos muito afetuosamente dos pais de Ami, para empreender viagem não sabíamos para&lt;br /&gt;onde.&lt;br /&gt;Quis conhecer a velocidade daquela nave, lembrando que a luz viaja a trezentos mil quilômetros por&lt;br /&gt;segundo.&lt;br /&gt;- A que distância da Terra está Ofir?&lt;br /&gt;- A uns oitocentos bilhões de quilômetros -respondeu Ami.&lt;br /&gt;Tentei buscar uma fórmula para calcular a velocidade. Naquela viajem, havíamos demorado uns dez&lt;br /&gt;minutos, mas me confundi completamente com essas cifras tão grandes.&lt;br /&gt;- Se você tenta calcular a velocidade em que nos movemos, perde seu tempo. Nós nos "situamos"&lt;br /&gt;instantaneamente.&lt;br /&gt;- Apesar disso, ainda que em poucos minutos, levamos algum tempo para ir de um lugar a outro. Por&lt;br /&gt;que você diz que não demoramos nada?&lt;br /&gt;- Não disse isso -respondeu rindo-. Mas sim, que nos "situamos" instantaneamente. O tempo que&lt;br /&gt;empregamos é utilizado pelos mecanismos desta nave em calcular a distância, a posição do lugar aonde&lt;br /&gt;queremos ir e a melhor forma de sair da dimensão "não espaço - não tempo" para depois aparecer no ponto&lt;br /&gt;desejado. Claro, tomando cuidado para não passar na rota de um meteorito. Ha, ha! É mais ou menos como&lt;br /&gt;descer de um carrossel para chegar mais rápido ao cavalo situado do outro lado. Você espera que venha e&lt;br /&gt;depois sobe. De qualquer forma, isto é ainda mais rápido...&lt;br /&gt;Vinka, mostrando pouco interesse no assunto, perguntou:&lt;br /&gt;- Para onde você nos leva agora, Ami?&lt;br /&gt;- Para sua casa, para Kia.&lt;br /&gt;- Tão rápido! -perguntou alarmada. Senti um peso no estômago. Aquilo tinha algo de patíbulo, de hora&lt;br /&gt;fatal. Em poucos minutos, perderia uma companhia tão querida... uma parte de mim mesmo. Senti como se&lt;br /&gt;fossem me cortar um braço. Estava como alguém que passou frio durante muito tempo e, de repente, é&lt;br /&gt;convidado para tomar um chocolate quente numa casa aconchegante, com lareira e tudo. Quando começa a&lt;br /&gt;desfrutar da situação, é posto para fora!... Não ia permitir.&lt;br /&gt;- Se Vinka ficar em Kia, eu também fico! -disse. Estava mesmo decidido a não me separar dela.&lt;br /&gt;Minha crise só serviu para provocar muito riso em nosso amigo.&lt;br /&gt;Utilizou um tom paternalista de que eu não gostei nada:&lt;br /&gt;75&lt;br /&gt;- Pedrinho e Vinka, devem ir-se acostumando ao desapego. A vida não é como nós queremos,&lt;br /&gt;conforme nosso eu superficial deseja e, sim, de acordo com nosso ser interno que está em perfeita&lt;br /&gt;harmonia com Deus.&lt;br /&gt;- Em mim existe um só eu: eu! -concluí desafiante-. Não vou separar-me de Vinka só porque um&lt;br /&gt;menininho menor do que eu me ordena. Você pode ser grande em outro mundo, grande piloto de naves&lt;br /&gt;espaciais, mas é menor do que eu. Eu mando em minha vida e eu fico com Vinka. E se eu não ficar em Kia,&lt;br /&gt;ela virá comigo para a Terra. Não é verdade, Vinka?&lt;br /&gt;- Verdade, Pedro -disse, com muita força-. É isso mesmo! Continuaremos juntos e nenhum menininho&lt;br /&gt;de mamadeira vai impedir-nos...&lt;br /&gt;Olhou-nos com olhos grandes e serenos. Em seus lábios se insinuou um sorriso. Disse depois:&lt;br /&gt;- Pensei que os térri estavam em Kia...&lt;br /&gt;Aquilo nos paralisou. Imediatamente compreendemos que estávamos agindo como os térri. Isso não&lt;br /&gt;era possível. Quando aliviei a tensão, olhei com vergonha para o chão. Pouco depois levantei os olhos.&lt;br /&gt;Ami já não era Ami. Tinha se transformado num ser luminoso, de uma pureza maravilhosa.&lt;br /&gt;Senti-me sujo, inseto e micróbio. Baixei o olhar, incapaz de suportar a força daqueles olhos cheios de&lt;br /&gt;luz. Ami tinha se transfigurado, tinha tirado a máscara que o fazia parecer um menino normal, mostrando o&lt;br /&gt;verdadeiro Ami: um ser resplandecente, divino talvez...&lt;br /&gt;Vinka soluçava a meu lado. Ela também não foi capaz de levantar a vista. Tinha acontecido com ela o&lt;br /&gt;mesmo que a mim.&lt;br /&gt;- Por que você nunca se mostrou como era realmente? -perguntei. Olhava para o chão, procurando&lt;br /&gt;em vão justificar a minha indigna atitude.&lt;br /&gt;A risada de Ami diminuiu o tom dramático da situação.&lt;br /&gt;- Não sei de que você está falando. Olhe-me. Diga se vê algo estranho em mim.&lt;br /&gt;Lentamente e com grande temor, levantamos o olhar. Ali estava ele, sorrindo com naturalidade. Já&lt;br /&gt;não era aquele menino resplandecente. Era simplesmente Ami, o nosso amiguinho espacial. Mas já não era&lt;br /&gt;o mesmo. Ainda permanecia a lembrança do "outro", aquele ser de características extraordinárias.&lt;br /&gt;Vinka tentou ajoelhar-se diante dele.&lt;br /&gt;- Cuidado com idolatria! -exclamou rindo, enquanto a impedia de cometer tal pecado.&lt;br /&gt;- Só podemos nos ajoelhar diante de Deus, nunca diante de um irmão, ainda que seja maior. E como&lt;br /&gt;Deus não é visível aos olhos, somente na intimidade, na solidão da comunicação interior, na meditação ou&lt;br /&gt;na oração, podemos ajoelharnos diante de sua presença invisível. Venham. Quero que conheçam outro&lt;br /&gt;recinto desta nave. Ali poderão comunicar-se com a Divindade Suprema.&lt;br /&gt;Guiou-nos até uma porta. Abriu-a. Era corrediça. A sala estava na penumbra, havia uma única luz&lt;br /&gt;muito pequena que brilhava no fundo. Entramos.&lt;br /&gt;- Todas as nossas naves têm salas como estas, pequenas ou grandes. Depende da quantidade de&lt;br /&gt;pessoas para as quais a nave tenha sido construída.&lt;br /&gt;Ami fechou a porta. Quando me acostumei à penumbra, observei quatro cadeiras apoiadas no chão&lt;br /&gt;por uma fina coluna, duas em cada lado da sala. No fundo, diante da pequena luz, avistei uma espécie de&lt;br /&gt;almofada comprida. Pareceu-me estar numa capela.&lt;br /&gt;A voz de Ami adquiriu um tom mais solene:&lt;br /&gt;76&lt;br /&gt;- Podem ajoelhar no fundo. Se preferirem, podem permanecer sentados numa cadeira. Aqui&lt;br /&gt;meditamos ou oramos. O primeiro é melhor. Na oração somos dois. Na meditação somos um com a&lt;br /&gt;Divindade. Fundimo-nos nela.&lt;br /&gt;Preferimos ajoelhar-nos. Acho que precisávamos disso. Quando nos instalamos na almofada, Ami&lt;br /&gt;acionou alguma coisa. O recinto iluminou-se suavemente com as cores mais maravilhosas que se possa&lt;br /&gt;imaginar: uma enorme variedade de tons rosados, dourados, lilases e violetas dançavam nas paredes,&lt;br /&gt;misturando-se. Tive a impressão de estar em outra dimensão. Vinka observava com um sorriso de encanto&lt;br /&gt;nos lábios. Pouco a pouco, a influência das cores me fez sentir um pouco estranho, veio-me um desejo de&lt;br /&gt;me refugiar dentro de mim mesmo, de fechar os olhos e entregar-me a uma Presença que comecei a sentir:&lt;br /&gt;algo muito grande e belo. Não soube se dentro ou fora de mim...&lt;br /&gt;Talvez o último pensamento que tive foi o de perceber que estava numa nave cósmica, fora do&lt;br /&gt;espaço e do tempo, perdido no universo mas, ao mesmo tempo, no centro dele, porque estava me&lt;br /&gt;comunicando com o coração da Criação. Mais adiante, não foram pensamentos que encheram a minha&lt;br /&gt;consciência, foram vivências que não passavam por meu intelecto, mas que chegaram diretamente no mais&lt;br /&gt;profundo de meu ser. Já não estava pensando, mas vivendo intensamente aquela experiência.&lt;br /&gt;Uma luz dourada me envolveu. Esta luz era um ser. Senti-me grande, cada vez maior, infinito,&lt;br /&gt;eterno... pura felicidade consciente. Nenhuma pergunta veio à minha mente, porque eu tinha todas as&lt;br /&gt;respostas...&lt;br /&gt;Hoje não me lembro bem mas, naquele momento, eu sabia de tudo, do passado, do presente e do&lt;br /&gt;futuro: o meu e o do universo. Mais que isso: eu era o centro do cosmos. Estava no comando. De mim&lt;br /&gt;irradiavam as galáxias e as almas. Depois voltavam numa espécie de ritmo, de pulsação que parecia ser a&lt;br /&gt;minha respiração. No entanto, eu estava muito além disso. No meu centro, havia uma grande quietude cheia&lt;br /&gt;de felicidade, plenitude e sabedoria. Ali estava a minha paz... é muito difícil descrever, mas soube que tudo&lt;br /&gt;estava bem em todos os lugares, tudo perfeito, tudo maravilhoso. Inclusive o sofrimento, visto por outro&lt;br /&gt;prisma, estava bem: era ensinamento, purificação, conseqüência do erro, fortalecimento. Pude compreender&lt;br /&gt;que o sofrimento é causado pelo esquecimento, o esquecimento... de quê? Não soube a resposta. Minha&lt;br /&gt;consciência estava voltando a seu nível normal. Entrou em jogo meu intelecto comum com suas perguntas.&lt;br /&gt;Aí perdi as respostas...&lt;br /&gt;O esquecimento de quê? Senti meu corpo, meus joelhos pesados sobre a almofada. Uma parte&lt;br /&gt;minha não queria voltar a esse pequeno corpo, mas a outra me impulsionava a fazê-lo. Queria deixar de&lt;br /&gt;estar ali e voltar "ao comando", a esse ponto central cheio de sabedoria ilimitada, para obter a resposta. O&lt;br /&gt;sofrimento é causado pelo esquecimento de... de quê?&lt;br /&gt;Conseguia, por instantes, repetir a experiência, mas uma força me tirava dali, devolvendo-me à nave&lt;br /&gt;e ao meu corpo pesado.&lt;br /&gt;"Lembre-se de sua missão", parecia dizer uma voz. "Sua missão é embaixo". Eu sabia, mas não&lt;br /&gt;queria lembrar. Rebelava-me. Queria subir. "Para subir é necessário primeiro descer", dizia a voz interior.&lt;br /&gt;Não conseguia lembrar qual era o esquecimento que produzia o sofrimento.&lt;br /&gt;- O esquecimento do verdadeiro eu, do ser interior -disse Ami, junto a mim.&lt;br /&gt;Era a resposta de que necessitava. Isso conseguiu fazer com que eu voltasse definitivamente à nave&lt;br /&gt;e ao meu corpo.&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, maravilhosas cores haviam desaparecido. Unicamente permanecia a pequena&lt;br /&gt;luz diante de meus olhos. Vinka me esperava de pé ao lado do menino das estrelas, com os olhos úmidos&lt;br /&gt;de emoção.&lt;br /&gt;Pouco a pouco, fui me adaptando à minha realidade e à minha ignorância habitual, com meus erros&lt;br /&gt;de sempre.&lt;br /&gt;77&lt;br /&gt;- O esquecimento do ser interior -disse eu, tentando reter o sentido destas palavras que começavam a&lt;br /&gt;perder o significado para mim.&lt;br /&gt;- Esta é a causa que nos faz cometer erros -disse Ami-. Depois, pagamos nossos erros com&lt;br /&gt;sofrimento.&lt;br /&gt;- Não compreendo... qual é meu ser interior?&lt;br /&gt;- A Divindade -respondeu, ajudando-me a levantar.&lt;br /&gt;Enquanto saíamos daquela capela espacial, tentei lembrar o que havia vivido, o ponto central da&lt;br /&gt;felicidade e sabedoria ilimitadas.&lt;br /&gt;- Isso mesmo. Tente não esquecer jamais. Este é o ser interior. Se você pudesse agir, usando&lt;br /&gt;sempre essa parte de você mesmo, não cometeria erros, portanto, não sofreria.&lt;br /&gt;- Você tem razão, Ami. Experimentei algo onde eu era pura sabedoria.&lt;br /&gt;- Onde eu era puro amor -disse Vinka, com emoção.&lt;br /&gt;- Sabedoria e amor. Estão vendo? Por isso são um casal complementar. Cada um de vocês manifesta&lt;br /&gt;uma parte da Divindade.&lt;br /&gt;Ami dirigiu-se aos controles da nave.&lt;br /&gt;- Olhem. Já estamos chegando em Kia. Espero que não fiquem mais revoltados. Ha,ha,ha!...&lt;br /&gt;Suas palavras fizeram-nos lembrar do ser resplandecente.&lt;br /&gt;- Explique-nos, por favor, como se produziu a sua mudança?&lt;br /&gt;- A maior mudança se produziu em vocês. Conseguiram ver, durante um instante, as coisas como&lt;br /&gt;são, além das aparências. Todos somos algo mais do que aparentamos, todos somos seres luminosos.&lt;br /&gt;Mas, somente em certos momentos, podemos captar a nossa verdadeira dimensão ou a dos demais. Como&lt;br /&gt;estavam agindo muito mal, seus seres interiores lhes fizeram ver que procediam de forma errada. Vocês&lt;br /&gt;somente queriam defender seu amor, não se separarem. O amor é uma das maiores causas de violência...&lt;br /&gt;Vinka e eu nos olhamos confusos diante de uma afirmação aparentemente absurda.&lt;br /&gt;- Por amor, a loba vira uma fera diante de quem pode atacar seu filhote. Por amor aos seus, os&lt;br /&gt;homens costumam ser cruéis e egoístas para com os demais. Por esse tipo de amor, surgem guerras e por&lt;br /&gt;elas seus mundos estão em perigo.&lt;br /&gt;- É um falso amor -disse eu, pensando ter compreendido.&lt;br /&gt;- Não é falso: é amor, num grau menor. Nós o chamamos apego. Por apego se rouba, se mente e se&lt;br /&gt;mata. Querer sobreviver é uma forma de amor, mas somente amor para com sigo mesmo, para com o&lt;br /&gt;pequeno grupo familiar, para com o grupo ao qual cada um pertence. Lamentavelmente, essa batalha,&lt;br /&gt;travada por muitos, é que os leva a perder a própria vida... estas são as conseqüências do apego&lt;br /&gt;exagerado.&lt;br /&gt;- Você tem razão, Ami -disse Vinka, pensativa-. Acho mesmo que os térri agem motivados por este&lt;br /&gt;tipo de amor e não por maldade.&lt;br /&gt;- Excelente, Vinka! É essa compreensão que pode mudar as coisas.&lt;br /&gt;- Lamentavelmente, a luta entre os térri wacos e os térri zumbos colocou em perigo um povo, os&lt;br /&gt;swama.&lt;br /&gt;- Existe um só povo em Kia: aquele que é formado pelos térri e swamas. Esse é seu povo.&lt;br /&gt;78&lt;br /&gt;Para Vinka, essa idéia era nova demais. Eu a compreendi.&lt;br /&gt;- É natural que se incline pelos swanas: é seu povo...&lt;br /&gt;- Outra vez o amor inferior, o apego. O próprio grupo contra os demais. O apego é amor limitado, mas&lt;br /&gt;o verdadeiro amor não tem limites. Até agora, os povos de seus mundos sobreviveram por meio do apego.&lt;br /&gt;Agora, tentam passar do terceiro ao quarto nível evolutivo. Se querem sobreviver, devem deixar o apego de&lt;br /&gt;lado e guiar-se pelo verdadeiro amor. De outro modo se destruirão sem remédio. Esta é a Lei Universal. O&lt;br /&gt;apego funciona mais ou menos bem nos mundos divididos, mas somente enquanto essa divisão não coloca&lt;br /&gt;em perigo a humanidade inteira, enquanto o nível científico não é muito alto. Depois, como no caso de seus&lt;br /&gt;mundos, ou deixam de lado o egoísmo ou se destroem. Não é possível construir um mundo justo e pacífico,&lt;br /&gt;sem renunciar a esse amor desequilibrado e egoísta que é o apego.&lt;br /&gt;- Por que é desequilibrado?&lt;br /&gt;- Porque há dois tipos de amor: para consigo mesmo e para com os demais. É como a respiração: o&lt;br /&gt;ar vem e vai. Quando existe apego, inspira-se mais do que se expira: "tudo para mim", para minha família,&lt;br /&gt;para o meu grupo; menos para os demais. Isso não é equilíbrio.&lt;br /&gt;- Ama ao próximo como a ti mesmo -disse, repetindo uma das aulas de religião.&lt;br /&gt;- Isso foi dito pelo Justo. Como é que você sabe? -perguntou Vinka.&lt;br /&gt;- Quem é o Justo? -perguntei.&lt;br /&gt;- Um grande Mestre da história de Kia.&lt;br /&gt;- Esta é uma Lei Universal, é o que estou tentando explicar-lhes. É o verdadeiro amor, o equilibrado.&lt;br /&gt;Sempre na mesma medida, para que não haja desequilíbrio.&lt;br /&gt;Perguntei o que acontece quando existe mais amor para com os demais e menos para consigo&lt;br /&gt;mesmo.&lt;br /&gt;- Também aí existe desequilíbrio. É como soprar todo o ar sem inspirar. Em poucos minutos, você fica&lt;br /&gt;duro...&lt;br /&gt;- Equilíbrio parece ser uma palavra muito importante -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Ame os térri tanto quanto os swama -expressou Ami, sorrindo.&lt;br /&gt;- Tentarei. Realmente tentarei.&lt;br /&gt;Os controles indicavam que a nave não era visível para os olhos dos habitantes de Kia. Nós nos&lt;br /&gt;encontrávamos suspensos nos arredores de uma cidade muito parecida a qualquer uma da Terra. Não quis&lt;br /&gt;observar. Aproximava-se o momento da separação. "Quem sabe até quando", pensei com tristeza, com o&lt;br /&gt;peito oprimido.&lt;br /&gt;- Até que você termine o próximo livro -disse Ami-. Poderia chamar-se "Ami volta de novo".&lt;br /&gt;- Você pode ter muitos conhecimentos e poderes -disse eu- mas pelo visto, a gramática não é o seu&lt;br /&gt;forte.&lt;br /&gt;- Por quê, Pedrinho?&lt;br /&gt;- Porque, se você diz "volta", não precisa dizer "de novo". Isso já está subentendido. É suficiente dizer,&lt;br /&gt;por exemplo: "A Volta de Ami".&lt;br /&gt;- Você tem razão. A linguagem não é o meu forte. Isso é porque nós praticamente não a utilizamos.&lt;br /&gt;Preferimos a telepatia. É mais segura e exata.&lt;br /&gt;- Mas você conversava com seus pais...&lt;br /&gt;79&lt;br /&gt;- Sim, por cortesia a vocês. Quando chega uma visita que não fala nosso idioma, devemos utilizar a&lt;br /&gt;linguagem da visita, se é que a conhecemos.&lt;br /&gt;Hoje, não sei como me recordo desses detalhes da conversa porque, na época, a minha atenção&lt;br /&gt;estava colocada na triste despedida. Mas, à medida que vou ditando para Victor, as lembranças chegam:&lt;br /&gt;Ami disse que estaria me ajudando telepaticamente...&lt;br /&gt;Capítulo 18 - Armas caras&lt;br /&gt;- Esperam-na lá embaixo, Vinka. É a sua família -disse Ami.&lt;br /&gt;- Minha família me importa menos que Pedrinho -disse, enquanto nos segurávamos as mãos.&lt;br /&gt;- Não me refiro à sua pequena família, mas à grande: a humanidade de Kia. Lembre-se de sua&lt;br /&gt;missão, do compromisso que firmou antes de vir a este mundo. Se pessoas como você não divulgam as&lt;br /&gt;boas notícias a respeito de nossa presença em um plano cósmico e divino, motivado pelo amor, continuarão&lt;br /&gt;pensando que somos monstros invasores e nós sofremos, porque a nossa presença vai provocar terror e&lt;br /&gt;infartos. E se ninguém contribui para semear amor, como evitarão a destruição?&lt;br /&gt;- Você tem razão, Ami, mas meu novo laço com Pedrinho...&lt;br /&gt;- Não é novo: é eterno. Vocês têm a eternidade para realizá-lo. Por enquanto, devem cumprir com&lt;br /&gt;seus compromissos; mais tarde voltarão a ver-se.&lt;br /&gt;- Em outra encarnação, com certeza -disse, bastante pessimista e deprimido.&lt;br /&gt;- Já lhes disse que quando tiverem escrito o próximo livro. Ou pensam que sou mentiroso?&lt;br /&gt;Nós nos olhamos com um brilho no olhar.&lt;br /&gt;- De verdade?&lt;br /&gt;- Claro. Um dia vou buscar você. Viremos até Kia, pegaremos Vinka e iremos conhecer coisas das&lt;br /&gt;quais nem sequer suspeitam...&lt;br /&gt;- Que coisas? Diga, por favor -disse Vinka impaciente.&lt;br /&gt;- Bem, conhecerão um planeta habitado em seu exterior por uma civilização do terceiro nível, assim&lt;br /&gt;como na Terra ou Kia e, por dentro, uma civilização do quarto nível. A primeira não sabe que a segunda&lt;br /&gt;existe...&lt;br /&gt;- Que fantástico! -As promessas de Ami nos faziam esquecer a separação que deveríamos suportar.&lt;br /&gt;- Que mais você vai nos mostrar?&lt;br /&gt;- Uma civilização debaixo do mar. Também um mundo artificial, construído por seres humanos. Isso é&lt;br /&gt;algo que nem imaginam.&lt;br /&gt;Nossas bocas abertas provocaram o riso de nosso anfitrião.&lt;br /&gt;- Existem milhões desses mundos pelo universo. Essa é a forma superior de civilização. São, na&lt;br /&gt;verdade, gigantescas naves...&lt;br /&gt;Depois de meditar um pouco, disse:&lt;br /&gt;- Pensava que viver em contacto com a natureza era uma forma superior de civilização; mas você diz&lt;br /&gt;que algo artificial é...&lt;br /&gt;80&lt;br /&gt;- Tudo o que o ser humano cria ou realiza em harmonia com a Lei do amor é natural. Quando o&lt;br /&gt;homem atua em hamonia com os princípios eternos, o universo inteiro é seu patrimônio e pode dispor dele&lt;br /&gt;para sua felicidade, utilizando toda a imaginação e tecnologia de que seja capaz. Isso acontece também&lt;br /&gt;com cada pessoa: o que a alma imagina, ela pode e deve realizar, com esforço, constância e fé... Mas vocês&lt;br /&gt;nem sequer sonham em eliminar as armas que pagam com fome e sofrimento. Sabem quanto dinheiro se&lt;br /&gt;gasta em seus mundos, com armas, em apenas quinze dias?&lt;br /&gt;- Não tenho a mínima idéia -respondi.&lt;br /&gt;- Dinheiro suficiente para alimentar a metade da população mundial durante... sabem quanto tempo?&lt;br /&gt;Tentei calcular. Quinze dias se gasta em armas o dinheiro suficiente para alimentar a metade das&lt;br /&gt;pessoas da Terra durante uns... bem... tantas bocas. Não soube.&lt;br /&gt;- Penso que durante um tempo igual. Se não se gastasse dinheiro com armas durante quinze dias,&lt;br /&gt;poderiam comer durante esse tempo... Se não gastasse dinheiro com armas ninguém passaria fome! -disse&lt;br /&gt;Vinka.&lt;br /&gt;- Você se engana. Em quinze dias vocês gastam dinheiro suficiente para alimentar a metade da&lt;br /&gt;população mundial durante dez anos!... Somente em gastos de guerra.&lt;br /&gt;- Não pode ser! -dissemos alarmados e indignados.- Somente em armas?&lt;br /&gt;- Em tudo o que significa guerra: armas, invenções de novas armas, artefatos de guerra e tudo isso. É&lt;br /&gt;ainda mais, porque muitos dos grandes gastos, disfarçados de "projetos científicos", estão destinados, no&lt;br /&gt;final, a tentar dominar o inimigo. Se não gastassem dinheiro em armas, não haveria ninguém com fome.&lt;br /&gt;Viveriam todos como ricos, todos! Ninguém passaria fome ou frio. Os hospitais seriam suficientes e&lt;br /&gt;cômodos. Não existiriam países pobres e países ricos. Todos seriam como reis. Além disso, poderiam&lt;br /&gt;dormir em paz, sem temer um futuro horrível para seus filhos.&lt;br /&gt;- Então, vou propor que meu país não tenha armas -disse Vinka.&lt;br /&gt;- Isso ainda não pode ser. A solução consiste em que todos os países, de comum acordo, decidam&lt;br /&gt;unir-se pacificamente. Para isso é necessário ir mostrando esse grande ideal. Que seja um sonho que&lt;br /&gt;cresce e cresce ainda que, por enquanto, existam obstáculos. Os países ricos alimentam-se dos países&lt;br /&gt;pobres e...&lt;br /&gt;- Deus não pode continuar permitindo algo tão ruim -disse Vinka, com fervor.&lt;br /&gt;- Basta de dizer que Deus fará as coisas! Deus é amor. O amor habita em seus corações. Este amor&lt;br /&gt;é que se encarregará de tentar endireitar seus mundos, mas vocês mesmos devem fazê-lo e pelos maios&lt;br /&gt;mais pacíficos. Trata-se mais de ensinar do que impor; de tentar mostrar um caminho para que, depois,&lt;br /&gt;pacificamente e de comum acordo, todos o sigam. Não é questão de esperar que Deus ou outros o façam e,&lt;br /&gt;sim, de atuar. Esperando, a única coisa que pode acontecer é que vai chegar alguém que apertará o botão...&lt;br /&gt;- E se isso acontecer, vocês não o paralisariam com um raio, para que não apertasse o botão?&lt;br /&gt;- Se vocês o permitirem, vocês o merecerão. Nós não podemos interferir. Somente podemos resgatar&lt;br /&gt;os pacíficos: unicamente aqueles que servem, aqueles que tentam fazer algo para difundir e irradiar&lt;br /&gt;unidade, paz e amor. Nestes momentos críticos, estas são as maiores necessidades.&lt;br /&gt;- Então, trabalhar em outra coisa, como aumentar a quantidade de alimentos, por exemplo, não é útil?&lt;br /&gt;- Tudo é necessário, mas tudo tem seu momento. Se seu filho está com fome, a primeira coisa que&lt;br /&gt;você deve fazer é procurar-lhe alimento mas, se além de ter fome, está a ponto de cair num precipício, qual&lt;br /&gt;é a primeira coisa que você deve fazer? Alimentá-lo ou salvá-lo do precipício?&lt;br /&gt;- Salvá-lo do precipício, claro.&lt;br /&gt;81&lt;br /&gt;- Assim estão as coisas em seus mundos. A criança precisa de alimento e agasalho. Também&lt;br /&gt;necessita de cultura, arte, ambiente agradável, atendimento médico, comodidade, sabedoria, afeto. Mas, se&lt;br /&gt;está a ponto de morrer, a primeira coisa de que precisa é que lhe salvem a vida. Quando a sua vida não&lt;br /&gt;estiver correndo perigo, poderão oferecer maravilhas a ela.&lt;br /&gt;- Que possibilidades existem de que "a criança" não morra? -perguntei, sabendo que se estava&lt;br /&gt;falando da humanidade.&lt;br /&gt;- Depende de vocês mesmos. Prossigamos com o exemplo da criança no precipício: vamos supor&lt;br /&gt;que seus três irmãozinhos consigam tocar nas suas roupas, mas não têm força suficiente para segurá-la.&lt;br /&gt;Que devem fazer?&lt;br /&gt;- Bem, pedir ajuda, chamar os pais, os outros irmãos...&lt;br /&gt;- Seus livros servem para isso. Falam da atenção e da ajuda. Mas, se alguma das três crianças se&lt;br /&gt;desanima e diz que tudo está perdido e se afasta, o que acontecerá?&lt;br /&gt;- Talvez os outros dois se cansem, a criança escorregue e...&lt;br /&gt;- Por isso, quanto mais pessoas se retirarem desse trabalho, maiores serão as possibilidades de um&lt;br /&gt;desastre... Talvez a sua participação é que inclinará a balança para um ou outro lado. Talvez o seu mundo&lt;br /&gt;dependa de você, você que está lendo este livro: da sua ação dependerá a sorte do seu planeta.&lt;br /&gt;(Ami nos pediu que escrevêssemos estas últimas palavras em nosso livro, exatamente assim. Disse&lt;br /&gt;que isso era um reflexo de um sistema superior. Não compreendi, mas escrevi exatamente como ele&lt;br /&gt;solicitou: como um chamado ao leitor).&lt;br /&gt;- Vocês estão com fome? -perguntou Ami.&lt;br /&gt;Aquilo nos pareceu quase um insulto: estávamos cheios de melancolia.&lt;br /&gt;- Então precisam de uma "carga de baterias". Venham. Sentem-se.&lt;br /&gt;Na base do nosso pescoço, colocou o aparelho que produzia o efeito das oito horas de sono, em&lt;br /&gt;somente quinze segundos. Quando acordei, estava tudo bem. Não havia tristeza em mim. Mas, pouco a&lt;br /&gt;pouco, fui me lembrando da separação, apesar de agora já não me afetava tanto.&lt;br /&gt;- Quando os vir novamente, eu lhes contarei a respeito de muitas coisas.&lt;br /&gt;Vinka me olhou com uma terna tristeza.&lt;br /&gt;Depois olhou para Ami e disse:&lt;br /&gt;- O principal motivo para eu esperar o seu regresso, não são os novos conhecimentos ou as visitas a&lt;br /&gt;outros mundos, mas voltar a ver Pedrinho. -Veio até mim e demos as mãos.&lt;br /&gt;- Vocês fazem muito "barulho" -disse Ami, levantando-se-. Vou meditar uns minutos para aliviar a&lt;br /&gt;cabeça. Vocês dispõem desse tempo para se despedirem sem se lamentar, sem rasgar as roupas, sem&lt;br /&gt;arranhar o chão e sem se revoltar. Depois de toda essa bobagem inútil, Vinka desce e Pedrinho volta para a&lt;br /&gt;Terra. -E fechou-se no recinto para meditar.&lt;br /&gt;Apesar da tristeza, não conseguimos deixar de sorrir ao ouvir as palavras de Ami...&lt;br /&gt;A Despedida&lt;br /&gt;82&lt;br /&gt;Esta última parte é muito íntima e triste para mim. Prefiro não entrar em detalhes. Desculpem-me.&lt;br /&gt;Peço sua compreensão. Se estes livros fossem lidos somente por nós, as crianças, não haveria problema. A&lt;br /&gt;gente nunca sabe quando pode aparecer um adulto perdido nas sombras, acordado em horas&lt;br /&gt;inconvenientes que vem criticar a possibilidade de que existam seres extraterrestres bons e pacíficos com a&lt;br /&gt;intenção de lutar por um mundo unido, justo e pacífico. Se lhes é dito que o amor é a Lei Fundamental do&lt;br /&gt;universo, dobram-se de tanto rir. É preferível não falar de coisas profundas perto deles, como a verdade e os&lt;br /&gt;sentimentos. Um antigo provérbio chinês que li num livro de Victor, não sei se me lembro bem, dizia mais ou&lt;br /&gt;menos assim:&lt;br /&gt;"Quando se fala de amor a um adulto,&lt;br /&gt;ele dá gargalhadas.&lt;br /&gt;E se não dá gargalhadas&lt;br /&gt;é porque não se falou do verdadeiro amor."&lt;br /&gt;Vinka foi embora. Eu me senti só, apesar de que, à noite, antes de dormir, fecho os olhos, acalmo a&lt;br /&gt;minha mente. Depois de alguns minutos, parece que ela entra em mim. Bem, coisas de crianças...&lt;br /&gt;Durante a viagem de regresso a Terra, Ami quis me mostrar imagens do passado: Jesus em ação,&lt;br /&gt;Júlio César e não me lembro de que mais. Inclusive, procurou me seduzir com visões de mim mesmo,&lt;br /&gt;quando era bebê, mas nada me interessou. Fechei-me na sala de meditação. Permaneci ali até que Ami foi&lt;br /&gt;me buscar.&lt;br /&gt;- Já chegamos no mundo que estamos preparando para acolher os resgatados, no caso de produzirse&lt;br /&gt;a destruição da Terra. Venha ver.&lt;br /&gt;Mais por educação que por curiosidade, fui olhar. Estávamos sobre a praia do balneário. Amanhecia.&lt;br /&gt;- Isto é a Terra! -exclamei, sem compreender.&lt;br /&gt;- Claro. Este é o planeta que acolherá os sobreviventes.&lt;br /&gt;- Mas... eu pensei que seria outro mundo...&lt;br /&gt;- E será outro mundo: em paz, justiça e amor. Se a destruição se produzir, nós evitaremos que seja&lt;br /&gt;total. Resgataremos aqueles que merecem, antes de se produzirem as grandes tragédias. Depois,&lt;br /&gt;limparemos o planeta de toda contaminação e impureza. E instalaremos ali os resgatados, para que possam&lt;br /&gt;construir um mundo marailhoso. Entretanto é preferível que isso aconteça sem nenhuma destruição...&lt;br /&gt;- Você disse que estavam preparando outro planeta para este caso...&lt;br /&gt;- Não disse outro. Falei de um mundo, mas não disse seu nome. É este. Os trabalhos geológicos que&lt;br /&gt;você presenciou também fazem parte desta preparação que estamos efetuando. Levante esse ânimo! Não&lt;br /&gt;haverá destruição total do planeta Terra.&lt;br /&gt;Aquilo nem me alegrou, nem me entristeceu: pensava somente em Vinka.&lt;br /&gt;Ami tentava parecer otimista para me contagiar com seu bom humor.&lt;br /&gt;- Então, na próxima viagem, vou mostrar-lhe essa imagem: Pedrinho com fraldas! Imagine como&lt;br /&gt;Vinka vai dar risada!&lt;br /&gt;Pedi que desculpasse o meu desânimo. Ele disse que isso era pura bobagem, que já ia passar, mas&lt;br /&gt;que me compreendia.&lt;br /&gt;A porta se abriu, apareceu a luz amarela. Nós nos abraçamos com muita força. Disse adeus. Entrei&lt;br /&gt;no resplendor que me levaria à praia.&lt;br /&gt;- Adeus, não: até logo. -Escutei a sua voz alentadora, enquanto descia.&lt;br /&gt;83&lt;br /&gt;Como da vez anterior, cheguei na areia e olhei para cima e não havia nada no céu. O "ovni" estava&lt;br /&gt;invisível. Neste momento, escutei uma grande barulheira na barraca de Victor.&lt;br /&gt;- Que diabos está acontecendo?... Ahhhhh!&lt;br /&gt;Meu primo apareceu pela abertura e saiu correndo desesperadamente. Um pouco adiante parou.&lt;br /&gt;Aquilo me fez voltar rapidamente à realidade.&lt;br /&gt;- Que aconteceu, Victor?&lt;br /&gt;- Pedro, lá dentro tem um enorme... -coçou a cabeça.&lt;br /&gt;- Que é, Victor?&lt;br /&gt;- Um... elefante.&lt;br /&gt;- Quê? Um elefante?! isso é impossível. Nessa barraquinha?&lt;br /&gt;- Mas está aí. É enorme. De repente, acordei e senti a sua imensa pata em cima do meu peito. Por&lt;br /&gt;sorte, consegui escapar...&lt;br /&gt;Compreendi o que havia acontecido: Ami utilizou hipnose à distância para brincar com Victor e me&lt;br /&gt;fazer sair da tristeza. Conseguiu, um pouco. Bem decidido entrei na barraca.&lt;br /&gt;- Cuidado! Não faça isso!&lt;br /&gt;Levantei a abertura da entrada: a barraca estava vazia.&lt;br /&gt;- Veja, aqui não tem nada. -Meu primo estava perplexo.&lt;br /&gt;- Mmmm mas...&lt;br /&gt;- Você estava sonhando.&lt;br /&gt;Acendemos um fogo e preparamos o café da manhã.&lt;br /&gt;- Por que você está tão estranho, tão triste? -perguntou-me. Ali mesmo, tive a idéia de como encerrar&lt;br /&gt;tal assunto para sempre.&lt;br /&gt;- É que fui ver a pedra...&lt;br /&gt;- Quando?&lt;br /&gt;- Antes que você acordasse. Por isso você me viu fora da barraca. Vinha voltando.&lt;br /&gt;- Você é um desobediente!... Bom, e aí?&lt;br /&gt;- Por que você pensa que estou triste?&lt;br /&gt;Que pensasse o que quisesse. Já não precisava convencer ninguém a respeito da realidade da&lt;br /&gt;existência de Ami. Minha própria fé seria suficiente dali em diante.&lt;br /&gt;- Viu? Não lhe disse? Foi um sonho.&lt;br /&gt;- Do mesmo jeito que seu elefante?&lt;br /&gt;- Isso! Isso mesmo. Existem sonhos que parecem reais, mas são somente sonhos. Não é bom&lt;br /&gt;confundir imaginação com realidade.&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;84&lt;br /&gt;"Não é bom confundir imaginação com realidade". Apesar disso, Ami disse: "Cada um vive no&lt;br /&gt;universo que é capaz de imaginar". Também me ensinou: "O que sua alma imagina, você pode e deve&lt;br /&gt;realizar, com esforço, constância e fé.&lt;br /&gt;Em vez de acreditar num mundo regido pelas armas, acredito num mundo regido pelo amor. Se&lt;br /&gt;somos muitos os que sonhamos o mesmo sonho, isto será realidade um dia...&lt;br /&gt;Deixemos os adultos com as suas armas e suas "fraudes". Nós, as crianças de coração, seremos&lt;br /&gt;como o besouro, esse bichinho gordo, pesado e de asas curtas. De acordo com as regras da aerodinâmica,&lt;br /&gt;não pode voar. "Cientificamente comprovado", mas como desconhece a opinião dos cientistas, ele vai e&lt;br /&gt;levanta vôo imprudentemente. E o faz como a melhor das abelhas...&lt;br /&gt;Uma boa quantidade de "besouros" e a "criança" não cairá no precipício. Pelo menos, não na minha&lt;br /&gt;história.&lt;br /&gt;Conclusão da Conclusão&lt;br /&gt;(É preciso colocar nomes em tudo...)&lt;br /&gt;Numa praia não muito distante, existe uma pedra enorme. No alto dessa pedra, um estranho poder&lt;br /&gt;gravou um coração alado. Diz-se que somente poderão encontrá-lo aqueles que têm alma limpa.&lt;br /&gt;Lamentavelmente, somente algumas crianças conseguiram localizá-lo, porque elas, além de serem mais&lt;br /&gt;leves e ágeis, são mais puras. Como essa pedra é o ponto de partida para um mundo maravilhoso (que é&lt;br /&gt;maravilhoso justamente pelo fato de que seus habitantes estão sempre fazendo com que ele seja&lt;br /&gt;maravilhoso mesmo), não se pode correr o risco de admitir que uma pessoa joge sujo e limpo ao mesmo&lt;br /&gt;tempo ou que adormeça e joge sujo também, porque isso provocaria a destruição deste nosso maravilhoso&lt;br /&gt;mundo.&lt;br /&gt;Conclusão da Conclusão da Conclusão&lt;br /&gt;Contam que um velhinho de olhar brincalhão conseguiu subir na pedra. Então, o povo do lugar&lt;br /&gt;observou estranhas luzes no céu noturno. No dia seguinte, viram-no partir rejuvenescido rumo a uma&lt;br /&gt;sombria e problemática cidade. Com seu passo decidido e alegre afastou-se murmurando algo a respeito de&lt;br /&gt;salvar uma criança...&lt;br /&gt;Fim?...&lt;br /&gt;Enquanto a humanidade continuar dividida&lt;br /&gt;vivendo em injustiça&lt;br /&gt;com a espada na mão&lt;br /&gt;destruindo a sua herança&lt;br /&gt;e distanciada do amor...&lt;br /&gt;Não!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-7691349940020679737?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/7691349940020679737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=7691349940020679737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7691349940020679737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7691349940020679737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/07/o-retorno-de-ami.html' title='O RETORNO DE AMI'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-2759972267595425968</id><published>2011-07-03T04:18:00.000-07:00</published><updated>2011-07-03T04:18:59.463-07:00</updated><title type='text'>Trailer da 1º Mensagem do ET Bilu para a Terra 2011 - 1º Message from ET...</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/Wy26JGKzFb0?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-2759972267595425968?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/2759972267595425968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=2759972267595425968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/2759972267595425968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/2759972267595425968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/07/trailer-da-1-mensagem-do-et-bilu-para.html' title='Trailer da 1º Mensagem do ET Bilu para a Terra 2011 - 1º Message from ET...'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Wy26JGKzFb0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-6817121735147267228</id><published>2011-05-31T08:44:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T08:48:21.658-07:00</updated><title type='text'>TRABALHO DE CAMPO DE MINAS GERAIS</title><content type='html'>-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&gt;                TRABALHO DE CAMPO DE MINAS GERAIS&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; Sexta feira, eu Charles e Arideson fizemos um trabalho com o Ura para gerar&lt;br /&gt;&gt; frequência de contato com o Bilu: fomos até a mata em uma trilha e pegamos&lt;br /&gt;&gt; as instruções para o dia seguinte; depois fomos dormir cedo porque o frio era de&lt;br /&gt;&gt; lascar. Na parte de manhã fiz uma pequena palestra e passei uns exercícios&lt;br /&gt;&gt; energéticos para não deixarmos o padrão cair no nosso dia a dia, já que o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; emocional não cuidado faz com que a gente comece a esquecer  como somos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; privelegiados por estes amigos das estrelas.&lt;br /&gt;&gt; Quem  tem um amigo que se desmaterializa e vai te socorrer nas pequenas&lt;br /&gt;&gt; coisas? Quem tem um amigo que te dá conselhos para mudar seu futuro e não&lt;br /&gt;&gt; morrer de um provável acidente? Quem tem um amigo que te ensina a ser uma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; pessoa melhor para a sua vida e ajudar a vida de outros? E mesmo com tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; isso as pessoas que desprezam estes amigos e se voltam para o seu egoísmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; chato, antigo e arcaico! Por isto o emocional tem que ser cuidado - para&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; darmos um salto rumo a um estado melhor de vida para nós e para os outros.&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&gt; No sábado, na parte da manhã, fomos fazer a linha da vida no papel 27 minutos,&lt;br /&gt;&gt; dividido em 3 partes. Depois, almoço e um pequeno descanço. A partir das 14&lt;br /&gt;&gt; horas até as 17 horas, atividade física para aumentar a carga elétrica para&lt;br /&gt;&gt; suportarmos o encontro com os nossos parceiros - esta atividade iria gerar&lt;br /&gt;&gt; carga elétrica em nossos corpos por até 9 horas: andar para trás, bater&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; penaltes, disputar corrida, caminhada, etc, tudo dentro das contições de cada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; um; enquanto isto, em um campinho no meio da mata, o Urandir, os seus filhos e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; uns pernas de paus estavam se mantando em uma partida de futebol, que mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; parecia o filme dos espartanos (300): o Ura perdeu a unha do pé para vcs terem&lt;br /&gt;&gt; noção! Eu me juntei a eles para dar um toque de equilíbrio ao time do Ura,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; haahhaa, na verdade eu estava com medo de perder os dentes jogando contra o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; Ura e quis jogar ao lado dele - perdemos feio, claro! Às 17:54 hs acabou a partida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; e o Ura pediu para juntarmos todos e irmos para para este campinho, que era&lt;br /&gt;&gt; no final da trilha dentro da mata, um lugar muito especial, pois os trabalhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; tinham que começar cedo. Fomos até aonde estavam todos no campo principal&lt;br /&gt;&gt; e fizemos uma grande roda. O Ura pediu para eu contar todo mundo que estava&lt;br /&gt;&gt; lá - comecei a contar e quando estava no numero 109  as pessoas de n° s106 e 107&lt;br /&gt;&gt; sairam do seu lugar, atrapalhando toda a contagem. Então, pedi a Maria Tereza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; para contar, enquanto eles iram para a trilha - o Aridelson iria na frente e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; eu seria o último. 173 pessoas, contando com o Ura e os filhos dele,  passaram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  na trilha na minha frente e o Alex foi levar a uma chave para&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; o Alan. Eu fui com a Taty, namorada do Alex, seguindo na trilha pq estava sem&lt;br /&gt;&gt; a lanterna;  de repente, o Bilu se manifestou e pediu para o Ura voltar e ir&lt;br /&gt;&gt; para um ponto porque iria começar a gincana do Bilu. Eu falei: Bilu, ilumina o&lt;br /&gt;&gt; caminho para mim? E ele falou: não, Charles, porque vc está sem lanterna? Vc&lt;br /&gt;&gt; sabe que não pode esquecer estas coisas que são básicas.&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&gt; Bom, chegamos ao campinho, onde os homens tinham que ficar em uma das traves e as&lt;br /&gt;&gt; mulheres em outra, todos sentados no chão. Eu e Aridelson começamos a gerar a&lt;br /&gt;&gt; frequência do Bilu:&lt;br /&gt;  - Bilu, aonde vc está?&lt;br /&gt;&gt; - Charles, estou aqui.&lt;br /&gt;&gt; - Bilu, estamos prontos.&lt;br /&gt;&gt; - Antes vcs tem que fazer a contagem de todos de novo.&lt;br /&gt;&gt; - Beleza, Bilu vou fazer...&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&gt; 1-2-3 -106? 106? cento e seis? Gritei bem alto pensando que a pessoa desse n°estaria sem&lt;br /&gt;&gt; escutar e nada. Fui, então, para o 107 e nada, também; do 108&lt;br /&gt;&gt; em diante todos responderam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; - Bilu, o 106 e o 107 não respoderam.&lt;br /&gt;&gt; - Vcs tem que dar um jeito, pois não pode faltar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; Eu perguntei de novo com o megafone a todos os pulmões e nada, eles não&lt;br /&gt;&gt; respondiam e nem o n° 105 sabia responder quem era o 106 e o 107.&lt;br /&gt;&gt; O Bilu pediu para eu e o Aridelço corrermos no outro lado do campo para&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; ver se achavamos alguma coisa de diferente e nada.&lt;br /&gt;&gt; - Bilu não vi nada de diferente.&lt;br /&gt;&gt; - Temos um enigma: aonde estão estas pessoas?&lt;br /&gt;&gt; - Vcs tem que dar conta, faz parte do seus treinamentos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; - Oque vcs acham que aconteceu? Estas pessoas estão escondidas na mata? Não&lt;br /&gt;&gt; escutaram? Ou foram embora?&lt;br /&gt;&gt; - Eu acho, Bilu, que elas estão aqui e não escutaram a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; - O que vc acha, Tato? Tato acha que eles estão errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; Bom, neste momento o Bilu pergunta para todos quem perdeu a lanterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; Responde a Perpétua:&lt;br /&gt;  - Fui eu, Bilu.&lt;br /&gt;&gt; - Ha, aonde vc perdeu a lanterna, Perpétua?&lt;br /&gt;&gt; - Na ponte, ela caiu no córrego, Bilu.&lt;br /&gt;&gt; - Ha, no rio? Então Bilu não vai buscar! rsrs&lt;br /&gt;&gt; - Busca, Bilu - falou alguém.&lt;br /&gt;&gt; - Ha, Perpétua, vc me dá muito trabalho. Eu vou rápido buscar a sua lanterna.&lt;br /&gt;&gt; Uma luz estorou e o Bilu se foi; de repente toca uma música tipo de celular e&lt;br /&gt;&gt; Bilu fala:&lt;br /&gt;&gt; -Perpétua, eu gostei desta lanterna; acho que vou ficar com ela - deu uma risada&lt;br /&gt;&gt; e pediu a Perpétua para vir buscar a lanterna na mão dele. A Perpétua foi e&lt;br /&gt;&gt; ele veio ao encontro dela no campinho. Ele estava bem pequeno, eu estava bem perto&lt;br /&gt;&gt; deles; ele entregou a lanterna à Perpétua, depois tomou dela, pediu a ela para ficar de&lt;br /&gt;&gt; costas e levantar a lanterna, perguntou a ela quantos metros ela tinha, ela&lt;br /&gt;&gt; falou que tinha 1,50m. Bilu falou que ele tinha 1,40m,&lt;br /&gt;&gt; então ela era 10 centimetros mais alta que ele. Atrás da Perpétua,  que estava de costas,&lt;br /&gt;&gt; ele cresceu e pegou a lanterna por cima dela e saiu correndo para a mata, deu umas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; risadas e entregou a ela a lanterna e pediu a para ela ativar todos com um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt; tapinha na mão de todos. Depois, ele falou que iria começar a gincana do&lt;br /&gt;&gt; Bilu, só que todos estavam muitos empolgados em fazer perguntas para ele.&lt;br /&gt;&gt; Então, ele resolveu mudar a gincana para matar a curiosidade de todos: apareceu&lt;br /&gt;&gt; de um lado, depois foi para o outro lado, desapareceu, voltou, respondeu às&lt;br /&gt;&gt; perguntas de todos, fez um show, pediu para enchermos as barriquitas e depois&lt;br /&gt;&gt; voltar. Jantamos e Bilu voltou a falar: disse que os dois n°s que faltavam eram seres&lt;br /&gt;&gt; extra-sol (cópias idênticas de nós mesmos, por isto não reparamos), falou muitas&lt;br /&gt;&gt; coisas e mandou a gente passar na trilha, voltando de 19 em 19 pessoas. E o&lt;br /&gt;&gt; Tato conversou com todos. Tato disse que eu e o Aridelson subimos dois&lt;br /&gt;&gt; degraus na escala evolutiva e todos subiram um degrau. Foi ótimo este&lt;br /&gt;&gt; trabalho de campo.&lt;br /&gt;     No final, falei com o Tato que foi um prazer participar desse&lt;br /&gt;trabalho com vcs. E o Tato&lt;br /&gt;&gt;  respondeu: foi uma honra estar com vocês!&lt;br /&gt;  Quero agradecer o pessoal do Rio de Janeiro, do Espírito&lt;br /&gt;&gt; Santo, de Brasília que compareceram ao nosso trabalho de campo, aos filhos do Urandir,&lt;br /&gt;  ao Urandir ,que é um cara que não tem nem como agradecer por tudo&lt;br /&gt;que ele fez por todos nós,&lt;br /&gt;  e a todos de Minas que foram demais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-6817121735147267228?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/6817121735147267228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=6817121735147267228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/6817121735147267228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/6817121735147267228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/05/trabalho-de-campo-de-minas-gerais.html' title='TRABALHO DE CAMPO DE MINAS GERAIS'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-446326748630495214</id><published>2011-05-09T11:21:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T11:25:38.562-07:00</updated><title type='text'>AMI O MENINO DAS ESTRELAS</title><content type='html'>Ami&lt;br /&gt;O menino das estrelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     É difícil aos dez anos de idade escrever um livro. Nesta idade ninguém entende muito de literatura... nem se interessa demais; mas eu vou ter que fazer isso, porque Ami disse que se eu o quisesse ver novamente deveria relatar em um livro o que  eu vivi a seu lado.&lt;br /&gt;     Ele me advertiu que entre os adultos, muito poucos me entenderiam, porque para eles era mais fácil acreditar no terrível do que no maravilhoso.&lt;br /&gt;     Para evitar problemas ele me recomendou que dissesse que tudo era uma fantasia, uma história para crianças.&lt;br /&gt;     Eu vou obedecer-lhe ISTO É UMA HISTÓRIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Advertência&lt;br /&gt;(destinada somente para adultos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não continue lendo, você não vai gostar, daqui em diante é maravilhoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destinado às crianças de qualquer nação desta redonda e bela pátria, esses futuros herdeiros e construtores de uma nova Terra sem divisões entre irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando juntos se hão de reunir os povos,&lt;br /&gt;e os reinos&lt;br /&gt;para servir ao Senhor."&lt;br /&gt;(Salmo 101:23)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...e das suas espadas forjarão relhas de arados,&lt;br /&gt;e das suas lanças, foices.&lt;br /&gt;Não levantará a espada uma nação contra outra nação,&lt;br /&gt;Nem daí por diante se adestrarão mais para a guerra."&lt;br /&gt;(Isaías 2:4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'...e os meus escolhidos herdarão&lt;br /&gt;esta terra,&lt;br /&gt;e os meus servos habitarão nela."&lt;br /&gt;(Isaías 65:9)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira Parte&lt;br /&gt;Capítulo 1&lt;br /&gt;O primeiro encontro&lt;br /&gt;     Tudo começou numa tarde do verão passado, numa praia que vou quase todos os anos com a minha avó.&lt;br /&gt;     Desta vez conseguimos uma casinha de madeira. Havia muitos pinheiros e boldos do Chile no quintal e, na frente, um jardim cheio de flores. Estava perto do mar, num caminho que leva até a praia.&lt;br /&gt;     Iam ficando poucas pessoas porque o verão já estava terminando. Minha avó gosta de tirar férias nos primeiros dias de março; ela diz que é mais tranqüilo e mais barato.&lt;br /&gt;     Começou a escurecer; eu estava sentado numas pedras altas perto de uma praia solitária, contemplando o mar. De repente, vi no céu uma luz vermelha em cima de mim. Pensei que eram fogos de artifício, desses que se soltam no ano novo. Vinha descendo, mudando de cores e largando faíscas. Quando chegou mais perto percebi que não eram fogos de artifício, porque ao crescer chegou a ter o tamanho de um ultraleve ou até maior...&lt;br /&gt;     Caiu no mar a uns cinqüenta metros da beira, na minha frente, sem fazer nenhum barulho. Pensei que tinha sido testemunha de um acidente aéreo. Olhei procurando algum pára-quedista no céu, não encontrei nenhum. Nada alterava o silêncio e a tranqüilidade da praia.&lt;br /&gt;     Tive muito medo e senti vontade de sair correndo para contar à minha vovó; mas esperei um pouco para ver se via alguma outra coisa. Quando já estava indo embora, apareceu alguma coisa branca boiando no ponto onde eu tinha visto cair o avião, ou o que quer que fosse: alguém vinha nadando para as pedras. Imaginei que era o piloto, que tinha conseguido se salvar do acidente. Esperei que se aproximasse, para tentar ajuda-lo.&lt;br /&gt;     Como nadava com agilidade, compreendi que não estava ferido.&lt;br /&gt;     Quando chegou mais perto, percebi que se tratava de um menino. Chegou até as pedras e antes de começar a subir me olhou amigavelmente. Pensei que ele estava contente por ter se salvado; a situação não parecia dramática para ele, e isso me acalmou um pouco. Veio até onde eu estava, sacudiu a água dos cabelos e sorriu; aí eu me tranqüilizei definitivamente; ele tinha cara de ser um menino bom. Sentou-se ao meu lado, suspirou com resignação e ficou olhando as estrelas que começavam a brilhar no céu.&lt;br /&gt;     Parecia mais ou menos da minha idade, um pouco menor e mais baixinho; usava uma espécie de uniforme branco como de piloto, feito com algum material impermeável, pois não estava molhada, sua roupa terminava com um par de botas brancas com solas grossas. Levava ao peito um escudo dourado: um coração alado dentro de um círculo.&lt;br /&gt;     Seu cinto, também dourado, tinha de cada lado algo parecido a rádios portáteis, e no centro, uma grande fivela muito bonita.&lt;br /&gt;     Sentei-me a seu lado. Ficamos um momento em silêncio; como ele não dizia nada, perguntei o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;     -Uma aterrizagem forçada –respondeu, rindo.&lt;br /&gt;     Era simpático, e como tinha um sotaque bastante estranho, imaginei que viesse de outro país no avião. Seus olhos eram grandes e bondosos.&lt;br /&gt;     -Que aconteceu com o piloto? –perguntei. Como ele era um menino, achei que o piloto devia ser uma pessoa adulta.&lt;br /&gt;     -Nada. Ele está aqui, sentado com você –respondeu.&lt;br /&gt;     -Ah! –fiquei maravilhado. Esse menino era um prodígio! Na minha idade já dirigia avião! Imaginei que seus pais fossem ricos.&lt;br /&gt;     Foi ficando noite e tive frio. Ele percebeu, pois me perguntou:&lt;br /&gt;     -Você está com frio?&lt;br /&gt;     -Estou.&lt;br /&gt;     -A temperatura é agradável –disse-me, sorrindo. Senti que realmente não estava fazendo frio.&lt;br /&gt;     -É verdade –respondi.&lt;br /&gt;     Depois de alguns minutos perguntei o que ele ia fazer.&lt;br /&gt;     -Realizar a missão –respondeu, sem deixar de olhar para o céu.&lt;br /&gt;     Pensei que estava diante de um menino importante, não como eu, um simples estudante em férias. Ele tinha uma missão... talvez algo secreto... Não me atrevi a perguntar de que se tratava.&lt;br /&gt;     -Não lhe dá pena ter perdido o avião?&lt;br /&gt;     -Não se perdeu –respondeu, deixando-me sem compreender.&lt;br /&gt;     -Não se destruiu por completo?&lt;br /&gt;     -Não.&lt;br /&gt;     -Como você vai tira-lo da água para consertar... ou não vai poder?&lt;br /&gt;     -Oh! sim, vou poder tira-lo da água. Observando-me com simpatia perguntou: como você se chama?&lt;br /&gt;     -Pedro –respondi, mas eu começava a não gostar disso: ele não respondia a minha pergunta. Parece que ele percebeu meu desagrado e achou graça.&lt;br /&gt;     -Não se zangue, Pedrinho, não se zangue... Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;     -Dez... quase. E você?&lt;br /&gt;     Riu com suavidade, com o riso de um nenen quando a gente faz cócegas nele. Senti que ele estava querendo se mostrar mais importante do que eu, porque ele dirigia avião e eu não; isso não me agradava. Contudo, ele era simpático, agradável, e eu não consegui me zangar realmente com ele.&lt;br /&gt;     -Tenho mais anos do que você seria capaz de acreditar –respondeu, sorrindo. Tirou do seu cinto uma espécie de calculadora de bolso, que ele ligou e onde apareceu uns sinais desconhecidos para mim. Fez cálculos e quando viu a resposta me disse sorrindo:&lt;br /&gt;     -Não, não... se eu disser você não vai acreditar...&lt;br /&gt;     Ficou noite e apareceu uma bela lua cheia que iluminava a praia toda. Olhei para o seu rosto com atenção. Ele não podia ter mais que uns oito anos, e apesar disso já era piloto de avião... Será que era mais velho?... Não seria um anão?&lt;br /&gt;     -Você acredita nos extraterrestres? –perguntou-me para surpresa minha. Demorei um bom tempo em responder. Ele me observava com os olhos cheios de luz, dando a impressão que as estrelas da noite se refletiam nas suas pupilas. Era realmente muito bonito para ser normal. Lembrei do avião em chamas, sua aparição, sua calculadora com estranhos sinais, seu sotaque, sua roupa... além disso, era um menino, e nós, meninos, não pilotamos aviões...&lt;br /&gt;     -Você é um extraterrestre? –perguntei, com um pouco de medo.&lt;br /&gt;     -E se fosse... Você teria medo?&lt;br /&gt;     Foi então que eu soube que ele vinha, mesmo, de outro planeta.&lt;br /&gt;     Fiquei um pouco assustado, mas seu olhar estava cheio de bondade.&lt;br /&gt;     -Você é malvado? –perguntei, um pouco tímido. Ele deu risada, divertido.&lt;br /&gt;     -Quem sabe você é até um pouco mais malvadinho do que eu...&lt;br /&gt;     -Por que?&lt;br /&gt;     -Porque você é um terrícola.&lt;br /&gt;     -Você é de verdade um extraterrestre?&lt;br /&gt;     -Não precisa se assustar –consolou-me sorrindo e apontou para as estrelas enquanto dizia: este universo esta cheio de vida... milhões e milhões de planetas são habitados... tem muita gente boa ali em cima...&lt;br /&gt;     Suas palavras produziam um estranho efeito em mim. Quando ele dizia essas coisas eu podia "ver" esses milhões de mundos habitados por pessoas bondosas. Perdi o medo. Decidi aceitar sem me surpreender que ele era de outro planeta. Parecia amigável e inofensivo.&lt;br /&gt;     -Por que você diz que os terrícolas são malvados? –perguntei. Ele continuou olhando para o céu e disse:&lt;br /&gt;     -Que belo é ver-se o firmamento daqui da Terra... Esta atmosfera lhe dá um brilho... uma cor...&lt;br /&gt;     Não estava me respondendo outra vez. Novamente me aborreci; além disso eu não gosto que pensem que eu sou malvado, não sou mesmo, ao contrário: queria ser explorador quando fosse grande e caçar gente malvada nos momentos livres...&lt;br /&gt;     -Lá nas Plêiades, há uma civilização maravilhosa...&lt;br /&gt;     -Não somos todos malvados aqui...&lt;br /&gt;     -Veja essa estrela... ela era assim há um milhão de anos... já não existe...&lt;br /&gt;     -Eu disse que não somos todos malvados aqui. Por que você disse que todos os terrícolas são malvados? Ein?&lt;br /&gt;     -Não foi isso o que eu disse –respondeu sem deixar de olhar ao céu; seu olhar brilhava- É um milagre...&lt;br /&gt;     -Você disse!&lt;br /&gt;     Como levantei a voz, consegui tirá-lo dos seus sonhos; estava igual a uma prima minha quando fica olhando a foto de seu cantor preferido; ela está louquinha por ele.&lt;br /&gt;     Olhou-me com atenção; não parecia estar zangado comigo.&lt;br /&gt;     -Quis dizer que os terrícolas não são tão bons como os habitantes de outros mundos do espaço.&lt;br /&gt;     -Esta vendo? Você está dizendo que somos os mais malvados de Universo.&lt;br /&gt;     Ele riu de novo e me acariciou os cabelos.&lt;br /&gt;     -Também não foi isso o que eu quis dizer.&lt;br /&gt;     Aí eu não gostei nada. Puxei a cabeça para trás. Se tem algo que eu não gosto é de que me tratem como um bobo, porque sou um dos primeiros da minha turma, além disso vou fazer DEZ ANOS.&lt;br /&gt;     -Se este planeta é tão ruim, o que é que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;     -Você já reparou como a lua se reflete no mar?&lt;br /&gt;     Ele continuava a me ignorar e a mudar de assunto.&lt;br /&gt;     -Você disse para reparar no reflexo da lua?&lt;br /&gt;     -Talvez... Você já percebeu que nós estamos flutuando no universo?&lt;br /&gt;     Quando ele disse isso, achei que tinha entendido a verdade: esse menino estava louco. Claro! Pensava que era um extraterrestre, por isso dizia coisas tão estranhas. Eu quis voltar para casa, de novo me sentia mal, mas agora, por ter acreditado em suas histórias fantásticas. Ele estava caçoando de mim... extraterrestre... e eu acreditei!. Senti vergonha, raiva de mim mesmo e dele. Tive vontade de dar-lhe um murro no nariz.&lt;br /&gt;     -Por quê? O meu nariz é muito feio?&lt;br /&gt;     Fiquei paralisado. Tive medo. Ele tinha lido o meu pensamento! Olhei para ele. Sorria vitorioso. Não quis me render, preferi pensar que isso foi por pura casualidade, uma coincidência entre o que eu pensei e o que ele disse. Não demonstrei surpresa, quem sabe era verdade, mas eu tinha que comprovar... talvez estivesse diante de um ser de outro mundo, um extraterrestre que podia ler o pensamento.&lt;br /&gt;     Decidi colocá-lo à prova.&lt;br /&gt;     -Que estou pensando agora? –disse isso e fiquei pensando num bolo de aniversário.&lt;br /&gt;     -Não são suficientes as provas que você já tem? –perguntou. Mas eu não estava disposto a ceder nem um milímetro.&lt;br /&gt;     -Que provas?&lt;br /&gt;     Esticou as pernas e apoiou os cotovelos nas pedras.&lt;br /&gt;      -Veja, Pedrinho, existem outros tipos de realidades, outros mundos mais sutis, com portas sutis para inteligências sutis...&lt;br /&gt;     -Que significa sutis?&lt;br /&gt;     -Com quantas velinhas?... –disse sorrindo.&lt;br /&gt;     Foi como um soco no estômago. Tive vontade de chorar, senti-me tonto e fraco. Pedi que me desculpasse, mas ele não se incomodou por aquilo, não prestou atenção e deu risada.&lt;br /&gt;     Decidi não duvidar mais dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 2&lt;br /&gt;Pedrinho voador&lt;br /&gt;     -Venha, fique na minha casa –ofereci, pois já era tarde.&lt;br /&gt;     -Melhor não incluirmos adultos na nossa amizade –disse, franzindo o nariz enquanto sorria.&lt;br /&gt;     -Mas eu tenho que ir...&lt;br /&gt;     -Sua avó dorme profundamente, não vai sentir sua falta se a gente conversar um pouco.&lt;br /&gt;     De novo senti surpresa e admiração. Como é que ele sabia da minha avó?... Lembrei que ele era um extraterrestre.&lt;br /&gt;     -Você pode ver a vovó?&lt;br /&gt;     -Da minha nave vi que ela já estava quase dormindo –respondeu com malícia. Depois, exclamou entusiasmado:&lt;br /&gt;     -Vamos passear pela praia! Levantou-se e deu um salto, correu até a beira da pedra que era altíssima e se lançou à areia.&lt;br /&gt;     Descia lentamente, planando como uma gaivota!&lt;br /&gt;     Lembrei que não devia surpreender-me demais por nada que viesse daquele alegre menino das estrelas.&lt;br /&gt;     Desci da pedra como pudi, com muito cuidado.&lt;br /&gt;     -Como você faz? –perguntei, referindo-me a seu incrível planar.&lt;br /&gt;     -Sinto-me como uma ave –respondeu, e saiu correndo alegremente entre o mar e a areia, sem ter motivo especial para fazer isso. Teria gostado de poder atuar como ele, mas não podia.&lt;br /&gt;     -Claro que pode!&lt;br /&gt;     Outra vez tinha captado meu pensamento. Veio até mim tentando me animar e disse: Vamos correr e saltar como pássaros! Então me deu a mão e senti uma grande energia. Começamos a correr pela praia.&lt;br /&gt;     -Agora... vamos saltar!&lt;br /&gt;     Ele conseguia se elevar muito mais do que eu e me impulsionava para cima, com sua mão. Parecia que se suspendia no ar por instantes. Continuávamos correndo e de trecho em trecho saltávamos.&lt;br /&gt;     -Somos aves, somos aves! –embriagava-me e animava. Pouco a pouco fui deixando meu pensamento habitual, fui me transformando, já não era o mesmo menino de todos os dias. Animado pelo extraterrestre fui decidindo ser leve, como uma pluma, estava pouco a pouco aceitando a ser uma ave.&lt;br /&gt;     -Agora... pule!&lt;br /&gt;     Realmente, começávamos a nos manter no ar durante alguns instantes. Caíamos suavemente e continuávamos correndo, para depois novamente elevar-nos. Cada vez era melhor, isso me surpreendia...&lt;br /&gt;     -Não se surpreenda... você pode... agora!&lt;br /&gt;     Em cada tentativa era mais fácil conseguir. Corríamos e saltávamos como em câmara lenta, pela beira da praia, numa noite de lua e cheia de estrelas... Parecia outra maneira de existir, outro mundo.&lt;br /&gt;     -Com amor pelo vôo! –animava-me. Um pouco mais adiante soltou minha mão.&lt;br /&gt;     -Você pode, claro que pode! –olhava-me, transmitindo-me confiança enquanto corria ao meu lado.&lt;br /&gt;     -Agora! –elevamo-nos lentamente, mantínhamo-nos no ar e começávamos a cair como se planássemos, com os braços abertos.&lt;br /&gt;     -Bravo, bravo! –felicitava-me.&lt;br /&gt;     Não sei quanto tempo brincamos nessa noite. Para mim foi como um sonho.&lt;br /&gt;     Quando me cansei, joguei-me na areia, ofegante e rindo feliz. Tinha sido fabuloso, uma experiência inesquecível.&lt;br /&gt;     Não disse nada a ele, mas por dentro agradeci ao meu estranho amiguinho por ter me permitido realizar coisas que eu pensava fossem impossíveis. Ainda não sabia todas as surpresas que me esperavam naquela noite...&lt;br /&gt;     As luzes de um balneário brilhavam do outro lado da baía. Meu amigo contemplava com deleite os movediços reflexos sobre as águas noturnas, extasiado, deitado na areia banhada pela claridade da lua, depois enchia-se de júbilo olhando a lua cheia.&lt;br /&gt;     -Que maravilha... ela não cai! –ria- Este seu planeta é muito lindo!&lt;br /&gt;     Nunca tinha pensado nisso, mas agora, ao ouvi-lo... sim, era lindo ter estrelas, mar, praia e uma lua tão bonita ali pendurada... e além do mais, não caia...&lt;br /&gt;     -O seu planeta não é bonito? –perguntei. Suspirou profundamente olhando para um ponto do céu, a nossa direita.&lt;br /&gt;     -Oh, sim, também é, mas todos nós sabemos isso... e cuidamos dele...&lt;br /&gt;     Lembrei que ele tinha insinuado que os terrícolas não são muito bons. Pensei que tinha compreendido umas das razões: nós não valorizamos nem cuidamos do nosso planeta; eles sim, preocupam-se com o deles; eles sim cuidam do deles.&lt;br /&gt;     -Como você se chama?&lt;br /&gt;     Achou engraçada minha pergunta.&lt;br /&gt;     -Não posso lhe dizer.&lt;br /&gt;     -Por que... é um segredo?&lt;br /&gt;     -Que nada; não existem segredos! Somente que não existem em seu idioma esses sons.&lt;br /&gt;     -Que sons?&lt;br /&gt;     -Os do meu nome.&lt;br /&gt;     Isso me surpreendeu, porque eu tinha pensado que ele falava meu idioma, apenas com outro sotaque.&lt;br /&gt;     -Então, como você aprendeu a falar a minha língua?&lt;br /&gt;     Nem a falo, nem a compreendo... Somente tenho isto –respondeu, divertido, enquanto pegava um aparelho do seu cinto.&lt;br /&gt;     Isto é um "tradutor". Esta caixinha explora o seu cérebro na velocidade da luz e me transmite o que você quer dizer, assim eu posso compreender, e quando vou dizer alguma coisa ela me faz mover os lábios e a língua como você o faria... bom... quase como você. Nada é perfeito.&lt;br /&gt;     Guardou o "tradutor" e ficou contemplando o mar, enquanto segurava os joelhos, sentado na areia.&lt;br /&gt;     -Então, como posso chamá-lo? –perguntei.&lt;br /&gt;     -Você pode me chamar "Amigo", porque é isso o que eu sou: um amigo de todos.&lt;br /&gt;     -Vou chamá-lo "Ami". É mais curto e parece um nome. –ele gostou do seu apelido novo.&lt;br /&gt;     -É perfeito, Pedrinho! –demos um aperto de mãos. Senti que selava uma nova e grande amizade. E assim seria...&lt;br /&gt;     -Como se chama o seu planeta?&lt;br /&gt;     -Puf!... também não dá. Não existe equivalência dos sons, mas está por ali, apontou sorrindo para umas estrelas.&lt;br /&gt;     Enquanto Ami observava o céu, eu fiquei pensando nos filmes de invasores extraterrestres que tinha visto tantas vezes pela televisão.&lt;br /&gt;     -Quando vão nos invadir?&lt;br /&gt;     Achou engraçada a minha pergunta.&lt;br /&gt;     -Por que você pensa que nós vamos invadir a Terra?&lt;br /&gt;     -Não sei... nos filmes, todos os extraterrestres invadem a Terra... ou quase todos...&lt;br /&gt;     Desta vez sua risada foi tão alegre que me contagiou. Depois tentei me justificar:&lt;br /&gt;     -... É que na televisão...&lt;br /&gt;     -Claro, a televisão!... Vamos ver uma de invasores –disse, entusiasmado, enquanto da fivela de seu cinto tirava outro aparelho. Apertou um botão e apareceu uma tela acesa. Era uma pequena televisão em cores, sumamente nítida. Mudava os canais rapidamente. O mais surpreendente era que nessa região só se podiam sintonizar dois canais, mas no aparelho ia aparecendo uma infinidade: filmes, programas ao vivo, noticiários, comerciais, tudo em diferentes idiomas e por pessoas de diversas nacionalidades.&lt;br /&gt;     -Os de invasores são ridículos –dizia Ami.&lt;br /&gt;     -Quantos canais você pode sintonizar aí?&lt;br /&gt;     -Todos os que estão transmitindo neste momento no seu planeta... Este aparelho recebe os sinais que os nossos satélites captam e os amplifica. Aqui tem um, na Austrália, veja!&lt;br /&gt;     Apareciam uns seres com cabeça de polvo e um montão de olhos saltados cheios de veias vermelhas. Disparavam raios verdes contra uma multidão de aterrorizados seres humanos. Meu amigo parecia divertir-se com esse filme.&lt;br /&gt;     -Que barbaridade! Você não acha cômico, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Não, por quê?&lt;br /&gt;     -Porque esses monstros não existem. Somente nas monstruosas imaginações dos que inventam esses filmes...&lt;br /&gt;     Não me convenceu. Tinha estado anos vendo todo tipo de seres espaciais perversos e espantosos, impossíveis de serem apagados de uma vez.&lt;br /&gt;     -Mas se aqui mesmo na Terra tem iguanas, crocodilos, polvos, por que não vão existir em outros mundos?&lt;br /&gt;     -Ah, isso. Claro que tem, mas não constroem pistolas de raios, são como os daqui: animais. Não são inteligentes.&lt;br /&gt;     -Mas talvez existam mundos com seres inteligentes e malvados...&lt;br /&gt;     -"Inteligentes e malvados"! –Ami dava risada –Isso é como dizer bons-maus.&lt;br /&gt;     Eu não conseguia compreender. E esses cientistas loucos e perversos que inventam armas para destruir o mundo, contra os quais Batman e Superman lutam? Ami captou meu pensamento e explicou rindo:&lt;br /&gt;     -Esses não são inteligentes; são loucos.&lt;br /&gt;     -Bom, então é possível que exista um mundo de cientistas loucos que poderiam nos destruir...&lt;br /&gt;     -Além dos daqui da Terra, impossível...&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque se são loucos, destroem-se a si mesmos primeiro. Não conseguem obter o nível científico necessário para poder abandonar seus planetas e partir para invadir outros mundos. É mais fácil construir bombas do que naves intergalácticas, e se uma civilização não tem bondade e alcança um alto nível científico, mais cedo ou mais tarde vai utilizar seu poder científico contra si mesma, muito antes de poder partir para outros mundos.&lt;br /&gt;     -Mas em algum planeta poderiam sobreviver, por casualidade...&lt;br /&gt;     -Casualidade? No meu idioma não existe essa palavra. Que significa casualidade?      &lt;br /&gt;     Tive que dar vários exemplos para que ele compreendesse. Quando consegui, ele achou engraçado. Disse que tudo está relacionado, mas que nós não compreendemos a lei que une todas as coisas, ou não a queremos ver.&lt;br /&gt;     -É que se são tantos os milhões de mundos, como você diz, poderiam sobreviver alguns malvados sem se destruir. Eu continuava pensando na possibilidade de invasores. Ami tentou fazer-me entender:&lt;br /&gt;     -Imagine que muitas pessoas têm que pegar uma barra de ferro quente, uma a uma, com as mãos nuas. Qual é a possibilidade de que alguma não se queime?&lt;br /&gt;     -Nenhuma; todas se queimam –respondi.&lt;br /&gt;     -É assim mesmo, todos os malvados se autodestroem se não conseguem superar sua maldade. Ninguém escapa da lei que rege esse assunto.&lt;br /&gt;     -Que lei?&lt;br /&gt;     -Quando o nível científico de um mundo supera em muito o nível de amor, esse mundo se autodestrói...&lt;br /&gt;     -Nível de amor?&lt;br /&gt;     Podia entender com clareza o que é o nível científico de um planeta, mas não compreendia o que era o "nível de amor".&lt;br /&gt;     -A coisa mais simples é, para alguns, a mais difícil de compreender... o amor é uma força, uma vibração, uma energia cujos efeitos podem ser medidos por nossos instrumentos. Se o nível de amor de um mundo é baixo, existe infelicidade coletiva, ódio, violência, separatismo, guerras e... com um nível perigosamente alto de capacidade destrutiva... compreende-me, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Em geral, não. O que você quer dizer?&lt;br /&gt;     -DEVO lhe dizer muitas coisas, mas vamos aos poucos. Comecemos por suas dúvidas.&lt;br /&gt;     Ainda não podia acreditar que não existissem monstros invasores. Contei-lhe um filme no qual "extraterrestres lagartos" dominavam muitos planetas porque estavam muito bem organizados. Ele disse:&lt;br /&gt;     -Sem amor não pode existir uma organização duradoura. Nesse caso é preciso obrigar, forçar. Ao final, aparece a rebeldia, a divisão e a destruição. &lt;br /&gt;Capítulo 3                   &lt;br /&gt;Não se pre-ocupe&lt;br /&gt;     -Que símbolo é esse que você usa no peito? -perguntei.&lt;br /&gt;     -É o emblema do meu trabalho -respondeu, enquanto apontava para cima- Sabe? aqui "pertinho", num planeta de Sírio, existem praias cor violeta... são esplêndidas. Se você visse o que é um entardecer com esses dois sóis gigantes...&lt;br /&gt;     -Você viaja na velocidade da luz?&lt;br /&gt;     Minha pergunta pareceu cômica.&lt;br /&gt;     -Se eu viajasse tão "devagar" teria ficado velho antes de chegar aqui.&lt;br /&gt;     -Com que velocidade você viaja, então?&lt;br /&gt;     -Em geral nós não "viajamos"; mais exatamente nos "situamos", mas de uma ponta a outra da galáxia demoraria... -pegou sua calculadora do cinto e fez umas contas- usando suas medidas de tempo... hummmm... uma hora e meia, e de uma galáxia a outra demoraria várias horas.     &lt;br /&gt;     -Que bárbaro! Como você consegue?&lt;br /&gt;     -Você pode explicar para um nenen porque dois mais dois são quatro?&lt;br /&gt;     -Não -respondi- nem eu mesmo sei.&lt;br /&gt;     -Eu também não posso lhe explicar algumas coisas relacionadas com a contração e a curvatura do espaço-tempo... nem precisa... Veja como deslizam essas aves pela areia, como se patinassem... que maravilha!&lt;br /&gt;     Ami estava contemplando umas aves que corriam em grupo pela praia, colhendo algum alimento que as ondas depositavam na areia. Lembrei que era tarde.&lt;br /&gt;     -Tenho que ir embora... minha vovó...&lt;br /&gt;     -Ainda está dormindo.&lt;br /&gt;     -Estou preocupado.&lt;br /&gt;     -Preocupado? Que bobagem.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -"Pré" significa "antes de". Eu não me "pré-ocupo"; ocupo-me.&lt;br /&gt;     -Não o entendi, Ami.&lt;br /&gt;     -Não passe a vida imaginando problemas que não aconteceram nem vão acontecer. Desfrute o presente. A vida é curta. Quando aparece um problema real, então você se "ocupa" dele. Você acharia correto que nós estivéssemos preocupados imaginando que podia aparecer uma onda gigante e nos devorar? Seria uma bobagem não desfrutar este momento, nesta noite tão linda... observe essas aves que correm sem preocupação... por que perder este momento por algo que não existe?&lt;br /&gt;     -Mas a minha vovó existe...&lt;br /&gt;     -Claro, mas não existe nenhum problema com isto... E este momento, não existe?&lt;br /&gt;     -Estou preocupado...&lt;br /&gt;     -Ah terrícola, terrícola... Está bem, vamos ver a sua vovó.&lt;br /&gt;     Pegou seu aparelho de televisão e começou a sintonizar. Na tela apareceu o caminho que leva até a minha casa. A "câmara" ia avançando entre as árvores e as pedras do caminho. Aparecia tudo em cores e iluminado como se fosse dia. Penetramos através de uma janela da casa, apareceu a vovó dormindo profundamente na sua cama, dava até para escutar sua respiração. Aquele aparelho era incrível!&lt;br /&gt;     -Dorme como um anjinho -comentou Ami, rindo.&lt;br /&gt;     -Não é um filme?&lt;br /&gt;     -Não. É "ao vivo e direto"... vamos até a copa.&lt;br /&gt;     A "câmara" atravessou a parede do dormitório e apareceu na copa. Ali estava a mesa, com sua toalha de quadrados grandes, e no meu lugar havia um prato coberto por outro, virado.&lt;br /&gt;     -Isto se parece ao meu "ovni"! -brincou Ami- Vamos ver o que você tem para jantar -mexeu alguma coisa no aparelho e o prato de cima ficou transparente como vidro. Apareceu um pedaço de carne assada, com batata frita e salada de tomate.&lt;br /&gt;     -Ui! -exclamou Ami, com nojo- como vocês conseguem comer cadáver...&lt;br /&gt;     -Cadáver?&lt;br /&gt;     -Cadáver de vaca... vaca morta. Um pedaço de vaca morta.&lt;br /&gt;     Assim como ele descrevia, eu também senti nojo.&lt;br /&gt;     -Como funciona esse aparelho, onde está a câmara? -perguntei, bastante intrigado.&lt;br /&gt;     -Não necessita câmara. Este aparelho focaliza, capta, filtra, seleciona, amplia e projeta... simples, não?&lt;br /&gt;     Parecia que ele estava caçoando de mim.&lt;br /&gt;     -Por que se vê de dia, se é de noite?&lt;br /&gt;     -Existem outras "luzes" que seu olho não pode ver e que este aparelho pode captar.&lt;br /&gt;     -Que complicado!&lt;br /&gt;     -Nada disso. Eu mesmo fiz este cacareco...&lt;br /&gt;     -Você mesmo!&lt;br /&gt;     -É muitíssimo antigo, mas eu sinto carinho por ele. É uma lembrança, um trabalho da escola primária...&lt;br /&gt;     -Vocês são uns gênios!&lt;br /&gt;     -Claro que não. Você sabe multiplicar?&lt;br /&gt;     -Claro -respondi.&lt;br /&gt;     -Então você é um gênio... para quem não sabe multiplicar. Tudo é uma questão de níveis. Um rádio transistorizado é um milagre para os índios das selvas.&lt;br /&gt;     -É verdade. Você acha que algum dia vamos poder ter aqui na Terra invenções como a sua?&lt;br /&gt;     Ele ficou sério pela primeira vez. Olhou-me, e seu olhar denotava certa tristeza.&lt;br /&gt;     -Não sei.&lt;br /&gt;     -Como é que você não sabe; você sabe tudo!&lt;br /&gt;     -Tudo não. O futuro ninguém conhece... felizmente.&lt;br /&gt;     -Por que você diz "felizmente"?&lt;br /&gt;     -Imagine, a vida não teria nenhum sentido se a gente conhecesse o futuro. Você gosta de saber de antemão o final de um filme que está vendo?&lt;br /&gt;     -Não. Irrita-me -respondi.&lt;br /&gt;     -Gosta de ouvir uma piada que já conhece?&lt;br /&gt;     -Também não. É chatíssimo.&lt;br /&gt;     -Gostaria de saber que presente você vai receber no seu aniversário?&lt;br /&gt;     -Isso ainda menos.&lt;br /&gt;     Seu modo de ensinar era ameno, com exemplos claros.&lt;br /&gt;     -A vida perderia todo o seu sentido se a gente conhecesse o futuro. Só podemos calcular as possibilidades.&lt;br /&gt;     -Como é isso?&lt;br /&gt;     -Por exemplo, calcular as possibilidades ou probabilidades que a Terra tem de se salvar...&lt;br /&gt;     -Salvar-se, salvar-se de que?&lt;br /&gt;     -Como de quê!... Você não ouviu falar da contaminação das guerras, das bombas?&lt;br /&gt;     -Ah, sim! Você quer dizer que aqui também estamos correndo perigo, como nos mundos dos malvados?&lt;br /&gt;     -Existem muitas possibilidades. A relação entre a ciência e o amor está terrivelmente inclinada para o lado da ciência; milhões de civilizações como esta se auto-destruíram. É um ponto de mudança... perigoso.&lt;br /&gt;     Assustei-me. Nunca tinha pensado seriamente na possibilidade de uma terceira guerra mundial ou de uma catástrofe. Fiquei um bom tempo meditando. De repente, tive uma idéia maravilhosa:&lt;br /&gt;     -Façam alguma coisa!&lt;br /&gt;     -Alguma coisa como quê?&lt;br /&gt;     -Não sei... aterrizar mil naves e dizer aos presidentes que não façam a guerra... alguma coisa assim -Ami riu.&lt;br /&gt;     -Se fizéssemos algo assim, a primeira coisa que conseguiríamos seriam milhões de infartos cardíacos, por culpa justamente desses filmes de invasores, e nós não somos desumanos, não podemos provocar algo assim. Em segundo lugar, se disséssemos, por exemplo: transformem suas armas em instrumentos de trabalho, vocês pensariam ser uma estratégia extraterrestre para os debilitar e depois dominar o planeta. Terceiro, vamos supor que cheguem a compreender que somos inofensivos, também não abandonariam as armas.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque teriam medo dos outros países. Quem vai se desarmar primeiro? Nenhum.&lt;br /&gt;     -Mas eles devem ter confiança...&lt;br /&gt;     -As crianças podem ter confiança, os adultos não... e menos ainda os presidentes, e com razão, porque alguns sentem vontade de dominar tudo o que podem...&lt;br /&gt;     Eu estava realmente nervoso.Comecei a procurar uma solução para evitar a guerra e a possível destruição da humanidade. Pensei que os extraterrestres poderiam tomar o poder pela força na Terra, destruir as bombas e nos obrigar a viver em paz. Disse isso a ele. Quando parou de rir, afirmou que eu não conseguia deixar de ser terrícola ao pensar.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -"Pela força, destruir, obrigar", tudo isso é terrícola, incivilizado, violência. A liberdade humana é algo sagrado, tanto a nossa como a alheia. "Obrigar" não existe em nossos mundos; cada pessoa é valiosa e respeitada. "Pela força e destruição" é violência, o que vem de "violar"; violar a Lei do universo... &lt;br /&gt;     -Então vocês não fazem a guerra? -Ainda não tinha terminado de fazer esta pergunta quando me senti estúpido por tê-la feito.&lt;br /&gt;     Olhou-me com carinho e colocando a mão no meu ombro, disse:&lt;br /&gt;     -Nós não fazemos a guerra, porque acreditamos em Deus.&lt;br /&gt;     Sua resposta surpreendeu-me muito. Eu também acreditava em Deus, mas ultimamente estava pensando que somente os padres do meu colégio acreditavam Nele, e também as pessoas com pouca cultura, porque tenho um tio que é físico nuclear da Universidade e ele diz que "a inteligência matou Deus".&lt;br /&gt;     -Seu tio é um tolo -afirmou Ami, depois de ler meus pensamentos.&lt;br /&gt;     -Não acho; ele é considerado um dos homens mais inteligentes do meu país.&lt;br /&gt;     -É um tolo -Ami insistia- a maçã pode matar a macieira? A onda pode matar o mar?...&lt;br /&gt;     -Pensei que...&lt;br /&gt;     -Enganou-se. Deus existe.&lt;br /&gt;     Fiquei pensando em Deus, um pouco arrependido por ter duvidado da sua existência.&lt;br /&gt;     -Ei, tira essa barba e essa túnica!&lt;br /&gt;     Ami ria, porque tinha visto minhas imagens mentais de Deus.&lt;br /&gt;     -Então... não tem barba, Deus raspa a barba?&lt;br /&gt;     Meu amigo espacial se divertia com minha confusão.&lt;br /&gt;     -Esse é um deus terrestre demais -comentou.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque tem a aparência de um terrestre.&lt;br /&gt;     O que ele estava querendo me dizer? Que os extraterrestres não têm aparência humana?&lt;br /&gt;     -Mas, como?... Você disse que os seres humanos de outros planetas não têm forma estranha ou monstruosa, apesar disso, você mesmo parece um terrestre... &lt;br /&gt;     Ami, rindo, pegou um graveto e desenhou uma figura humana na areia.&lt;br /&gt;     -O modelo humano é universal: cabeça, tronco e membros, mas existem pequenas variações em cada mundo: altura, cor da pele, forma das orelhas; pequenas diferenças. Sou parecido a um terrestre porque as pessoas do meu planeta são iguais às crianças da Terra, mas Deus não tem forma de homem. Venha, vamos passear.&lt;br /&gt;     Começamos a andar pelo caminho que vai ao povoado. Colocou seu braço no meu ombro e senti nele o irmão que nunca tive.&lt;br /&gt;     De longe se escutavam algumas aves noturnas a grasnar. Ami parecia deleitar-se com esses sons; inspirou o ar marítimo e disse:&lt;br /&gt;     -Deus não tem aparência humana -seu rosto brilhava na noite ao falar do Criador- não tem forma alguma, não é uma pessoa como você ou como eu. É um Ser infinito, pura energia criadora... puro amor...&lt;br /&gt;     -Ah!&lt;br /&gt;     Ele dizia isso de uma maneira tão bela, que conseguia que eu me emocionasse.&lt;br /&gt;     -Por isso, o universo é lindo e bom... É maravilhoso.&lt;br /&gt;     Pensei nos habitantes desses mundos primitivos que ele tinha mencionado, e também nas pessoas malvadas deste mesmo planeta.&lt;br /&gt;     -E os maus?&lt;br /&gt;     -Eles chegarão a ser bons algum dia...&lt;br /&gt;     -Era melhor se eles tivessem nascido bons logo do começo, assim não haveria nada ruim em nenhum lugar.&lt;br /&gt;     -Se não se conhecesse o mal, como se poderia desfrutar o bem, como se poderia dar-lhe valor? -perguntou Ami.&lt;br /&gt;     -Não entendo direito.&lt;br /&gt;     -Você não acha maravilhoso poder olhar, ver?&lt;br /&gt;     -Não sei. Nunca tinha pensado nisso... acho que sim.&lt;br /&gt;     -Se você tivesse nascido cego e de repente adquirisse a visão, então você acharia maravilhoso poder ver...&lt;br /&gt;     -Ah, sim!&lt;br /&gt;     -Aqueles que viveram existências difíceis, violentas, quando conseguem atingir uma vida mais humana a valorizam como ninguém... Se nunca existisse noite, não poderíamos desfrutar o amanhecer...&lt;br /&gt;     -Íamos caminhando pela ruazinha iluminada pela lua e ladeada de árvores. Passamos pela frente da minha casa, entrei silenciosamente para pegar um suéter e voltei ao lado de Ami. Continuamos caminhando e conversando. Ele contemplava tudo enquanto falava. Ainda não apareciam as primeiras ruas do povoado nem as luzes dos postes da cidadezinha.&lt;br /&gt;     -Você percebe o que está fazendo? -perguntou-me de surpresa.&lt;br /&gt;     -Não... o quê?&lt;br /&gt;     -Você está caminhando, você pode caminhar...&lt;br /&gt;     -Ah, sim; claro... o que tem isso de extraordinário?&lt;br /&gt;     -Existem pessoas que ficaram paralíticas, e depois de meses ou anos de exercícios conseguiram voltar a caminhar; para elas sim, é extraordinário poder caminhar, agradecem e desfrutam isso; no entanto, você caminha sem perceber, sem encontrar nada de especial nisso...&lt;br /&gt;     -Tem razão, Ami. Você me diz muitas coisas novas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 4&lt;br /&gt;A polícia!&lt;br /&gt;     Chegamos até a primeira rua iluminada pelos postes de luz. Deviam ser onze e meia da noite. Parecia uma aventura andar sem minha vovó, tão tarde pelo povoado, mas eu me sentia protegido ao lado de Ami.&lt;br /&gt;     Enquanto caminhávamos, ele se detinha para olhar a lua entre as folhas dos eucaliptos, às vezes me dizia que ficássemos a ouvir o coaxar das rãs, o canto dos grilos noturnos, o longínquo ruído das ondas. Detinha-se a respirar o aroma dos pinheiros, do córtex das árvores, da terra, a observar uma casa que ele achava bonita, uma rua ou um cantinho em uma esquina.&lt;br /&gt;     -Veja que lindos esses candeeiros... parecem um quadro... observe como cai a luz sobre essa trepadeira... e essas anteninhas recortadas contra as estrelas... A vida não tem outro propósito que o de se desfrutá-la de uma maneira sã, Pedrinho.&lt;br /&gt;     Procure colocar sua atenção em tudo o que a vida lhe proporciona... A maravilha está em cada instante... Tente sentir, perceber, em lugar de pensar. O sentido profundo da vida está além do pensamento... Sabe, Pedrinho, a vida é um conto de fadas feito realidade... é um dom maravilhoso que Deus lhe brinda... porque Deus o ama...&lt;br /&gt;     Suas palavras me faziam ver as coisas de um novo ponto de vista. Parecia-me incrível que esse mundo fosse o habitual, o de todos os dias, ao qual eu jamais prestava atenção... agora percebia que vivia no Paraíso, sem nunca ter percebido antes...&lt;br /&gt;     Caminhando chegamos até a praça do balneário. Alguns jovens estavam na porta de uma discoteca, outros conversavam no centro da praça. O lugar estava tranqüilo, especialmente agora que a temporada estava no fim.&lt;br /&gt;     Ninguém prestava atenção em nós, apesar da roupa de Ami; talvez pensassem que era uma simples fantasia...&lt;br /&gt;     Imaginei o que aconteceria se soubessem que espécie de menino estava passeando por aquela praça; eles nos rodeariam, viriam os jornalistas e a televisão...&lt;br /&gt;     -Não, obrigado -disse Ami, lendo meu pensamento- não quero que me crucifiquem...&lt;br /&gt;     Não compreendi o que ele quis dizer.&lt;br /&gt;     -Em primeiro lugar, não acreditariam; mas se por fim o fizessem, me levariam preso por ter ingressado "ilegalmente" no país. Depois pensariam que eu sou um espião e me torturariam para obter informação... E aí, os médicos iam querer ver o meu corpinho por dentro... -Ami ria enquanto relatava possibilidades tão negras.&lt;br /&gt;     Sentamo-nos num barco, num lugar um pouco afastado. Pensei que os extraterrestres deveriam ir se mostrando aos poucos, para que as pessoas fossem se acostumando a eles, para depois, um dia, apresentar-se abertamente.&lt;br /&gt;     -É mais ou menos o que estamos fazendo, mas mostrar-nos abertamente... já lhe dei três razões pelas quais é inútil fazer isso. Agora vou lhe dar mais uma, a principal: está proibido pelas leis.&lt;br /&gt;     -Por quais leis?&lt;br /&gt;     -As leis universais. Em seu mundo existem leis, não é? Nos mundos civilizados também existem normas gerais que todos devem respeitar; uma delas é não interferir no desenvolvimento evolutivo dos mundos incivilizados.&lt;br /&gt;     -Incivilizados?&lt;br /&gt;     -Chamamos incivilizados aos mundos que não respeitam os três requisitos básicos...&lt;br /&gt;     -Quais são?&lt;br /&gt;     -Os três requisitos básicos que um mundo deve respeitar para ser considerado civilizado são: primeiro, conhecer a Lei fundamental do universo; uma vez que se conhece e se pratica essa Lei, é muito fácil cumprir os outros dois. Segundo, constituir uma unidade: devem ter um só Governo Mundial. Terceiro, devem organizar-se de acordo com a Lei fundamental do universo.     &lt;br /&gt;     -Não entendo muito. Qual é essa lei do fundamento... de quê?&lt;br /&gt;     -Você vê? Você não a conhece -caçoava de mim-, você não é civilizado.&lt;br /&gt;     -Mas eu sou uma criança... Acho que os adultos sim a conhecem, os cientistas, os presidentes...&lt;br /&gt;     Ami riu com vontade.&lt;br /&gt;     -Adultos... cientistas... presidentes! Esses menos que ninguém, salvo raras exceções.&lt;br /&gt;     -Qual é essa lei?&lt;br /&gt;     -Vou lhe dizer mais adiante.&lt;br /&gt;     -De verdade? -fiquei entusiasmado ao pensar que ia conhecer algo que quase ninguém sabia.&lt;br /&gt;     -Se você se comportar direitinho -brincou.&lt;br /&gt;     Comecei a meditar essa proibição de interferir nos planetas incivilizados.&lt;br /&gt;     -Então você está violando essa lei! -expressei com surpresa.&lt;br /&gt;     -Bravo! Você não passou por alto esse detalhe.&lt;br /&gt;     -Claro que não. Primeiro você diz que é proibido interferir; apesar disso você está falando comigo... &lt;br /&gt;     -Isto não é interferência no desenvolvimento evolutivo da Terra. Mostrar-se abertamente, comunicar-se massivamente sim, seria. Isto é parte de um "plano de ajuda".&lt;br /&gt;     -Explique melhor, por favor.&lt;br /&gt;     -É um tema complicado. Não posso lhe explicar tudo, porque você não entenderia. Talvez o faça mais adiante; por enquanto só vou lhe dizer que o "plano de ajuda" é uma espécie de "remédio", que devemos ir dando em forma dosificada, suave, sutilmente...bem sutilmente...&lt;br /&gt;     -Qual é esse remédio?&lt;br /&gt;     -Informação.&lt;br /&gt;     -Informação? Que informação?&lt;br /&gt;     -Bem, depois da bomba atômica começaram os avistamentos de nossas naves. Fizemos isso para que vocês começassem a ter evidências de que não são os únicos seres inteligentes do universo; isso é informação. Depois fomos aumentando a freqüência desses avistamentos, isso é mais informação. Depois vamos deixar que nos filmem. Ao mesmo tempo, estabelecemos pequenos contatos com algumas pessoas, como você, e também enviamos "mensagens" em freqüências mentais. Essas "mensagens" estão no ar, como as ondas de rádio, chegam a todas as pessoas; algumas têm os "receptores" adequados para captá-las, outras não. Os que as recebem podem pensar que são suas próprias idéias; outros que ‚ uma inspiração divina; e ainda outros, que são enviados por nós. Alguns expressão essas "mensagens" bastante distorcidas por suas próprias idéias ou crenças; mas existem aqueles que as expressam quase puras.&lt;br /&gt;     -E depois, vão aparecer na frente de todo mundo?&lt;br /&gt;     -Se vocês não se autodestruírem, e sempre que sejam respeitados os três requisitos básicos. Não pode ser antes.&lt;br /&gt;     -Acho que é egoísmo que vocês não intervenham para evitar a destruição -disse, um pouco aborrecido.&lt;br /&gt;     Ami sorriu e olhou para as estrelas.&lt;br /&gt;     -Nosso respeito pela liberdade alheia implica deixá-los alcançar o destino que merecem. A evolução é uma coisa muito delicada, não se pode interferir, só podemos "sugerir" coisas, muito sutilmente, e através de pessoas "especiais", como você...      &lt;br /&gt;     -Como eu? Que tenho eu de especial?&lt;br /&gt;     -Talvez eu lhe diga mais adiante, por enquanto você só precisa saber que tem certa "condição", e não necessariamente "qualidade"... Devo ir-me rápido, Pedrinho. Você gostaria de me ver de novo?&lt;br /&gt;     -Claro que sim, cheguei a estimá-lo neste curto tempo.&lt;br /&gt;     -Eu também a você, mas se você quer que eu volte, vai ter que escrever um livro relatando o que viveu ao meu lado; para isso foi que eu vim, é parte do "plano de ajuda".&lt;br /&gt;     -Que eu escreva um livro? Mas eu não sei escrever livros!&lt;br /&gt;     Faça como se fosse um conto infantil, uma fantasia... se não, vão pensar que você é um mentiroso ou louco; além disso, escreva para as crianças. Peça ajuda a esse primo seu, que gosta de escrever. Você relata e ele escreve. &lt;br /&gt;     Ami parecia saber mais de mim, do que eu mesmo...&lt;br /&gt;     -Esse livro vai ser informação também. Mais do que fazemos, não nos é permitido. Você gostaria que não existisse a menor possibilidade de que uma civilização de malvados venha invadir a Terra?&lt;br /&gt;     -Sim.&lt;br /&gt;     -Está vendo? Mas se vocês não deixam de lado a sua maldade e nós os ajudamos a sobreviver, rapidamente estariam tentando dominar, explorar e conquistar outras civilizações do espaço... mas o universo civilizado é um lugar de paz e de amor, de confraternização. Além disso, existem outras qualidades de energias muito poderosas. A energia atômica ao lado delas é como um fósforo ao lado do sol... Não podemos correr o risco de que uma espécie violenta chegue a controlar essa energia e colocar em perigo a paz dos mundos evoluídos, e, muito menos, que chegue a produzir um descalabro cósmico.&lt;br /&gt;     -Estou realmente nervoso, Ami.&lt;br /&gt;     -Pelo perigo de um descalabro cósmico?&lt;br /&gt;     -Não. Porque penso que já é muito tarde...&lt;br /&gt;     -Tarde para salvar a humanidade, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Não. Para me deitar.&lt;br /&gt;     Ami se dobrava de tanto rir.&lt;br /&gt;     -Calma, Pedrinho. Vamos ver a sua vovó.&lt;br /&gt;     Pegou a pequena televisão da fivela do seu cinto. Apareceu minha vovó dormindo com a boca entreaberta.&lt;br /&gt;     -Desfruta realmente o sono -brincou.&lt;br /&gt;     -Estou cansado. Gostaria de dormir, eu também.&lt;br /&gt;     -Bem, vamos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     Caminhávamos para minha casa quando encontramos um veículo policial. Os agentes, vendo dois meninos sozinhos a essas horas da noite, pararam o automóvel, desceram e vieram até nós. Fiquei com medo.&lt;br /&gt;     -Que vocês estão fazendo a estas horas por aqui?&lt;br /&gt;     -Caminhando, desfrutando a vida -respondeu Ami muito tranqüilo- E vocês? Trabalhando? Caçando malandros? -E riu como sempre. Assustei-me ainda mais do que já estava, quando vi a liberdade que Ami estava tomando com a polícia; apesar disso eles também acharam engraçada a atitude de meu amigo, riram com ele. Tentei rir também, mas por causa do meu nervosismo não consegui.&lt;br /&gt;     -De onde você tirou essa roupa?&lt;br /&gt;     -De meu planeta -respondeu com total ousadia.&lt;br /&gt;     -Ah, você é um marciano.&lt;br /&gt;     -Marciano, exatamente, não; mas sou extraterrestre.&lt;br /&gt;     Ami respondia com alegria e despreocupação, em troca eu estava cada vez mais nervoso.&lt;br /&gt;     -Onde está o seu "ovni"? -Perguntou um deles observando Ami, com ar paternal. Pensava que era uma brincadeira de crianças; apesar disso, ele só dizia toda a verdade.&lt;br /&gt;     -Ele está estacionado na praia, debaixo do mar. Não é verdade, Pedrinho?&lt;br /&gt;     Eu não sabia o que fazer. Tentei sorrir e só consegui fazer uma careta bastante idiota, não me atrevi a dizer a verdade.&lt;br /&gt;     -E você não tem uma pistola de raios? -Os guardas se divertiam com o diálogo. Ami também, mas eu estava cada vez mais confuso e preocupado.&lt;br /&gt;     -Não preciso. Nós não atacamos ninguém. Somos bons.&lt;br /&gt;     -E se aparecer um malvado com um revólver como esse? -ele mostrou a arma fingindo ser ameaçador.&lt;br /&gt;     -Se vai me atacar, eu o paraliso com a minha força mental.&lt;br /&gt;     -Deixe eu ver. Paralise-nos!&lt;br /&gt;     -Ótimo. O efeito vai durar dez minutos.&lt;br /&gt;     Os três riam muito divertidos mesmo. De repente, Ami ficou quieto, sério e olhou fixo para eles. Com uma voz muito estranha e autoritária lhes ordenou:&lt;br /&gt;     -Fiquem imóveis durante dez minutos. Não podem, NÃO PODEM MOVER-SE... já -E eles ficaram paralisados com um sorriso, na posição em que estavam.&lt;br /&gt;     -Você vê, Pedrinho? Assim você tem que dizer a verdade, como se fosse uma brincadeira ou uma fantasia -explicou-me, enquanto tocava o nariz ou puxava suavemente os bigodes dos guardas petrificados com um sorriso, que começava a me parecer trágico, por causa das circunstâncias. Tudo aumentava meu medo. &lt;br /&gt;     -Vamos fugir daqui, bem longe, eles podem acordar -expressei, tentando não falar muito alto.&lt;br /&gt;     -Não precisa se preocupar, ainda tem tempo para que se completem os dez minutos -e começou a mexer em seus bonés. Eu só queria era estar bem longe dali.&lt;br /&gt;     -Vamos, vamos!&lt;br /&gt;     -Já está pre-ocupado de novo, em vez de desfrutar o momento... está bem, vamos -disse resignado. Aproximou-se aos sorridentes guardas e com a mesma voz anterior lhes ordenou:&lt;br /&gt;     -Quando acordarem, terão esquecido para sempre esses dois meninos.&lt;br /&gt;     Quando chegamos á primeira esquina dobramos para o lado da praia e nos afastamos do lugar. Senti-me mais tranqüilo.&lt;br /&gt;     -Como você fez isso?&lt;br /&gt;     -Hipnose, qualquer um pode.&lt;br /&gt;     -Eu acho que não se pode hipnotizar qualquer pessoa. Eles podiam ter sido uma dessas.&lt;br /&gt;     -Todas as pessoas podem ser hipnotizadas -disse Ami- além disso, todas estão hipnotizadas.&lt;br /&gt;     -O que você quer dizer?... Eu não estou hipnotizado... estou acordado.&lt;br /&gt;     Ami riu muito da minha afirmação.&lt;br /&gt;     -Você se lembra quando vínhamos pelo caminho?&lt;br /&gt;     -Sim, lembro-me.&lt;br /&gt;     -Ali tudo lhe pareceu diferente, tudo lhe pareceu lindo, não é verdade...?&lt;br /&gt;     -Ah, sim... parece que era como se eu estivesse hipnotizado... Talvez você tenha me hipnotizado!&lt;br /&gt;     -Estava acordado! Agora está adormecido, pensando que a vida não tem nenhuma maravilha, que tudo é perigoso. Você está hipnotizado, não escuta o mar, não percebe os aromas da noite, não toma consciência de seu caminhar nem de sua vista, não desfruta sua respiração. Você está hipnotizado com hipnose negativa, está como essas pessoas que pensam que a guerra tem algum sentido "glorioso", como os que supõem que quem não compartilha sua  própria hipnose é seu inimigo, todos estão hipnotizados, adormecidos. Cada vez que alguém começa a sentir que a vida ou um momento são lindos, então este alguém está começando a acordar. Uma pessoa desperta sabe que a vida é um paraíso maravilhoso e o desfruta instante a instante... mas não vamos pedir tanto a um mundo incivilizado... Imagine que têm pessoas que se suicidam... já pensou que loucura? Suicidam-se!&lt;br /&gt;     -Pensando assim, como você diz, tem razão... Como foi que esses guardas não se zangaram com as suas brincadeiras?&lt;br /&gt;     -Porque eu toquei o seu lado bom, infantil.&lt;br /&gt;     -Mas eles são policiais!&lt;br /&gt;     Olhou-me, como se eu acabasse de dizer uma estupidez.&lt;br /&gt;     -Veja, Pedrinho, todas as pessoas têm um lado bom, um lado infantil. Quase ninguém é completamente mau. Se você quiser, vamos a uma prisão e procuramos o pior criminoso.&lt;br /&gt;     -Não, obrigado.&lt;br /&gt;     -Em geral, as pessoas não são mais bondosas do que malvadas, inclusive neste planeta. Todos pensam que estão fazendo um bem com o que fazem. Alguns se enganam, mas não é maldade, é erro. É certo que quando estão adormecidos ficam sérios e até perigosos, mas se você os toca pelo lado bom, eles vão lhe devolver o que há de bom neles; se você os toca pelo lado negativo, eles vão lhe devolver o que há de negativo neles; apesar disso, todo mundo gosta de brincar de vez em quando.      &lt;br /&gt;     -Então por que neste mundo existe mais infelicidade do que felicidade?&lt;br /&gt;     -Não é que as pessoas sejam malvadas, são os sistemas que utilizam para se organizar que são velhos. As pessoas evoluíram, os sistemas ficaram atrasados. Sistemas ruins fazem as pessoas sofrer, vão fazendo as pessoas ficar infelizes, e no final as levam a cometer erros. Mas um bom sistema de organização mundial é capaz de transformar os maus em bons.&lt;br /&gt;     Não compreendi muito bem suas explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 5&lt;br /&gt;Raptado pelos extraterrestres!&lt;br /&gt;     -Já chegamos a sua casa. Já vai dormir?&lt;br /&gt;     -Sim. Estou realmente cansado, não agüento mais. E você, que vai fazer?&lt;br /&gt;     -Voltar para a nave. Vou dar uma volta pelas estrelas... Queria convidá-lo, mas se você está tão cansado...&lt;br /&gt;     -Agora já não!... de verdade?... Você me levaria a dar uma volta no seu "ovni"?&lt;br /&gt;     -Claro, mas e sua vovó?...&lt;br /&gt;     Diante de uma possibilidade tão extraordinária como a de passear num "disco voador" foi embora todo o meu cansaço, estava como novo e cheio de vitalidade; pensei imediatamente na forma de sair sem que sentissem a minha ausência.&lt;br /&gt;     -Vou jantar, deixo o prato vazio em cima da mesa, depois coloco o meu travesseiro debaixo da roupa de cama, porque se minha avó se levantar vai pensar que eu estou dormindo em casa, deixo esta roupa por aí e visto outra. Farei isso com muito cuidado e em silêncio.&lt;br /&gt;     -Perfeito, vamos estar de volta antes que ela se acorde. Não se preocupe com nada.&lt;br /&gt;     Fiz tudo de acordo ao calculado, mas quando quis comer a carne tive nojo e não pude comer. Alguns minutos mais tarde caminhávamos para a praia.&lt;br /&gt;     -Como vou subir na nave?&lt;br /&gt;     -Vou entrar nadando, pela água, depois levo o veículo até a praia.&lt;br /&gt;     -Não vai lhe dar frio entrar no mar?&lt;br /&gt;     -Não. Esta roupa resiste muito mais ao frio e calor do que você imagina... Bem, vou pegar a nave. Espere-me aqui e quando eu aparecer não se assuste.&lt;br /&gt;     -Oh, não; já não tenho mais medo dos extraterrestres -achei graça de sua recomendação desnecessária...&lt;br /&gt;     Ami se dirigiu até as suaves ondas, entrou no mar e começou a nadar. Logo se perdeu de vista, na escuridão, pois a lua tinha desaparecido detrás de umas nuvens bem tenebrosas...&lt;br /&gt;     Pela primeira vez, desde que Ami apareceu, tive tempo de pensar a sós... Ami?... um extraterrestre!... Era verdade ou tinha sido um sonho?&lt;br /&gt;     Esperei um bom tempo e comecei a me sentir nervoso. Não me senti muito seguro... estava sozinho, numa praia escura e terrivelmente solitária...&lt;br /&gt;     Ia enfrentar-me com uma nave extraterrestre... minha imaginação me fazia ver estranhas sombras se mexendo entre as pedras, na areia, surgindo das águas. E se Ami fosse malvado disfarçado de menino, falando de bondade para conseguir minha confiança... ... ... Não, não pode ser!... ... ... Raptado por uma nave extraterrestre?...   &lt;br /&gt;     Neste momento apareceu diante dos meus olhos um espetáculo apavorante: debaixo da água um resplendor amarelo esverdeado começava a subir lentamente, depois apareceu uma cúpula que girava, com muitas luzes coloridas... Era verdade! Eu estava contemplando uma nave de outro mundo! Depois apareceu o corpo do veículo espacial, ovalado, com janelas iluminadas. Emitia uma luz entre prateada e verde. Foi uma visão que eu não esperava, senti verdadeiro terror. Uma coisa era falar com um menino... menino?... com cara de bonzinho... máscara?... e outra coisa era estar aí, quieto, sozinho, numa praia, na escuridão da noite e ver aparecer uma nave de outro mundo... um "ovni" que vem nos pegar para nos levar para longe... Esqueci do "menino" e de tudo o que ele me tinha dito. Para mim aquilo se transformou numa máquina infernal, vinda de quem sabe de que sombrio mundo do espaço, cheia de seres monstruosos e cruéis que vinham me raptar. Pareceu-me que era de um tamanho muito maior do que o objeto que eu tinha visto cair no mar umas horas antes.&lt;br /&gt;     Começou a aproximar-se de mim, flutuando a uns três metros por cima das águas.Não emitia nenhum som, o silêncio era horrível e se aproximava, se aproximava irremediavelmente. Quis fugir. Desejei não ter conhecido nunca nenhum extraterrestre, queria fazer o tempo voltar para trás, estar dormindo tranqüilamente perto de minha avó, a salvo, na minha caminha, ser um menino normal e com uma vida normal. Isso era um pesadelo; não conseguia sair correndo, não podia deixar de olhar para esse monstro luminoso que vinha me levar... quem sabe a um zoológico espacial...&lt;br /&gt;     Quando chegou em cima da minha cabeça, eu me senti perdido. Apareceu uma luz amarela no ventre da nave, depois um reflexo me ofuscou e aí eu soube que já estava morto. Encomendei minha alma a Deus e decidi abandonar-me a sua Suprema Vontade... &lt;br /&gt;     Senti que me elevavam, que eu ia numa espécie de elevador, mas meus pés não estavam apoiados em nada. Esperei ver aparecer aqueles seres com cabeça de polvo e olhos sanguinários e sangrentos...&lt;br /&gt;     De repente, meus pés pousaram sobre uma superfície acolchoada e me vi de pé num recinto luminoso e agradável, carpetado e com paredes atapetadas. Ami estava na minha frente, sorrindo com seus grandes olhos de menino bom. Seu olhar conseguiu me acalmar, fazendo-me voltar á realidade, essa maravilhosa realidade que ele tinha me ensinado a conhecer. Colocou a mão no meu ombro.&lt;br /&gt;     -Calma, calma; não tem nada de mal.&lt;br /&gt;     Quando consegui falar, sorri e lhe disse:&lt;br /&gt;     -Deu-me muito medo.&lt;br /&gt;     -É sua imaginação desenfreada. A imaginação sem controle pode matar de terror, é capaz de inventar um demônio onde só existe um bom amigo, mas são somente nossos monstros internos, porque a realidade é simples e maravilhosa, é fácil...&lt;br /&gt;     -Então... estou num "ovni"?&lt;br /&gt;     -Bem, "ovni" é um objeto voador não identificado. Isto está plenamente identificado: é uma nave espacial; mas podemos lhe chamar "ovni" se você quiser, e também pode me chamar "marciano". -Relaxei completamente a tensão quando rimos.- Venha, vamos para a sala de comandos -convidou-me.                                                                                                                                                                                                                      &lt;br /&gt;     Por uma porta muito pequena e em forma de arco passamos a outro recinto, de teto tão baixo como o do que acabávamos de abandonar. Diante de mim apareceu uma sala semicircular rodeada de janelas ovais. No centro havia três poltronas reclináveis na frente dos controles, e várias telas quase apoiadas do chão. Aquilo era como se fosse para crianças! Tanto as poltronas como a altura da sala. Ali não caberia um adulto de nenhuma maneira... Eu podia tocar o teto levantando o braço.&lt;br /&gt;     -Isto é fabuloso! -exclamei entusiasmado. Aproximei-me das janelas enquanto Ami se acomodava na poltrona central, na frente dos controles. Detrás dos vidros pude ver a distância o reflexo das luzes do balneário. Senti uma suave vibração no chão e o povoado desapareceu. Agora só via estrelas...&lt;br /&gt;     -Ei, o que você fez com o balneário?&lt;br /&gt;     -Olhe para baixo -respondeu Ami. Quase desmaiei: estávamos a milhares de metros de altitude sobre a baía. Podíamos ver todos os povoados da costa que havia nessa região; o meu estava lá embaixo, bem embaixo. Tínhamos nos elevado quilômetros num instante e eu não tive nenhuma sensação de movimento!&lt;br /&gt;     -Super, super, ótimo! -meu entusiasmo crecia, mas logo a altura me deu vertigem.&lt;br /&gt;     -Ami...&lt;br /&gt;     -Diga.&lt;br /&gt;     -... Isso não cai?&lt;br /&gt;     -Bem, se a bordo houvesse uma pessoa que tivesse dito mentiras, então os mecanismos poderiam falhar...&lt;br /&gt;     -Desça, então, desça!&lt;br /&gt;     Por suas gargalhadas soube que ele estava brincando.&lt;br /&gt;     -Podem nos ver lá de baixo?&lt;br /&gt;     -Quando esta luz se acende -disse apontando um sinal ovalado nos comandos- quer dizer que somos visíveis. Quando está apagada, como agora, somos invisíveis.&lt;br /&gt;     -Invisíveis?&lt;br /&gt;     -Do mesmo jeito que este senhor que está sentado do meu lado -mostrou a poltrona vazia a seu lado. Alarmei-me, mas suas risadas me fizeram compreender que era outra de suas brincadeiras.&lt;br /&gt;     -Como você faz para que não sermos vistos?&lt;br /&gt;     -Se uma roda de bicicleta está girando rápido, seus raios não são vistos. Nós fazemos que as moléculas desta nave se movimentem rápido...&lt;br /&gt;     -Engenhoso, mas eu gostaria que nos vissem lá de baixo.&lt;br /&gt;     -Não posso fazer isso. A visibilidade ou invisibilidade de nossas naves, quando estão em mundos incivilizados, efetua-se de acordo ao "plano de ajuda". Isso é decidido por um "computador" gigante situado no centro desta galáxia...&lt;br /&gt;     -Não entendo direito.&lt;br /&gt;     -Esta nave esta conectada a este "super-computador" que decide quando podemos ou quando não podemos ser vistos.&lt;br /&gt;     -E como é que esse "computador" sabe quando...?&lt;br /&gt;     -Esse "computador" sabe tudo... Você quer que a gente vá até algum lugar em especial? &lt;br /&gt;     -Até a capital! Gostaria de ver a minha casa daqui do ar...&lt;br /&gt;     -Vamos! -Ami mexeu uns controles e disse, "já". Preparei-me para desfrutar a viajem olhando pela janela... mas já tínhamos chegado!... Cem quilômetros em uma fração de segundo!&lt;br /&gt;     Eu estava maravilhado.&lt;br /&gt;     -Isto sim que é viajar rápido!&lt;br /&gt;     -Já lhe expliquei que em geral não "viajamos", senão que nos "situamos"... É uma questão de coordenadas, mas também podemos "viajar".&lt;br /&gt;     Olhei as grandes avenidas iluminadas. Era impressionante ver a cidade, de noite, de cima. Localizei meu bairro e pedi a Ami que nos dirigíssemos para lá.&lt;br /&gt;     -Mas "viajando" devagar, por favor. Quero desfrutar o passeio.&lt;br /&gt;     A luz dos comandos estava apagada. Ninguém nos via.&lt;br /&gt;     Fomos avançando suave e silenciosamente entre as estrelas e as luzes da cidade.&lt;br /&gt;     Apareceu a minha casa. Foi extraordinário vê-la das alturas.&lt;br /&gt;     -Quer comprovar se está tudo bem lá dentro?&lt;br /&gt;     -Como?&lt;br /&gt;     -Vamos ver por esta tela.&lt;br /&gt;     Na frente dele, numa espécie de televisão grande, apareceu a rua focalizada de cima; era o mesmo sistema pelo qual vimos minha avó dormir, mas com uma grande diferença: aqui a imagem aparecia em alto-relevo, com profundidade. Parecia que se podia meter a mão pela tela e tocar as coisas. Tentei fazer isso, mas o vidro invisível me impediu. Ami se divertia comigo.&lt;br /&gt;     -Todos fazem a mesma coisa...&lt;br /&gt;     -Todos, quem são todos?&lt;br /&gt;     -Você não vai pensar que é o primeiro incivilizado que sai a passeio numa nave extraterrestre?&lt;br /&gt;     -Tinha pensado que era -disse, um pouco decepcionado.&lt;br /&gt;     -Pois se enganou.&lt;br /&gt;     A lente da câmara, ou o que quer que fosse, pareceu atravessar o teto da minha casa, percorrendo cada cantinho. Estava tudo em ordem.&lt;br /&gt;     -Por que na sua televisão portátil não se pode ver em alto-relevo, como nessa tela?&lt;br /&gt;     -Já lhe disse, é um sistema antigo...&lt;br /&gt;     Pedi que fôssemos dar uma volta pela cidade. Passamos pelo meu colégio. Vi o pátio, o campo de futebol, os arcos, minha classe. Pensei em mim mesmo contando mais tarde a aventura aos meus colegas: "Vi o colégio de uma nave espacial"... Estaria orgulhoso.&lt;br /&gt;     Fomos passando pela cidade toda.&lt;br /&gt;     -É uma pena que não seja de dia -disse.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Teria gostado de passear na sua nave também de dia... ver cidades, paisagens com a luz do sol...-como de costume, Ami estava rindo de mim.&lt;br /&gt;     -Você quer que seja dia? -perguntou.&lt;br /&gt;     -Não acredito que os seus poderes sejam suficientes para mover o sol... ou são?&lt;br /&gt;     -O sol não, mas nós sim...&lt;br /&gt;     Conectou os controles e começamos a nos mover tremendamente rápido; subimos a cordilheira dos Andes e a atravessamos em uns três segundos, depois apareceram várias cidades que se viam como umas manchinhas luminosas, devido à grande altitude que tínhamos atingido; imediatamente depois apareceu o enorme oceano Atlântico, banhado pela lua. Também havia muitas nuvens enormes que limitavam minha visibilidade. O céu foi se aclarando no horizonte, viajávamos em direção ao leste. Chegamos à terra e aconteceu algo extraordinário: o sol começou a subir rapidamente! Para mim aquilo foi algo incrível. Ami tinha movido o sol! Em apenas uns momentos se fez dia.&lt;br /&gt;     -Por que você disse que não podia mover o sol?&lt;br /&gt;     Ami se deleitava observando minha ignorância.&lt;br /&gt;     -O sol não se move; fomos nós que nos movemos rapidamente.&lt;br /&gt;     Compreendi meu erro imediatamente, mas tinha sua justificação: é preciso ver o que é contemplar o sol se elevar pelo horizonte a uma velocidade impressionante...&lt;br /&gt;     -Em que lugar estamos?&lt;br /&gt;     -África.&lt;br /&gt;     -África? Mas se faz só um minuto nós estávamos na América do Sul!&lt;br /&gt;     -Como você queria viajar de dia nessa nave, viemos para um lugar que fosse de dia: "se a montanha não vem a Mahomé, Mahomé vai à montanha"...&lt;br /&gt;     -Que país da África você gostaria de visitar? &lt;br /&gt;     -Deixa eu ver... a Índia.&lt;br /&gt;     Sua risada me mostrou que meus conhecimentos de geografia não eram muito exatos...&lt;br /&gt;     -Então vamos à Ásia, para a Índia... A qual cidade da Índia você quer ir?&lt;br /&gt;     -... Dá no mesmo... escolhe você... &lt;br /&gt;     -Bombaim está bem?&lt;br /&gt;     -Sim, ótimo Ami...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;     Passamos em grande velocidade e altitude por cima do continente africano. Mais tarde, na minha casa, com um mapa-múndi pude reconstruir minha viagem. Chegamos ao oceano Índico, e o atravessamos enquanto o sol subia e subia vertiginosamente. De repente estávamos na Índia. A nave freou bruscamente e ficou imóvel...&lt;br /&gt;     -Como foi que nós não nos batemos contra as janelas com essa freada? -perguntei muito surpreendido.&lt;br /&gt;     -É uma questão de anular a inércia...&lt;br /&gt;     Ah, que fácil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 6&lt;br /&gt;Uma questão de medidas&lt;br /&gt;     Descemos sobre a cidade, até chegar a uns cem metros de altura e começamos nosso passeio pelos céus de Bombaim.&lt;br /&gt;     Parecia-me estar sonhando ou vendo um filme. Homens com turbantes brancos, casas muito diferentes das do meu país. Chamou minha atenção a enorme quantidade de pessoas nas ruas. Não era como na minha cidade. Lá, nem mesmo no centro, na hora de saída dos escritórios vê-se essa multidão. Aqui estavam em todos os lugares. Para mim, aquilo era outro mundo.&lt;br /&gt;     Ninguém nos via; a luz indicativa estava apagada.&lt;br /&gt;     De repente, voltei à "realidade".&lt;br /&gt;     -Nossa, minha vovó.&lt;br /&gt;     -O que é que há com a sua avó?&lt;br /&gt;     -Já é dia, ela já deve ter se levantado, e vai se preocupar com a minha ausência... vamos voltar!&lt;br /&gt;     Para Ami, eu era um permanente motivo de riso.&lt;br /&gt;     -Pedrinho, sua avó dorme profundamente. Lá é meia noite neste momento, do outro lado do mundo; aqui são dez da manhã.&lt;br /&gt;     -De ontem ou de hoje? -perguntei, confundido com o tempo.&lt;br /&gt;     -De amanhã -respondeu, morto de rir-. Não se preocupe. A que horas ela se levanta?&lt;br /&gt;     -Mais ou menos às oito e meia.&lt;br /&gt;     -Então ainda temos oito horas e meia pela frente... sem contar que podemos esticaaaar o tempo...&lt;br /&gt;     -Estou preocupado... Por que não vamos ver?&lt;br /&gt;     -O que você quer ver?&lt;br /&gt;     -Ela pode ter acordado...&lt;br /&gt;     -Melhor vermos daqui mesmo.&lt;br /&gt;     Pegou os controles de uma tela e apareceu a costa da América do Sul vista de muita altura, depois a imagem mostrou uma queda em direção à terra a uma velocidade fantástica. Logo pude distinguir a baía, o balneário, a casa da praia, o teto e a minha avó. Era incrível, parecia que estava ali; dormindo, com a boca entreaberta, na mesma posição anterior. &lt;br /&gt;     -Não se pode dizer que ela dorme mal, ein? -observou Ami com malícia, depois acrescentou- Vamos fazer algo para que você fique tranqüilo.&lt;br /&gt;     Pegou uma espécie de microfone e me indicou que ficasse em silêncio. Apertou um botão e disse "psiu". Minha vovó escutou aquilo; acordou, levantou-se e foi até a copa. Nós podíamos escutar os seus passos e sua respiração. Viu meu prato meio vazio sobre a mesa, pegou-o e deixou-o na cozinha, depois foi até o meu dormitório, abriu a porta, acendeu a luz e olhou para minha cama. Estava perfeita, parecia que eu dormia lá, contudo, alguma coisa lhe clamou a atenção, não soube o que era, mas Ami sim. &lt;br /&gt;Pegou o microfone e respirou perto dele. Minha avó escutou essa respiração e pensou que era a minha, apagou a luz, fechou a porta e foi para o seu dormitório.&lt;br /&gt;     -Está tranqüilo agora?&lt;br /&gt;     -Sim, agora sim... mas não dá para acreditar; ela dormindo lá e nós aqui de dia...&lt;br /&gt;     -Vocês vivem condicionados demais pelas distâncias e pelo tempo...&lt;br /&gt;     -Não compreendo.&lt;br /&gt;     -O que você pensaria de sair de viagem hoje e voltar ontem?&lt;br /&gt;     -Você quer me deixar maluco. Não poderíamos visitar a China?&lt;br /&gt;     -Claro, que cidade você gostaria conhecer?&lt;br /&gt;     Desta vez não ia passar vergonha. Respondi com segurança e orgulho:&lt;br /&gt;     -Tóquio.&lt;br /&gt;     -Então vamos conhecer Tóquio... a capital do Japão -disse tentando dissimular a vontade de rir.&lt;br /&gt;     Passamos por todo o território da Índia, de Oeste a Leste. Chegamos ao Himalaia, ali a nave parou.&lt;br /&gt;     -Temos ordens -disse Ami. Numa tela apareceram estranhos sinais- Vamos deixar um testemunho. O "computador" gigante indica que devemos ser vistos por alguém em algum lugar.&lt;br /&gt;     -Que divertido! Onde e por quem?&lt;br /&gt;     -Não sei. Vamos ser guiados pelo "computador". Já chegamos...&lt;br /&gt;     Havíamos utilizado o sistema de translado instantâneo. Estávamos sobre um bosque, suspensos no ar a uns cinqüenta metros de altura. A luz dos controles mostrava que éramos visíveis. Havia muita neve por ali.&lt;br /&gt;     -Isto é o Alaska -disse Ami reconhecendo o lugar. O sol começava a se ocultar no mar próximo dali.&lt;br /&gt;     A nave começou a se mover no céu, desenhando um enorme triângulo com sua trajetória, enquanto mudava suas cores.&lt;br /&gt;     -Para que fazemos isso?&lt;br /&gt;     -Para impressionar. Devemos chamar a atenção desse amigo que vem ali.&lt;br /&gt;     Ami observava pela tela, e eu o procurei através dos vidros das janelas e o encontrei. Ao longe, entre as árvores, havia um homem com um casaco de pele de cor marrom; tinha uma espingarda, parecia muito assustado. Apontou-nos sua arma. Agachei-me, com medo, para evitar ser atingido pelo possível disparo. Ami se divertia com minhas inquietudes.&lt;br /&gt;     -Não tenha medo, este "ovni" é à prova de balas... e de muito mais...&lt;br /&gt;     Elevamo-nos até ficarmos bem alto, sempre emitindo uma cintilação colorida.&lt;br /&gt;     -É preciso que este homem não esqueça jamais esta visão.&lt;br /&gt;     Eu pensei que, para que ele nunca mais esquecesse o espetáculo, era suficiente ter passado pelo ar, sem necessidade de o assustar tanto. Disse isto a Ami.&lt;br /&gt;     -Você se engana. Milhares de pessoas já viram passar nossas naves, mas hoje em dia não se lembram. Se no momento em que nos viram estavam muito pre-ocupadas com seus assuntos corriqueiros, olhavam-nos quase sem nos ver, depois, esqueceram. Temos estatísticas impressionantes a esse respeito.&lt;br /&gt;     -Por que é preciso que esse homem nos veja?&lt;br /&gt;     -Não sei exatamente, talvez seu testemunho seja importante para alguma outra pessoa interessante, especial; ou talvez, ele mesmo o seja. Vou focalizá-lo com o "sensômetro".&lt;br /&gt;     Em outra das telas apareceu o homem, mas estava quase transparente. No centro do seu peito brilhava uma luz dourada muito linda.&lt;br /&gt;     -Que luz é essa?&lt;br /&gt;     -Podemos dizer que é a quantidade de amor que existe nele, mas não seria tão exato; é mais certo dizer que é o efeito que a força do amor exerce sobre a sua alma. E também seu nível de evolução. Ele tem setecentas e cinqüenta medidas.&lt;br /&gt;     -E isso o que significa?&lt;br /&gt;     -Que ele é interessante.&lt;br /&gt;     -Interessante por quê?&lt;br /&gt;     -Porque seu nível de evolução é realmente bom... para ser um terrícola.&lt;br /&gt;     -Nível de evolução?&lt;br /&gt;     -Seu grau de aproximação com o animal ou com o "anjo".&lt;br /&gt;     Ami focalizou um urso na tela, também transparente, mas a luz no seu peito brilhava muito menos do que a do homem.&lt;br /&gt;     -Duzentas medidas -precisou Ami. Depois focalizou um peixe. Desta vez a luz era mínima. &lt;br /&gt;     -Cinqüenta medidas. A média dos seres humanos da Terra é de quinhentas e cinqüenta medidas. &lt;br /&gt;     -E você, quantas medidas tem, Ami?&lt;br /&gt;     -Setecentas e sessenta medidas -respondeu.&lt;br /&gt;     -Só dez a mais do que o caçador! -surpreendi-me pela pouca diferença entre um terrícola e ele.&lt;br /&gt;     -Claro. Temos um nível parecido.&lt;br /&gt;     -Mas se supõe que você deva ser muito mais evoluído do que os terrícolas.&lt;br /&gt;     -Na Terra as pessoas variam entre trezentas e vinte e oitocentas medidas.&lt;br /&gt;     -Algumas mais do que você!&lt;br /&gt;     -Claro que sim. A vantagem que eu tenho consiste no fato de que eu conheço certas coisas que eles ignoram, mas aqui existem pessoas muito valiosas: mestres, artistas, enfermeiras, bombeiros...&lt;br /&gt;     -Bombeiros!?&lt;br /&gt;     -Você não acha nobre arriscar a própria vida pelos demais?&lt;br /&gt;     -Você tem razão, mas meu tio, o que é físico nuclear, também deve ser muito valioso...&lt;br /&gt;     -Famoso talvez... A que se dedica seu tio, dentro da física?&lt;br /&gt;     -Está desenvolvendo uma nova arma, um raio ultra-sônico.&lt;br /&gt;     -Se ele não acredita em Deus, e além disso se dedica à fabricação de armas... penso que tem um nível bem baixo.&lt;br /&gt;     -O quê?! Mas ele é um sábio! -protestei.&lt;br /&gt;     -Você está confundindo as coisas de novo. Seu tio tem muita informação, mas ter informação não significa necessariamente ser inteligente, e muito menos um sábio. Um computador pode ter armazenado muita informação, mas nem por isso é inteligente. Você acha muito sábio um homem que cava uma fossa, ignorando que ele mesmo vai cair nela?&lt;br /&gt;     -Não, mas...&lt;br /&gt;     -As armas se voltam contra aqueles que as apóiam...&lt;br /&gt;     Não me pareceu muito evidente essa afirmação de Ami, mas decidi acreditar nele. Quem era eu para duvidar de sua palavra? Apesar disso, estava confuso... meu tio era meu herói... um homem tão inteligente...&lt;br /&gt;     -Tem um bom computador na cabeça, isto é tudo. Aqui existe um problema de terminologia: na Terra dizem inteligentes ou sábios aos que têm uma boa capacidade cerebral em só um dos cérebros, mas temos dois...&lt;br /&gt;     -O quê!&lt;br /&gt;     -Um na cabeça. Esse é o "computador", o único que vocês conhecem. O outro está no peito, não é visível, mas existe. É o mais importante, é essa luz que você viu pela tela no peito do homem. Para nós, inteligente ou sábio é aquele que tem ambos os cérebros em harmonia, mas isso quer dizer que o cérebro da cabeça, está a serviço do cérebro do peito, e não ao contrário, como na maioria dos "inteligentes".&lt;br /&gt;     -Tudo isso me surpreende, mas agora entendo melhor. O que acontece com aqueles que tem mais desenvolvido o cérebro do peito do que o da cabeça? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Esses são os "tolos bons". São fáceis de enganar, é simples para os outros, os "inteligentes maus", como você dizia, colocá-los a fazer o mal enquanto pensam que estão fazendo o bem... o desenvolvimento intelectual deve estar em harmonia com o desenvolvimento emocional, só assim se produz um verdadeiro inteligente ou sábio. Só assim a luz pode crescer.&lt;br /&gt;     -E eu, Ami, quantas medidas tenho?&lt;br /&gt;     -Não posso lhe dizer.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque se teu nível for alto, você vai ficar vaidoso...&lt;br /&gt;     -AH!! compreendo...&lt;br /&gt;     -Mas se for baixo... você vai se sentir muuuuito mal...&lt;br /&gt;     -Ah...&lt;br /&gt;     -O orgulho apaga a luz... é a semente da maldade.&lt;br /&gt;     -Não entendo.&lt;br /&gt;     -Devemos tentar ser humildes... Veja, já estamos indo.&lt;br /&gt;     Instantaneamente estávamos de volta à cordilheira, ao Himalaia, situados do outro lado do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 7&lt;br /&gt;Os avistamentos&lt;br /&gt;     Avançamos até um mar longínquo, ao qual chegamos em segundos e o atravessamos; apareceram umas ilhas, descemos sobre a cidade de Tóquio. Pensei que ia encontrar casas com telhados com as pontas para cima, mas o que mais havia era arranha-céus, modernas avenidas, parques, automóveis.&lt;br /&gt;     -Estamos sendo vistos -disse Ami, apontando a luz dos controles acesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     Na rua, as pessoas começavam a amontoar-se, apontavam-nos com a mão. Novamente se acenderam as luzes exteriores de várias cores. Estávamos realmente alto, ficamos uns dois minutos ali.     &lt;br /&gt;     -Outro avistamento -disse Ami, observando os sinais que apareciam na tela- Vamos ser transladados.&lt;br /&gt;     Subitamente, a luz do dia se apagou. Só ficaram as estrelas cintilando detrás dos vidros.&lt;br /&gt;     Embaixo não se viam grandes coisas. Uma pequena cidade, longe, algumas poucas luzes, um caminho pelo qual vinha um automóvel. Fui até a tela que estava na frente de Ami. Ali aparecia o panorama perfeitamente iluminado. O que à simples vista não se distinguia, devido à escuridão, no monitor era perfeitamente claro; assim percebi que o automóvel era verde e que nele viajava um casal.     &lt;br /&gt;     Estávamos a uns vinte metros de altura, éramos visíveis, segundo indicavam os controles.&lt;br /&gt;     Decidi daí em diante aproveitar essa tela. Era mais nítida do que a própria realidade.&lt;br /&gt;     Quando o veículo se aproximou de nós, parou, estacionou ao lado do caminho e seus ocupantes desceram, começaram a gesticular e a gritar enquanto nos olhavam com os olhos arregalados.&lt;br /&gt;     -O que estão dizendo? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Estão pedindo comunicação, contato. São um casal de estudiosos dos "ovnis", ou melhor, "adoradores de extraterrestres".&lt;br /&gt;     -Então, comunique-se -disse eu, preocupado pelo nervosismo dessas pessoas. Ajoelharam e rezavam, ou algo assim.&lt;br /&gt;     -Não posso, tenho que obedecer às ordens estritas do "plano de ajuda". A comunicação não se produz quando qualquer um deseja, senão quando se decide do "alto"; além disso, também não posso ser cúmplice de uma idolatria.&lt;br /&gt;     -O que é idolatria?&lt;br /&gt;     -Uma violação a uma lei universal -respondeu Ami, muito sério.&lt;br /&gt;     -Em que consiste? -perguntei, intrigado.&lt;br /&gt;     -Somos considerados deuses.&lt;br /&gt;     -O que isso tem de mal?&lt;br /&gt;     -Só se deve venerar a Deus, o resto é idolatria. Seria muita falta de respeito de nossa parte se usurpássemos o lugar de Deus, frente à distorcida religiosidade dessas pessoas. Se fôssemos considerados como irmãos, seria outra coisa.&lt;br /&gt;     Pensei que Ami pudesse ensinar a verdade ao casal.&lt;br /&gt;     -Pedrinho -respondeu a meus pensamentos-, nos mundos incivilizados do universo se cometem ações que nos parecem terríveis. Neste preciso momento, estão queimando vivas muitas pessoas, porque outros pensam que elas são "hereges"; isso está acontecendo em muitos planetas, como aconteceu aqui na Terra, há centenas de anos. Neste mesmo momento, debaixo do mar, os peixes estão comendo-se vivos uns aos outros. Este planeta não é muito evoluído. Assim como as pessoas têm diferentes níveis evolutivos, também os planetas. As leis que regem a vida nos mundos inferiores nos parecem brutais. A Terra a milhões de anos, estava regida por outros tipos de leis, tudo era agressivo, venenoso, tudo tinha garras e presas; hoje, que se atingiu um nível de evolução mais avançado, existe mais amor, mas ainda não se pode dizer que este seja um mundo evoluído. Ainda existe muito brutalidade.&lt;br /&gt;     Ami sintonizou uma tela e apareceram algumas cenas de guerra. De uns tanques, os soldados lançavam mísseis contra alguns edifícios, destruíndo-os, junto com as crianças, mulheres e homens que os habitavam.&lt;br /&gt;     Isto está acontecendo agora mesmo num país da terra, mas não podemos fazer nada. Na evolução de cada planeta, país ou pessoas, não podemos interferir. No fundo, tudo é aprendizagem. Fui uma fera e morri destroçado por outras feras; fui um ser humano de baixo nível, matei e me mataram, fui cruel, recebi crueldade. Morri muitas vezes; fui aprendendo aos poucos a viver de acordo à Lei fundamental do universo. Agora minha vida é melhor, mas não posso ir contra o sistema de evolução que Deus criou. Esse casal está violando uma lei universal, ao comparar-nos com alguém tão grande e majestoso como Deus. Retiram seus sentimentos de veneração e amor ao Criador e os dirigem para nós... Os soldados que vimos, também violam uma lei universal: "não mataras".Eles deverão pagar por seus erros e, assim, pouco a pouco irão aprendendo. Somente quando uma pessoa ou um mundo conseguiu atingir certo nível evolutivo, pode receber nossa ajuda, sem que seja uma violação ao sistema evolutivo geral.&lt;br /&gt;     Na verdade, não compreendi nem meia palavra do que Ami disse, somente mais tarde, pensando, foi que percebi tudo com mais clareza, muito depois de sua partida; foi então que pude escrever mais ou menos como ele disse.&lt;br /&gt;     Enquanto esperávamos que o "super-computador" nos retirasse dali, Ami sintonizou a televisão japonesa. Com o seu bom humor habitual observava um programa de notícias. Aparecia um repórter que entrevistava, microfone na mão, as pessoas na rua. Uma senhora falava gesticulando e apontava para o céu. Não entendi nada, mas percebi que relatava seu encontro com o "ovni"... o nosso. Outras pessoas também comentavam sua versão do fenômeno.&lt;br /&gt;     -O que estão dizendo? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Que virão um "ovni"... tem cada louco... -opinou sorrindo.&lt;br /&gt;     Depois apareceu um senhor com óculos que fazia desenhos num quadro-negro enquanto dava explicações. Representava o sistema solar, a Terra e os demais planetas. Ficou falando muito tempo. Soube que era um cientista especialista em astronomia. Parecia que Ami entendia essa língua, porque estava muito distraído olhando o programa, talvez utilizando o "tradutor".&lt;br /&gt;     -O que está dizendo? -voltei a perguntar.&lt;br /&gt;     -Que em função de tudo o que explicou, está "cientificamente demonstrado" que não existe vida inteligente na galáxia inteira, excetuando a Terra... Também disse que as pessoas que viram o suposto "ovni" sofreram uma alucinação coletiva, e lhes recomendou uma visita ao psiquiatra...&lt;br /&gt;     -De verdade? -perguntei.&lt;br /&gt;     -De verdade -respondeu rindo.&lt;br /&gt;     O cientista continuava falando.&lt;br /&gt;     -O que ele está dizendo agora?&lt;br /&gt;     -Que possivelmente exista uma civilização "tão avançada" como esta, mas uma a cada duas mil galáxias, segundo os cálculos.&lt;br /&gt;     -E isso que significa?&lt;br /&gt;     -Que quando ele souber que somente nesta galáxia existem milhões de civilizações, o coitado vai ficar louco, pior do que já está...&lt;br /&gt;     Rimos um bom tempo. Para mim foi muito cômico, escutar um cientista dizendo que os "ovnis" não existem... e eu olhando o programa de dentro de um "ovni".&lt;br /&gt;     Ficamos aproximadamente uma hora naquele lugar, até que a luz da invisibilidade se apagou.&lt;br /&gt;     -Estamos livres.&lt;br /&gt;     -Então podemos continuar passeando? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Claro. Aonde você gostaria de ir agora?&lt;br /&gt;     -Hummm... deixa eu ver... à ilha de Páscoa!&lt;br /&gt;     -Lá é noite... veja -já tínhamos chegado.&lt;br /&gt;     -Ilha da Páscoa?&lt;br /&gt;     -Exatamente.&lt;br /&gt;     -Que rápido!&lt;br /&gt;     -Você acha rápido? Espere... agora olhe pela janela.&lt;br /&gt;     Estávamos sobre um deserto muito estranho. O céu estava muito escuro, quase negro, exceto pelo brilho azulado da lua.&lt;br /&gt;     -O que é isto, Arizona?&lt;br /&gt;     -Isto é a lua.&lt;br /&gt;     -A lua?&lt;br /&gt;     -A lua.&lt;br /&gt;     Olhei para o que pensei que fosse a lua.&lt;br /&gt;     -... Então isso...&lt;br /&gt;     -Isso é a Terra.&lt;br /&gt;     -A Terra!&lt;br /&gt;     -A Terra. Lá dorme a sua vovó...&lt;br /&gt;     Estava fascinado. Era na realidade a Terra, tinha uma cor azul claro. Pareceu-me incrível que uma coisa tão pequena pudesse conter tantas coisas grandes, montanhas, oceanos. Sem saber o porquê, apareciam imagens arquivadas em minha memória; recordei um riacho da minha infância, uma parede coberta de musgo, umas abelhas num jardim, um carro de boi numa tarde de verão... tudo isso estava lá, nesse pequeno globo azul que flutuava entre as estrelas.&lt;br /&gt;     De repente vi o sol, um astro longínquo, mas bem mais incandescente do que na Terra.&lt;br /&gt;     -Por que se vê tudo pequeno?&lt;br /&gt;     -Porque aqui não existe uma atmosfera que atue como lente de aumento, como lupa; por isso, na Terra se vê maior do que aqui, mas se não fosse pelos vidros especiais desta nave, esse pequeno sol o queimaria, justamente porque não tem uma atmosfera que filtre certos raios que são nocivos para você.&lt;br /&gt;     Não gostei dessa visão da lua. Vista da Terra parecia mais linda. Era um mundo solitário, tenebroso.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     -Não poderíamos ir a um lugar mais bonito?&lt;br /&gt;     -Habitado? -perguntou Ami.&lt;br /&gt;     -Claro!... Mas sem monstros...&lt;br /&gt;     -Para isso temos que ir bem longe.&lt;br /&gt;     Mexeu nos controles, a nave vibrou suavemente, as estrelas se esticaram, transformando-se em linhas luminosas; depois, pelas janela apareceu uma neblina branca e brilhante que reverberava.&lt;br /&gt;     -O que está acontecendo? -perguntei um pouco assustado.&lt;br /&gt;     -Estamo-nos situando...&lt;br /&gt;     -Situando onde?&lt;br /&gt;     -Em um longínquo planeta. Temos que esperar uns minutos. Por enquanto, vamos escutar um pouco de música.&lt;br /&gt;     Ami tocou um pouco nos controles. Suaves e estranhos sons encheram o recinto. Meu amigo fechou os olhos e se dispôs a escutar com prazer.&lt;br /&gt;     Eram todas bem diferentes das que eu havia conhecido até então. De repente, uma vibração muito baixa e sustentada chegava a fazer vibrar a sala de comandos, depois uma nota agudíssima soou, o silêncio durava alguns segundos. Depois se escutavam notas rápidas que subiam e baixavam, outra vez a mais grave que se agudizava aos poucos, enquanto uma espécie de rugidos e alguns sininhos mantinham um ritmo variado.&lt;br /&gt;     Ami parecia em êxtase. Imaginei que conhecia muito bem aquela "melodia", porque com os lábios ou leves movimentos de sua mão se adiantava o que escutaríamos logo.&lt;br /&gt;     Lamentei interrompê-lo, mas não gostei nada daquela "música".&lt;br /&gt;     -Ami -chamei. Não respondeu; estava muito concentrado nessa espécie de interferência elétrica de um rádio de onda curta...&lt;br /&gt;     -Ami -insisti.&lt;br /&gt;     -Oh, desculpe!... sim?&lt;br /&gt;     -Desculpe-me, mas eu não gosto.&lt;br /&gt;     -Claro, é natural; o desfrutar essa música requer uma "iniciação" prévia... Vou procurar algo que lhe pareça mais conhecido. Tocou outro ponto dos controles. Surgiu uma melodia que me agradou imediatamente, tinha um ritmo muito alegre. O instrumento principal tinha o som parecido ao da chaminé de um trem a vapor a toda velocidade.&lt;br /&gt;     -Que agradável!... Que instrumento é esse que se parece a um trem?&lt;br /&gt;     -Meu Deus! -exclamou Ami fingindo horror-, você acaba de ofender a garganta mais privilegiada do meu planeta, confundindo sua voz com o barulho de um trem!&lt;br /&gt;     -Desculpe-me, por favor... não sabia... mas sopra mesmo bem! -disse, procurando consertar a situação.    &lt;br /&gt;     -Blasfemo! Herege! -fingia, puxando os cabelos- dizer que a glória do meu mundo... sopra!&lt;br /&gt;     Terminamos explodindo em gargalhadas...&lt;br /&gt;     Aquela música animava a gente a dançar.&lt;br /&gt;     -Para isso foi feita -disse Ami- Dancemos! -levantou-se de um salto e começou a dançar batendo palmas.&lt;br /&gt;     -Dance, dance –animáva-me- solte-se. Você quer dançar, mas aquilo que você não é, não lhe permite... aprenda a conquistar a liberdade de ser você mesmo, libere-se...&lt;br /&gt;     Deixei de lado a minha timidez natural e comecei a dançar com grande entusiasmo.&lt;br /&gt;     -Bravo! -felicitava-me.&lt;br /&gt;     Dançamos um bom tempo. Sentia-me alegre, foi como quando corremos e saltamos na praia. Depois a música terminou.&lt;br /&gt;     -Agora algo para nos relaxar -disse Ami, dirigindo-se para os controles. Apertou outro ponto e se escutou uma música clássica. Pareceu-me familiar.&lt;br /&gt;     -Ei, isso é terrícola.&lt;br /&gt;     -Claro, Bach, é fabuloso, você não gosta?&lt;br /&gt;     -Acho que... sim. Você também gosta?&lt;br /&gt;     -Obviamente, ou não o teria na nave.&lt;br /&gt;     -Pensava que tudo o que nós temos era "incivilizado" para os extraterrestres...&lt;br /&gt;     -Você está muito enganado -tocou outro ponto dos controles.&lt;br /&gt;                          "... imagine there's no countries&lt;br /&gt;                                 it isn't hard to do..." *&lt;br /&gt;     -Mas esse é John Lennon... Os Beatles...!&lt;br /&gt;     Estava muito surpreso, porque começava a pensar que na Terra não existia nada de bom.&lt;br /&gt;     -Pedrinho, quando a música é boa, ela o é universalmente. A boa música da Terra é colecionada em várias galáxias, assim como a de qualquer mundo e de qualquer época. A mesma coisa acontece com todas as artes. Nós guardamos filmes e gravações de tudo quanto se realiza no seu planeta... A arte é uma linguagem de amor, e o amor é universal... escutemos.&lt;br /&gt;                            "imagine all the people&lt;br /&gt;                             living life in peace..." **&lt;br /&gt;     Ami, com os olhos fechados, parecia desfrutar cada nota.&lt;br /&gt;     Quando John Lennon terminou de cantar, já tínhamos chegado por fim a outro mundo habitado&lt;br /&gt;      *  Tradução: Imagine que não existam países, não é difícil imaginar.&lt;br /&gt;     ** Tradução: Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda Parte&lt;br /&gt;Capítulo 8&lt;br /&gt;Ofir!&lt;br /&gt;     A neblina branca se evaporou. Uma atmosfera azul-celeste, de um tom forte, parecia flutuar ao redor, em vez de estar em cima, no céu, como na Terra; senti-me submerso em um azul quase fosforescente que não dificultava a visibilidade.&lt;br /&gt;     Das janelas vi pradarias banhadas por um alaranjado suave. Fomos descendo pouco a pouco; parecia uma maravilhosa paisagem de outono.&lt;br /&gt;     -Veja o sol -recomendou Ami. Um enorme círculo avermelhado se destacava no céu, tenuemente coberto pela atmosfera desse mundo. Formavam-se vários círculos ao redor daquele sol descomunal. Era umas cinqüenta vezes maior do que o da Terra.&lt;br /&gt;     -Quatrocentas vezes maior -corrigiu Ami.&lt;br /&gt;     -Não parece que é tão grande...&lt;br /&gt;     -Porque está muito longe.&lt;br /&gt;     -Que mundo é este?&lt;br /&gt;     -É o planeta Ofir... Seus habitantes são originários da Terra...&lt;br /&gt;     -O quê! -surpreendeu-me tremendamente essa afirmação.&lt;br /&gt;     -Existem tantas coisas que são desconhecidas no seu planeta, Pedrinho. Houve uma vez na Terra, há milhões de anos, uma civilização semelhante à sua. O nível científico daquela humanidade tinha ultrapassado muito o seu nível de amor, e como além disso eles estavam divididos, ocorreu o que era de se esperar...&lt;br /&gt;     -Se autodestruíram?&lt;br /&gt;     -Completamente... Unicamente sobreviveram alguns indivíduos que foram advertidos do que ia suceder e fugiram para outros continentes; mas foram muito afetados pelas conseqüências daquela guerra, tiveram que recomeçar quase do princípio. Você é o resultado de tudo isso; você é descendente dos que sobreviveram.&lt;br /&gt;     -É incrível; eu pensava que tudo tinha começado como dizem os livros de história, do zero, das cavernas, dos trogloditas... E as pessoas de Ofir, como chegaram até este planeta?&lt;br /&gt;     -Nós as trouxemos. Salvamos todos aqueles que tinham setecentas medidas ou mais, as boas sementes... foram resgatadas um pouco antes que se produzisse o desastre. Salvaram-se muito poucos, a média evolutiva daquele tempo era de quatrocentas medidas, cem menos que hoje em dia. A Terra evoluiu.&lt;br /&gt;     -E se acontecesse um desastre na Terra, vocês resgatariam alguns?&lt;br /&gt;     -Todos aqueles que superem as setecentas medidas. Desta vez há muito mais pessoas com esse nível.&lt;br /&gt;     -E eu, Ami, tenho setecentas medidas?&lt;br /&gt;     Ele deu risada da minha preocupação. &lt;br /&gt;     -Estava esperando a pergunta, mas já lhe disse que não posso responder isso.&lt;br /&gt;     -Como se pode saber quem tem setecentas medidas ou mais?&lt;br /&gt;     -É muito fácil. Todos aqueles que trabalham desinteressadamente pelo bem do próximo, têm acima de setecentas medidas.&lt;br /&gt;     -Você disse que todos procuram fazer o bem...&lt;br /&gt;     -Quando digo "o próximo", não quero dizer somente a própria família, o clube, o próprio grupo. E quando digo "bem", estou me referindo a tudo o que não vai contra a Lei fundamental do universo...&lt;br /&gt;     -Outra vez essa famosa lei; você pode me explicar agora qual é essa lei?&lt;br /&gt;     -Ainda não. Paciência.&lt;br /&gt;     -E por que ‚ tão importante?&lt;br /&gt;     -Porque quem não conhece essa Lei, não pode saber a diferença entre o bem e o mal. Muitos matam acreditando que estão fazendo o bem. Ignoram a Lei. Outros torturam, colocam bombas, criam armas, destroem a natureza pensando que fazem um bem. O resultado é que todos eles estão fazendo um grande mal, mas não sabem, porque desconhecem a Lei fundamental do universo... por isso, deveram pagar por suas violações à Lei.&lt;br /&gt;     -Nossa! Não teria imaginado nunca que fosse tão importante...&lt;br /&gt;     -Claro que é importante. É suficiente que as pessoas de seu planeta conheçam e pratiquem a Lei, para que seu mundo se transforme em um verdadeiro paraíso...&lt;br /&gt;     -Quando você vai me dizer qual é?&lt;br /&gt;     -Por enquanto, contemple o mundo de Ofir; tem muito para ensiná-lo, porque aqui todos praticam essa Lei.&lt;br /&gt;     Sentei-me numa poltrona perto dele para observar pela tela aquele maravilhoso planeta. Estava impaciente por ver os seus habitantes.&lt;br /&gt;     Íamos lentamente, a uns trezentos metros de altura. Observei muitos objetos voadores semelhantes ao nosso; quando se aproximaram, comprovei que tinham formas e tamanhos muito diferentes.&lt;br /&gt;     Não vi grandes montanhas naquele planeta, também não vi zonas desérticas. Tudo estava forrado de vegetação em vários tons, com diferentes matizes de verde, marrom e alaranjado em diferentes graus. Havia muitas colinas, lagos rios e lagos de águas de um azul-celeste muito luminoso. Aquela natureza tinha algo de paradisíaco.&lt;br /&gt;     Comecei a distinguir edificações que formavam círculos ao redor de uma construção principal. Havia muitas pirâmides, algumas com escadas, outras lisas; com bases triangulares ou quadradas, mas o que mais havia era uma espécie de casas semicirculares de diversas cores claras, com predominância do branco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     Depois apareceram os habitantes daquele mundo. De cima eu os via transitar os caminhos, nadar nos rios e lagoas, tinham aparência humana, pelo menos vistos a distância; todos vestiam túnicas brancas, somente certos detalhes eram de outras cores: as franjas das bainhas ou os cintos.&lt;br /&gt;     Não se via nenhuma cidade.&lt;br /&gt;     -Não existem cidades em Ofir nem em nenhum outro planeta civilizado. As cidades são formas pré-históricas de convivência -disse Ami.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque elas têm muitos defeitos; um deles é que muitas pessoas em um mesmo ponto produzem um desequilíbrio que afeta tanto a elas como ao planeta.&lt;br /&gt;     -Ao planeta?&lt;br /&gt;     -Os planetas são seres vivos, com maior ou menor evolução. Somente vida produz vida. Tudo é inter-dependente, e tudo está inter-relacionado. O que ocorre à Terra afeta as pessoas que a habitam, e vice-versa.&lt;br /&gt;     -Por que muitas pessoas em um mesmo ponto produzem um desequilíbrio?&lt;br /&gt;     -Porque não são felizes, e isso a Terra percebe. As pessoas precisam de espaço, árvores, flores, ar livre...&lt;br /&gt;     -As pessoas mais evoluídas também? -perguntei confuso, porque Ami estava insinuando que as sociedades futuras viveriam em ambientes parecidos a "granjas", e eu pensava que ia ser exatamente o contrário: cidades artificiais em órbita, enormes edifícios-cidades, metrópoles subterrâneas, plástico por todos os lados; igual que nos filmes...&lt;br /&gt;     -Sobretudo pessoas mais evoluídas -respondeu.&lt;br /&gt;     -Pensava que era o contrário.&lt;br /&gt;     -Se na Terra não pensassem tudo ao contrário, não estariam a ponto de se destruir novamente... &lt;br /&gt;     -E estas pessoas de Ofir, não querem voltar à Terra?&lt;br /&gt;     -Não.&lt;br /&gt;     -E por quê?&lt;br /&gt;     -Ao deixar o ninho, os adultos não voltam ao berço, é pequeno para eles...&lt;br /&gt;     Quando nos aproximamos a umas construções de pouca altura e de estilo muito moderno, começamos a descer.&lt;br /&gt;     -Isto é o que mais se parece a uma cidade em um planeta civilizado. É um centro de organização, distribuição e apresentação de atos culturais. As pessoas só vêm ocasionalmente em busca do que necessitam, ou também para presenciar alguma manifestação artística, espiritual ou científica, mas ninguém mora aqui.&lt;br /&gt;     Parou a nave a uns cinco metros de altura e disse com entusiasmo:&lt;br /&gt;     -Agora você vai conhecer os seus antepassados de milhões de anos atrás!&lt;br /&gt;     -Vamos sair da nave?&lt;br /&gt;     -Nem sonhando. Os seus vírus poderiam matar todas as pessoas deste mundo.&lt;br /&gt;     -E por que não o afetam?&lt;br /&gt;     -Porque estou "vacinado", mas antes de voltar ao meu planeta devo me submeter a um tratamento purificador.&lt;br /&gt;     Muitas pessoas transitavam por aí. Quando uma delas passou por perto das janelas de nossa nave, percebi algo terrível: eram gigantes!&lt;br /&gt;     -Ami, estes não são terrícolas; são monstros!&lt;br /&gt;     -Por quê? -brincou- Só porque medem uns três metros de altura?&lt;br /&gt;     -Três metros!&lt;br /&gt;     -Um pouco mais, um pouco menos, mas eles não se sentem especialmente altos...&lt;br /&gt;     -Mas você diz que eles vieram da Terra, e lá as pessoas medem um pouco mais da metade...&lt;br /&gt;     -Disse-lhe que os sobreviventes da Terra foram afetados pelas radiações e desequilíbrios do planeta e isto modificou seu crescimento, mas ao ritmo que vão, em algumas centenas de anos poderão atingir sua estatura natural...&lt;br /&gt;     Ninguém prestava muita atenção em nós. Eram pessoas de pele morena, magras, pélvis estreita e ombros levantados, retos. Alguns usavam um cinturão parecido ao de Ami.&lt;br /&gt;     Todos eram muito tranqüilos, relaxados e amáveis. Seus olhos, grandes e luminosos, denotavam profunda espiritualidade; eram puxados para os lados, amendoados; não como os dos asiáticos, mas como os das pessoas que aparecem nas pinturas egípcias.&lt;br /&gt;     São os antepassados dos egípcios, maias, incas, gregos e celtas, entre outros -explicou-me Ami-; essas culturas foram restos da civilização atlante, e estes são descendentes diretos deles...&lt;br /&gt;     -A Atlântida, o continente que afundou -exclamei- Pensei que isso fosse uma fábula...&lt;br /&gt;     -Quase todas as fábulas de seu mundo são mais reais do que essa sombria realidade na qual vocês vivem...&lt;br /&gt;     Em geral, as pessoas não andavam sozinhas, mas em grupos; tocavam-se muito uns aos outros ao conversar, andavam de braço dado ou apoiados no ombro do companheiro; alguns de mãos dadas. Quando se encontravam ou se despediam, faziam-no com grandes expressões de carinho; eram muito alegres e despreocupados...&lt;br /&gt;     -Eu lhe disse, são des-pre-ocupados, não se pré-ocupam, se ocupam; oxalá você aprendesse a fazer a mesma coisa.&lt;br /&gt;     -Porque estão tão contentes?&lt;br /&gt;     Perguntei isso, porque na Terra as pessoas andam muito sérias pelas ruas; aqui, todos pareciam estar numa festa.&lt;br /&gt;     -Porque estão vivos... você acha pouco?&lt;br /&gt;     -E eles não têm problemas?&lt;br /&gt;     -Eles têm desafios, não problemas. Aqui está tudo bem.&lt;br /&gt;     -Meu tio diz que a vida só tem sentido quando existem problemas para solucionar, e que uma pessoa sem problemas se daria um tiro.&lt;br /&gt;     -Seu tio se refere a problemas para seu intelecto. O que acontece, é que ele tem atividade em só um dos dois cérebros que mencionei; seu tio é simplesmente "atividade intelectual caminhante". O intelecto é um computador que não pode deixar de funcionar; a menos que a pessoa já tenha desenvolvido o outro cérebro, o emocional.&lt;br /&gt;     -Quando o intelecto não encontra nenhum problema para resolver, nenhum quebra-cabeças, pode chegar a enlouquecer e pensar em dar-se um tiro.&lt;br /&gt;     Senti que ele se referia a mim, porque eu também estou sempre pensando sem parar.&lt;br /&gt;     -E existe alguma outra coisa, além de pensar?&lt;br /&gt;     -Perceber, desfrutar o que se vê, escutar os sons, tocar, respirar conscientemente, cheirar, saborear, sentir, aproveitar o momento presente... Você é feliz neste momento?&lt;br /&gt;     -Não sei...&lt;br /&gt;     -Se você deixasse de pensar por um momento, seria muito feliz. Imagine: Você está numa nave espacial, em um mundo situado a anos luz de distância da Terra, está contemplando um planeta civilizado, habitado pelos antigos atlantes... Em lugar de perguntar bobagens, olhe ao deu redor, aproveite o momento...&lt;br /&gt;     Senti que Ami tinha razão, mas ainda tinha uma dúvida e a expressei:&lt;br /&gt;     -Então o pensamento não serve?&lt;br /&gt;     -Típica conclusão terrícola! –riu Ami- Se não é o melhor, então tem que ser o pior. Se não é branco, deve ser obrigatoriamente negro. Se não é perfeito, é demoníaco. Se não é Deus, é o diabo... Extremismo mental! –acomodou-se na poltrona-. Claro que o pensamento serve; sem ele você seria um vegetal, mas o pensamento não é a máxima possibilidade humana.&lt;br /&gt;     -Qual é então, desfrutar?&lt;br /&gt;     -Para desfrutar, você precisa perceber que está desfrutando.&lt;br /&gt;     -E perceber não é pensar?&lt;br /&gt;     -Não. A percepção é consciência, e consciência é mais que o pensamento.&lt;br /&gt;     -Então a consciência é o máximo –concluí-, um pouco cansado já dessa confusão na qual eu tinha me metido por causa das minhas perguntas.&lt;br /&gt;     -Também não –disse Ami, com um sorriso misterioso-. Vou lhe dar um exemplo. Você já percebeu que escutou uma música estranha há pouco tempo, a primeira que selecionei?&lt;br /&gt;     -Sim, mas eu não gostei.&lt;br /&gt;     -Você percebeu que escutava uma música, isso foi consciência, mas não a desfrutou.&lt;br /&gt;     -Realmente, não.&lt;br /&gt;     -Então, para desfrutar não é suficiente a consciência...&lt;br /&gt;     -Você tem razão!... O que falta então?&lt;br /&gt;     -O principal: a segunda música de fato a desfrutou, não foi?&lt;br /&gt;     -Sim, porque eu gostei.&lt;br /&gt;     -Gostar é uma forma de amar. Sem amor não existe o desfrutar; sem consciência, também não; o pensamento ficou em um discreto terceiro lugar como possibilidade humana. O amor ocupa o primeiro lugar... Nós procuramos amar tudo, viver em amor, assim desfrutamos mais. Você não gostou da lua, eu sim. Posso desfrutar mais e sou mais feliz do que você.&lt;br /&gt;     -Então o amor é a máxima possibilidade humana?&lt;br /&gt;     -Agora sim, Pedrinho, perfeito.&lt;br /&gt;     -E isso, sabe-se na Terra?&lt;br /&gt;     -Você sabia? Ensinaram no colégio?...&lt;br /&gt;     -Não.&lt;br /&gt;     -Lá estão apenas no terceiro degrau, no pensamento; por isso, os que pensam muito, são chamados sábios...&lt;br /&gt;     -E como é possível que algo tão simples não seja percebido?&lt;br /&gt;     -Porque só utilizam um dos dois cérebros, mas o pensamento não pode experimentar amor. Os sentimentos não são pensamentos. Alguns chegam a pensar que os sentimentos são algo "primitivo" e que devem ser substituídos pelo pensamento, então, elaboram teorias que justificam a guerra, o terror, a desonestidade e a destruição da natureza. Agora sua humanidade está em perigo de extinção devido a esses pensamentos tão "inteligentes" e a essas teorias tão "brilhantes"...&lt;br /&gt;     -Você tinha razão quando dizia que na Terra pensamos as coisas ao contrário...&lt;br /&gt;     -Então observe um pouco o mundo de Ofir. Aqui as coisas não são ao contrário...&lt;br /&gt;     A falta de sono, todas as emoções do dia e os novos ensinamentos de Ami, deixaram-me esgotado. Detrás dos vidros podia ver pessoas gigantes, edifícios estilizados, crianças de dois metros de altura, veículos voadores e terrestres, mas meu interesse estava se derretendo devido ao cansaço.&lt;br /&gt;     -Você sabe quantos anos tem esse senhor? –Ami se referia a um homem que conversava perto da nave. Aparentava uns sessenta anos. Tinha os cabelos brancos, mas não parecia um ancião.&lt;br /&gt;     -Uns sessenta anos?&lt;br /&gt;     -Ele tem aproximadamente uns quinhentos anos de idade...&lt;br /&gt;     Senti um enjôo, um cansaço ... minha cabeça estava por explodir.&lt;br /&gt;     -Sabe, Ami? Estou cansado, quero descansar, dormir, voltar para casa, já não quero saber mais nada, estou com náuseas, não quero ver nenhuma outra coisa...&lt;br /&gt;     -"Indigestão informativa" –brincou Ami- Venha, Pedrinho, deite-se aqui.&lt;br /&gt;     Levou-me até uma das poltronas laterais, reclinou-a até transformá-la em um divã bem gostoso. Acomodei-me sobre ele, era confortável. Ami colocou alguma coisa na base de minha cabeça e o sono me venceu instantaneamente. Relaxei e dormi profundamente várias horas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 9&lt;br /&gt;A Lei Fundamental&lt;br /&gt;     Acordei animado e descansado, cheio de energias, como novo. Meu amigo estava revisando alguns controles e me piscou um olho.&lt;br /&gt;     -Está melhor, agora?&lt;br /&gt;     -Sim, fantástico... Nossa, minha vovó!... Quantas horas dormi?&lt;br /&gt;     -Quinze segundos –respondeu.&lt;br /&gt;     -O  quê! –levantei para olhar através das janelas. Estávamos no mesmo lugar, as mesmas pessoas andavam por ali, o homem de cabeça branca ainda conversava, não muito longe da nossa nave. Nada havia mudado.&lt;br /&gt;     -Como você fez isto?&lt;br /&gt;     -Você precisava dormir para "carregar baterias". Temos "carregadores" que em quinze segundos o descansam como oito horas de sono.&lt;br /&gt;     -Extraordinário! Então vocês nunca se deitam para dormir?&lt;br /&gt;     -Nunca, não. De vez em quando precisamos. Através do sono recebemos algo mais que "carga"; mas nós; com muito pouco tempo temos o suficiente, não nos "descarregamos" tanto quanto vocês.&lt;br /&gt;     -Poxa, os "civilizados" sim que aproveitam bem a vida! Quinhentos anos... e quase não dormem!...&lt;br /&gt;     -É isso mesmo...&lt;br /&gt;     -Quer dizer que esse senhor tem quinhentos anos... Como você sabe?&lt;br /&gt;     -Por alguns detalhes das suas roupas. Quer falar com ele? Venha cá.&lt;br /&gt;     Sentamo-nos na frente de uma tela; meu amigo pegou um microfone e digitou uns sinais sobre o teclado dos controles.&lt;br /&gt;     Apareceu o rosto de um homem. Ami falou num idioma estranhíssimo, com sons que só pareciam variações de "shhh" quase inaudíveis; relacionei-os imediatamente com a música que parecia o assovio de um trem. O homem escutou-os e veio até a nave. Depois nos sorriu –pela tela, como se nos visse! E me disse claramente:&lt;br /&gt;     -Alô, Pedro!&lt;br /&gt;     Compreendi que se usava um "tradutor", pois os movimentos de seus lábios não correspondiam aos dos sons que eu ouvia.&lt;br /&gt;     -A-Alô –respondi nervoso.&lt;br /&gt;     -Sabe? Somos quase parentes, meus antepassados também vieram de uma civilização da Terra.&lt;br /&gt;     -Ah... –não consegui dizer nada mais interessante...&lt;br /&gt;     -Essa civilização se destruiu por falta de amor...&lt;br /&gt;     -Ah...&lt;br /&gt;     -Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;     -De... digo, nove anos... e o senhor?&lt;br /&gt;     -Uns quinhentos anos terrestres.&lt;br /&gt;     -E... não sente tédio?&lt;br /&gt;     -Tédio... entediar-me... –tinha cara de não entender.&lt;br /&gt;     -Quando a mente busca atividade e não encontra –explicou-lhe Ami.&lt;br /&gt;     -Ah, sim; já tinha esquecido... Não; não sinto tédio; por que deveria?&lt;br /&gt;     -De viver tanto, por exemplo...&lt;br /&gt;     Nesse momento aproximou-se dele uma jovem e bela mulher. Cumprimentou-o com grande ternura. Ele também começou a acariciar e beijar a mulher. Conversaram e sorriram; depois ela foi embora. Parecia que se amavam muito.&lt;br /&gt;     -Quando o pensamento está a serviço do amor, não existe tédio –disse sorrindo.&lt;br /&gt;     Achei que ele estava apaixonado por essa bela mulher e perguntei:&lt;br /&gt;     -O senhor está apaixonado?&lt;br /&gt;     Ele suspirou profundamente e disse:&lt;br /&gt;     -Estou profundamente apaixonado.&lt;br /&gt;     -Pela jovem que estava com o senhor?&lt;br /&gt;     -Pela vida, pelas pessoas, pelo universo, por existir... pelo amor.&lt;br /&gt;     Outra mulher veio até ele, era ainda mais bela que a anterior; morena, magra, cabelos compridos, sedosos e bem negros, praticamente azul escuros; seus olhos eram de um verde transparente. Acariciaram-se e se beijaram no rosto, olharam-se profundamente um ao outro nos olhos, conversaram, riram e se despediram. Pensei que esse senhor era uma espécie de Casanova espacial...&lt;br /&gt;     -O senhor foi visitar a Terra alguma vez?&lt;br /&gt;     -Oh, sim. Fui algumas vezes, mas é muito triste...&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -A última vez que fui, as pessoas se matavam, havia fome, milhões de mortos, cidades destruídas, campos de prisioneiros... é triste.&lt;br /&gt;     Senti-me muito mal, como se fosse um homem das cavernas naquele mundo.&lt;br /&gt;     -Leve ao seu planeta uma mensagem minha –disse o homem com um sorriso carinhoso.&lt;br /&gt;     -Claro, qual?&lt;br /&gt;     -Amor, união e paz.&lt;br /&gt;     Despedimo-nos para visitar outros lugares do mundo de Ofir.&lt;br /&gt;     -Esse senhor tem duas esposas?&lt;br /&gt;     -Claro que não. Só tem uma –respondeu.&lt;br /&gt;     -Mas... ele beijou as duas...&lt;br /&gt;     -Onde está o problema? Eles se amam... Nenhuma delas era sua esposa.&lt;br /&gt;     -E se a verdadeira o surpreender?&lt;br /&gt;     Ami riu de mim.&lt;br /&gt;     -Nos mundos civilizados não existem ciúmes.&lt;br /&gt;     -Ah! –senti entusiasmo, pensei compreender...&lt;br /&gt;     -Então a gente pode ter muitas mulheres... –disse com malícia. Ami respondeu-me com um olhar transparente:&lt;br /&gt;     -Não, só uma.&lt;br /&gt;     Não compreendi, fiquei em silêncio e preferi contemplar a paisagem pela tela.&lt;br /&gt;     Apareciam campos de lavoura nos quais trabalhavam máquinas. De trecho em trecho havia um centro como o que nós tínhamos visitado antes. Não havia grandes extensões despovoadas, nem cidades. Vi caminhos bordeados de flores, árvores e enfeites de pedra; riachos, pontezinhas, cachoeiras... Todo aquele mundo parecia um jardim estilo japonês.&lt;br /&gt;     As pessoas andavam a pé, em pequenos grupos ou casais. Não vi estradas, apenas pequenos caminhos. Minúsculos veículos, parecidos aos que se utilizam nos campos de golfe, transportavam algumas pessoas.&lt;br /&gt;     -Não vejo automóveis, caminhões, trens...&lt;br /&gt;     -Não são necessários. Todo o transporte é feito pelo ar.&lt;br /&gt;     -Por isso vemos tantos "ovnis"... Como fazem para não se chocarem?&lt;br /&gt;     -Estamos conectados a um "Super-computador" que pode interceptar os comandos de cada nave –Ami acionou alguns controles-; vamos tentar bater naquelas pedras. Não se assuste...&lt;br /&gt;     A nave acelerou até atingir uma velocidade impressionante e se atirou diretamente contra as pedras. Antes de bater nos desviamos e continuamos em sentido horizontal a alguns metros de altura. Ami não tinha mexido nos controles para evitar o desastre.&lt;br /&gt;     -É impossível bater, o "super-computador" não deixa.&lt;br /&gt;     -Que maravilha! –exclamei aliviado- Quantos países tem Ofir? &lt;br /&gt;     -Nenhum, Ofir é um mundo civilizado...&lt;br /&gt;     -Não tem países?&lt;br /&gt;     -Claro que não... ou talvez só um: Ofir.&lt;br /&gt;     -Quem é o Presidente?&lt;br /&gt;     -Não tem Presidente.&lt;br /&gt;     -Então quem manda?&lt;br /&gt;     -Mandar... mandar... ninguém manda.&lt;br /&gt;     -Mas quem organiza?&lt;br /&gt;     -Isso é outra coisa. Aqui já está tudo organizado, mas quando aparece algum imprevisto, os mais sábios se reúnem com os especialistas no tema e tomam decisões ou programam o computador correspondente, mas têm muito pouco que fazer, já está tudo planificado e as máquinas fazem quase todo o trabalho.&lt;br /&gt;     -E então, o que fazem as pessoas?&lt;br /&gt;     -Viver, trabalhar, estudar, desfrutar, servir, ajudar a quem se possa, mas como nos nossos mundos não existem grandes problemas, ajudamos aos mundos menos civilizados. É uma pena que não possamos fazer muito, porque tudo deve ser feito dentro dos limites do "plano de ajuda". Mandamos "mensagens", fazemos "contatos", como este, "damos uma ajuda" no nascimento de religiões que despertam para o amor... como você pensa que caía "maná" do céu no deserto?...&lt;br /&gt;     -Vocês?...&lt;br /&gt;     -Nós mesmos. Também colaboramos na salvação das melhores pessoas, quando os mundos se autodestroem... Foi terrível como afundou a Atlântida...&lt;br /&gt;     -Foi pelas bombas? –perguntei.&lt;br /&gt;     -E também pelo ódio, pelo sofrimento, pelo medo... A Terra não suportou essas radiações negativas dos seres humanos, e muito menos as explosões nucleares. O continente inteiro afundou, e se vocês agora não mudam, e continuam com as explosões atômicas e  a infelicidade, a Terra pode não suportar novamente e é possível que aconteça uma coisa semelhante...&lt;br /&gt;     -Nunca tinha pensado nisso!&lt;br /&gt;     -Tudo repercute em tudo –disse Ami.&lt;br /&gt;     -Que responsabilidade para todos nós!...&lt;br /&gt;     -Bem é para isso estamos trabalhando.&lt;br /&gt;     -Imagine que há pessoas que não aceitam que vocês existem...&lt;br /&gt;     -Essas pessoas são ingênuas; não somente existimos, como também os observamos cuidadosamente. O universo inteiro é uma unidade, um organismo vivo.&lt;br /&gt;     Não podemos descuidar das descobertas científicas que se produzem em qualquer mundo pouco civilizado. Já lhe disse que determinadas energias, quando utilizadas por mãos equivocadas, podem modificar o equilíbrio da galáxia inteira... e isso inclui nossos mundos, tudo repercute em tudo, por isso trabalhamos na sua evolução.&lt;br /&gt;     -Não vejo cercas em nenhum lugar. Como você sabe de quem é cada terreno?&lt;br /&gt;     -Aqui tudo pertence a todos...&lt;br /&gt;     Fiquei pensando por muito tempo.&lt;br /&gt;     -Então ninguém quer progredir?&lt;br /&gt;     -Acho que não o entendo bem, Pedrinho.&lt;br /&gt;     -Progredir, sair da massa, ser mais do que os demais.&lt;br /&gt;     -Você está se referindo a ter um maior nível evolutivo, mais medidas? Para isso existem exercícios espirituais.&lt;br /&gt;     -Não estou me referindo às medidas.&lt;br /&gt;     -A que então?&lt;br /&gt;     -A ter mais que os outros.&lt;br /&gt;     -A ter mais o que, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Mais dinheiro.&lt;br /&gt;     -Aqui não existe dinheiro...&lt;br /&gt;     -E como fazem compras, então?&lt;br /&gt;     -Ninguém compra. Se alguém precisa de alguma coisa, vai e pega...&lt;br /&gt;     -Seja o que for?&lt;br /&gt;     -O que precise –disse Ami.&lt;br /&gt;     -Qualquer coisa? –eu não podia acreditar no que estava escutando.&lt;br /&gt;     -Se alguém precisa de alguma coisa e isso existe, por que não?&lt;br /&gt;     -Um carrinho desses que andam por aí, também?&lt;br /&gt;     -Ou uma nave espacial –Ami falava como se o que ele me contava fosse a coisa mais natural do mundo.&lt;br /&gt;     -Todo mundo pode ter uma nave espacial?&lt;br /&gt;     -Todo mundo pode utilizar uma nave espacial –corrigiu Ami.&lt;br /&gt;     -Esta nave é sua?&lt;br /&gt;     -Eu a estou utilizando, você também.&lt;br /&gt;     -Perguntei se é sua.&lt;br /&gt;     -Vamos ver... "sua" indica posse, domínio... já lhe disse que tudo pertence a todos, a quem necessite e enquanto o ocupa.&lt;br /&gt;     -E quando já não se necessita?&lt;br /&gt;     -Então já não se utiliza mais.&lt;br /&gt;     -E se, por exemplo, eu pego uma dessas naves e quero deixar no pátio quando não a ocupo... posso?&lt;br /&gt;     -Por quanto tempo você não vai ocupá-la?&lt;br /&gt;     -Vamos dizer... uns três dias –respondi.&lt;br /&gt;     -Então é melhor que você a deixe no lugar que está destinado para estacionar naves, o "aeroporto", assim ela serve a outra pessoa enquanto você não a ocupa. Depois, quando você chega, pode pegar essa ou qualquer outra que esteja livre.&lt;br /&gt;     -Mas se eu quero essa?&lt;br /&gt;     -Mas por que essa? Aqui tem nave de sobra, além de que todas são mais ou menos parecidas.&lt;br /&gt;     -Imagine que eu sinto carinho por ela, assim como você pela sua "antiga" televisão...&lt;br /&gt;     -Esta televisão, como você a chama, é uma pequena lembrança, ninguém precisa dela porque é antiga; quando já não deseje conservá-la, entregarei para que as pessoas que trabalham com este tipo de instrumentos decidam se vão desarmá-la ou modificá-la; também posso ficar com ela a minha vida toda, não é uma coisa pública. Mas se você quer conservar sempre essa mesma nave (capricho esquisito, porque não foi você quem construiu essa nave, além de que tem de sobra) vai ter que esperar que chegue, que esteja livre.&lt;br /&gt;     -Mas se eu quero utilizar essa mesma nave, só para mim e mais ninguém?&lt;br /&gt;     -Por que mais ninguém? –perguntou Ami.&lt;br /&gt;     -Vamos supor que eu não gosto que usem as minhas coisas...&lt;br /&gt;     -Mas, por quê? Aqui ninguém tem doenças contagiosas...&lt;br /&gt;     -Não sei, mas imagine que eu goste que minhas coisas sejam minhas e de mais ninguém.&lt;br /&gt;     -Isso seria um sentido de posse doentio, egoísmo.&lt;br /&gt;     -Não é egoísmo.&lt;br /&gt;     -O que é então... generosidade? –Ami ria.&lt;br /&gt;     -Quer dizer que eu tenho que partilhar minha escova de dentes com todo mundo?&lt;br /&gt;     -Extremismo mental de novo... Você não tem que compartilhar sua escova de dentes nem seus objetos pessoais; aqui tem aos montes, sobram, ninguém se escraviza a eles... agora, não querer compartilhar uma nave espacial!... Além disso, no "aeroporto" ela é verificada pelas máquinas encarregadas da tarefa, é consertada quando for preciso, você não tem que fazer isso por conta própria.&lt;br /&gt;     -Parece interessante, mas sinto tudo isso um pouco como se fosse "colégio interno", tudo obrigatório, vigiado... &lt;br /&gt;     -Você se engana. Aqui as pessoas gozam da maior liberdade.&lt;br /&gt;     -E não existem leis?&lt;br /&gt;     -Sim, existem, mas todas elas são baseadas na Lei fundamental do universo, beneficiando a todas as pessoas.&lt;br /&gt;     -Quer me contar agora essa bendita lei?&lt;br /&gt;     -Mais adiante, calma –sorria ele.&lt;br /&gt;     -E se eu violar alguma lei?&lt;br /&gt;     -Vai sofrer.&lt;br /&gt;     -Vão me castigar, prender-me?&lt;br /&gt;     -Não. Aqui não existe castigo nem prisões, mas se você cometer alguma falta, sofre; você mesmo se castiga.&lt;br /&gt;     -Eu mesmo? Não entendo, Ami.&lt;br /&gt;     -Você daria uma bofetada na sua vovó?&lt;br /&gt;     -Não, claro que não!... imagine...&lt;br /&gt;     -Imagine que sim, que lhe dá uma bofetada... que lhe aconteceria?&lt;br /&gt;     -Sentiria dor, arrependimento, seria insuportável!...&lt;br /&gt;     -Isso é castigar-se a si mesmo... não precisa que o castiguem ou que o prendam. Tem coisas que ninguém faz, e não é porque as leis proíbam. Você não machucaria a sua avó, não lhe provocaria uma ferida, não roubaria seus objetos pessoais; ao contrário, você tenta ajudá-la e protegê-la.&lt;br /&gt;     -Sim, porque eu a amo.&lt;br /&gt;     -Aqui todos nos amamos, somos todos irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Existem momentos nos quais compreender alguma coisa produz interiormente o efeito de uma explosão de luz. Através das explicações de Ami, eu consegui compreender de repente tudo o que ele estava querendo me dizer. Aquele mundo era uma grande família na qual todos se amavam entre si, e por isso, compartilhavam tudo. Achei isso muito simples agora.&lt;br /&gt;     -Exatamente assim estão organizados todos os mundos evoluídos do universo –explicou-me Ami, feliz de que eu tivesse assimilado.&lt;br /&gt;     -Então, a base da organização é o amor...&lt;br /&gt;     -Sim, Pedrinho; essa é a Lei fundamental do universo...&lt;br /&gt;     -Quê!? Qual!?&lt;br /&gt;     -O amor –disse Ami.&lt;br /&gt;     -O amor?&lt;br /&gt;     -O amor. Essa é a Lei.&lt;br /&gt;     -Eu pensava que seria algo mais complicado...&lt;br /&gt;     -É simples, singelo e natural, e apesar disso não é fácil de vivenciar, para isso existe a evolução. Evolução significa aproximar-se ao amor. Os seres mais evoluídos experimentam e expressam mais amor. A verdadeira grandeza ou mesquinhez dos seres está determinada unicamente pela medida do seu amor...&lt;br /&gt;     -E por que dá tanto trabalho?&lt;br /&gt;     -Por que temos dentro de nós uma barreira que impede ou freia nossos melhores sentimentos.&lt;br /&gt;     -Qual é essa barreira?&lt;br /&gt;     -O ego. Uma idéia falsa a respeito de nós mesmos, um falso eu. Quanto maior é o ego, mais a gente pensa que é melhor do que os demais. O ego faz a gente se sentir com autorização para desprezar, fazer mal, dominar e utilizar os demais; inclusive dispor de suas vidas. Como o ego é uma barreira ao amor, impede-nos sentir compaixão, ternura, carinho, afeto... amor. O ego nos insensibiliza frente à vida, é alimentado por falsas idéias, por conceitos errados a respeito de nós mesmos, dos demais e da própria vida. Veja: ego-ísta, interessa-se por si mesmo e não pelos outros. Egó-latra, que se adora a si mesmo e a mais ninguém. Ego-tista, só fala de si. Ego-cêntrico, pensa que o universo gira ao seu redor. A evolução humana consiste em diminuir o ego para que o amor possa crescer.&lt;br /&gt;     -Então quer dizer que nós, os terrestres, temos muito ego.&lt;br /&gt;     -Depende do nível de evolução de cada um. Continuemos o passeio, Pedrinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 10&lt;br /&gt;A fraternidade interplanetária&lt;br /&gt;     Em uma concavidade dos prados havia um bonito e pequeno anfiteatro, no qual vários seres muito estranhos representavam um espetáculo para o público.                      &lt;br /&gt;     No começo pensei que estavam fantasiados, mas logo compreendi que não. Havia seres gigantescos, ainda maiores do que os de Ofir, outros mais baixos, quase anões; alguns eram mais magros do que os terrícolas, outros muito parecidos a nós... Olhares lindos e estranhos, grandes olhos, bocas pequenas; rostos da cor de azeitona quase sem nariz e lábios... Chamou a minha atenção um grupo de crianças muito parecidas a Ami, apesar de que não se vestiam como ele.&lt;br /&gt;     -São originários do meu planeta -explicou-me.&lt;br /&gt;     Tinha cinco de cada mundo, dançavam de mãos dadas ao som de uma bela melodia, formando uma alegre roda. Um globo dourado ia caindo suavemente; quando se aproximava de algum ser, este o remetia para cima. Enquanto caía, aquele que o tinha impulsionado e os quatro restantes de seu grupo passavam dançando de uma maneira harmoniosa no centro da roda e realizavam outra dança, ao compasso de uma nova música, que se somava à anterior, sem destoar. Enquanto isto acontecia, o resto da roda continuava com a dança geral, ao compasso da primeira melodia. Quando o globo alcançava outro grupo de seres, estes ocupavam o centro, ao compasso de outra música, e os anteriores voltavam a seu lugar. A roda geral ia girando lentamente. Cada vez que um grupo terminava seu ato, o público aplaudia com grande entusiasmo.&lt;br /&gt;     -Imagino que todos estes seres são originários de diferentes mundos.&lt;br /&gt;     -É isso mesmo. Cada grupo mostra as danças do seu planeta.&lt;br /&gt;     Entre o público havia seres de outros mundos, não somente ofirianos. O anfiteatro estava todo decorado com bandeiras ao redor. Naves muito diferentes estavam estacionadas fora do lugar, num estacionamento. Outras, como a nossa, permanecia no ar.&lt;br /&gt;     -Quem está ganhando? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Ganhando o quê?&lt;br /&gt;     -Isso me parece que é uma competição, não?&lt;br /&gt;     -Competição?&lt;br /&gt;     -Não estão escolhendo o grupo que dança melhor?&lt;br /&gt;     -Não.&lt;br /&gt;     -E qual é o objetivo, então?&lt;br /&gt;     -Mostrar o que sentem, agradar dando um bonito espetáculo, estreitar laços de amizade, ensinar, desfrutar.&lt;br /&gt;     -E o grupo que dança melhor que os demais, não ganha nenhum prêmio?&lt;br /&gt;     -Ninguém está comparando nada. Aprendem e se divertem.&lt;br /&gt;     -Na Terra os melhores são premiados...&lt;br /&gt;     -E com isso, os últimos se sentem humilhados e aos ganhadores lhes cresce o ego... -disse Ami, sorrindo.&lt;br /&gt;     -É duro, mas quem quer ganhar tem que se esforçar.&lt;br /&gt;     -"Ganhar", ser mais do que os demais, outra vez, competição, egoísmo, separatismo. Devemos competir contra nós mesmos, superar-nos, e não contra os demais irmãos. Essas coisas não existem nos mundos fraternais, evoluídos, porque aí está a semente da guerra e da destruição.&lt;br /&gt;     -Acho que você está exagerando... são competições sãs, esportivas...&lt;br /&gt;     -Mas encaradas com critérios cavernícolas... já existiram guerras que começaram por causa de uma partida de futebol; até se matam nos estádios da Terra... Isto que você está vendo é são, esportivo e artístico.&lt;br /&gt;     -Parece uma brincadeira de crianças que existe no meu planeta.&lt;br /&gt;     -A roda, o círculo, são símbolos universais; representam a fraternidade; também outras coisas, entre elas, um mundo.&lt;br /&gt;     -Que significa o círculo do seu peito?&lt;br /&gt;     -Significa a humanidade.&lt;br /&gt;     -E o coração alado?&lt;br /&gt;     -É o amor elevado e livre, desapegado.&lt;br /&gt;     -A humanidade unida em amor! -exclamei.&lt;br /&gt;     -Você é um gênio! -disse ele, muito contente.&lt;br /&gt;     Continuamos observando o espetáculo enquanto Ami explicava:&lt;br /&gt;     -Cada um dos movimentos que realizam tem um significado, faz parte de uma linguagem.&lt;br /&gt;     -Que bonito!.. gostaria de que a minha avó visse isto... agora que penso, que horas que são na Terra?&lt;br /&gt;     -Sua vovó ainda vai dormir quatro horas.&lt;br /&gt;     -Podemos vê-la daqui?&lt;br /&gt;     -Sim, através da conexão com os satélites que temos em órbita na Terra. Espere.&lt;br /&gt;     Acionou os controles de uma tela e apareceu meu planeta visto de longe; depois vimos minha vovó dormindo.&lt;br /&gt;     -É maravilhoso!... Você pode ver o universo todo?&lt;br /&gt;     -Não voe tão alto!... acho que você desconhece o tamanho do universo.&lt;br /&gt;     -Você tem razão, desconheço, sim -confessei.&lt;br /&gt;     -Nós sabemos de alguns milhões de galáxias, as mais próximas. As outras as vemos de longe, e mais para lá... ignoramos o que existe... Mas esta tela é muito interessante, com alguns milhões de galáxias é suficiente, não é? -rimos- sem contar que podemos sintonizas o passado de qualquer mundo...&lt;br /&gt;     -O passado?... como é possível?&lt;br /&gt;     -É fácil; está tudo arquivado, e de muitas maneiras... "Nada existe oculto que não se chegue a conhecer"... Vou lhe mostrar uma dessas maneiras. Esse balão dourado que flutua ali, recebe sua luz do sol, esta rebate no globo, e chega aos seus olhos; outros raios saem disparados para cima, para o espaço, viajam por ele eternamente. Se captamos essa luz em qualquer ponto da sua rota e a ampliamos, estaremos vendo o globo exatamente como foi no passado.&lt;br /&gt;     -Incrível!&lt;br /&gt;     -Mais adiante posso lhe mostrar Napoleão, César, Jesus... em ação!&lt;br /&gt;     -De verdade?&lt;br /&gt;     -E a você mesmo há alguns anos... Mas, por enquanto, quero que você conheça um pouco mais de Ofir.&lt;br /&gt;     Começamos a nos elevar deixando atrás aquele anfiteatro.&lt;br /&gt;     Uma nave luminosa passou bem perto de nós fazendo um jogo de luzes; a nossa também fez, enquanto Ami sorria com brejeirice.&lt;br /&gt;     -Quem era, algum amigo seu?&lt;br /&gt;     -Eram pessoas alegres e divertidas, oriundas de um mundo que visitei faz muito tempo.&lt;br /&gt;     -Qual foi o significado desse jogo de luzes?&lt;br /&gt;     -Uma saudação, amizade, foram simpáticos comigo e nós com eles...&lt;br /&gt;     -Como você sabe?&lt;br /&gt;     -Você não sentiu?&lt;br /&gt;     -Acho que não...&lt;br /&gt;     -Isso é porque você não se observa. Se estivesse atento a você mesmo, assim como ao exterior, você poderia descobrir muitas coisas... Não sentiu uma certa alegria quando essa nave se aproximava?&lt;br /&gt;     -Não sei... acho que não... estava pensando que podíamos bater...&lt;br /&gt;     -Estava pre-ocupado -Ami ria- Veja essa nave que vai por lá, é de meu mundo, observe que é idêntica a esta.&lt;br /&gt;     -Gostaria de conhecer seu planeta.&lt;br /&gt;     -Em outra viajem vou levá-lo; hoje não temos tempo.&lt;br /&gt;     -Você promete?&lt;br /&gt;     -Se você escrever o livro, prometo.&lt;br /&gt;     -E ao passado também?&lt;br /&gt;     -Ao passado também.&lt;br /&gt;     -E às praias de Sírio também?&lt;br /&gt;     -Também -o menino espacial ria-, você tem uma boa memória. E também ao planeta que estamos preparando para abrigar os que resgatarmos no caso de produzir-se uma destruição da Terra.&lt;br /&gt;     -Isso quer dizer que a destruição é inevitável?&lt;br /&gt;     -Depende do que vocês fizerem para viver unidos, sem fronteiras, sem injustiças, sem armas.&lt;br /&gt;     -E formar um só país: a Terra, não é?&lt;br /&gt;     -É. Os regionalismos exagerados revelam pontos de vista pouco elevados, egoísmo. Um apego excessivo a um lugar não deixa espaço para amar o resto dos lugares. O universo é muito grande. Devemos pensar e amar "em tamanho grande". Alguns pensam que os que são de sua rua são melhores do que os outros das outras ruas do mundo...&lt;br /&gt;     -Você tem razão, deveríamos viver sem fronteiras. Que somente a atmosfera seja a nossa fronteira! –exclamei entusiasmado.&lt;br /&gt;     -E nem mesmo isso. O Universo é livre, amor é liberdade. Nós não precisamos pedir permissão a ninguém para vir para este mundo ou qualquer outro que desejemos visitar.&lt;br /&gt;     -Qualquer um pode vir a este mundo sem pedir autorização...&lt;br /&gt;     -E a qualquer outro mundo do universo...&lt;br /&gt;     -E as pessoas daqui não se zangam?&lt;br /&gt;     -Por que deveriam se incomodar? –Ami regozijava-se com nosso diálogo.&lt;br /&gt;     -Não sei; é difícil para mim aceitar tanta maravilha...&lt;br /&gt;     -Vou tentar explicar-lhe, Pedrinho. Os mundos evoluídos formam uma fraternidade universal; todos somos irmãos, amigos, todos somos livres de ir e vir, sempre que não prejudiquemos ninguém. Não existem segredos, nem nada é proibido. Não existe guerra das galáxias, entre nós não existe violência. A violência é uma característica dos mundos primitivos e das sociedades que estes constroem. Não existe competição entre nós, ninguém quer ser mais do que o seu irmão. A única coisa que todos nós queremos é desfrutar de forma sã, a vida; mas, como amamos, nossa maior alegria a obtemos servindo, ajudando aos demais, e sendo úteis somos felizes. Todos temos a consciência em paz, amamos ao nosso Criador e lhe agradecemos por dar-nos a existência e permitir-nos desfrutá-la. A vida é muito simples para nós, apesar de termos muitos avanços científicos, e se a humanidade da Terra conseguir sobreviver, e se conseguir superar seu egoísmo e sua desconfiança, nós nos faremos presentes para ajudá-los, para que se integrem à fraternidade cósmica. Se conseguirem isso, a vida já não vai ser uma dura competição pela sobrevivência e vai começar a felicidade para todos; vamos lhes dar as ferramentas para que possam fazer da Terra um mundo feliz, pacífico, justo e unido.&lt;br /&gt;     -É maravilhoso o que você diz, Ami.&lt;br /&gt;     -Porque é verdade. Somente a verdade é maravilhosa. Quando você chegar ao seu mundo escreva esse livro, para que seja uma voz a mais, outro grão de areia.&lt;br /&gt;     -Quando eu lhes contar, todos vão acreditar e vão deixar suas armas para viver em paz... –eu disse, muito convencido.&lt;br /&gt;     Ami riu novamente de mim, enquanto me acariciava a cabeça, mas desta vez não me incomodei, porque já não o considerava um menino como eu, senão melhor.&lt;br /&gt;     -Que inocente! Você não percebe que estão em guerra, competindo de forma feroz, terrivelmente adormecidos, tão sérios e com as caras fechadas... mas as verdades do universo não são sérias, são maravilhosas. Você acha que um campo de flores é sério?&lt;br /&gt;     -Não. É bonito –respondi.&lt;br /&gt;     -Se as pessoas que governam os países e os exércitos fossem as que criam as flores, elas lhes colocariam balas no lugar das pétalas, e leis desumanas e rígidas no lugar dos talos...&lt;br /&gt;     -Então... não vão acreditar em mim?&lt;br /&gt;     -As crianças e os que são como crianças acreditarão; os adultos pensam que somente as coisas horríveis são verdadeiras. Colecionam objetos materiais, adoram as armas e não se interessam por nada que seja maravilhoso e verdadeiro; pensam que a escuridão é luz e que a luz é escuridão. Esses não vão se interessar pelo seu livro; mas as crianças sabem que a verdade é maravilhosa e pacífica. Elas vão contribuir para difundir a nossa mensagem, que vai chegar através de você. É um processo. Nós realizamos nossa tarefa, brindando nossa ajuda e servindo. A humanidade deve agora fazer um esforço por si mesma.&lt;br /&gt;     -E se não prestam atenção a isso e destroem o mundo?&lt;br /&gt;     -Vamos ter que fazer a mesma coisa que fizemos há milhões de anos.&lt;br /&gt;     -Resgatar todos aqueles que têm um bom nível –disse.&lt;br /&gt;     -Isso mesmo, Pedrinho.&lt;br /&gt;     -E eu tenho setecentas medidas? –Novamente tentei saber isso.&lt;br /&gt;     -Todos aquele que faz algo pela paz, tem um bom nível. E todo aquele que não faz nada, podendo fazer algo, é indiferente ou cúmplice, não tem amor, não tem um bom nível.&lt;br /&gt;     -Então, assim que eu chegar em casa, começo a escrever –disse, um pouco assustado.&lt;br /&gt;     Ami riu de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 11&lt;br /&gt;Debaixo d'água&lt;br /&gt;     Aproximávamo-nos de um imenso lago de águas azul-celeste. Sobre suas águas deslizavam embarcações a vela e a motor; na beira, as pessoas se banhavam. Tive vontade de mergulhar nessas águas tão cristalinas.&lt;br /&gt;     -Você não pode fazer isso.&lt;br /&gt;     -Por causa dos meus micróbios.&lt;br /&gt;     -Exatamente.&lt;br /&gt;     Havia um cais ao qual as pessoas chegavam para pegar livremente qualquer veículo aquático, luxuosos iates, pequenos botes a remos, umas bonitas esferas transparentes de diferentes tamanhos, bicicletas marinhas e roupa para mergulhar.&lt;br /&gt;     -Então, aqui cada um pode pegar qualquer coisa...&lt;br /&gt;     -Claro.&lt;br /&gt;     -Acho que a maioria vai querer pegar os iates de luxo...&lt;br /&gt;     -Você está enganado; muitas pessoas gostam de remar, outros de brincar com um barco pequeno, Ter a sensação de sentir a água de perto, fazer exercícios físicos...&lt;br /&gt;     -Por que tantas diversões; hoje é Domingo?&lt;br /&gt;     -Aqui todos os dias são Domingo –Ami ria.&lt;br /&gt;     Algumas pessoas pegavam as roupas especiais para mergulhar e submergiam.&lt;br /&gt;     -O que fazem debaixo d'água?&lt;br /&gt;     -Passeiam, descobrem, desfrutam a vida... você quer ir lá?&lt;br /&gt;     -Mas se você disse que eu não posso sair da nave...&lt;br /&gt;     Ami tomou o rumo do lago e enquanto sorria, submergimos nele. Foi muito bonito ver aparecer esse mundo subaquático. Muitas pessoas e veículos se movimentavam por debaixo da superfície das águas; a maioria eram essas esferas transparentes. Um menino que usava um visor para mergulhar e um pequeno tubo de oxigênio, passava perto de nós; quando nos viu, aproximou-se da nossa nave e colou seu nariz no vidro de uma das janelas, fazendo-nos uma careta. Ami ria. Pensei que se fosse eu que estivesse mergulhando numa praia do meu mundo, não teria me aproximado com tanta confiança de um "ovni" submarino...&lt;br /&gt;     No fundo do lago apareceu uma enorme cúpula transparente com luzes de diversas cores; havia uma espécie de restaurante no interior dessa enorme bolha. Lá dentro se podiam ver mesinhas, uma orquestra e uma pista de baile. As pessoas dançavam ao compasso de um ritmo alegre. Alguns batiam palmas, enquanto observavam das mesas cheias de sorvetes e bebidas em copos altos.&lt;br /&gt;     -Ali também não se paga?&lt;br /&gt;     -Em nenhum lugar, Pedrinho.&lt;br /&gt;     -Então, se a vida é tão fácil, como é que essas pessoas não se dedicam a desfrutar, em lugar de trabalhar?&lt;br /&gt;     -Aqui tem muito pouco trabalho, os mais pesados são realizados pelas máquinas e pelos robôs.&lt;br /&gt;     -Isto é melhor do que ir para o céu!&lt;br /&gt;     -Estamos "no céu"... não?&lt;br /&gt;     Estava começando a compreender cada vez com maior clareza a maravilha que devia ser viver num mundo como esse.&lt;br /&gt;     -Isto tem que se ganhar –disse Ami.&lt;br /&gt;     -Continuamos avançando lentamente pelo fundo daquele lago povoado de estranhos peixes e plantas.&lt;br /&gt;     Apareceram umas pirâmides que se elevavam entre as algas e os corais de vários matizes.&lt;br /&gt;     -Não tem tubarões por aqui?&lt;br /&gt;     -Nem tubarões, nem serpentes, nem aranhas, nem feras; nada agressivo ou venenoso. Este é um planeta evoluído, portanto, já não tem espécies distanciadas do amor... essas são para os mundos que as merecem...&lt;br /&gt;     -O que comem os peixes?&lt;br /&gt;     -A mesma coisa que as vacas e os cavalos do seu planeta, vegetais. Nos mundos civilizados ninguém mata para viver, nenhum animal come outro.&lt;br /&gt;     -Então você não come carne...&lt;br /&gt;     -O que você quis me dizer?&lt;br /&gt;     Não quis dizer nada que o ofendesse, mas Ami ria.&lt;br /&gt;     -Claro que não comemos carne... que nojo, é uma maldade matar esses franguinhos, porquinhos e vaquinhas inocentes...&lt;br /&gt;     Assim como ele o tinha descrito, eu também pensei que era uma maldade. Decidi não voltar a comer carne.&lt;br /&gt;     -E falando de comida... –disse, sentindo meu estômago vazio.&lt;br /&gt;     -Você está com fome?&lt;br /&gt;     -Muita. Será que tem alguma comida extraterrestre por aí?&lt;br /&gt;     -Claro, procure ali atrás –apontou um armário detrás das poltronas de comando. Levantei a tampa que deslizava para cima. Apareceu uma despensa pequena, cheia de recipientes de um material que se parecia à madeira, marcados com estranhos sinais.&lt;br /&gt;     -Pegue o maior.&lt;br /&gt;     Não soube como abrir, parecia hermético. Ami ria da minha confusão.&lt;br /&gt;     -Aperte o ponto vermelho.&lt;br /&gt;     Fiz isso, a tampa se levantou suavemente. Apareceram umas frutas parecidas a nozes, de cor âmbar claro, um pouco transparentes.&lt;br /&gt;     -O que são estas coisas?&lt;br /&gt;     -Coma uma.&lt;br /&gt;     Peguei uma, era mole como esponja, experimentei com a ponta da língua. Tinha um sabor mais ou menos doce.&lt;br /&gt;     -Coma, rapaz, coma que não é veneno –Ami não perdia de vista todos os meus movimentos.&lt;br /&gt;     -Dê-me uma.&lt;br /&gt;     Entreguei-lhe o frasco e ele pegou uma das frutas, levou-a até a boca e a comeu com deleite. Mordi um pedacinho e o saboreei com cuidado. Tinha um gosto parecido ao amendoim, nozes ou avelãs. Seu sabor era muito delicado, gostei. Fui adquirindo confiança. O segundo pedaço me pareceu mais gostoso.&lt;br /&gt;     -São deliciosas!&lt;br /&gt;     -Não coma mais de três ou cinco, têm proteínas demais.&lt;br /&gt;     -O que é isso?&lt;br /&gt;     -É uma espécie de mel –ria Ami- de alguma coisa parecida a abelhas –agora Ami ria mais.&lt;br /&gt;     -Gosto disso. Posso levar algumas para minha avó?&lt;br /&gt;     -Claro, mas deixe o frasco aqui. Somente para sua avó, não as mostre para mais ninguém, comam-nas todas e não guarde nenhuma, você promete?&lt;br /&gt;     -Prometo... hummmm... são deliciosas.&lt;br /&gt;     -Não tanto, para meu gosto, como umas frutas da Terra.&lt;br /&gt;     -Quais?&lt;br /&gt;     -Essas que vocês chamam damascos ou abricôs.&lt;br /&gt;     -Você gosta?&lt;br /&gt;     -Claro, no meu planeta todos gostam muito. Já tentamos adaptá-las aos nossos solos, mas ainda não conseguimos esse sabor. É muito freqüente aparecerem "ovnis" nas plantações de damascos...&lt;br /&gt;     Ami ria com suas risadas de nenem.&lt;br /&gt;     -Vocês os roubam? –perguntei, com enorme surpresa.&lt;br /&gt;     -Roubar... o que é roubar? –fingia não saber.&lt;br /&gt;     -Pegar o que pertence a outros.&lt;br /&gt;     -Ah, posse, de novo. Então não podemos evitar os "maus hábitos" de nossos mundos –ria de novo- e "roubamos" uns cinco ou dez damascos...&lt;br /&gt;     Achei engraçado, apesar de que alguma coisa me incomodava. Roubar é roubar, quer seja uma fruta ou um milhão de dólares. Disse isso.&lt;br /&gt;     -Porque na Terra não podem deixar que quem necessite alguma coisa a pegue, sem pagar? –perguntou Ami.&lt;br /&gt;     -Você está louco? Ninguém se preocuparia em trabalhar, se não vão ganhar nada...&lt;br /&gt;     -Não têm amor, então, senão egoísmo... não podem dar se não vão receber algo em troca.&lt;br /&gt;     Ami tinha um estilo muito especial para dizer coisas duras com um sorriso, com ternura e compreensão.&lt;br /&gt;     Fiquei imaginando que eu era o dono de uma plantação dedicada ao plantio de damascos. As pessoas vinham e pegavam as minhas frutas sem pagar nada, depois aparecia um "malandro" que se aproveitava de mim; vinha com um caminhão e levava todas as minhas frutas. Eu tentava protestar, mas ele se afastava com seu veículo cheio, e caçoando de mim dizia:&lt;br /&gt;     -Então não existe amor em você?... você é um egoísta, há, há, há.&lt;br /&gt;     -Nossa, quanta desconfiança –Ami tinha visto todo o meu "filme" mental e disse:&lt;br /&gt;     -Numa sociedade civilizada ninguém "se aproveita" de ninguém. O que este homem vai fazer com um caminhão cheio de frutas?&lt;br /&gt;     -Vai vendê-las claro...&lt;br /&gt;     -Nada se vende; não existe dinheiro...&lt;br /&gt;     Achei isso muito engraçado, não tinha me lembrado que num mundo civilizado não existe dinheiro.&lt;br /&gt;     -Está bem, mas, por que eu vou trabalhar a troco de nada?&lt;br /&gt;     -Se em você existe amor você vai ser feliz de poder servir ao próximo, e assim você tem direito a ser servido, pode ir até o vizinho e pegar da sua colheita o que você precise; do leiteiro pega leite, do padeiro o pão, e assim sucessivamente; e se em lugar de fazer tudo isso isoladamente e em forma desordenada, a sociedade se organiza e levam os produtos aos centros de distribuição, e se em lugar de você trabalhar, trabalham as máquinas...&lt;br /&gt;     -Ninguém faria nada!&lt;br /&gt;     -Sempre haveria algo para fazer: supervisar as máquinas, criar outras mais perfeitas, ajudar àqueles que necessitam de nós, aperfeiçoar nosso mundo e a nós mesmos, e também desfrutar o tempo livre.&lt;br /&gt;     -Mas não faltaria aquele que só quer aproveitar e não fazer nada, o "malandro" –afirmei, lembrando-me do homem do caminhão.&lt;br /&gt;     -Esse, que você qualifica como "malandro", tem um baixo nível de evolução, menos de quatrocentas medidas, muito egoísmo e pouco amor; na verdade, ele pensa que é malandro, astuto, inteligente, mas é bem tonto; com esse nível não se pode ingressar nos mundos civilizados; neles se considera um grande privilégio trabalhar mais, poder servir mais. Aqui, muitas pessoas se divertem, mas a maioria está trabalhando em outros lugares, nos laboratórios, universidades, em todas essas pirâmides e também em missões de serviço nos planetas incivilizados. A vida é para ser vivida com felicidade, para desfrutá-la, mas a maior felicidade se obtém servindo aos demais...&lt;br /&gt;     -Então essas pessoas... são preguiçosas?&lt;br /&gt;     Pela risada de Ami soube que de novo estava enganado.&lt;br /&gt;     -Não, não são. Acontece que não são muito abundantes as oportunidades de servir nestes mundos.&lt;br /&gt;     -Quantas horas por dia trabalham?&lt;br /&gt;     -Depende do tipo de atividade, se é agradável, podemos trabalhar a jornada completa, como eu neste momento... mas isto é um grande privilégio.&lt;br /&gt;     -Você trabalhando; no que está trabalhando?... o que eu vejo é que estamos passeando –Ami ria enquanto me escutava.&lt;br /&gt;     -Sou algo assim como um professor ou um mensageiro, o que é quase a mesma coisa.&lt;br /&gt;     Não me pareceu que fosse o mesmo. Nesse momento vi dois jovens que forçavam a janela de uma pirâmide submarina; tentavam entrar para roubar. Ami captou meus pensamentos e riu.&lt;br /&gt;     -Estão limpando os vidros!... Você tem a imaginação cheia de delitos...&lt;br /&gt;     -Como é a polícia aqui?&lt;br /&gt;     -Polícia; para quê?&lt;br /&gt;     -Para cuidar, para evitar que os malvados...&lt;br /&gt;     -Que malvados?&lt;br /&gt;     -Não tem nenhum malvado aqui?&lt;br /&gt;     -Bem, ninguém é perfeito, mas com setecentas medidas, a informação e os estímulos precisos, e dentro de um sistema de organização social adequado, todos deixam de ser nocivos para seus semelhantes; já não se necessita ser "malvado", e também não se precisa da polícia...&lt;br /&gt;     -É incrível!&lt;br /&gt;     -Incrível é que num mundo se matem uns aos outros...&lt;br /&gt;     -Você tem razão. Agora que eu penso, me parece impossível que algum dia, na Terra, cheguemos a viver como vocês; somos malvados, falta-nos amor; eu mesmo, tem gente que eu não gosto –pensei em um colega do colégio que está sempre sério. Quando nos entusiasmamos brincando, é suficiente um olhar seu para que a gente perca o ânimo. Também me lembrei de outro que pensa que é santo; afirma que a Virgem Maria apareceu para ele e lhe diz que ele irá para o Céu; sempre nos está condenando porque fazemos alguma travessura e brincadeiras e porque não vamos muito à missa... não, definitivamente eu não gosto.&lt;br /&gt;     -Eu também não acho que todas as pessoas são agradáveis, do meu mundo ou de qualquer outro, mas não porque eu pense que não são simpáticas vou lhes fazer algum mal.&lt;br /&gt;     -De verdade; você tem defeitos? –entusiasmei-me- eu pensava que você era perfeito! Eu também não faria nenhum mal a esses dois antipáticos... mas não me obrigue a viver com nenhum deles...&lt;br /&gt;     -Nos mundos evoluídos existem almas que não se atraem, mas que também não se rejeitam. Para missões ou trabalhos de muita convivência se buscam pessoas afins, apesar de que quando se chega às mil e quinhentas medidas se ama a todas as pessoas; devemos tentar avançar por esse caminho, mas nem a vocês nem a nós se exige tanto por enquanto.&lt;br /&gt;     -Então, não é necessário que os terrícolas sejam perfeitos?&lt;br /&gt;     Agora sim que meu amiguinho espacial riu com vontade.&lt;br /&gt;     -Os terrícolas perfeitos!... Você sabe o que é ser perfeito?&lt;br /&gt;     -Ser como Deus?&lt;br /&gt;     -Isso mesmo. Quem pode? Eu não...&lt;br /&gt;     -Eu também não –disse.&lt;br /&gt;     -É típico do misticismo terrestre, do extremismo mental. Matam sem compaixão, torturam, enganam, escravizam-se à matéria, têm um baixo nível de evolução, e exigem perfeição!... Seria suficiente que abandonassem as armas e vivessem em paz, como uma família, só isso; para conseguir isso não precisam ser perfeitos, somente devem deixar de ser daninhos. Isso é muito mais fácil do que conseguir a perfeição. Somente um estalar de dedos e o mundo começa a viver em paz, mas lhes parece uma loucura, uma utopia, um impossível; em troca, A PERFEIÇÃO, isso sim lhes parece impossível... não fazem nada pela humanidade e só se dedicam a buscar pequenos erros alheios ou próprios: "coam mosquitos e engolem camelos".&lt;br /&gt;     -E se uma pessoa se retira a uma montanha para buscar a Deus? –meu colégio é religioso, por isso sempre se toca nesses temas.&lt;br /&gt;     -Se alguém se afoga num rio, enquanto você reza na beira sem fazer nada por essa pessoa, Deus estaria contente com você? –perguntou Ami.&lt;br /&gt;     -Não sei... talvez ele fique contente com as minhas orações.&lt;br /&gt;     -Qual é a Lei fundamental do universo?&lt;br /&gt;     -Amor.&lt;br /&gt;     -Em qual atitude sua tem mais amor: rezando indiferente enquanto seu irmão se afoga, ou tentando lhe salvar a vida?&lt;br /&gt;     -Não sei... se em minha oração eu estou amando a Deus...&lt;br /&gt;     -Vejamos de outra maneira. Se você tem dois filhos, um deles está se afogando num rio, e o outro se dedica a adorar um retrato seu e não faz nada por salvar a vida a seu irmão, você acharia correta essa atitude?&lt;br /&gt;     -Não, claro que não, preferiria mil vezes que salvasse meu outro filho... mas talvez Deus não seja como eu.&lt;br /&gt;     -Não? Você o imagina vaidoso, interessado simplesmente em que o adorem, sentindo indiferença pela sorte dos seus outros filhos?... Se você, que é imperfeito, não atuaria assim, como Ele poderia, que é Perfeito, ser pior do que você?&lt;br /&gt;     -Não tinha visto dessa maneira...&lt;br /&gt;     -Deus prefere um ateu serviçal para com seus irmãos, do que um beato inútil para seu mundo que se "afoga", interessado unicamente em sua ilusória "salvação" ou "perfeição" individual.&lt;br /&gt;     -Não tinha percebido isso Ami. Por que você sabe tanto a respeito de Deus?&lt;br /&gt;     -Porque Deus é amor, portanto, quem experimenta amor, experimenta a Deus, e quem ama, unicamente quer ser útil.&lt;br /&gt;     -Qual é sua religião?&lt;br /&gt;     -Nenhuma, ou talvez sim, não sei... Em todo o universo evoluído a única religião universal consiste em viver em amor, porque o amor é Deus... além disso, não temos nenhum sistema de crenças.&lt;br /&gt;     -Exceto uma –disse eu.&lt;br /&gt;     -Qual, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Bem, isso de que o amor é o universo fundamental da lei...&lt;br /&gt;     -Lei fundamental do universo, Pedrinho, mas não é uma crença, senão uma lei, comprovada científica ou espiritualmente, porque ciência ou espiritualidade são a mesma coisa para nós, e também o será para vocês quando a sua ciência descobrir o amor.&lt;br /&gt;     -Eu pensei que era uma...&lt;br /&gt;     -Uma superstição –perguntou Ami rindo.&lt;br /&gt;     -Algo assim... uma boa intenção, talvez.&lt;br /&gt;     -Enganou-se de novo. Vamos ver algumas pessoas muito especiais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 12&lt;br /&gt;A nova era&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     Saímos da água e avançávamos em alta velocidade para a superfície do planeta Ofir; em pouco tempo chegamos até uns edifícios. Paramos no ar e eu quase desmaiei com o que vi: várias pessoas... vo-a-vam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Mantinham-se no ar com os braços abertos, alguns verticalmente, outros em posição horizontal. Todos tinham os olhos fechados e seus rostos denotavam grande suavidade e concentração. Deslizavam como  guias descrevendo enormes círculos. Ami acionou o "sensômetro" e focalizou um deles.&lt;br /&gt;     -Vamos ver o seu nível de evolução.&lt;br /&gt;     Apareceu o homem muito transparente. A luz do seu peito era um espetáculo maravilhoso, transpassava os limites do seu corpo irradiando uma esfera de luz que o envolvia e se expandia muito além dele.&lt;br /&gt;     Vivenciam a força mais poderosa do universo: a força do amor -explicou-me.&lt;br /&gt;     -Como podem voar? -perguntei, fascinado.&lt;br /&gt;     -O amor os eleva, algo parecido fizemos na praia.&lt;br /&gt;     -Devem ter uma quantidade enorme de medidas...&lt;br /&gt;     -Estas pessoas têm aproximadamente mil medidas, mas se concentram no amor e conseguem superar duas mil. Estes são exercícios espirituais; quando terminam a prática voltam ao seu nível habitual. Existem mundos nos quais seus habitantes vivem normalmente como eles agora, mas existem outros nos quais nem você nem eu podemos chegar por enquanto; ali habitam seres que superam dez mil medidas: os seres solares, são quase puro amor...&lt;br /&gt;     -Seres solares?!&lt;br /&gt;     -Claro, os habitantes dos sóis...&lt;br /&gt;     -Jamais teria imaginado...&lt;br /&gt;     -É natural, ninguém pode ver por cima do degrau no qual se encontra... Vamos ver esse grupo que está logo ali.&lt;br /&gt;     Ao longe havia umas cinqüenta pessoas sentadas nos prados formando um círculo; assim como os homens que voavam, pareciam brilhar à simples vista. Tinham as pernas cruzadas e as costas retas, meditavam ou rezavam.&lt;br /&gt;     -O que estão fazendo?&lt;br /&gt;     -Enviam aos mundos menos evoluídos da galáxia, algo assim como mensagens telepáticas, mas não são percebidas somente com a mente, é imprescindível o coração.&lt;br /&gt;     -Você me falou sobre isso. Que dizem essas mensagens?&lt;br /&gt;     -Procure colocar sua atenção em seu peito, acalme seus pensamentos e talvez as possa receber. Estamos muito perto da fonte de emissão... não, assim não; relaxe seu corpo, feche os olhos e permaneça atento.&lt;br /&gt;     Assim o fiz. A princípio não senti nada, exceto uma emoção especial desde que nos aproximamos do lugar, mas logo me invadiam uns "sentimentos-idéias":&lt;br /&gt;          "Tudo aquilo que no Amor não se sustente&lt;br /&gt;           haverá de ser destruído&lt;br /&gt;           esquecido no tempo&lt;br /&gt;           repudiado..."&lt;br /&gt;     Chegava até mim uma espécie de clareza interna, depois a minha mente colocava palavras nessas sensações. Era algo muito estranho e maravilhoso.&lt;br /&gt;          "E tudo aquilo que no Amor se sustente&lt;br /&gt;           amizade ou casal&lt;br /&gt;           família ou agrupação&lt;br /&gt;           governo ou nação&lt;br /&gt;           alma individual ou humanidade&lt;br /&gt;           será firme e seguro&lt;br /&gt;           haverá de prosperar e frutificar&lt;br /&gt;           e não conhecerá a destruição..."&lt;br /&gt;     Quase podia "ver" o Ser que dizia aquilo; para mim, não se tratava dessas pessoas, para mim era Deus que falava.&lt;br /&gt;          "Esse é meu Pacto&lt;br /&gt;           essa é minha Promessa e minha Lei".&lt;br /&gt;     -Você captou, Pedrinho? -perguntou Ami. Abri os olhos.&lt;br /&gt;     -Oh, sim... de que se trata tudo isso?&lt;br /&gt;     -Essas mensagens são provenientes do mais Profundo, de Deus. Estas amigos que você vê, recebem-nas e retransmitem aos mundos menos evoluídos, como o seu. Ali são captadas por outras pessoas, mas nem sempre são retransmitidas com pureza, porque ela depende do nível de consciência do receptor.&lt;br /&gt;     -Nível de consciência? O que é isso, Ami?&lt;br /&gt;     -O grau de equilíbrio entre os dois cérebros, Pedrinho; ele faz com que as mensagens possam ser utilizadas para o que realmente é o seu objetivo: criar a Nova Era; ou que sejam deturpadas para aumentar a confusão, o medo e a violência.&lt;br /&gt;     -Nova Era?&lt;br /&gt;     -Sim, a Era de Aquário.&lt;br /&gt;     -Que é isso de Era de Aquário?&lt;br /&gt;     -Uma nova etapa evolutiva do planeta Terra, o final de milênios de barbárie, uma nova Era de amor. Seu planeta começa a ser regido por energias cósmicas e geológicas mais sutis, que favorecem o crescimento do amor em todos os seres. Vocês já poderiam estar vivendo como aqui, em Ofir.&lt;br /&gt;     -E por que não o fazemos ainda, Ami?&lt;br /&gt;     -Porque continuam guiando-se pelas velhas idéias e sistemas que não se adaptam aos novos tempos e só fazem sofrer às pessoas de seu mundo. Mas os seres nasceram para ser felizes, Pedrinho, não para sofrer. Por isso estamos trabalhando neste "plano de ajuda". Você já percebeu que na Terra ultimamente se fala muito de amor?&lt;br /&gt;     -Sim, é verdade.&lt;br /&gt;     -Isso se deve a que nesta "Era de Aquário" muitas pessoas recebem essas mensagens e a maioria delas sente a força da radiação do amor, que agora é maior.&lt;br /&gt;     -Então, porque existe mais sofrimento agora na Terra? Em outras épocas houve guerras mundiais, miséria, pestes...&lt;br /&gt;     -Sim, mas as pessoas eram mais insensíveis, sofriam menos frente às atrocidades, acreditavam nas guerras, hoje em dia já não; hoje é a imensa maioria só quer viver em paz. É uma "nova fornada humana", produto de radiações mais finas, e sofrem mais, porque quanto maior é a sensibilidade, maior é o sofrimento frente à dor... lamentavelmente.&lt;br /&gt;     Afastamo-nos em altíssima velocidade daquele lugar impregnado de estranhas vibrações espirituais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Quantas horas temos ainda, Ami?&lt;br /&gt;     -Duas.&lt;br /&gt;     -Que estranho! Sinto como se houvéssemos estado umas doze horas nesta nave, desde que subi lá na praia...&lt;br /&gt;     -Disse-lhe que se pode estiiiicar o tempo... Vamos ao "cinema". Veja lá em baixo.&lt;br /&gt;     Tínhamos chegado a uma região noturna do planeta Ofir, mas tudo se via muito iluminado por uma enorme quantidade de luzes artificiais nos prados e edifícios.&lt;br /&gt;     Observei alguma coisa como um cinema ao ar livre, com muitos espectadores. A tela era uma lâmina de cristal sobre a qual apareciam imagens em cores, jogos de formas e matizes ao compasso de uma música suave. Na frente da tela havia uma poltrona especial, separada das outras. Sobre ela se encontrava uma mulher com alguma coisa, parecia a um capacete, na cabeça. Permanecia com os olhos fechados, muito concentrada.&lt;br /&gt;     -De que se trata, Ami?&lt;br /&gt;     -O que ela imagina, aparece na tela... É um "cinema" que não necessita filmadoras nem projetores.&lt;br /&gt;     -Mas isto é maravilhoso demais! -exclamei.&lt;br /&gt;     -Técnica -disse Ami-, simples técnica.&lt;br /&gt;     A mulher terminou de apresentar seu espetáculo; um homem tomou seu lugar enquanto o público aplaudia.&lt;br /&gt;     Começou a escutar-se outra música; na tela apareceram aves estilizadas que voavam ao compasso da música sobre paisagens que pareciam de cristal ou pedras preciosas. Aquilo era muito bonito, algo assim como desenhos animados. Ficamos muito tempo contemplando em silêncio aquela maravilha extraterrestre.&lt;br /&gt;     Depois veio um menino, apresentando uma história de amor entre ele e uma menina de outro mundo; sucedia em diferentes e estranhos planetas. As imagens, menos precisas que as anteriores, às vezes desapareciam totalmente. Perguntei por que acontecia isso.&lt;br /&gt;     -É uma criança, ainda não tem a capacidade de concentração de um adulto, mas o faz muito bem para a sua idade.&lt;br /&gt;     -Também imaginam a música?&lt;br /&gt;     -As imagens e a música ao mesmo tempo, não; não neste mundo, mas existem outros nos quais sim podem conseguir tal proeza; em Ofir existem salas de concerto nas quais o artista simplesmente imagina a música e o público a escuta... Você quer ir a um parque de diversões?&lt;br /&gt;     -Claro!&lt;br /&gt;     Chegamos a um mundo de fantasia, onde havia todo tipo de jogos; gigantescas montanhas russas, lugares nos quais as pessoas ficavam levitando enquanto morriam de rir; imitações de lugares fabulosos e seres fantásticos.&lt;br /&gt;     -Quanto maior é a evolução, mais se é como uma criança -explicou-me Ami-; nestes mundos temos muitos lugares como este. A alma adulta é a alma de uma criança. Necessitamos de jogos, de fantasia, de criação... Não existe jogo, fantasia ou criação maior que o universo, cujo criador é o amor...&lt;br /&gt;     -Deus?&lt;br /&gt;     -O amor é Deus... nos nossos idiomas temos uma só palavra para referir-nos ao Criador, à Divindade, a Deus; essa palavra é AMOR... e a escrevemos com maiúscula. Vocês também o farão algum dia.&lt;br /&gt;     -Cada vez percebo mais a importância do amor.&lt;br /&gt;     -E ainda sabe pouco... Vamos, terminou a visita a Ofir. Este mundo vive como vocês poderiam começar a viver a partir de amanhã mesmo. Se fossem capazes de unir-se, nós lhes ensinaríamos o resto. Agora vamos a um mundo que nem você nem eu podemos atingir ainda, somente visitar rapidamente com algum nobre propósito, como este. Lá, ninguém está abaixo de duas mil medidas. A viagem é comprida, vou aproveitar para contar-lhe  outras coisas; sente-se nessa poltrona.&lt;br /&gt;     Ami acionou os controles, a nave vibrou com suavidade, as estrelas se esticaram novamente, e por detrás dos vidros apareceu a neblina que indicava que íamos para um longínquo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 13&lt;br /&gt;Uma princesa azul&lt;br /&gt;     -Você disse que existem pessoas às quais é difícil amar, não é verdade, Pedrinho?&lt;br /&gt;     -Sim.&lt;br /&gt;     -É ruim não amar?&lt;br /&gt;     -Sim -respondi.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Porque você disse que o amor é a Lei, e tudo isso.&lt;br /&gt;     -Esqueça o que eu disse. Imaginemos que o estou enganando, ou que estou enganado. Imagine um universo sem amor.&lt;br /&gt;     Comecei a visualizar mundos nos quais ninguém amava ninguém. Todos eram frios e egocêntricos, porque ao não haver amor, não existia um freio ao ego, como dizia Ami. Todos lutavam contra todos e se destruíam... Lembrei-me das energias que Ami tinha mencionado, essas que são capazes de produzir um descalabro cósmico; imaginei um ego ferido e suicida apertando "o botão". Unicamente por vingança... explodiam as galáxias numa reação em cadeia!...&lt;br /&gt;     -Se não existisse amor, não haveria universo -concluí.&lt;br /&gt;     -Poderíamos dizer, então, que o amor constrói e que a falta de amor destrói?&lt;br /&gt;     -Acredito que sim -respondi-, o resultado final é esse.&lt;br /&gt;     -Quem criou o universo?&lt;br /&gt;     -Deus.&lt;br /&gt;     -Se o amor constrói e Deus "construiu" o universo, existirá amor em Deus?&lt;br /&gt;     -Claro! -conectei-me com a imagem de um ser maravilhoso e resplandecente, que por amor criava galáxias, mundos, estrelas...&lt;br /&gt;     -Tente lhe tirar essa barba de novo -Ami ria. Era verdade; novamente o havia imaginado com barba e rosto humano; mas agora já não nas nuvens, senão que no meio do universo.&lt;br /&gt;     -Então poderíamos dizer que Deus tem muito amor...&lt;br /&gt;     -Claro que sim -disse- por isso Ele não gosta nem do ódio nem da destruição...&lt;br /&gt;     -Bem, e para que Deus criou o universo?&lt;br /&gt;     Fiquei pensando muito mas não encontrei a resposta, e protestei:&lt;br /&gt;     -Você não acha que eu sou muito pequeno para responder essa pergunta?&lt;br /&gt;     Ami não me prestou atenção.&lt;br /&gt;     -Para que você vai levar essas "nozes" para sua vovó?&lt;br /&gt;     -Para que ela experimente... ela vai gostar.&lt;br /&gt;     -Você quer que ela goste?&lt;br /&gt;     -Claro.&lt;br /&gt;     -Por quê?&lt;br /&gt;     -Para que ela goste... para que se sinta feliz...&lt;br /&gt;     -Por que você quer que ela se sinta feliz?&lt;br /&gt;     -Porque eu a amo -eu me senti surpreso ao comprovar que outra das características do amor é desejar a felicidade daqueles quem amamos.&lt;br /&gt;     -Por isso você quer que ela goste das "nozes", que se sinta contente, que seja feliz?&lt;br /&gt;     -Sim, por isso.&lt;br /&gt;     -Para que Deus cria pessoas, mundos, paisagens, sabores, cores, aromas?&lt;br /&gt;     -Para que a gente seja feliz -exclamei, contente por ter compreendido algo que ignorava.&lt;br /&gt;     -Muito bem... então, Deus nos ama?&lt;br /&gt;     -Claro, ama-nos muito.&lt;br /&gt;     -Então se Ele ama, nós também deveríamos amar... ou não...&lt;br /&gt;     -Sim, se Deus ama...&lt;br /&gt;     -Perfeito. Existe algo superior ao amor?&lt;br /&gt;     -Você disse que era o mais importante...&lt;br /&gt;     -E também disse que esquecesse o que tinha dito -sorria-, existem pessoas que acham que o pensamento é superior. O que você vai fazer para entregar essas "nozes" à sua vovó?&lt;br /&gt;     -Vou ver como lhe preparo uma surpresa.&lt;br /&gt;     -E vai utilizar o seu intelecto para isso, não é verdade?&lt;br /&gt;     -Claro, vou pensar em algum plano.&lt;br /&gt;     -Então, o seu intelecto serve ao seu amor, ou é ao contrário?&lt;br /&gt;     -Não entendo.&lt;br /&gt;     -Qual é a origem de você querer que a sua vovó seja feliz, seu amor ou seu pensamento?&lt;br /&gt;     -Ah! Meu amor, dali nasce tudo.&lt;br /&gt;     -"Dali nasce tudo", você tem muita razão... então, primeiro você ama e depois utiliza o seu pensamento para fazer feliz a sua vovó, não é?&lt;br /&gt;     -Sim, você tem razão, coloco o meu intelecto a serviço do meu amor; primeiro está o amor.&lt;br /&gt;     -Então, que existe por cima do amor?&lt;br /&gt;     -Nada? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Nada -respondeu. Olhou para mim com um olhar luminoso.&lt;br /&gt;     -E se comprovamos que Deus tem muito amor, o que é Ele?&lt;br /&gt;     -Não sei.&lt;br /&gt;     -Se existe algo maior do que o amor, Deus deve ser isso, não é verdade?&lt;br /&gt;     -Acho que sim.&lt;br /&gt;     -E o que é maior do que o amor?&lt;br /&gt;     -Não sei...&lt;br /&gt;     -Que dissemos que havia por cima do amor?&lt;br /&gt;     -Dissemos que não havia nada.&lt;br /&gt;     -Então, o que é Deus? -perguntou.&lt;br /&gt;     -Ah! "Deus é amor", você já disse isso vária vezes, e a Bíblia também o diz... mas eu pensava que Deus era uma pessoa com muito amor...&lt;br /&gt;     -Não. Não é uma pessoa com muito amor; Deus é o amor mesmo, e o amor é Deus.&lt;br /&gt;     -Acho que não entendo, Ami.&lt;br /&gt;     -Eu lhe disse que amor é força, uma vibração, uma energia cujos efeitos podem ser medidos com os instrumentos adequados, como o "sensômetro", por exemplo.&lt;br /&gt;     -Sim, lembro-me&lt;br /&gt;     -A luz também é uma energia ou vibração.&lt;br /&gt;     -Sim?&lt;br /&gt;     -Sim, e os raios X, infra-vermelhos e o ultra-violeta, e também o pensamento, tudo é uma vibração da mesma "coisa" em diferentes freqüências. Quanto mais alta a freqüência, mais refinada é a matéria ou a energia. Uma pedra e um pensamento são a mesma "coisa" vibrando em diferentes freqüências.&lt;br /&gt;     -Que é isso? -perguntei.&lt;br /&gt;     -Amor.&lt;br /&gt;     -De verdade?&lt;br /&gt;     -De verdade... tudo é amor, tudo é Deus...&lt;br /&gt;     -Então Deus criou o universo com puro amor?&lt;br /&gt;     -Deus "criou" é uma maneira de dizer, a verdade é que Deus "se transforma" em universo, em pedra, em você e em mim, em estrela e em nuvem...&lt;br /&gt;     -Então... eu sou Deus?&lt;br /&gt;     Ami sorriu com ternura e disse:&lt;br /&gt;     -Uma gota de água do oceano não pode dizer que ela é o oceano, apesar de que tenha a mesma composição. Você está feito da mesma substância de Deus, você é amor. A evolução nos permite ir reconhecendo e recuperando a nossa verdadeira identidade: amor.&lt;br /&gt;     -Então eu sou amor...&lt;br /&gt;     -Claro, aponte para você mesmo.&lt;br /&gt;     -Não o entendo, Ami.&lt;br /&gt;     -Quando você diz "eu", onde você aponta? A qual parte de seu corpo? Aponte para você dizendo "eu".&lt;br /&gt;     Apontei-me ao centro do peito dizendo "eu".&lt;br /&gt;     -Por que você não apontou a ponta do nariz, por exemplo, ou a testa, ou a garganta?&lt;br /&gt;     Achei engraçado imaginar-me apontando para outro lugar que não fosse o peito.&lt;br /&gt;     -Não sei porque me aponto para aqui -disse, rindo.&lt;br /&gt;     -Porque você está aí, o seu eu real. Você é amor, e tem a sua morada em seu coração. Sua cabeça é uma espécie de "periscópio", como em um submarino; serve para que você -apontou-me o peito- possa receber o exterior, um "periscópio" com um "computador" em seu interior: o cérebro; com ele você entende e organiza as suas funções vitais; as extremidades servem para que você se movimente e manipule objetos, mas você está aqui -tocou-me novamente um ponto no centro do peito- você é amor. Então, qualquer ato que você realize contra o amor é um ato contra você mesmo e contra Deus, que é amor. É por isso que a Lei fundamental do universo é amor, que o amor é a máxima possibilidade humana e que o Nome de Deus é Amor. Assim que, a Religião Universal consiste em experimentar e entregar amor. Essa é minha religião, Pedrinho.&lt;br /&gt;     -Agora sim vejo tudo mais claro; muito obrigado, Ami.&lt;br /&gt;     -O agradecimento é um dos doze "frutos da árvore da Vida".&lt;br /&gt;     -Por que "árvore da Vida"?&lt;br /&gt;     -Porque do amor nasce a vida... você nunca ouviu falar em "fazer amor"?&lt;br /&gt;     -Certo!... Quais são esses doze frutos?&lt;br /&gt;     -Verdade, liberdade, justiça, sabedoria, beleza, são alguns deles. Tente ir descobrindo os outros e procure colocá-los em prática.&lt;br /&gt;     -Uf!... não é fácil.&lt;br /&gt;     -Ninguém está lhe pedindo perfeição, Pedrinho, nem mesmo aos seres solares se pede tanto... Somente Deus é perfeito, puro amor, mas nós somos uma centelha de amor divino e devemos tentar nos aproximar ao que realmente somos. Sermos nós mesmos, isso é o que nos pedem para sermos livres; não existe outra liberdade.&lt;br /&gt;     Apareceu uma cor rosada pelas janelas.&lt;br /&gt;     -Já chegamos, Pedrinho, olhe pela jan...&lt;br /&gt;     O interior da nave ficou banhado pela suave cor desse céu cor-de-rosa, ou melhor, lilás claro. Senti-me cheio de uma reverente espiritualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     Minha mente deixou de ser a habitual, e é muito difícil para mim explicar como foi mudando minha consciência. Não via a mim mesmo como o "eu" de agora, não era um menino terrestre, senão que muito mais que isso. Senti que aquilo que estava vivendo e de alguma maneira já o tinha vivido, não era desconhecido para mim, nem aquele mundo nem aquele momento. Ami e a nave desapareceram, eu estava sozinho, vindo de muito longe para um encontro por muito tempo esperado.&lt;br /&gt;     Desci flutuando das nuvens rosadas e luminosas, não havia nenhum sol ali, tudo era realmente suave. Apareceu uma paisagem idílica: uma lagoa cor-de-rosa na qual deslizavam aves parecidas a cisnes, talvez brancas, mas o lilás do céu tingia tudo. Ao redor da lagoa havia ervas e juncos de diferentes tonalidades de verde, alaranjado e amarelo-rosado. Nos arredores, ao longe, podiam-se ver suaves colinas forradas de folhagens e flores que pareciam pequenas gemas brilhantes de diversas cores e tonalidades. As nuvens apresentavam diferentes matizes de rosa e lilás.&lt;br /&gt;     Não consegui saber se eu estava nessa paisagem, eu ela estava dentro de mim, ou talvez formássemos uma unidade, mas o que mais me surpreende hoje, é que a folhagem... cantava!&lt;br /&gt;     Certas ervas e flores balançavam-se emitindo notas musicais ao ritmo de seu movimento, outras, que o faziam em outro sentido, emitiam notas diferentes. Aquelas criaturas eram conscientes; os juncos, ervas e flores cantavam e se balançavam ao meu redor e nas colinas próximas dali; formavam o mais maravilhoso concerto que jamais havia escutado. Tudo era uma consciente harmonia.&lt;br /&gt;     Passei flutuando por sobre a beira das águas. Um casal de cisnes, com vários filhotes pequenos, olhou para mim através de suas máscaras azuis, com fineza e respeito; saudaram-me dobrando com elegância seus compridos pescoços. Correspondi inclinando-me suavemente, mas com grande afeto. Os pais ordenaram a seus pequenos que também me cumprimentassem. Acredito que o fizeram através de uma ordem mental ou de um levíssimo movimento; os filhos obedeceram inclinando também suas cabeças, somente que não com tanta elegância nem harmonia; por um momento perderam o equilíbrio, para depois recuperar a estabilidade e continuar avançando com certa arrogância infantil que me inspirou ternura. Retribuí com carinho, simulando uma grande cerimoniosidade.&lt;br /&gt;     Continuei meu caminho flutuando até o lugar do encontro. Tinha um encontro marcado com "ela", desde a eternidade dos tempos.&lt;br /&gt;     Ao longe apareceu uma espécie de pagode ou pérgola flutuando perto da beira. Tinha um telhado ao estilo japonês, sustentado por finos bambus, entre os quais cresciam trepadeiras de folhas rosadas e flores azuis que formavam uma espécie de parede. Sobre o chão de madeira polida havia almofadas com grandes franjas coloridas; do teto pendiam pequenos enfeites, como incensários de bronze ou de ouro e jaulinhas para grilos.&lt;br /&gt;     Sobre as almofadas estava "ela", senti-a próxima, imensamente próxima, contudo, era a primeira vez que íamos nos unir...&lt;br /&gt;     Não nos olhamos no olhos, queríamos prolongar os momentos prévios, não havia que apressar nada... tantos milênios havíamos esperado já...&lt;br /&gt;     Fiz uma reverência a qual ela respondeu sutilmente; entrei, comunicamo-nos, mas não com palavras; teria sido vulgar demais, pouco harmonioso nesse mundo e naquele encontro tão sonhado. Nossa linguagem consistiu em um ritual artístico de leves movimentos de braços, mãos e dedos, acompanhados de algum sentimento que enviávamos vibratoriamente. Quando a linguagem falada é insuficiente, o amor nos pede outras formas de comunicação...&lt;br /&gt;     Chegou o momento de olhar aquele rosto ignorado: era uma bela mulher de traços orientais e pele de um azul claro. Cabelos muito negros, partidos ao meio. Tinha um sinal no meio da testa.&lt;br /&gt;     Senti muito amor por ela, e ela por mim. Chegava o momento culminante. Aproximei minhas mãos às dela... e tudo desapareceu.&lt;br /&gt;     Estava ao lado de Ami, na nave, a neblina luminosa e branca indicava que nos havíamos ido daquele mundo.&lt;br /&gt;     -...ela...&lt;br /&gt;                                    oh,&lt;br /&gt;                                                               você&lt;br /&gt;                                                                                              já&lt;br /&gt;                                                                                                                       voltou&lt;br /&gt;                                                                                                                                                    -disse Ami.&lt;br /&gt;     Compreendi que tudo aquilo tinha sucedido numa fração de segundo, entre o "jan" e o "ela" da palavra "janela" que Ami pronunciou apenas apareceu a cor rosada detrás dos vidros. Senti angústia, como quem desperta de um belo sonho e enfrenta uma opaca realidade... ou era ao contrário? Não seria este um mau sonho e o outro, a realidade?&lt;br /&gt;     -Quero voltar! -gritei. Ami cruelmente me havia separado "dela", dilacerando-me, não podia fazer isso. Ainda não recuperara a minha mente habitual, o outro "eu" estava superposto à minha vida real. Por um lado era Pedro, um menino de nove anos, por outro lado era um ser... por que não podia recordar agora?&lt;br /&gt;     -Não chegou a hora -Ami tranqüilizou-me com suavidade-, você vai voltar... mas não ainda...&lt;br /&gt;     Consegui acalmar-me. Soube que era verdade, que voltaria, lembrei-me dessa sensação de "não apressar as coisas" e fiquei tranqüilo. Pouco a pouco fui voltando ao normal, mas já nunca seria o mesmo, agora  que havia deslumbrado outra dimensão do meu próprio ser... Eu era Pedro, mas momentaneamente, por outro lado era muito mais que Pedro.&lt;br /&gt;     -Em que mundo estive?&lt;br /&gt;     -Em um mundo localizado fora do tempo e do espaço... em outra dimensão por enquanto.&lt;br /&gt;     -Eu estava ali, mas não era o de sempre... era "outro"...&lt;br /&gt;     -Você viu o seu futuro, o que você vai ser quando completar sua evolução até certo limite... duas mil medidas, mais ou menos.&lt;br /&gt;     -Quando vai ser isso?&lt;br /&gt;     -Ainda lhe falta nascer, morrer, nascer várias vezes, várias vidas...&lt;br /&gt;     -Como é possível ver o futuro?&lt;br /&gt;     -Tudo está escrito. A "novela" de Deus já está escrita, você pulou várias folhas e leu outra página, isso foi tudo. Era preciso, é um pequeno estímulo para você renunciar definitivamente à idéia de que tudo termina com uma morte a mais, e para que escreva para que outros o saibam.&lt;br /&gt;     -Quem era essa mulher? Sinto que nos amamos, inclusive agora.&lt;br /&gt;     -Deus a colocar muitas vezes ao seu lado. Às vezes você a reconhecerá, outras não, vai depender do seu "cérebro do peito". Cada alma tem um único complemento, uma "metade".&lt;br /&gt;     -Ela tinha a pele azul!&lt;br /&gt;     -E você também, somente que você não se olhou num espelho -Ami ria novamente de mim.&lt;br /&gt;     -Agora tenho a pele azul? -olhei minhas mãos intranqüilo.&lt;br /&gt;     -Claro que não. Agora ela também não...&lt;br /&gt;     -E ela, onde está neste momento?&lt;br /&gt;     -No seu mundo...&lt;br /&gt;     -Leve-me até onde ela está, quero vê-la!&lt;br /&gt;     -E como você pensa reconhecê-la?&lt;br /&gt;     -Tinha rosto de japonesa... apesar de que não me lembro dos seus traços... tinha um sinal na testa...&lt;br /&gt;     -Já lhe disse que agora ela não é assim -Ami ria- neste momento ela é uma menina comum e normal.&lt;br /&gt;     -Você a conhece, sabe quem é?&lt;br /&gt;     -Não se apresse, Pedrinho, lembre-se que a paciência é a ciência da paz, da paz interior... não queira abrir antes da hora um presente surpresa. A vida vai guiá-lo... Deus está detrás de cada acontecimento.&lt;br /&gt;     -Como a reconhecerei?&lt;br /&gt;     -Não com a mente, não com a análise, não com o preconceito, somente com seu coração, com amor.&lt;br /&gt;     -Mas, como?&lt;br /&gt;     -Observe-se sempre, especialmente quando você conhecer alguém, mas não confunda o interno com o externo... Temos pouco tempo pela frente. Sua vovó vai acordar, temos que voltar!&lt;br /&gt;     -Quando você vai voltar?&lt;br /&gt;     -Escreva o livro, voltarei depois.&lt;br /&gt;     -Coloco o da "japonezinha"?&lt;br /&gt;     -Coloque tudo, mas não esqueça de dizer que é um conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 14&lt;br /&gt;Até a volta, Ami!     &lt;br /&gt;     Apareceu a atmosfera azul do meu planeta. Estávamos em cima do mar aproximando-nos da costa, o sol já se tinha elevado por cima da linha do horizonte, detrás da longínqua cordilheira e expandia seus dourados raios entre as nuvens prateadas. O céu azul, o mar brilhante, as montanhas, ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Meu planeta, é belo, apesar de tudo...&lt;br /&gt;     -Eu lhe disse, é maravilhoso, e vocês não o percebem, não somente não o percebem, senão que, além disso, o estão destruindo, e a vocês também. Se compreendem que o amor é a Lei do universo, se chegarem a organizar-se em harmonia com o amor, vão conseguir sobreviver.&lt;br /&gt;     -Sem países?&lt;br /&gt;     -Os países passariam a formar "estados" representados por um só Governo Mundial, como no universo civilizado... não são todos irmãos?&lt;br /&gt;     -Que quer dizer isso de organizar-se em harmonia com o amor?&lt;br /&gt;     -Como se organizam as famílias em qualquer lugar: todos participam dos esforços e dos benefícios igualmente. Se são cinco pessoas e há cinco maçãs, uma para cada um. É muito simples. Quando não existe amor, o intelecto se coloca a serviço do ego e complica as coisas para justificar o seu egoísmo. Quando existe amor, tudo é diáfano, transparente.&lt;br /&gt;     -Estou com sono, outra vez...&lt;br /&gt;     -Venha, vou dar-lhe uma nova "carga", mas esta noite você deve dormir.&lt;br /&gt;     Deitei-me numa poltrona. Ami colocou novamente o carregador na base da minha cabeça e eu dormi. Acordei cheio de energia, contente de estar vivo.&lt;br /&gt;     -Por que você não fica comigo alguns dias, Ami?... poderíamos ir à praia...&lt;br /&gt;     -Gostaria muito -disse, acariciando-me os cabelos- mas tenho muito que fazer, muitos ignoram a Lei, e não somente aqui na Terra...&lt;br /&gt;     -Você é muito serviçal...&lt;br /&gt;     -Graças ao Amor. Sirva você também, lute pela paz e união, e descarte para sempre a violência.&lt;br /&gt;     -Assim o farei, apesar de que existem algumas pessoas que merecem um bom murro no nariz... -Ami riu.&lt;br /&gt;     -Você tem razão, mas essas pessoas se dão o murro no nariz elas mesmas...&lt;br /&gt;     -Como é isso?&lt;br /&gt;     -As violações ao amor se pagam multiplicadas. Lembre-se do sofrimento que se observa em tantos lugares, dos que sofrem acidentes, perdas de seres queridos, que têm "azar" na vida, e tantas coisas... assim se pagam as violações ao amor, e de muitas outras formas.&lt;br /&gt;     Apareceu o balneário. Ami colocou a nave alguns metros acima da areia da praia. Estávamos invisíveis.&lt;br /&gt;     Acompanhou-me à saída, atrás da sala de comandos, abraçamo-nos. Eu sentia muita tristeza, ele também. Acenderam-se umas luzes amarelas que me ofuscaram.&lt;br /&gt;     -"Lembre-se que o amor é o caminho à felicidade" -disse-me, enquanto senti que ia descendo. Em cima não havia nada, mas soube que Ami estava me olhando, talvez como eu, com lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;     Ainda não queria ir embora. Com um graveto desenhei um coração alado na areia da praia, para que ele soubesse que eu tinha escutado sua mensagem. Imediatamente depois, algo traçou um círculo ao redor do coração. Escutei a voz de Ami:&lt;br /&gt;     -Essa é a Terra.&lt;br /&gt;     Fui caminhando em direção à minha casa. Tudo me parecia bonito; respirei profundamente o aroma do mar, acariciei a areia, as árvores, as flores. Não havia percebido até então a beleza que era este caminho, até as pedras pareciam vibrar.&lt;br /&gt;     Antes de entrar, olhei o céu da praia. Não tinha nada.&lt;br /&gt;     Minha vovó ainda dormia. Arrumei tudo no meu quarto, de maneira que parecesse que eu acabara de me levantar, fui ao banheiro para banhar-me. Quando sai, minha vovó estava levantada.&lt;br /&gt;     -Como dormiu, filhinho?&lt;br /&gt;     -Bem, vovó. E você?&lt;br /&gt;     -Mal, Pedrinho... como sempre. Não fechei um olho a noite inteira...&lt;br /&gt;     Não pude evitar abraça-la com carinho.&lt;br /&gt;     -Vovó, tenho uma surpresa para você; vou lhe dar no café da manhã.&lt;br /&gt;     Ela preparou o café e o serviu. Eu tinha colocado as "nozes" em um prato coberto por um guardanapo. Havia cinco ou seis.&lt;br /&gt;     -Experimente isso, vovó -disse-lhe, aproximando-lhe o prato.&lt;br /&gt;     -Que são, filhinho?&lt;br /&gt;     -São nozes extraterrestres, experimente, são gostosas.&lt;br /&gt;     -Ah, menino... você diz cada coisa... deixa eu ver... hummmm... que gostosas! O que são?&lt;br /&gt;     -Já lhe disse, nozes extraterrestres. Não coma mais de três, têm muitas proteínas. Vovó, você sabe qual é a Lei maior do universo?&lt;br /&gt;     Estava radiante, ia lhe dar uma aula magistral...&lt;br /&gt;     -Claro que sim, filho -respondeu.&lt;br /&gt;     Preperei-me para corrigi-la.&lt;br /&gt;     -Qual é, vovó?&lt;br /&gt;     -O amor, claro, Pedrinho -respondeu com total naturalidade. Fiquei como louco, como é que ela podia saber isso?&lt;br /&gt;     -E como é que você sabe? -exclamei incrédulo.&lt;br /&gt;     -Está na Bíblia...&lt;br /&gt;     -Então, por que tem tanta maldade e guerra, vovó?&lt;br /&gt;     -Porque não são todos os que sabem, ou não querem saber!&lt;br /&gt;     Saí ao povoado. Ao chegar na pracinha fiquei paralisado: na minha frente apareceram os dois guardas da noite anterior. Passaram ao meu lado ignorando-me completamente. De repente olharam para cima, outras pessoas faziam o mesmo.&lt;br /&gt;     No céu, um objeto brilhante se movimentava fazendo um jogo de luzes coloridas: vermelhas, azuis, amarelas, verdes. Os guardas se comunicavam por rádio com a comissária. Eu estava contente e divertido. Sabia que Ami estava me olhando pela tela, saudei-o alegremente com a mão.&lt;br /&gt;     Um senhor, já de certa idade, que caminhava com uma bengala, sentia-se muito incomodado pelo alvoroço:&lt;br /&gt;     -Um ovni, um ovni -diziam felizes as crianças. O senhor olhou para cima e logo desviou os olhos com desagrado.&lt;br /&gt;     -Gente ignorante, supersticiosa!... isso deve ser um globo-sonda, um helicóptero, um avião... ovnis... que ignorância! -E afastou-se altivo, rua acima, com sua bengala, sem olhar novamente para aquele maravilhoso espetáculo que apareceu no céu daquela manhã.&lt;br /&gt;     Senti no ouvido a voz de Ami, o menino das estrelas:&lt;br /&gt;     -Adeus, Pedrinho.&lt;br /&gt;     -Adeus, Ami -respondi emocionado.&lt;br /&gt;     O "ovni" desapareceu.&lt;br /&gt;     No dia seguinte, os jornais não publicaram a notícia... é que essas alucinações coletivas já deixaram de ser novidade, já não são "notícia"... cada dia aumenta mais o número de gente ignorante e supersticiosa...&lt;br /&gt;     Na praia daquele balneário existe um coração alado dentro de um círculo, gravado no alto de uma pedra, a mesma na qual eu conheci Ami. Parece como se tivessem fundido a pedra para desenhar esse símbolo, ninguém sabe como foi feito. Qualquer pessoa que chegue nesse lugar pode ver, mas é difícil subir nessa pedra tão alta, especialmente para os adultos; uma criança é mais ágil e, principalmente, mais leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor: Enrique Barrios &lt;br /&gt;Editora Errepar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://br.geocities.com/ami_missao/ami.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-446326748630495214?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/446326748630495214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=446326748630495214' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/446326748630495214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/446326748630495214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/05/ami-o-menino-das-estrelas.html' title='AMI O MENINO DAS ESTRELAS'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-8752986502493906145</id><published>2011-04-04T13:06:00.000-07:00</published><updated>2011-04-04T13:06:13.546-07:00</updated><title type='text'>As coisas boas da vida</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/BPc5Y88IQzw?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-8752986502493906145?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/8752986502493906145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=8752986502493906145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8752986502493906145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8752986502493906145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/04/as-coisas-boas-da-vida.html' title='As coisas boas da vida'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/BPc5Y88IQzw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-721927081367592150</id><published>2011-03-13T10:41:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T10:41:17.358-07:00</updated><title type='text'>O Mistério Bilu - Parte 1 -  3 de 3</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/kw3dBL5T8Lw?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-721927081367592150?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/721927081367592150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=721927081367592150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/721927081367592150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/721927081367592150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/o-misterio-bilu-parte-1-3-de-3.html' title='O Mistério Bilu - Parte 1 -  3 de 3'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/kw3dBL5T8Lw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-7052305261945594302</id><published>2011-03-13T10:26:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T10:26:01.601-07:00</updated><title type='text'>O Mistério Bilu - Parte 1 - 2 de 3</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/v_rM0uJZyos?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-7052305261945594302?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/7052305261945594302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=7052305261945594302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7052305261945594302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7052305261945594302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/o-misterio-bilu-parte-1-2-de-3.html' title='O Mistério Bilu - Parte 1 - 2 de 3'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/v_rM0uJZyos/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-3943851165978255505</id><published>2011-03-13T10:09:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T10:09:01.624-07:00</updated><title type='text'>O Mistério Bilu - Parte 1 - 1 de 3</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/vMU-4DORc8M?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-3943851165978255505?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/3943851165978255505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=3943851165978255505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/3943851165978255505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/3943851165978255505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/o-misterio-bilu-parte-1-1-de-3.html' title='O Mistério Bilu - Parte 1 - 1 de 3'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/vMU-4DORc8M/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-8745344144083260102</id><published>2011-03-09T10:30:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T10:30:09.787-08:00</updated><title type='text'>Bilu ET fala com Charles parte 2.MPG</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/LQL38_L5-00?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-8745344144083260102?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/8745344144083260102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=8745344144083260102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8745344144083260102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8745344144083260102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/bilu-et-fala-com-charles-parte-2mpg.html' title='Bilu ET fala com Charles parte 2.MPG'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/LQL38_L5-00/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-8453006413384808607</id><published>2011-03-09T10:29:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T10:29:20.809-08:00</updated><title type='text'>Bilu et brasileiro fala com charles</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/LDrsUz99qe0?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-8453006413384808607?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/8453006413384808607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=8453006413384808607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8453006413384808607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8453006413384808607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/bilu-et-brasileiro-fala-com-charles.html' title='Bilu et brasileiro fala com charles'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/LDrsUz99qe0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-5744702641169944419</id><published>2011-03-08T12:23:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T12:23:00.398-08:00</updated><title type='text'>Canal InfoNews CTZ - Mudanças Climáticas entrevista Pesquisador do Proje...</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/sIeIX4tbEE0?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-5744702641169944419?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/5744702641169944419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=5744702641169944419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/5744702641169944419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/5744702641169944419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/canal-infonews-ctz-mudancas-climaticas.html' title='Canal InfoNews CTZ - Mudanças Climáticas entrevista Pesquisador do Proje...'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/sIeIX4tbEE0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-8555144773185594928</id><published>2011-03-08T12:03:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T12:07:06.481-08:00</updated><title type='text'>KIT DE SOBREVIVENCIA RECOMENDADO PELA AGENCIA DE EMERGENCIA DOS EUA</title><content type='html'>Bilu &lt;br /&gt;Verdades Ocultas &lt;br /&gt;Impacto na sua vida &lt;br /&gt;Mente e Corpo &lt;br /&gt;Projeto Portal &lt;br /&gt;Notícias&lt;br /&gt;Kit Sobrevivencia Recomendado pela Agencia de Emergencia dos EUA &lt;br /&gt;Qua, 23 de Fevereiro de 2011 19:22 &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Recomenda-se incluír os seguintes itens ao Kit de Sobrevivência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÁGUA:&lt;br /&gt;» 3 litros de água por dia para cada pessoa, será usado para consumo e higiene.&lt;br /&gt;» Crianças, Mulheres Lactantes e pessoas doentes podem precisar de mais água.&lt;br /&gt;» Se você vive em um clima quente mais água pode ser necessária.&lt;br /&gt;» Armazenar água em recipientes de plástico bem limpo, como garrafas de refrigerantes.&lt;br /&gt;» Manter pelo menos um de três dias de fornecimento de água por pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia Mais : ALIMENTOS e PRIMEIROS SOCORROS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;» Estoque, pelo menos, um período de três dias de fornecimento de alimentos não-perecíveis.&lt;br /&gt;» Escolha alimentos que não necessitem de refrigeração, preparação ou cozimento usando pouca ou nenhuma água.&lt;br /&gt;» Tenha consigo um pacote com um abridor de latas manual e utensílios de cozinha como talheres e facas.&lt;br /&gt;» Evitar alimentos salgados, pois o sal fará você sentir sede e beber mais água do que o necessário.&lt;br /&gt;» Escolha alimentos sua família queira comer, tais como:&lt;br /&gt;* Carnes enlatadas pré-cozidas,&lt;br /&gt;* Legumes&lt;br /&gt;* Barras de proteína&lt;br /&gt;* Cereais ou granola&lt;br /&gt;* Creme de amendoim&lt;br /&gt;* Frutas Tropicais&lt;br /&gt;* Frutas secas&lt;br /&gt;* Biscoitos&lt;br /&gt;* Barras de Chocolate&lt;br /&gt;* Sucos em caixinha ou garrafas de suco concetrado&lt;br /&gt;* Leite Pasteurizado, longa-vida, de caixinha.&lt;br /&gt;* Alimentos ricos em energia&lt;br /&gt;* Vitaminas&lt;br /&gt;* Alimentos para bebês&lt;br /&gt;COMUNICAÇÃO E ILUMINAÇÃO:&lt;br /&gt;» Ao menos um par de rádios tipo "walk-talkies".&lt;br /&gt;» Um rádio AM/FM&lt;br /&gt;» Telefone Celular (caso funcionem, claro.)&lt;br /&gt;» Lanternas&lt;br /&gt;» Baterias e Pilhas Recarregáveis&lt;br /&gt;» Recarregador de Baterias Manual ou Solar.&lt;br /&gt;» Apitos de Sopro&lt;br /&gt;PRIMEIROS SOCORROS:&lt;br /&gt;Em qualquer emergência um membro da família ou você mesmo pode se cortar, queimar ou machucar-se. Ter em mãos um kit básico de primeiros socorros permitirá ajudar os seus entes queridos quando são feridos. Lembre-se, muitas lesões não são fatais e não requerem atenção médica imediata. Conhecer a forma de tratar pequenas lesões podem fazer a diferença em uma emergência. Considere fazer um curso de primeiros socorros, mas simplesmente ter em mãos as coisas a seguir pode ajudá-lo a parar de sangrar, prevenir infecções e ajudar na descontaminação.&lt;br /&gt;» Dois pares de luvas esterilizadas de latex (ou outro, se você for alérgico ao látex).&lt;br /&gt;» Curativos estéreis para parar o sangramento. Faixas e aqueles pacotinhos de Gaze Estéril.&lt;br /&gt;» Agente de Limpeza / sabão e sabonetes bactericidas para desinfetar.&lt;br /&gt;» Pomada antibiótica para evitar infecção.&lt;br /&gt;» Pomadas para queimadura.&lt;br /&gt;» Band-Aids em uma variedade de tamanhos.&lt;br /&gt;» Alguns rolos de esparadrapo&lt;br /&gt;» Solução para lavagem dos olhos para lavar os olhos ou como descontaminante geral.&lt;br /&gt;» 2 Termômetros&lt;br /&gt;» Medicamentos de uso diário, como a insulina, medicamentos para o coração, pressão-alta, taxa de glicose e inaladores para asma. Periodicamente, renove o Kit, de acordo com as datas de validade dos medicamentos. &lt;br /&gt;» Aspirina e analgésicos&lt;br /&gt;» Medicação Anti-diarréica&lt;br /&gt;» Antiácidos (para dor de estômago)&lt;br /&gt;» Laxante&lt;br /&gt;» Tesoura&lt;br /&gt;» Pinças&lt;br /&gt;» Tubo de vaselina ou outro lubrificante&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;HIGIENE E SANITIZAÇÃO:&lt;br /&gt;» Lenços umedecidos,&lt;br /&gt;» Papel Higiênico&lt;br /&gt;» Produtos de Higiene Pessoal (Sabonete, Creme Dental, Escovas)&lt;br /&gt;» Sacos de lixo&lt;br /&gt;AR PURO:&lt;br /&gt;Algumas emergências potenciais podem causar contaminação microscópica do ar. Inundações, por exemplo, podem criar mofo no ar e estes podem deixá-lo doente. Uma explosão pode liberar compostos que causem danos aos pulmões. Um ataque terrorista usando armas químicas ou biológicas pode liberar os germes que, se inalado ou absorvido através de feridas abertas, podem fazê-lo adoecer. Muitos desses agentes são perigosos apenas, se entrar em seu organismo, então é importante pensar em criar uma barreira entre você e a área de contaminação.&lt;br /&gt;Protegendo o Nariz e a Boca:&lt;br /&gt;Máscaras de beleza ou de material denso, como malha de algodão, cobrem confortavelmente o nariz ea boca e é especialmente adequado para cada membro da família. Faça o que puder para garantir o melhor ajuste possível para as crianças. Esteja preparado para improvisar com o que você tem em mãos para proteger seu nariz, boca, olhos e cortes em sua pele. Qualquer coisa que se encaixa confortavelmente sobre seu nariz e boca, incluindo qualquer material denso tecido de algodão, pode ajudar a filtrar contaminantes em uma emergência. É muito importante que a maior parte do ar que você respira venha através da máscara ou pano, não em torno dela. Existe uma grande variedade de máscaras disponíveis em lojas de material industrial, que contêm filtros para micropartículas. Pense em ter ao menos uma dúzia destas para cada pessoa que se abrigar com você. Lembre-se, entretando, que mesmo as máscaras de microfiltragem, não são ideais para casos de contaminação química. Ainda é melhor do que nada, mas é altamente recomendável que evite expor-se aos ambientes contaminados.&lt;br /&gt;Abrigos Improvisados:&lt;br /&gt;Há circunstâncias em que será preciso criar uma barreira e permanecer completamente isolado do ambiente exterior, potencialmente contaminado. Esse é o chamado "shelter-in-place" e pode ser determinante para sua sobrevivência. É construído rapidamente, colocando-se fitas adesivas e plásticos em janelas, portas e saídas de ar, selando o ambiente do exterior. Considere o pré-corte e etiquetagem desses materiais. Qualquer coisa que você puder fazer com antecedência será determinante e poupará seu tempo quando isso realmente contar. Utilizar as informações disponíveis para avaliar a situação. Se você ver uma grande quantidade de detritos no ar, ou se as autoridades locais dizem que o ar está muito contaminado, crie uma segunda área selada em sua casa, se isso for possível, em algum cômodo mais interno. Geralmente os corredores de circulação ficam mais afastados de janelas e com uma dupla selagem, se tornarão os lugares mais seguros de seu abrigo. Importante considerar o seguinte: Se você precisar ficar preso e isolado num lugar selado durante 3 dias, você e as pessoas que lhe acompanham terão problemas com a contaminação do ar interior com excesso de CO². O recomendado, é que seja colocado numa de suas janelas, o vitro do banheiro, por exemplo, um filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air Filtration).&lt;br /&gt;Estes filtros altamente eficientes têm microporos que podem capturar partículas muito pequenas, incluindo alguns agentes biológicos. Uma vez presos dentro de um filtro HEPA esses agentes contaminantes não entrarão em seu organismo e não irão deixá-lo doente. PORÈM, esses filtros sejam excelentes em filtragem de poeira, mofo, fumaça, agentes biológicos e outros contaminantes, eles não vão parar de gases químicos. Avalie a situação e faça sua melhor escolha.&lt;br /&gt;OUTRAS COISAS IMPORTANTES DO SEU KIT:&lt;br /&gt;» Rolos de Fita Adesiva&lt;br /&gt;» Plásticos pré-cortados de acordo com as medidas de janelas, portas externas e saídas de ar.&lt;br /&gt;» Jogo de Ferramentas, Alicates e Chaves&lt;br /&gt;» Mapas Locais&lt;br /&gt;» Documentos Pessoais de Identificação e Dinheiro, ambos em sacos impermeáveis, devidamente protegidos.&lt;br /&gt;» Um livro sobre Primeiros Socorros.&lt;br /&gt;» Um Guia de Sobrevivência (disponível para download)&lt;br /&gt;» Sacos de Dormir ou Cobertores para todas as pessoas abrigadas&lt;br /&gt;» Algumas Roupas.&lt;br /&gt;» Sapatos Resistentes, preferencialmente botas de camping ou coturnos.&lt;br /&gt;» Cloro e conta-gotas (9 partes de água por 1 de Cloro para desinfetar e 16 gotas por litro para purificar a água.)&lt;br /&gt;» Extintor de Incêndio&lt;br /&gt;» Copos, Pratos e Toalhas de Papel.&lt;br /&gt;» Utensílios de Plástico&lt;br /&gt;» Papel e Lápis&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-8555144773185594928?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/8555144773185594928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=8555144773185594928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8555144773185594928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/8555144773185594928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/kit-de-sobrevivencia-recomendado-pela.html' title='KIT DE SOBREVIVENCIA RECOMENDADO PELA AGENCIA DE EMERGENCIA DOS EUA'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-1174869780006739479</id><published>2011-03-08T11:54:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T11:54:34.489-08:00</updated><title type='text'>PROJETO PORTAL GRUPO DOS 19-VERDADES OCULTAS</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/ZzmKl4mjs6c?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-1174869780006739479?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/1174869780006739479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=1174869780006739479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/1174869780006739479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/1174869780006739479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/projeto-portal-grupo-dos-19-verdades.html' title='PROJETO PORTAL GRUPO DOS 19-VERDADES OCULTAS'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ZzmKl4mjs6c/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-6771540053203555949</id><published>2011-03-08T11:36:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T11:36:50.601-08:00</updated><title type='text'>Urandir não é o Bilú - (As provas) - Projeto Portal - Real Alien - UFO 2011</title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/mHTQEWJlAEU?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-6771540053203555949?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/6771540053203555949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=6771540053203555949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/6771540053203555949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/6771540053203555949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/03/urandir-nao-e-o-bilu-as-provas-projeto.html' title='Urandir não é o Bilú - (As provas) - Projeto Portal - Real Alien - UFO 2011'/><author><name>CHARLES</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11622970520364131942</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_ymCECxqDh2k/SWuztDfpEFI/AAAAAAAAAGw/AhX_GYBWZxg/S220/037.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/mHTQEWJlAEU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1443373981217066861.post-7461925435938365214</id><published>2011-02-23T11:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T11:37:51.355-08:00</updated><title type='text'>REAL ALIEN TELEPORTATION (TV FOOTAGE) - ET BILU - PROJETO PORTAL - UFO 2...</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/YHNwaqH-OHA?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1443373981217066861-7461925435938365214?l=estadodegraca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estadodegraca.blogspot.com/feeds/7461925435938365214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1443373981217066861&amp;postID=7461925435938365214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7461925435938365214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1443373981217066861/posts/default/7461925435938365214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estadodegraca.blogspot.com/2011/02/real-alien-teleportation-tv-footage-et.html' title='REAL ALIEN TELEPORTATION (TV FOOTAGE) - 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